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1 ANO DE  PARTIDA DA COMPANHEIRA CÉLIA ZANETTI!

                                                                                                        Célia

Você suscitou insurgências e rupturas no pensar e no agir.

Quanto mais pesadas eram as trevas, mais você irrompia como

vagalume.

 

        Caros(as) amigos(as) e companheiros(as)

        No dia 27 de janeiro já se completou 1 ano da partida da nossa companheira guerreira Célia Zanetti. 1 ano em que sua ausência/presença  continua marcando profundamente as nossas vidas a cada dia, a cada momento em que continuamos juntando forças para tocar o barco como, aliás, ela expressou quando passou pela cabeça que poderia não vencer a doença.

         Mais do que nunca temos a nítida compreensão de que tocar o barco pra frente é levar adiante com toda força, dedicação e eficácia a teoria e a prática que deram fundamento e sentido à sua crítica e à sua luta, a ruptura com o moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias, o capitalismo!

          É com esse sentido que realizamos o ato em homenagem a essa brava companheira. Plantamos, compartilhamos belos momentos musicais, poéticos e depoimentos sobre sua trajetória de vida dedicada às causas libertárias e emancipatórias.

        Foi um momento ímpar também para (re)afirmarmos nosso compromisso teórico e prático de viabilizarmos essa maravilhosa façanha histórica que é a luta emancipatória e assim darmos um sentido profundo à ideia de manter a Célia viva!

           Agradecemos a presença de vocês na homenagem, assim como a participação e o apoio na continuidade dessa luta!

           Um  abraço!

           Crítica Radical

 

UM POUCO DA HISTÓRIA DA CÉLIA

Célia Zanetti nunca se apequenou na vida.

Sua existência marcou Fortaleza, o Ceará e o Brasil.

Seus ensinamentos teóricos e práticos abrem perspectivas para irmos muito além da administração da barbárie no Brasil e no mundo.

Célia pegou de cheio os anos de chumbo da ditadura militar em pleno 68. Saiu de Casa Branca, interior de São Paulo, para a capital paulista, onde iniciou seu curso de Letras na Faculdade Sedes Sapientie (PUC).

Seu enfrentamento do momento mais difícil do movimento estudantil brasileiro lhe possibilitou um acúmulo de uma rica experiência. Com a queda do XXX Congresso da UNE, em outubro de 1968, em Ibiúna, o movimento estudantil foi fortemente atingido. Mais de mil estudantes foram presos. Isso criou enormes obstáculos que exigiam novas abordagens, novas formulações e novas propostas teóricas e práticas para essa nova fase do movimento estudantil.

Foi integrante do Centro Acadêmico e depois do DCE. Jogou um papel fundamental, juntamente com outros valorosos companheiros e companheiras, na reorganização do movimento estudantil, não só em plano estadual, mas em plano nacional, com a realização do clandestino XXXI Congresso da UNE, que elegeu Honestino Guimarães seu presidente.

Fugindo da perseguição política e caçada pelo delegado Fleury, Célia chegou ao Ceará na clandestinidade no início de 1974. Encontrou-se com Rosa Fonseca que saía da prisão e Maria Luiza que chegava do exterior. Ao contar com a solidariedade do povo cearense, cumpriu um destacado papel na retomada dos movimentos sociais do nosso estado.

Por isso o nome de Célia Zanetti está inscrito na história do Ceará. Ela esteve presente nas principais lutas das favelas do estado. Participou de inúmeras ocupações de terra. Lutou bravamente contra a violência sobre as mulheres e contribuiu para o dimensionamento, com base na crítica radical do valor-dissociação, da luta das mulheres por uma transformação profunda da sociedade atual. Indignava-se sempre com todas as formas de preconceito e concepções obscurantistas e conservadoras, seja em relação aos negros, índios, homossexuais, religiosos, judeus, ciganos e outros segmentos. Esteve sempre presente nas greves e ocupações dos trabalhadores e trabalhadoras, manifestando a sua solidariedade, mas sempre alertando acerca da diferença fundamental entre a luta imanente e a luta transcendente ao capital e suas categorias fundantes que se expressam no nosso existir e pensar.

Foi fundadora e integrante do Movimento Feminino Pela Anistia, da União das Mulheres Cearenses, da União das Comunidades da Grande Fortaleza e do Crítica Radical. Sempre teve grande preocupação com a situação da natureza, que ia desde o cuidado com a questão ambiental nas ocupações de terra até o papel destacado que teve nas lutas em defesa do Cocó. Sua presença altiva, serena, corajosa e decidida no acampamento do Cocó ajudou a forjar na luta inúmeros jovens cearenses.

Ocupava sempre as primeiras fileiras no enfrentamento contra a repressão. Sua energia ilimitada na batalha pela liberdade de Cesare Batistti é inesquecível. Isso tudo tinha a ver com a profunda revolta e indignação que guardava contra as torturas, assassinatos, desaparecimentos e todas as formas de perseguição política a inúmeros companheiros e companheiras com quem atuou no período da ditadura.

Sua visão da luta transnacional a levou à China em 1995, para a Conferência Mundial das Mulheres, em Pequim. No Occupy Wall Street, nos Estados Unidos, ela participou de uma importante reunião com integrantes do movimento. Foi uma das mais expressivas organizadoras dos protestos do BID, do MERCOSUL e das Jornadas de Junho em Fortaleza.

Sua sensibilidade para com os desafios no plano teórico aflorou com entusiasmo quando da descoberta dos Grundrisse. É inesquecível sua alegria desmedida quando lançamos o Manifesto Contra a Política, em 1999, que anunciava com bastante antecedência os desdobramentos que redundaram nos acontecimentos atuais. Da mesma forma ocupou posição destacada na organização do Seminário Teoria Crítica Radical, Superação do Capitalismo e Emancipação Humana, em 2000, quando trouxemos à Fortaleza Robert Kurz, Norbert Trenkle, Anselm Jappe, Moishe Postone e Dieter Heidemar.

Tal como a gata da fábula tcheca, identificava os que mudavam e não mudavam de cor. Com estes, buscou incansavelmente a união indispensável para a transformação da sociedade atual com sua descivilização, genocídio, ecocídio e barbárie.

São muito fortes as coisas. Mas nós não somos as coisas e nos revoltamos, dizemos parafraseando o poeta.

A revolta consciente da Célia, sua ternura e desapego às coisas materiais e sua preocupação constante com o papel emancipatório das pessoas humanas, nos abriram perspectivas para a suplantação do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias, o capitalismo.

Célia construiu um novo canto para os seres humanos e a natureza. Seu canto nos encanta para superarmos o desencanto ainda reinante.

Sua solidariedade e coragem incomensuráveis contribuíram para a gestação de um compromisso efetivo teórico e prático com a luta emancipatória.

O ar instigante e conspirativo da nossa cidade tem a poesia e o perfume de Célia. Seu sorriso franco e aberto nos passeios com Benjamin na Praça do Benfica embelezou definitivamente a melodia da Fortaleza emancipada!

 

CÉLIA ZANETTI, PRESENTE! ONTEM, HOJE E SEMPRE!

Manifestação dos professores no Fórum Clóvis Beviláqua

Ato de Solidariedade à Marielle

Homenagem à Celia Zanetti

Sarau da Libertação a Emancipação

na praça da Messejana

Um minuto de silêncio em homenagem a Celia Zanetti

Festa da Conquista do sítio brotando a emancipação

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