ANO NOVO COM REFLEXÃO E LUTA! CONTINUA A BATALHA DOS TRABALHADORES(AS) DO HOSPITAL E MATERNIDADE DA UFC!

 PLENÁRIA COM REFLEXÃO, REAFIRMAÇÃO DA LUTA E PARTILHA!

           A semana do Natal e a início do Ano Novo tem sido de grande mobilização para os trabalhadores(as) da Maternidade Escola e Hospital das Clínicas em greve contra as demissões em massa e por abertura de negociação para prorrogação dos contratos UFC/SAMEAC.

          Na Plenária Geral de 2ª feira após o Natal, fizemos um balanço geral de toda essa situação e pensamos os próximos passos. Em meio à apreensão e dificuldades, em particular dos que nada receberam do 13º e novembro, um momento de descontração e alegria: a partilha das saborosas mangas trazidas pelos companheiros(as) do Crítica Radical do Sítio Brotando a Emancipação.

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           A UFC, por sua vez, apesar de ter se reunido coletivamente com os trabalhadores(as) continua com a posição fechada em relação à negociação da prorrogação dos contratos. O argumento agora é a AGU – Advocacia Geral da União. Tudo é atribuído à posição da AGU. Em função da mobilização os companheiros que não estão na chamada lista dos 111 receberam os salários de novembro e o 13º. Já os da referida lista continuaram com salários e 13º cortados, não só companheiros em greve, mas também trabalhadores gozando férias, etc. e até gente que não estava na greve. Veja a seguir.

                     TRABALHADORES(AS) OCUPAM GABINETE DO REITOR

          Na segunda-feira, dia 20/12, o grupo decidiu ir à Reitoria e ocupou o Gabinete do Reitor. Após algum tempo o movimento foi recebido pelo Prof. Ciro Nogueira e Prof. José Maria, chefe de Gabinete, no Salão Nobre da UFC, oportunidade em que foram entregues mais cerca de 5.000 abaixo-assinados em solidariedade aos trabalhadores(as) e contra as demissões colhidos recentemente entre estudantes, funcionários e professores da medicina, em várias igrejas, escolas, etc.

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               Foi um momento muito forte em que vários companheiros(as) se manifestaram dando depoimentos emocionados sobre o tempo de trabalho e a dedicação de grande parte de suas vidas a cuidar dos pacientes e garantindo o funcionamento dos referidos hospitais. Ao mesmo tempo protestando contra o verdadeiro massacre a que vêm sendo submetidos por estarem insistindo na luta para se manterem trabalhando no Complexo Hospitalar. As professoras Maria Luiza Fontenele e Rosa Fonseca, do Crítica Radical também se manifestaram, assim como a Presidenta do SINDSAÚDE, Marta Brandão, entre outras diretoras.

           Todos(as) insistiram no pagamento dos salários e do 13º, na prorrogação dos contratos e fim das perseguições.

           Os representantes da reitoria se comprometeram a conversar com o Reitor e dar resposta na terça, 22 de dezembro, às 14 horas.

           À tarde a reunião foi com a direção da SAMEAC na sala C da Biblioteca da Faculdade de Medicina. A Presidenta, Dra Helenir, informou que haveria reunião com a UFC e após isso faria nova reunião.

UFC MANDA PAGAR NOVEMBRO E 13º DA MAIORIA DOS(AS) TRABALHADORES

EM GREVE, MAS PERSEGUE 111 COMPANHEIROS(AS). ENTENDA O CASO.

.           Na terça-feira, reunidos com os trabalhadores(as) no Auditório da Reitoria, o Professor Ciro Nogueira e o Professor Ademar Gondim comunicaram que foi liberado o pagamento da 2ª parcela do 13º integralmente e dos salários de novembro para a maioria dos grevistas, descontados os dias parados, já que cumprem uma escala de greve.

        Sem dúvidas, um resultado importante, mas registrou-se um grave problema de uma perseguição e injustiça flagrante contra 111 companheiros(as).

        Os companheiros(as) que estavam na 1ª lista para serem despedidos, cuja demissão foi sustada pelo Juiz da 7ª Vara do Trabalho, Dr. Antônio Fortuna, de uma certa forma de imediato foram absurdamente penalizados. Como o Juiz decidiu também que as verbas rescisórias calculadas relativas a esses companheiros(as) deveriam ser depositadas EM JUÍZO até a solução do problema ou possíveis rescisões, a UFC  e AGU (Advocacia Geral da União) interpretaram que esse pessoal não deveria receber nada o que, além de uma barbaridade com os pais e mães de família que trabalharam total ou parcialmente na escala de greve, é um flagrante desrespeito à decisão da Justiça! Protestamos veementemente contra essas atitudes e insistimos para que fossem reconsideradas.

        Enquanto isso os advogados do MDTS tentam reverter esse quadro no Tribunal Regional do Trabalho, já que o Juiz da 7ª Vara não quis se manifestar sobre o assunto.

        Com relação à prorrogação dos contratos, que é o objetivo maior da luta, não houve avanços. E surgem boatos da ameaça de uma nova lista de demissões!

ABAIXO A DEMISSÃO! VIVA A EMANCIPAÇÃO!

        Todo esse sofrimento é resultado de uma política desumana do TCU e do governo LULA/DILMA que, ao criar a EBSERH, ordenaram a demissão de mais de 60.000 trabalhadores dos hospitais universitários em todo o Brasil. É também, como alertamos constantemente os companheiros(as), a expressão dessa sociedade capitalista cujas relações sociais são mediadas pelo dinheiro e reguladas pelo Estado sujeitando as pessoas a esse desespero. E, mais ainda, é também a expressão da crise do limite desse sistema, o que coloca na ordem do dia a luta pela ruptura com sua lógica e a construção da emancipação humana.

A LUTA CONTINUA!

         Conforme programado na plenária da segunda, várias comissões foram à AGU, ao Tribunal Regional do Trabalho, à SAMEAC e à OAB.

         As plenárias continuam na diariamente na tenda em frente à MEAC, a partir das 08 horas.

ENCONTROS DIÁRIOS – NA TENDA EM FRENTE À MEAC – 08 HORAS

FESTA DA EMANCIPAÇÃO! A CONFRATERNIZAÇÃO DA CRÍTICA RADICAL E MDTS!

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FOI MUITO MASSA A FESTA DA EMANCIPAÇÃO NO SÁBADO, 19 DE DEZEMBRO, NA RUA PADRE MORORÓ, 952 – SEDE CULTURAL DO SINTAF,  A PARTIR DE 11 H.

A FESTA TEVE UMA NOVIDADE, POIS FOI A CONFRATERNIZAÇÃO DE FINAL DE ANO DO GRUPO CRÍTICA RADICAL COM O MDTS – MOVIMENTO EM DEFESA DOS TRABALHADORES(AS) DA SAÚDE (SAMEAC/UFC) QUE MARCARAM PRESENÇA. 

HOUVE A PARTICIPAÇÃO DE UM NÚMERO SIGNIFICATIVO DE  COMPANHEIROS(AS) QUE DE ALGUMA MANEIRA DURANTE TODOS ESSES ANOS CAMINHARAM CONOSCO NA REFLEXÃO E AÇÃO CONTRIBUINDO NA CONSTRUÇÃO DE UM MOVIMENTO SOCIAL DE NOVO TIPO, NA PERSPECTIVA DA CONSTRUÇÃO DE UMA ALTERNATIVA PARA A HUMANIDADE E O PLANETA.

ROSA E MARIA DERAM O RECADO ANALISANDO O MOMENTO E CONVOCANDO OS PRESENTES PARA O FÓRUM PARA CONSTRUIR UMA NOVA HISTÓRIA QUE ACONTECERÁ NO DIA 09 DE JANEIRO (VEJA O LINK)

CARLOS CARECA E A BANDA JC DERAM UM SHOW MARAVILHOSO  EMOCIONANDO A TODOS(AS) COM A APRESENTAÇÃO EM PARTICULAR DO TEMA DA EMANCIPAÇÃO, COMPOSIÇÃO DO CARLOS CARECA. SEM FALAR NOS MOMENTOS TAMBÉM EM QUE PUXARAM A GALERA PARA O SALÃO NUMA ANIMAÇÃO TOTAL. HAJA ENERGIA! EM SEGUIDA CHARLES NOS PRESENTEOU COM UM POUCO DE MPB.

ALÉM DISSO, TIVEMOS POESIA, ENCONTROS E REENCONTROS E A PARTILHA DE SABOROSAS MANGAS E BANANAS DO SÍTIO BROTANDO A EMANCIPAÇÃO, PARA ALEGRIA FLAGRANTE DO “SEU ZÉ CAIAITO”, NOSSO PARCEIRO MAIOR NO PROJETO.

NA OPORTUNIDADE FOI SERVIDA UMA DELICIOSA FEIJOADA PREPARADA PELO TAINER E LEDA ROGÉRIO E A TRADICIONAL CAIPIRINHA FEITA POR IRANILDO E JEANE QUE ESTAVA GOSTOSÍSSIMA!

COM TODA ESSA ENERGIA COMPARTILHADA RENOVAMOS AS FORÇAS PARA ENFRENTARMOS OS DESAFIOS QUE SE APRESENTAM NA LUTA PELA EMANCIPAÇÃO!

UM ANO NOVO DE MUITA LUZ, LUTA E VITÓRIAS PARA TODOS(AS)!

 

 

RUPTURA OU EXTINÇÃO! LIVRO CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL LANÇADO EM FORTALEZA COM A PRESENÇA DO AUTOR, PROFESSOR LUIZ MARQUES (UNICAMP)

             CARTAZ JORGE PAIVA

              POR INICIATIVA DO INSTITUTO CRÍTICA RADICAL REALIZOU-SE  NOS DIAS 03 E 04/12, NA FACULDDAE DE DIREITO DA UFC, O LANÇAMENTO E DEBATE DO LIVRO CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL COM A PRESENÇA DO AUTOR , PROFESSOR LUIZ MARQUES, DA UNICAMP.

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            Por ocasião do lançamento , o professor fez uma exposição com imagens fortes, gráficos e tabelas demonstrando a grave situação em que se encontra o planeta sob a lógica do capitalismo.

             Na conferência, no dia seguinte, após fazer uma análise da crise socioambiental relacionando com a COP 21 e seus limites, apresentou sua abordagem sobre a relação entre o crescimento capitalista e o esgotamento do planeta bem com as perspectivas de superação.

             O evento causou um grande impacto entre os presentes, em particular quando se analisa as profundas limitações que estão se evidenciando mais uma vez na Conferência Mundial do Clima convocada pela ONU na França de 30/11 a 12/12, o que realça de forma fundamental a necessidade de um movimento social que se proponha realmente a enfrentar e suplantar o capitalismo.

             O Crítica Radical participou também da Marcha Mundial Pelo Clima, em Fortaleza no dia 29 de novembro, domingo, que realizou uma caminhada do Centro Dragão do Mar, indo pela Beira Mar até o Anfiteatro na Volta da Jurema.

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Veja aqui a sinopse do livro

SINOPSE

Pode-se ler este Capitalismo e Colapso Ambiental de várias maneiras, que a notável proeza de Luiz Marques na sua construção permite. Como história ambiental contemporânea, a mais abrangente na coleta de fontes atualizadas e a mais profunda em seu desdobramento crítico de que tenho notícia, mesmo considerada a ampla literatura internacional sobre o tema. Como chamamento à ação política coletiva imediata- anticapitalismo no espírito, radicalmente democrática na proposta e utópico-humanista na linhagem.

 

Veja aqui a entrevista feita pelo Jornal da UNICAMP, com o autor

Capitalismo é o motor do colapso
ambiental, aponta livro de Luiz Marques

Historiador e professor do IFCH lança obra sobre as causas e consequências do caos socioambiental

Texto: Marta Avancini Especial para o JU; Fotos: Antonio Gaudério/FolhaImagem – Antônio Scarpinetti; Ed. de Imagens: Fábio Reis

 

Dados do livro de Luiz Marques mostram que, no período 1970-2013, o desmatamento atingiu uma área de 762.979 km² da floresta amazônica brasileira

Na década de 1990, sete acordos multilaterais, somados a importantes documentos e protocolos, tais como a Agenda 21, a Carta da Terra e o Protocolo de Kyoto, alimentavam a promessa de um novo arranjo político, econômico e social internacional, capaz de conter o processo de degradação ambiental do planeta.

Duas décadas mais tarde, inúmeras pesquisas realizadas nas mais diversas áreas do conhecimento, apontam para uma situação significativamente diferente daquela preconizada pelos acordos firmados entre os países.

Um deles, o Protocolo de Kyoto é emblemático da mudança de perspectiva: os países signatários se comprometiam a reduzir a emissão de gases poluentes responsáveis pelo efeito estufa e o aquecimento global. Mas ao invés de redução, o que se assiste, nessas primeiras décadas do século 21, é o aumento das emissões, somado à tendência de esvaziamento dos compromissos então assumidos.

Esse é um dos cenários reconstituídos no livroCapitalismo e Colapso Ambiental, de Luiz Marques, professor do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp. Reconhecido por sua produção intelectual sobre a Tradição Clássica, o historiador Marques apresenta, em sua nova obra, que será lançada dia 9, em São Paulo, e é dividida em duas seções, um amplo e diversificado painel ilustrativo do que ele classifica como “caos socioambiental” no qual a sociedade contemporânea está imersa, além de analisar as condições sociais, políticas, históricas e econômicas que o desencadearam e o potencializam.

“As crises ambientais tornam inadiável a necessidade de uma reflexão sobre o caos socioambiental em que corremos risco de naufragar. Já de há muito a percepção desses riscos entrou na circulação sanguínea da Unicamp, tanto nas áreas das ciências quanto nas humanidades”, afirma Marques, ao explicar os motivos que o levaram a se envolver com as temáticas ambientais que resultaram no novo livro.

Atualmente, ele participa, com um coletivo de professores da Unicamp, da criação do portal Rio+40, voltado para informação, pesquisa, debate e mobilização acadêmica em torno das crises socioambientais contemporâneas. O portal deverá estar disponível para consulta até o final de 2015.

Leia, a seguir, a íntegra da entrevista que Luiz Marques concedeu ao Jornal da Unicamp.

Jornal da Unicamp – O senhor é conhecido por sua produção intelectual sobre a Tradição Clássica. O que o levou a se envolver com as temáticas ambientais? 

Luiz Marques – Desde a pós-graduação, meu trabalho como pesquisador teve por objeto o que se convencionou chamar a Tradição Clássica, com ênfase na arte figurativa italiana dos séculos XIII ao XVI. É um campo apaixonante em que permaneço engajado.

Mas as crises ambientais tornam inadiável a necessidade de uma reflexão sobre o caos socioambiental em que corremos um risco crescente de naufragar. Muitos colegas do IFCH [Instituto de Filosofia e Ciências Humanas], para falar apenas do meu ambiente imediato, desenvolvem há decênios trabalhos sobre diversos aspectos das crises ambientais.

Que a questão ambiental tenha sensibilizado nos últimos anos um historiador da arte não é senão um sinal a mais, entre tantos, de seu agravamento e ubiquidade.

Há em curso, de resto, uma proposta de criação de um portal da Unicamp para dar mais visibilidade a esses trabalhos em todas as áreas da Universidade e promover o debate entre elas, que espero que esteja em funcionamento até o fim do ano.

JU – Existe algum o fio condutor entre sua produção como intelectual/pensador/historiador que articule sua produção no campo da história e no campo do ambientalismo?

Luiz Marques – Sim. Até certo ponto, este livro não é um parêntese em relação ao meu interesse pela área imensa da Tradição Clássica, pois nasce também da reflexão sobre a superação na Idade Contemporânea dos paradigmas mentais herdados dessa tradição – lenta superação, que se esboça já com a dominação hispano-habsbúrgica sobre a Itália a partir do terceiro decênio do século 16 e que se acelera e se consolida, como é sabido, em estreita interação com a expansão do capitalismo industrial ao longo dos séculos 19 e 20.

Um dos capítulos do livro procura demonstrar como a dinâmica expansiva e centrífuga do capitalismo, substituindo os mitos de origem pelos mitos de futuro, é a condição histórica de possibilidade das crises ambientais contemporâneas. É, aliás, não apenas sua condição necessária, mas também suficiente.

JU – O que sua obra aporta para a reflexão e o debate sobre o mundo contemporâneo e, em particular, sobre as questões ambientais?  

Luiz Marques – Cada linha deste livro tem o objetivo de argumentar em favor da ideia de que vivemos uma situação de urgência. O traço definidor do momento presente é a corrida contra o relógio, uma corrida que, indubitavelmente, estamos perdendo.

A ambição da obra é contribuir para o reconhecimento do fato de que as crises ambientais contemporâneas, por sua envergadura, ubiquidade e aceleração, devem redefinir profundamente os temas e as prioridades na pauta dos debates socioeconômicos e políticos que polarizam hoje nossas sociedades.

JU – Considerando o conjunto de estudos sobre a atual crise ambiental, não é possível identificar um consenso quanto aos impactos do modelo econômico contemporâneo sobre o meio ambiente. Como o senhor situa sua obra nesse contexto?

Luiz Marques – O livro se divide em duas partes e por isso há duas respostas à sua pergunta. Na primeira parte do livro, intitulada A Grande Convergência, atenho-me a justapor os resultados das pesquisas científicas sobre as crises ambientais.

Esses resultados são (como é o próprio da ciência) “conservadores”, isto é, necessariamente cautelosos e probabilísticos. Isso não significa que a ciência esteja dividida sobre a gravidade das crises ambientais.

Em ciência, como em outras áreas do saber, consenso não significa quase nunca unanimidade. No que se refere, por exemplo, às mudanças climáticas, 97% dos cientistas (e são os mais qualificados) afirmam que há 95% a 99% de chances de que as mudanças climáticas em curso sejam preponderantemente antropogênicas. Para todos os fins práticos, econômicos e políticos é da mais elementar prudência considerar essas altíssimas probabilidades como uma certeza plena.

Na segunda parte do livro, na qual procuro identificar no modus operandi do capitalismo global e no antropocentrismo os motores que nos impelem em direção ao colapso ambiental, posso talvez ser considerado radical por aqueles que ainda acreditam ser possível “educar” o capitalismo para a sustentabilidade.

Começam, contudo, a ser menos numerosos os que ainda comungam dessa crença, que é, em meu entender, a mais extraviadora ilusão do pensamento político, social e econômico contemporâneos, pois a de mais graves consequências.

JU – Qual o cenário que se extrai da produção científica sobre a crise ambiental?

Luiz Marques – Por mais “conservadores” que sejam, os resultados das pesquisas científicas constituem um quadro geral alarmante: maiores concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, aquecimento das temperaturas médias globais, supressão e degradação das florestas (com fragmentação ou mesmo destruição completa dos habitats), colapso da biodiversidade, declínio dos recursos hídricos, secas mais intensas e prolongadas, erosão, desertificação, incêndios mais frequentes, mais devastadores e em latitudes mais amplas, poluição dos solos e do meio aquático por esgotos, pelo lixo municipal e industrial, intoxicação química dos organismos e da troposfera, aquecimento e acidificação oceânica, multiplicação das zonas mortas por hipóxia ou anóxia nos rios, lagos e mares, destruição já de cerca de 50% dos recifes de corais, declínio do fitoplâncton, elevação média global de 3,2 milímetros por ano do nível do mar, degelo do Ártico, da Groenlândia, da região ocidental da Antártica e do chamado Terceiro Polo, degelo também dos pergelissolos, com risco crescente de liberação catastrófica de metano na atmosfera, furacões maiores, inundações, alguns invernos setentrionais mais rigorosos, paradoxalmente num mundo de verões letais.

A lista está longe de terminar e mesmo as posições mais conservadoras admitem uma piora generalizada das coordenadas ambientais do planeta.

JU – Como o senhor definiria, de maneira sucinta, a situação atual do planeta? 

Luiz Marques – O capitalismo internacional devasta numa escala e ritmo superiores à capacidade da biosfera de se recompor e se adaptar. Segundo o Global Forest Watch, apenas entre 2000 e 2012, nosso planeta perdeu 2,3 milhões de km² de florestas, em grande parte por causa do avanço da monocultura e das pastagens.

Num estudo recente, The Future of Forests, o Center for Global Development, de Washington, projeta, baseando-se em observações de satélites, que “uma área de florestas tropicais do tamanho da Índia [3,2 milhões de km²] será desmatada nos próximos 35 anos”, se nos mantivermos na rota atual, e isto apenas de florestas tropicais.

Em 2006, um estudo da FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] afirma que “a criação de gado gera mais gases de efeito estufa, mensurados em CO2 equivalente, que o transporte”.

O consumo de 92 milhões de barris de petróleo por dia e a produção global de 7,83 bilhões de toneladas de carvão em 2013, são recordes históricos.

As grandes barragens hidrelétricas e o aumento do carnivorismo são alguns dos fatores decisivos no agravamento das mudanças climáticas e no colapso da biodiversidade terrestre e marítima.

A atual extinção em massa das espécies não é, como as anteriores, mensurável numa escala de tempo geológica, mas numa escala histórica. Em 1900, ela se media numa escala de séculos. Cinquenta anos atrás, a escala de observação mais adequada seria a década. Hoje, a unidade de mensuração do avanço da sexta extinção é o ano ou mesmo o dia.

Segundo uma revisão publicada na revista Science de julho de 2014, “estamos perdendo entre cerca de 11 mil e 58 mil espécies anualmente”, algo entre 30 e 159 espécies por dia.

O capitalismo global está extinguindo ou ameaçando existencialmente um número crescente de espécies, entre as quais, e não por último, a nossa.

JU – E como o Brasil, que detém a maior biodiversidade do planeta, se situa nesse contexto?

Luiz Marques – O desmatamento da Amazônia Legal está novamente em trajetória ascensional.

De agosto de 2013 a julho de 2014 ele foi de 5.012 km². O que é comemorado como uma vitória por setores do governo é, na verdade, uma devastação estarrecedora, só porque representa uma diminuição de 15% em relação aos 12 meses anteriores (5.891 km²).

Na realidade, há aumento de 9% em relação ao período de agosto de 2011 a julho de 2012 (4.656 km²). E já se sabe pelo Instituto Imazon que o desmatamento do período agosto de 2014 – julho de 2015 será expressivamente maior que o dos 12 meses anteriores.

Dados para o período 1970-2013 do IBGE/PRODES [projeto que realiza o monitoramento por satélites do desmatamento por corte raso na Amazônia Legal] indicam uma perda de 762.979 km² da floresta amazônica brasileira, uma área equivalente a 184 milhões de campos de futebol, ou duas Alemanhas (357.051 km²) ou o triplo da área do Estado de São Paulo (248.222 km²).

As emissões de CO² cresceram 62% no Brasil entre 1990 e 2005 e apenas em 2013, conforme computado pelo Sistema de Estimativa de Gases de Efeito Estufa (SEEG), o país gerou 1,56 bilhão de toneladas de CO²-eq, um salto de 7,8% em relação a 2012. Trata-se de uma das maiores taxas de crescimento do mundo nesse ano. Mais da metade do acréscimo provém do desmatamento e de incêndios de florestas, boa parte deles a mando de fazendeiros.

E não se contabilizam aqui as emissões de metano (CH4) pelas grandes represas e pela pecuária, um gás cujo efeito estufa é muito maior.

Segundo Philip Fearnside, pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), as barragens necessárias para o funcionamento da usina de Belo Monte emitirão 11,2 milhões de toneladas de CO²-eq apenas em sua primeira década de operação, o que iguala as emissões anuais de CO²-eq produzidas por 2,3 milhões de automóveis.

Também o sequestro da agricultura (com uso intensivo de agrotóxicos e fertilizantes) pela engrenagem especulativa das commodities indexadas pelo mercado financeiro tem um peso decisivo no fato de que, globalmente, 120 mil km² de terras produtivas tornam-se estéreis a cada ano (dados da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas – UNCCD, 2014).

Em todos esses setores, o Brasil tem certo protagonismo, pois nosso modelo macroeconômico e energético está fortemente ancorado em grandes usinas hidrelétricas e na produção de commodities agropecuárias que engendram desmatamento.

O professor Luiz Marques, autor do livro “Capitalismo e Colapso Ambiental”: “O capitalismo internacional devasta numa escala e ritmo superiores à capacidade da biosfera de se recompor e se adaptar”

JU – Se a crise ambiental é tão profunda, por que os estudos que evidenciam sua extensão e suas graves consequências não repercutem mais intensamente na sociedade, promovendo mudanças de mentalidade e hábitos?

Luiz Marques – A preocupação das sociedades em relação às crises ambientais vem crescendo muito rapidamente. Hoje, a ideia de que precisamos diminuir urgentemente nossa “pegada ambiental” saiu do rol circunscrito das revistas científicas e começa a fazer manchete na grande imprensa, a mobilizar a sociedade civil e a forçar sua entrada na “grande política”. O que era impensável há poucos anos, impõe-se hoje com uma força crescente.

Mas à medida que a consciência ambiental cresce, crescem também as resistências econômicas, políticas e ideológicas. Nos anos 1970, Nicholas Georgescu-Roegen descobriu algo de transcendental importância para as sociedades contemporâneas: “O domínio dos fenômenos que a ecologia abrange é mais amplo que o domínio coberto pela ciência econômica”, de tal modo que “a economia deverá ser absorvida pela ecologia”.

É muito difícil para todos nós entender essa inversão de prioridades e admitir o que ela implica, isto é, que a ecologia é mais importante que a economia. É difícil, porque ainda concebemos o meio físico como matéria-prima, ou seja, como um subsistema do sistema econômico e fomos educados pelo dogma de que o bem-estar das sociedades depende da taxa de crescimento do PIB [Produto Interno Bruto].

Aqui reside, creio eu, a razão primeira de por que as sociedades tardam em reagir à altura dos desafios ambientais que as confrontam.

JU – No livro, o senhor aborda o retrocesso do multilateralismo como um fator que impulsionou o surgimento do Estado-Corporação. Qual o nexo entre este tipo de organização estatal e a crise ambiental? 

Luiz Marques – Em 1987, Gro Harlem Brundtland, uma grande artífice do multilateralismo, escrevia ao final de um encontro internacional: “Talvez nossa tarefa mais urgente hoje seja persuadir as nações da necessidade de retornar ao multilateralismo”. Naquele momento, o princípio do multilateralismo e do direito internacional estava ganhando ímpeto e a ECO-92 foi a expressão mais acabada desse entusiasmo.

Hoje, a tendência é de retrocesso. São imensos os obstáculos que a COP 21 [Conferência do Clima 2015] terá de superar no fim deste ano em Paris para produzir um texto que ultrapasse o âmbito das declarações de boas intenções.

Qualquer resultado aquém de um acordo resolutivo, gerador de hard law, será entendido como mais do mesmo, isto é, como um fracasso, talvez trágico, pois não temos mais tempo a perder. Mas justamente quando mais precisamos passar ao ato, globalmente, mais os Estados nacionais estão identificados com a rede corporativa.

Avanço no livro a hipótese de uma verdadeira mudança na natureza do Estado, com a emergência do que se poderia chamar o Estado-Corporação, um novo modelo de simbiose entre Estado e corporação, trazido pela conversão ao capitalismo por parte da China, da ex-União Soviética e dos países da Europa do Leste, mas também pela alavancagem estatal das economias dos “tigres asiáticos” e de países menos industrializados, como a Índia e o Brasil.

Os Estados estão hoje completamente absorvidos na lógica da rede corporativa nacional ou transnacional e tendem a funcionar e, sobretudo, a se pensar como um elo dessa dinâmica. De onde advém a dificuldade de assumirem qualquer protagonismo na formulação e condução de políticas capazes de reverter a tendência ao colapso ambiental. Mais que nunca, esse protagonismo recai sobre os ombros das sociedades.

JU – Qual é a interface entre a atual crise ambiental e a política?

Luiz Marques – Em seu discurso na Rio+20 em 2012, José Mujica, ex-presidente do Uruguai, afirmou: “A grande crise não é ecológica; é política”. Sem desconhecer seu caráter especificamente ambiental, Mujica tem razão ao afirmar que nenhuma reflexão sobre a “grande crise” será fecunda sem o reconhecimento de sua natureza política.

De fato, o que decidirá da evolução dessas crises será, acima de tudo, a capacidade das sociedades de, informadas pelos consensos científicos, dotarem-se de formas de governo radicalmente democráticas, sem as quais não será possível reagir a tempo à lógica econômica predatória da biosfera.

Na conclusão do livro, mas sem pretender propor receituários, examino rapidamente a questão crucial dessas novas formas de democracia, cujo exame detido situa-se, contudo, além das ambições deste livro.

JU – O senhor aponta, como saída para a crise, a superação da ordem política, econômica e social vigente através da constituição de uma ordem pós-capitalista. Acredita na possibilidade de uma alternativa ao capitalismo, capaz de edificar uma nova ordem mundial pautada pelos princípios da sustentabilidade?

Luiz Marques – Sim, porque se a história ensina algo é que o futuro não está contido no presente. Mas, no momento, ninguém sabe de onde virá uma ação política coletiva capaz de reverter (e não apenas amenizar) a tendência ao colapso ambiental.

Reverter essa tendência requer, em meu entender, a desmontagem da máquina intrinsecamente acumulativa e expansiva do capitalismo. Requer, numa palavra, superar o capitalismo, pois para o capitalismo ser é crescer. E quanto mais dificuldade ele encontra para crescer (inclusive, doravante, por causa das crises ambientais), mais ambientalmente destrutivo ele se torna. O caso do petróleo de xisto e de areias betuminosas é exemplar nesse sentido.

Um número crescente de estudiosos defende, a meu ver acertadamente, o programa de um decrescimento administrado como o mais consequente, talvez o único efetivo, para uma sociedade viável. Mas como isso se traduziria concretamente em ação política e numa sociedade alternativa ao capitalismo é ainda uma incógnita.

De resto, não se pode descartar, por mais trágica e extrema que seja, a hipótese de que talvez não esteja em poder do Homo sapiens desmontar a armadilha que seu engenho lhe armou. Em todo o caso, a primeira condição para enfrentar as crises ambientais presentes e futuras é colocá-las sem mais delongas e subterfúgios como o problema central e impreterível da humanidade.

É precisamente isso o que o livro propõe. É encorajadora a célebre hipótese de Marx, formulada em 1859, segundo a qual “a humanidade só se coloca tarefas que pode resolver, pois (…) a própria tarefa surge apenas quando as condições materiais para sua resolução já existem ou ao menos estão em vias de se constituir”.

Tomara que Marx esteja certo. Mas há uma questão prévia: a humanidade não será capaz de resolver o problema do colapso ambiental se não o reconhecer como tal ou se só o reconhecer quando ele tiver se tornado irreversível.

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Aqui, a Introdução do livro:

Introdução

Luiz Marques

 Em 1856, Alexis de Tocqueville abre suas reflexões sobre a Revolução Francesa com uma advertência: “Nada é mais apropriado a trazer de volta filósofos e estadistas à modéstia que a história de nossa Revolução; pois jamais houve evento maior, remontando mais no tempo, mais bem preparado e menos previsto”1. Desde Tocqueville, o princípio mesmo da previsibilidade histórica, caro aos séculos XVIII e XIX2, foi aos poucos posto em causa. Em 1928, antes portanto de Karl Popper, Paul Valéry emitia seu certificado de óbito: “Nada foi mais arruinado pela última guerra que a pretensão de prever”3.

Justamente porque é da essência da história a imprevisibilidade, não surpreende que os mais decisivos processos e eventos históricos dos últimos cem anos não tenham sido previstos: a carnificina da Primeira Guerra Mundial, as armas químicas e nucleares, a crise de 1929, o totalitarismo, as revoltas de 1968, o choque do petróleo de 1973, o muro de Berlim e sua queda, a implosão da União Soviética, a pulverização dos partidos comunistas ocidentais, a ascensão da China à posição de potência imperialista, o impacto da informática e da rede, o assalto das correntes fundamentalistas às três religiões monoteístas, a regressão mental ao criacionismo, a invasão do Iraque, as guerras civis nos países árabes, a escalada da dívida pública nos países industrializados, a “crise asiática” de 1997 e, enfim, a de 2007-20084, com seus desdobramentos igualmente imprevistos. Os raríssimos estudiosos que previram essas catástrofes ou peripécias do drama histórico não ganharam audiência em geral senão ex post facto e justamente por tal feito5.

Um aspecto da história, outrora considerado periférico, mostrou-se, contudo, menos imprevisível: os impactos das sociedades industriais sobre a natureza e seus contraimpactos, objeto deste livro. Desde 1820, Lamarck (1744–1829), um dos primeiros naturalistas a introduzir o termo “biologia”, anteviu o liame causal entre civilização industrial e colapso ambiental6:

O homem, por seu egoísmo tão pouco clarividente em relação a seus próprios interesses, por sua inclinação a explorar tudo o que está à sua disposição, em suma, por sua incúria por seu porvir e pelo de seus semelhantes, parece trabalhar para o aniquilamento de seus meios de conservação e a destruição de sua própria espécie.

Destruindo por toda a parte os grandes vegetais que protegiam o solo para obter objetos que satisfazem sua avidez momentânea, ele conduz rapidamente à esterilidade o solo que ele habita, causa o esvaimento dos mananciais, afasta os animais que neles encontravam sua subsistência e faz com que grandes partes do globo, outrora férteis e povoadas em todos os sentidos, tornem-se agora nuas, estéreis, inabitáveis e desertas.

[…] Dir-se-ia que o homem está destinado a exterminar a si próprio, após tornar o globo inabitável.

É claro que os termos em que o naturalista francês formula o problema, os do “egoísmo” humano, pertencem mais ao seu século que ao nosso. Mas Lamarck prevê de modo certeiro a tendência ao colapso desencadeado por crescentes desequilíbrios ambientais antropogênicos, e sua percepção dessa dinâmica não difere substancialmente da que sustenta hoje a ciência ou historiadores da ciência, como Erik M. Conway, da Nasa, e Naomi Oreskes, de Harvard, em seu notável livro-manifesto The Collapse of Western Civilisation, de 2014. Na realidade, desde o século XIX um número crescente de cientistas, e nos últimos 40 anos a comunidade científica em peso, vêm advertindo que os desequilíbrios ambientais como um todo – isto é, não apenas as mudanças climáticas, mas o que o Centro de Resiliência de Estocolmo chamou em 2009 os nove limites de segurança planetários7, quatro dos quais hoje já ultrapassados8 – decorrem preponderantemente da ação dos homens sobre o meio ambiente. Não cessam de alertar para o fato de que o aumento desses desequilíbrios e a ultrapassagem desses limites já estão acarretando rupturas nos ecossistemas capazes de produzir – acima de tudo pelo desmatamento e pela liberação crescente de metano no Ártico (vide capítulos 1 e 10) – uma radical mudança de estado nas coordenadas da biosfera que propiciam a vida no planeta tal como a conhecemos e dela podemos desfrutar.

Esse consenso científico estendeu-se ao longo da segunda metade do século XX para outras áreas do saber, bem como para diversos setores da sociedade e do Estado, de modo que ciência e política mostram-se hoje mais imbricadas que nunca. Em seu histórico discurso na Rio+20 em 2012, José Mujica, ex-presidente do Uruguai, afirmou provocativamente: “A grande crise não é ecológica; é política”. Sem desconhecer o caráter especificamente ambiental dessas crises, Mujica afirma aqui sem ambages que nenhuma reflexão sobre elas será fecunda sem o reconhecimento de seu caráter político. De fato, o que decidirá da evolução dessas crises será, acima de tudo, a capacidade das sociedades de, informadas pelos consensos científicos, dotarem-se de formas de governo radicalmente democráticas, sem as quais não será possível reagir a tempo à lógica econômica predatória da biosfera9. Na Conclusão, voltarei rapidamente à questão crucial dessas novas formas de democracia cujo exame situa-se, contudo, além das ambições deste livro.

NESTA SEGUNDA, MANIFESTAÇÃO NA REITORIA! SOLIDARIEDADE AOS(ÀS) TRABALHADORES(AS) AMEAÇADOS DE DEMISSÃO DA UFC!

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            Nesta segunda-feira, os trabalhadores(as) da MEAC e HUWC ameaçados de demissão pela UFC farão uma passeata da MEAC à Reitoria da UFC.

            É uma oportunidade ímpar para denúncia e solidariedade aos trabalhadores(as)  que agora sofrem mais uma perseguição absurda tendo os salários cortados por conta da greve.

             Porque esse massacre contra pessoas humanas que deram 20 a 30 anos de suas vidas cuidando das pessoas no Complexo Hospitalar da UFC e agora apenas lutam pelo seu emprego, pela sua dignidade e de suas famílias, seus direitos e pelo desejo de continuar cuidando das pessoas? Porque essa discriminação odiosa se funcionários e professores fizeram greve recentemente por vários meses sem ser descontados salários e a greve é legal? Nossa indignação e solidariedade!

TODOS(AS) À CAMINHADA E MANIFESTAÇÃO NA REITORIA!

ENTREGA DOS ABAIXO-ASSINADOS

PAGAMENTO DOS SALÁRIOS E 13º

MANUTENÇÃO DOS EMPREGOS!

FIM DAS PERSEGUIÇÕES!

21 / DEZ / 15 (SEGUNDA) – 9 HORAS – REITORIA DA UFC

SAÍDA ÀS 8H DO HUWC

MOVIMENTO EM DEFESA DOS TRABALHADORES(AS) DA SAÚDE (SAMEAC/UFC)

NESTA SEGUNDA, MANIFESTAÇÃO NA JUSTIÇA DO TRABALHO! SOLIDARIEDADE AOS(ÀS) TRABALHADORES(AS) AMEAÇADOS DE DEMISSÃO DA UFC!

 

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            Nesta 2ª feira poderá ser decidido o destino dos cerca de 700 trabalhadores(as) da Maternidade Escola e do Hospital das Clínicas ameaçados de demissão pela UFC/MEC.

            Está marcada para as 8h30m uma nova audiência convocada pelo Juiz da 7ª Vara da Justiça do Trabalho para Defesa da UFC e tentativa de Conciliação (ver ata da audiência).

            Na 1ª audiência a Reitoria não compareceu. Agora está afirmando que vai e o Juiz, que abriu a possibilidade de solução amigável na audiência anterior, está na expectativa de que na de amanhã possa haver uma decisão definitiva sobre tão delicado problema social.

            Os trabalhadores(as) estão em grande expectativa porque há meses vêm nessa luta tentando sensibilizar a Reitoria, o MEC e o Governo Federal para uma solução que respeite sua dignidade e seus direitos. Propõem a renovação do convênio UFC e SAMEAC pelo menos por mais 05 anos, como aconteceu em situação semelhante no Paraná com a prorrogação entre Universidade Federal do Paraná e FUNPAR.

            A Reitoria, que até então não havia se manifestado publicamente, nesta semana o fez reafirmando a intenção da demissão e tentando responsabilizar a permanência dos trabalhadores pela crise do Complexo Hospitalar. O que, para qualquer pessoa medianamente informada, soa no mínimo insuficiente e preocupante tratando-se de um reitor da UFC. Não só porque a falta de recursos tem causas muito mais amplas, graves e profundas que remontam para a dramática situação do país, em particular no que se refere à saúde. Mas também porque no pregão publicado pela EBSERH/UFC estava prevista a contratação de quase 500 trabalhadores terceirizados e por um custo bem maior para substituir os que vêm prestando serviço há 20, 30 anos. O Pregão só não aconteceu porque foi suspenso pelo Juiz.

           Os trabalhadores se organizaram no MDTS – Movimento em Defesa dos Trabalhadores da Saúde (SAMEAC/UFC), que se articulou, se ampliou, manteve-se firme e buscou o apoio dos mais amplos setores da sociedade. Participaram de reuniões, encontros, manifestações, Audiências Públicas nas Casas Legislativas, audiências com parlamentares e outras autoridades, assembleias, atividades religiosas e solenidades. Elaboraram notas, documentos, páginas nas redes sociais. Em greve desde o dia 05/10, vêm desenvolvendo esforços inauditos nessa luta. Receberam apoio significativo da Arquidiocese de Fortaleza e da CNBB, bem como de sindicatos, entidades estudantis e da população em geral que se expressou num abaixo-assinado com aproximadamente 10 mil assinaturas que será entregue amanhã ao Juiz da 7ª Vara e a outras autoridades.

           A audiência de amanhã revela uma dramática situação que espelha a grave situação do país.

Nesse sentido a iniciativa do movimento inaugura uma nova abordagem da luta social. Embora mantendo relações com estruturas tradicionais do movimento se organiza de forma autônoma e independente constituindo um novo paradigma de organização.

           O Juiz mostrou uma grande sensibilidade com uma postura inovadora que privilegia a dignidade das pessoas e seus direitos, atitude digna de uma magistratura que se referencia nesses valores.

        Amanhã Fortaleza está sendo chamada a participar de um acontecimento histórico. Da audiência virão desdobramentos que podem ter implicações importantes para a história do país.

        Manifeste sua solidariedade!

        Participe do ato de apoio aos trabalhadores e trabalhadoras!

        Proteste contra a demissão na UFC!

        Basta de massacre! Chega de barbárie!

        Demissão jamais! Vamos à luta!

SEDE DA JUSTIÇA DO TRABALHO

07 DE DEZEMBRO – SEGUNDA-FEIRA – 08 HORAS

AV. TRISTÃO GONÇALVES COM PEDRO I

Mais informações e Contatos:

Advogados: Clovis Renato (OAB/Ce 20.500) Cel: (85) 99901.8377; Thiago Pinheiro (OAB/Ce 19.279) Cel: 99627.3752 / 98723.2755.

MDTS – Movimento em Defesa dos Trabalhadores: Teresa Neumann – 988818172; Rosângela – 988262518; Odaléia – 999153109

Crítica Radical: Rosa Fonseca – 988166254

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ABAIXO-ASSINADO

 O GOVERNO FEDERAL, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E A REITORIA DA UFC, EBSERH E SAMEAC, ATRAVÉS DE PORTARIAS E AÇÕES JUDICIAIS, AMEAÇAM 700 TRABALHADORES E TRABALHADORAS DE DEMISSÃO DA UFC.

NÓS, ABAIXO-ASSINADOS(AS), DECLARAMOS A NOSSA SOLIDARIEDADE AOS QUE, DURANTE MUITOS ANOS, CUIDARAM E CUIDAM DA VIDA NO COMPLEXO HOSPITALAR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ E QUE, HOJE, ESTÃO SENDO CHANTAGEADOS, ATERRORIZADOS E AMEAÇADOS DE DEMISSÃO NO HOSPITAL DAS CLÍNICAS E NA MATERNIDADE ESCOLA.

CHEGA DE BARBÁRIE!

DEMISSÃO JAMAIS!

VAMOS À LUTA POR UMA NOVA SOCIEDADE!

 


           VEJA AQUI A ÍNTEGRA DA CARTA DIVULGADA            PELA ARQUIDIOCESE DE FORTALEZA E CNBB

CARTA DO BISPO

D. Edimilson Cruz entre os trabalhadores(as) na divulgação da carta

  

NOME

 

Nº DOCUMENTO ASSINATURA
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CONTATOS: Dr.Clóvis Renato: 99901.8377 / Dr. Thiago Pinheiro: 996273752

T.Newmann: 98881.8172 / Rosângela: 98826.2518

Facebook: MDTS

ANIVERSÁRIO DA MARIA E LANÇAMENTO DO LIVRO VANDRÉ – O HOMEM QUE DISSE NÃO

O QUE SIGNIFICA PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES, HOJE?

Ela aniversaria.

Ele ganha uma biografia.

Ela irrompeu como uma rosa no asfalto.

Ele fez da flor seu mais forte refrão.

Ela, em 68, viveu esse novo cantar contra o regime civil-militar.

Ele viu sua poesia num hino contra a ditadura se transformar.

Ela descobriu o fundamento do sistema e clama por um novo porvir.

Ele continuou criando poemas na busca de uma sociedade por vir.

Ela, 30 anos depois, olha para uma vitória cujo acerto de contas a história ainda não possibilitou. E isto, paradoxalmente, lhe permitiu se deparar com uma descoberta que mudou radicalmente o seu novo caminhar.

Ele, 47 anos depois, olha para uma vitória que lhe escapou das mãos. E viveu, logo depois, o clima do AI-5 que mexeu profundamente com sua existência embalada pelos admiradores(as) de sua histórica canção.

Agora, juntamos estas histórias numa festa emancipatória.

Um encontro imperdível e instigante para caminharmos e cantarmos a nova poesia do futuro.

O alerta dos situacionistas para que olhássemos para a lua e não para o dedo e que foi, em seguida, fundamentado pela crítica radical, está originando uma nova e bela manhã.

Com isso, uma incontornável pergunta se apresenta.

Como deve ser pra não dizer que não falei das flores, hoje?

Duas questões, entre outras, embasam a resposta nesta festa de aniversário.

Uma é o alerta, diante da crise da fronteira histórica do sistema, para a extinção do capitalismo e não da humanidade e do planeta. Aqui, a busca teórica e prática do antissujeito nos convida a voarmos para além das relações fetichistas patriarcais capitalistas.

 A outra é a abordagem acerca da trajetória, música e da poesia de um dos mais importantes poetas da nossa canção. Aqui, diante do fato de que a árvore dourada da vida tornou-se cinzenta, ficamos diante de uma oportunidade histórica em que poderemos gestar uma arte para cantarmos não mais as mercadorias e suas paixões, mas o ser humano e sua emancipação.

Todas as nossas festas são marcadas por emoção, beleza, paixão e tesão. Mas esta tem um sabor especial.  Trata-se da apresentação musical e poética do livro sobre Vandré por Jorge Fernando dos Santos e Marcelo Diniz que, com certeza, propiciarão uma noite especial.

Eis um momento inesquecível!

Esperamos contar com você!

Um abraço!

ANIVERSÁRIO DA MARIA E LANÇAMENTO DO LIVRO VANDRÉ – O HOMEM QUE DISSE NÃO 

ESTORIL – 27/11 – 19H

CARAVANA A PARIS (COP 21) – Carta Aberta aos amigos e amigas do Crítica Radical

           Amigos e amigas,

          Na Conferência da ONU sobre o Clima (COP 21)*, em Paris, teremos a oportunidade de estreitar relações com manifestantes que também não aceitam a extinção da humanidade e do planeta.

          Além disso, poderemos contatar pessoas que realizam novas tentativas para a produção da vida autônoma em relação ao mercado e ao estado.

          Ademais, teremos a oportunidade histórica de (re)encontrar amigos(as) que também almejam a supressão das relações patriarcais capitalistas buscando a construção de um movimento social transnacional emancipatório fundamentado na crítica radical da crise categorial.

          Nesse sentido, além de apresentar um projeto inovador para a humanidade e o planeta, vamos convidar palestrantes/participantes para um Fórum que se realizará em Fortaleza e Rio de Janeiro em março de 2016.

          Com esse mesmo objetivo iniciamos a implantação do Projeto Brotando a Emancipação, num sítio próximo de Fortaleza/Ceará, lutando para edificarmos uma nova relação social, humana e com a natureza.

          É com esse mesmo espírito que estamos prestando nossa solidariedade efetiva aos companheiros(as) do Hospital das Clínicas e Maternidade Escola da UFC ameaçados de demissão. Esta solidariedade se estende a todos os trabalhadores em luta. Uma luta que tem possibilitado a gestação de uma dialética inovadora entre a imanência e a transcendência ao capitalismo.

          Há muitos anos aninhamos o sonho da emancipação humana. Recentemente inauguramos, enfrentando enormes dificuldades, programas pela Web TV e rádio comunitária para contribuir na transformação coletiva desse sonho em realidade.

          Colabore para que essa nova ideia com sua práxis correspondente cheguem a Paris. Ajude-nos a superar os sérios obstáculos financeiros para a viagem. Temos certeza que vamos contar novamente com você. Várias iniciativas estão sendo tomadas , como feijoada, campanha pela internet, contatos com artistas para shows, etc.

          Nesse novo período histórico que se abre, estamos lutando para substituir o cântico morto das mercadorias e suas paixões pelo cantar pleno de uma nova vida emancipada para a humanidade e o planeta.

          Afinal, o sonho que não se sonha só, vira realidade!

          Abraço!

          Crítica Radical

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        FEIJOADA A LA PARIS 2

          Feijoada, conversa boa, música e muita alegria. Um encontro de pessoas e ideias criativas para pensarmos e construirmos uma alternativa para superar a extinção da humanidade e do planeta. Essa é a proposta que queremos levar a Paris na 21ª Conferência Mundial da ONU sobre o Clima (30/11 a 12/12).

          Com a sua participação, você colabora e se delicia com uma gostosa feijoada cujo ingrediente principal é uma

vida plena de sentido!

                                                                                                                                                         ADESÃO: 1O,OO

          Local: Espaço Cultural do SINTAF – 14/11/2015 (sábado) – A partir das 11h
Rua Padre Mororó, 952 – Centro (entre Guilherme Rocha e Liberato Barroso)
          Responsável: Crítica Radical (85) 30812956, (85) 985166253

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                 *A 21ª Conferência Mundial do Clima (COP 21) será realizada  de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2015, em Paris e terá como principal objetivo costurar um novo acordo entre os países para diminuir a emissão de gases de efeito estufa. Além dos encontros e manifestações  que acontecerão em Paris, está sendo convocada também uma MOBILIZAÇÃO PELO CLIMA em todo o mundo para o dia 29 de novembro. 

                 É uma oportunidade ímpar para levarmos o nosso Grito pela Emancipação! Daí a iniciativa de organizarmos as JORNADAS EMANCIPATÓRIAS, com destaque para a preparação da CARAVANA A PARIS por ocasião da Conferência, como oportunidade de fortalecer a ideia da construção de um movimento para superar a extinção da humanidade e do planeta.

                 Foram formadas algumas comissões para encaminhamentos: de articulação, de eventos e finanças e de comunicação.

                 Decidimos também fazer uma programação de estudos coletivos às sextas-feiras, iniciando com o livro A Sexta Extinção, de Elizabeth Kolbert.

A Sexta Extinção

                 A sistemática do estudo está a apresentação dos capítulos do livro por vários companheiros(as) e em seguida o debate.

                  Participe!

30/10 – sexta-feira – 15h – Fac. de Arquitetura da UFC

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SINOPSE DO LIVRO A SEXTA EXTINÇÃO

 Ao longo dos últimos quinhentos milhões de anos, o mundo passou por cinco brutais extinções em massa, nas quais sua biodiversidade caiu de maneira abrupta. Dessas, a mais conhecida foi a que eliminou, entre outros seres vivos, os dinossauros, quando um asteroide colidiu com o planeta há 65 milhões de anos. Atualmente, vem s endo monitorada a sexta extinção, que tem potencial para ser a mais devastadora da história da Terra. Mas, dessa vez, a causa não é um asteroide ou algo semelhante. Nós somos a causa.

Em A sexta extinção, a jornalista Elizabeth Kolbert explica de que maneira e por que o ser humano alterou a vida no planeta como absolutamente nenhuma espécie o fizera até hoje. Para isso, a autora lança mão de trabalhos de dezenas de cientistas nas searas mais diversas e vai aos lugares mais remotos em busca de respostas: de ilhas quase inacessíveis na Islândia até a vastidão da cordilheira dos Andes.

Neste livro, Kolbert apresenta ao leitor doze espécies — algumas desaparecidas, outras em vias de extinção — e, partir daí, chega à conclusão assustadora de que uma quantidade inigualável de animais está desaparecendo bem diante de nossos olhos. Ao mesmo tempo, a jornalista traça um panorama de como a extinção tem sido entendida pelo homem nos últimos séculos, desde os primeiros artigos sobre o tema, do naturalista francês Georges Cuvier, passando por Charles Lyell e Charles Darwin, até os dias de hoje. Kolbert mostra que a sexta extinção corre o risco de ser o legado final da humanidade e nos convida a repensar uma questão fundamental: o que significa ser humano?

FUNCIONÁRIOS(AS) DA MEAC E HUWC/UFC AMEAÇADOS DE DEMISSÃO ENTRAM EM GREVE!

Sameac 01-10-15 greve (11)

          Os funcionários(as) do Hospital Universitário e da Maternidade Escola da UFC ameaçados de demissão em massa, decidem resistir e iniciar uma greve por tempo indeterminado a partir desta segunda-feira, 05 de outubro.

          Essa decisão deveu-se à intransigência desta Universidade que,  juntamente com a EBSERH,  anunciaram um calendário de demissões que previa 30% de trabalhadores da Sameac demitidos em setembro, outros 30% em outubro, mais 30% em novembro e os 10% restantes em dezembro, totalizando 100% dos trabalhadores, muitos dos quais com  mais de 20 anos de serviço, prestando um inestimável atendimento aos usuários daquelas unidades hospitalares.

          Desde o mês de março que se criou um impasse com a decisão do governo Dilma, através do MEC de publicar a portaria determinando a demissão de cerca de 700 trabalhadores da Sociedade de Assistência à Maternidade Escola Assis Chateaubriand, Sameac, que prestam serviço no Hospital Universitário Walter Cantídio e na Maternidade Escola Assis Chateaubriand bem como de milhares de trabalhadores de várias entidades congêneres em todo o Brasil. Tal decisão se deve à decisão pelo governo Lula de criar essa empresa EBSERH para administrar os hospitais públicos.

          Vale ressaltar que a SAMEAC vem prestando esse serviço há 51 anos através de contratos com a UFC. Tais contratos se encerrariam em julho e agosto passados, prazo para que houvesse as demissões, mas a partir da luta dos companheiros através do MDTS – Movimento em Defesa dos trabalhadores da SAMEAC e pela própria necessidade do funcionamento das referidas unidades hospitalares, foram prorrogados por seis meses. Mas a reivindicação da categoria é de que os contratos sejam renovados pelo menos por mais cinco anos, como aconteceu no Paraná, onde trabalhadores da Fundação da Universidade Federal do Paraná viviam uma situação semelhante.

         Em virtude da situação de maior tensionamento que se instalou, na assembleia para avaliar a situação a categoria aprovou por unanimidade a decisão de entrar em greve a partir de segunda-feira, 05/10. Às 8 horas da manhã, está marcado um ato. A concentração será em frente à Maternidade Escola.

         Além da nossa solidariedade manifestamos aqui a nossa indignação e protesto pela atitude absurda da Universidade quando os companheiros(as) ocuparam o HUWC tentando um diálogo com o Superintendente da EBSERH, Dr. Luciano Bezerra Moreira. Ao invés de diálogo, mandaram chamar o Procurador do Ministério Público Federal, Dr. Marcelo Mendes, que se prestou ao papel de comparecer ao Hospital das Clínicas com a Polícia Federal para tentar intimidar os trabalhadores induzindo-os a desistir da luta. Que triste papel desse Procurador!

            Abaixo a demissão, não somos descartáveis, protestam os companheiros(as)!

           Na segunda, a partir das 8h haverá um ato de protesto em frente à Maternidade Escola.

           VAMOS LÁ MANIFESTAR A NOSSA SOLIDARIEDADE A ESSES COMPANHEIROS(AS)!!!

           NÃO PODEMOS ACEITAR ESSA BARBARIDADE!

NESTA SEGUNDA, 05/10, A PARTIR DAS 8H, TODOS(AS) À MATERNIDADE ESCOLA!

 

A RUPTURA ONTOLÓGICA – Antes do início de uma outra história mundial – R. Kurz

Robert Kurz

O debate sobre a globalização parece ter chegado a uma situação de esgotamento. A causa disso não é, no entanto, o fato de que o processo social subjacente tenha se esgotado – ele está apenas no seu começo. São as idéias resultantes da interpretação que perderam o fôlego antes da hora. A corporação dos economistas e cientistas políticos já escreveu bibliotecas inteiras a respeito da explosão das fronteiras econômicas nacionais provocada pela globalização do capital e da conseqüente diluição do campo de atuação do Estado nacional e da regulação política. Mas as conseqüências desse reconhecimento ficaram de fora. Quanto mais nitidamente a análise demonstra que nação e política se tornaram obsoletos, tanto mais atávico se revela o discurso político e teórico aos conceitos de política e nação.

O dilema parece consistir no fato de que não há alternativas imanentes para esses conceitos, porque estas alternativas representam condições basilares da ontologia moderna. Isto é, elas representam suas próprias categorias. Se se entende que a ontologia é determinada não antropologicamente ou trans-historicamente, mas sim historicamente, então define-se um campo histórico determinado através dos conceitos ou categorias ontológicas da sociabilidade em termos marxistas: uma forma de sociedade ou um modo de vida e de produção. O sistema moderno de produção de mercadorias consiste em uma ontologia histórica desse tipo.

No interior desse campo existem freqüentemente alternativas e discussões que se movimentam sempre nas mesmas categorias históricas e ontológicas. A crítica e a superação dessas categorias parecem impensáveis. Assim, é possível inclusive criticar determinada política e substituí-la por outra; mas no interior da ontologia moderna é impossível criticar a política em si mesma e colocar em seu lugar um outro modo de regulação social. Para isso não se criou ainda conceito algum. Está disponível apenas o conteúdo determinado respectivo, mas não a forma categorial ou o modo de todos os conteúdos. O mesmo vale para as categorias de nação, Estado, direito, trabalho, dinheiro e mercado, e também de indivíduo, sujeito, relações de gênero (masculinidade e feminilidade social). Freqüentemente, a estas formas categoriais podem ser atribuídas especificidades conteudísticas diferentes; no entanto, a categoria própria ou o modo social correspondente não está jamais à disposição.

Os métodos e recursos disponíveis da moderna ciência social não dão mais conta do reconhecimento analítico de que o processo de globalização torna nação e política obsoletos. Não se trata mais – como até agora – da substituição de um conteúdo que se torna obsoleto por um novo conteúdo na mesma forma social, como a superação do poderio mundial exercido pelos Estados Unidos para um novo bloco de poder euro-asiático ou ainda a política econômica neoliberal pelo retorno ao paradigma keynesiano. Mais do que isso, a globalização questiona o modo político e a forma nacional em si mesmos.

Com isso, a análise corrente afirma mais do que sabe; involuntariamente ela tangencia, de forma geral, o limite da ontologia moderna mediante a visão da perda da capacidade de regulação do Estado nacional e da política. Quando cai uma categoria, caem todas as demais como peças de dominó. Pois a formação histórica do sistema moderno de produção de mercadorias pode apenas existir como um contexto categorial, no qual uma condição básica pressupõe uma outra e as diversas categorias determinam-se mutuamente.

Não se trata também de que a perda de competência da política deixe a economia desassistida ou permita que ela transcorra sem freio; ao contrário, a política se constitui no meio da regulação do sistema moderno de produção de mercadorias, que não pode funcionar economicamente sem esta regulação. Mesmo a globalização, que explode os limites nacionais e destrói a política como forma de regulação, é condicionada, por sua vez, pelo fato de que o “trabalho abstrato” (Marx), como forma da atividade humana produtiva e geradora de valor e da mais-valia, é substituído gradualmente pelo capital material. A conseqüente “desvalorização do valor” obriga o manegement à racionalização transnacional da produção. Na mesma medida em que o capital material, operacionalizado cientificamente, substitui o trabalho, o capital é “de-substancializado” e a “valorização do valor” (Marx) chega a limites históricos; a “desvalorização” de nação e política é tão-somente uma conseqüência deste processo. Mas, uma vez diluída a estrutura categorial das formas de produção, reprodução e regulação, tornam-se obsoletas também as formas da individualidade, do sujeito e de sua determinação androcêntrica de gênero.

O que parece ser em um primeiro momento uma crise particular da política e de seus limites nacionais é na verdade uma crise da ontologia moderna. Uma tal crise categorial exige como resposta uma crítica categorial. Mas para isso não há nenhuma representação ou conceito. Até o presente, toda crítica era imanente em suas categorias, relacionava-se apenas a conteúdos determinados, e não a formas e modos ontológicos do sistema moderno de produção de mercadorias. Daí a paralisia atual do pensamento teórico e da ação prática. A administração planetária da crise ontológica não pode pôr fim à diluição em barbárie da sociedade mundial definida nos termos capitalistas. Ao contrário, ela própria se torna parte desta barbárie.

Seria necessário uma ruptura ontológica, diante da qual se atemoriza todavia o discurso global, mesmo aquele da esquerda radical. Em seu lugar predominam idéias regressivas que gostariam de inverter o movimento da roda da história para evitar essa quase impensável ruptura ontológica. Enquanto os hardliners da administração da crise querem suprimir da maioria da humanidade sua condição própria de vida, a maior parte dos críticos da globalização esconde-se idealmente no passado analisando-a apenas superficialmente: retrocedem aos paradigmas de nação, política e regulação keynesiana, que se tornaram reacionários, ou então distanciam-se ainda mais nos ideais de uma sociedade agrária transfigurada. Uma parte integral desta tendência regressiva é o desatino religioso que grassa em todos os círculos culturais e ultrapassa todas as manifestações comparáveis nos fragmentos da história da modernização.

Para formular novamente um pensamento claro e questionar a ontologia como tal seria necessário entender essa ontologia como historicamente determinada. Pois apenas assim torna-se possível voltar o pensamento na direção de sua superação. As categorias do sistema moderno de produção de mercadorias dos séculos XVI a XVIII passaram a ser consideradas óbvias e apriorísticas. A crise ontológica atual do século XXI pode ser apenas controlada quando a história da formação destas categorias for não apenas iluminada em detalhe, mas também fundamentalmente reavaliada.

Essa tarefa é, contudo, bloqueada por um aparelhamento ideal, que é tão constitutivo para a modernidade como o contexto categorial de sua reprodução social. O fundamento deste aparelhamento ideal e ideológico em seu caráter ontologicamente afirmativo é constituído pela filosofia do esclarecimento. Todas as modernas teorias são igualmente oriundas desta raiz: o liberalismo, o marxismo, assim como as tendências burguesas e reacionárias contrárias ao esclarecimento e à modernidade. Por esta razão, todas elas são igualmente incapazes de formular a crítica categorial e realizar a ruptura ontológica necessária.

As oposições entre liberalismo, marxismo e conservadorismo, outrora mundialmente inquietantes, baseavam-se sempre em determinados conteúdos sociais, políticos, jurídicos ou ideológicos, mas nunca em formas categoriais e no modo ontológico de sociabilidade. Neste sentido, liberais, marxistas e conservadores ou radicais de direita podiam ser igualmente “patriotas”, “políticos”, “sujeitos”, “universalistas andrôcentricos”, e “homens de Estado”, amantes do “trabalho”, do “direito” ou das “finanças”. Diferenciavam-se respectivamente apenas através de nuances conteudísticas. Em razão de seu embasamento conjunto no pensamento do esclarecimento, as ideologias da história da modernização aparentemente opostas revelam-se na crise da ontologia moderna como um aparelhamento total ideológico no sentido de uma persistência conjunta e a qualquer preço nesta mesma ontologia.

A constatação que cintila ocasionalmente no discurso pós-moderno desde os anos 80, de que as ideologias de esquerda, direita e liberal teriam se tornado livremente elegíveis, evidencia o fundamento oculto que lhes é comum. Da mesma forma, o neoliberalismo apoderou-se hoje como ideologia de crise do espectro político total de maneira suprapartidária com variações mínimas. O pensamento pós-moderno teria se dado conta dessa livre elegibilidade apenas na forma fenomenológica e superficial, sem questionar criticamente a subjacente ontologia da modernidade. Em lugar disso, desejava driblar o enfrentamento do problema ontológico rejeitando-se todas as teorias relativas a ele como pretensões dogmáticas e totalitárias – como se o problema fosse apenas teórico e não representasse a realidade da forma social de reprodução. Desta maneira, as categorias basilares do sistema de produção de mercadorias não são absolutamente criticadas, mas apenas tiradas de foco sem que se possa, contudo, escapar delas na prática social. A pós-modernidade mostra-se assim como uma parte integral do aparelhamento ideológico total e, da mesma forma, uma derivação da filosofia do esclarecimento, apesar de afirmações em contrário.

O pensamento do esclarecimento, explicitamente, fundou, formulou, consolidou e legitimou ideologicamente as categorias da ontologia moderna que repontavam antes do século XVIII. Por isso, a ruptura ontológica necessária precisa ser acompanhada da crítica radical do esclarecimento e de todas as suas derivações da história da filosofia, da teoria e da ideologia. Ao rejeitar-se o fundamento, rejeita-se também todo o resto. Exatamente nisso consiste a ruptura ontológica.

As categorias de trabalho, valor, mercadoria, mercado, a organização do Estado e política, direito, universalismo androcêntrico, sujeito e individualidade abstrata não foram elaboradas apenas no esclarecimento como conceitos de reflexão de uma ontologia da modernidade criados em processos históricos cegos; o esclarecimento colocou-os em contexto lógico e histórico, no qual eles se tornariam incontestáveis.

As formações sociais agrárias anteriores possuíam também sua própria ontologia histórica; o antigo Egito e a Mesopotâmia, da mesma maneira que a Antiguidade greco-romana, o império chinês, a cultura islâmica e a Idade Média cristã. Mas todas essas ontologias eram de certa maneira auto-suficientes; elas eram definidas em si mesmas, não precisavam medir-se com nenhuma outra ontologia e não se submetiam á pressão de se justificar. Havia relacionamento com culturas externas da mesma época; estes “outros” foram definidos normalmente como “bárbaros”, “incrédulos” ou “pagãos”. Mas essas definições não se submetiam a nenhuma sistematização histórico-filosófica e representavam somente limitações acessórias.

O sistema moderno de produção de mercadorias, ao contrário, precisava fundar duplamente sua ontologia diferenciando-se de maneira reflexiva das sociedades agrárias pré-modernas; “reflexivo” não possui aqui uma acepção “crítica”, mas sim o sentido da legitimação de si mesma. A filosofia do esclarecimento destacou a obrigatoriedade da justificativa de um novo anseio de submissão e uso indevido dos indivíduos que ultrapassava todas as ontologias vigentes até então. As exigências monstruosas colocadas pelo capitalismo, que objetiva transformar o processo de vida imediatamente em uma função de sua lógica de valorização, não poderiam mais fundar-se em uma junção circunstancial de tradições.

De um lado, era necessário dar à ontologia especificamente nova a dignidade de uma relação natural objetiva. Isto é, era necessário transformar explicitamente uma ontologia histórica em uma ontologia trans-histórica e antropológica – simplesmente humana. Por outro lado, disso resultou a necessidade de se estabelecer uma relação lógica entre a ontologia moderna – então trans-historicamente fundamentada – e todas as formações históricas anteriores acrescidas das culturas contemporâneas não capitalistas (ainda predominantemente agrárias).

O resultado não poderia ter sido outro, senão imprimir em todo o passado a marca da inferioridade. Isso não representava apenas uma nova visão do mundo, mas sim uma revalorização de todos os valores. Nas sociedades agrárias, os homens compreendiam-se como filhos de seus pais não apenas no sentido ontogenético, mas também no sentido filogenético e histórico-social. Os mais velhos eram celebrados da mesma forma como os antepassados e os heróis míticos do passado. A época de ouro localizava-se no passado e não no futuro; o “ótimo” insuperável era a mítica “primeira vez” e não o “resultado final” de um processo de desempenho.

A filosofia da história desenvolvida no esclarecimento refletia a visão do mundo não de maneira crítica, mas colocando-a de ponta-cabeça. Contemplavam-se então os antepassados e os “homens primevos” no início da espécie como os filhos menores, histórico-filogenéticos, que atingiam a maioridade apenas na ontologia moderna. Todas as situações pregressas pareciam inicialmente “equívocos” da humanidade; transformavam-se então em estágios imperfeitos e imaturos da modernidade, que, por sua vez, passava a representar o ápice e o fim de um processo de amadurecimento – o “fim da história” no sentido ontológico. A história foi então definida pela primeira vez como “evolução” a partir de formas simples ou ontológicas para formas mais elevadas e melhores – como “progresso” do primitivo até o verdadeiro ser humano da modernidade produtora de mercadorias.

De um lado, as categorias ontológicas da modernidade especificamente históricas foram representadas como se tivessem estado presentes desde sempre. Mesmo o conceito de ontologia foi usado como sinônimo para fatos antropológicos trans-históricos ou não-históricos. Por isso não se podia mais questionar outras ontologias históricas no decorrer da histórica, bem como determinar suas especificidades. Ao invés disso, o esclarecimento projetou suas modernas categorias, por ele mesmo constituídas e legitimadas, em todo passado e em todo futuro. Os limites eram dados pelas perguntas: como eram o “trabalho”, a “nação”, a “política”, o “valor”, o “mercado”, o “dinheiro”, o “sujeito” etc. no antigo Egito, entre os celtas ou na Idade Média cristã; ou, ao contrário, que aspecto terão as mesmas categorias no futuro e como serão modificadas? Ao assumir essa caracterização da modernidade nos termos da ontologia, o marxismo pôde, em certo sentido, apenas adjetivar sua “alternativa socialista” como mera nuança conteudísticas ou regulação no interior da mesma forma social e histórica.

Por outro lado, as sociedades do passado surgiram nessa projeção como categorialmente imperfeitas. O que na verdade eram outras ontologias históricas foi tipificado como “imaturo” em termos categoriais; como ontologias modernas ainda não suficientemente “desenvolvidas” e necessariamente desfiguradas. Também todas as sociedades contemporâneas, ainda não – ou não completamente – compreendidas pela ontologia moderna, foram adaptadas ao mesmo esquema; elas eram vistas como “subdesenvolvidas”, “imaturas” e “inferiores”. A filosofia da história assim construída no esclarecimento serviu essencialmente como ideologia legitimadora da colonização interna e externa. Em nome dessa filosofia da história e seus esquemas, a submissão da sociedade ao sistema de “valorização do valor” – e também de seu respectivo “trabalho abstrato” com todas as exigências intoleráveis e disciplinamentos – pôde ser propagada como historicamente necessária e como parte de uma mudança para melhor.

O conceito de bárbaro, emprestado das altas culturas agrárias, surgiu como definição pejorativa da humanidade antiga ou contemporânea, não-capitalista; “barbárie” é entendida como sinônimo de uma cidadania incipiente no sentido da circulação capitalista (subjetividade de mercado e forma de direito) e, com isso, submissão incipiente à moderna ontologia. Não temos ainda nenhum outro conceito à disposição para caracterizar circunstâncias na sociedade que são destrutivas, violentas e desestabilizadoras do contexto social. Marx já usaria criticamente o conceito de “barbárie” ao relacioná-la tanto à história da formação do sistema de produção de mercadorias mesmo na “acumulação original” quanto à história da desagregação da modernidade nas crises capitalistas. A ruptura com a ontologia moderna, que hoje se apresenta, leva-nos, para além de Marx, a determinar como barbárie e a destruir a partir do fundamento o núcleo da máquina social capitalista, o “trabalho abstrato” e sua composição de disciplinamento interior e administração humana equivocadamente entendida como “civilização”.

Essa tarefa da ruptura ontológica é, todavia, complexa e de difícil percepção, uma vez que a filosofia da história que foi produzida pelo esclarecimento legitima-se de maneira paradoxal não apenas afirmativamente, mas também criticamente. O aparelhamento ideológico fundado pelo esclarecimento bloqueia a ruptura ontológica necessária exatamente por ter convivido com esse paradoxo. A crítica liberal-burguesa referiu-se sempre a circunstancias sociais que impediam a imposição da ontologia moderna. Tanto no sentido da colonização interna quanto no da externa, tratava-se dos resíduos deixados pelas formações agrárias. Entre estes resíduos estavam não apenas as antigas relações de dominação na forma de dependências pessoais, mas também determinadas condições de vida que significavam atritos para os anseios modernos do “trabalho abstrato”. Desta forma, foi extinta a maioria dos feriados religiosos para proporcionar um caminho livre para a transformação do tempo de vida em tempo funcional da valorização do capital.

O esclarecimento criticava as formas passadas de dependência pessoal apenas para legitimar novas formas de dependência coisificada do “trabalho abstrato”, do mercado e do Estado. Simultaneamente, essa crítica comportava traços repressivos porque estava ligada à propaganda da assiduidade abstrata, disciplina e submissão ás novas demandas do capitalismo, além de destruir, conjuntamente com a antiga forma de dominação, conquistas humanas universais das relações agrárias. Fundamentalmente, substituiu-se apenas um mal antigo por um novo, em parte ainda pior que aquele. Apesar disso, foi possível para a ideologia liberal do esclarecimento celebrar as relações modernas ainda nascentes como libertação do fardo feudal e representar a si mesma como quem leva a luz às obscuras crendices da Idade Média. A violência feudal era denunciada, enquanto o “trabalho abstrato” da modernidade era imposto aos homens com violência sem precedentes, como expressou Marx. O conceito de crítica, em geral, foi identificado pelo liberalismo do esclarecimento com a crítica da sociedade agrária, enquanto a modernidade capitalista, com suas atrocidades, fulgurava como “progresso”, ainda que na vida real ela representasse para a grande massa dos homens coisa muito distinta: uma regressão.

No decorrer do século XIX tardio e, mais ainda, no século XX, o conceito de crítica deslocou-se cada vez mais para as relações capitalistas internas, depois que a sociedade agrária praticamente afundou com suas estruturas de dependência pessoal. Não se tratava naturalmente da moderna ontologia e suas categorias, mas apenas da superação de velhos conteúdos e estruturas através de novas estruturas, baseadas ainda sobre os mesmos fundamentos ontológicos. O sistema de produção de mercadorias, isto é, o capitalismo, não é em sua essência uma situação estática, mas sim um processo dinâmico de transformação e desenvolvimento permanentes; mas é também um processo que ocorre sempre do mesmo modo e nas mesmas categorias formais. É uma luta constante entre o novo e o velho, mas sempre restrita a princípios novos e velhos dentro do próprio capitalismo. Para o conceito liberal da crítica, o princípio capitalista antigo entra em jogo no lugar do princípio ontológico antigo, ou seja, no lugar das relações sociais agrárias feudais que se tornam irreais. A ruptura ontológica entre a pré-modernidade e a modernidade foi substituída através da permanente ruptura estrutural no interior da modernidade e de sua própria ontologia. Este processo da dinâmica interna é etiquetado com o selo da “modernização”. Em nome de uma “modernização da modernidade”, a crítica liberal foi formulada desde então em suas próprias categorias.

O processo de “modernização” permanente nas categorias ontológicas da própria modernidade experimenta uma legitimação adicional através de uma crítica contrária, complementar e imanente, que se legitima de forma romântica ou reacionária. O “velho” pretensamente bom é conjurado contra o “novo” nefasto, sem que a ontologia moderna, todavia, seja submetida minimamente à crítica. Não se trata com isso sequer de uma defesa da ontologia pré-moderna vigente na sociedade agrária. Mais que tudo, o movimento reacionário ou conservador da antimodernidade é igualmente uma invenção da modernidade e uma derivação do próprio esclarecimento.

Trata-se de uma crítica burguesa ao modo de vida burguês, que desde o fim do século XVIII está carregada com imagens de uma sociedade agrária idealizada e com um sistema de valores pseudofeudais – semelhante ao liberalismo contrário, que é carregado com os ideais e o sistema de valores da circulação capitalista (“liberdade” do sujeito autônomo integrado ao mercado etc.) Mas os ideais pseudo-agrários foram formulados desde o início nas categorias da ontologia moderna, e não contra ela. Elas não tinham nada a ver com as ontologias pré-modernas reais; elas eram estranhas a estas. Da mesma forma que o romantismo auxiliou no nascimento da moderna individualidade abstrata, o conservadorismo e suas versões mais radicais do pensamento reacionário tornaram-se propagandistas do nacionalismo moderno e de sua legitimação etno-ideológica racista e anti-semita. No ethos do trabalho protestante e no darwinismo social existia sempre uma reciprocidade de conservadores e reacionários com o liberalismo que remonta às raízes comuns no pensamento do esclarecimento.

Quanto mais empalidecida a referência do pensamento conservador e reacionário à idealizada sociedade agrária, mais nítido precisava ser seu posicionamento no interior da moderna ontologia e de sua dinâmica. Neste contexto, a corrente romântica e reacionária seguiu o mesmo caminho do liberalismo, mas emitindo sinais contrários. De um lado, a crítica liberal, como protetora de um novo capitalismo, defendia uma permanente “modernização da modernidade” nas relações internas do capitalismo; de outro, a crítica reacionária e conservadora, protetora do velho capitalismo, respondia denunciando o sentimento de desmoralização e de desagregação produzido pelo novo capitalismo.

Uma vez que esta polaridade imanente marcava, todavia, o mesmo campo ontológico, sua oposição imanente formava ao mesmo tempo uma blindagem deste campo contra uma possível metacrítica. A partir das demandas intoleráveis aos seres humanos, do mal-estar e do potencial destrutivo do sistema moderno de produção criava-se uma tensão crescente que podia ser permanentemente conduzida ou desviada para a movimentação interna da oposição entre progresso e reação, entre liberalismo e conservadorismo. A destrutividade da modernidade deveria ser salva pelo último impulso de “modernização” (“progresso”), ou, ao contrário, domesticada pelo ativismo à situação presente da modernidade dirigido contra sua própria dinâmica (“conservadorismo” ou “reação”). E exatamente por isso bloqueava-se a crítica da ontologia social e histórica subjacente a esta posição.

A oposição interna à burguesia representada ora pelo liberalismo, ora pelo conservadorismo ou pela reação romântica, não se constituía, conteúdo, no único bloqueio a uma crítica da ontologia moderna. Antes disso, desenvolveu-se uma segunda onda de crítica no interior desta ontologia que se sobrepôs à primeira. A segunda onda foi sustentada, de um lado, pelo movimento de trabalhadores e, de outro, pelos movimentos de libertação na periferia do mercado mundial, dos quais fazem parte a revolução russa e os movimentos e regimes anticolonialistas. Em todos estes movimentos históricos foi elaborada oficialmente uma crítica fundamental do capitalismo que se articulava em muitos aspectos mediante o recurso à teoria marxista. No entanto, também esta segunda onda limitou-se fundamentalmente à moderna ontologia do sistema de produção de mercadorias e, com isso, às suas categorias; a retomada de Marx restringiu-se à observação dos componentes desta ontologia retidos pelo próprio Marx, enquanto ficaram emudecidos ou foram ignorados todos os demais momentos de sua teoria que iam além disso.

A razão para o fenômeno histórico desta segunda onda da crítica, que se sobrepôs à oposição no interior da burguesia, deve ser buscada no problema designado pela teoria da história e pelas ciências sociais como “não-simultaneidade histórica”. A ontologia moderna não se desenvolveu estrutural ou geograficamente de maneira uniforme, mas sim em surtos descontínuos.

Nos países do Ocidente que deram origem ao sistema de produção de mercadorias, apenas algumas categorias foram elaboradas, enquanto outras permaneciam “subdesenvolvidas”. Trata-se da formação do sujeito moderno, da individualidade abstrata e das conseqüentes formas de direito e política. O esclarecimento e o liberalismo não puderam elaborar estas categorias como abstratas e gerais, igualmente legítimas para todos os membros da sociedade. O universalismo, formulado primeiramente de maneira teórica, rompeu-se, em seguida, face aos estratos sociais; a todo custo, iluministas e liberais queriam localizar “o homem” da ontologia moderna apenas na elite masculina. A massa de assalariados e assalariadas era submetida inclusive à disciplina do “trabalho abstrato”, mas ficava à margem do território ontológico do ponto de vista jurídico e político. Para que a ontologia moderna pudesse ser concluída objetivamente e não pessoalmente, ela precisava ser generalizada.

Apenas com a integração política e jurídica era possível tornar perfeita a submissão categorial do homem.

A partir dessa constelação, o movimento dos trabalhadores no Ocidente assumiu a função específica da “Modernização da modernidade”, que consistia na luta pelo reconhecimento de assalariados e assalariadas como sujeitos integrais dentro do direito, da política e na participação no Estado (direito de voto, liberdade de coalizão e de assembléia). Com isso bloqueou-se a crítica categorial também por esse flanco. Em vez da ruptura ontológica, o movimento dos trabalhadores deu preferência à finalização da ontologia moderna. Ele assumiu em parte o papel do liberalismo na medida em que universalizou determinadas categorias modernas. O liberalismo mostrara-se incapaz disso e revelou, em certo sentido, um aspecto conservador. Conseqüentemente, o movimento dos trabalhadores acusou o liberalismo de traição a seus próprios ideais e assumiu ele próprio os ideologemas essenciais do esclarecimento, incluindo-se aqueles próprios à ética protestante do trabalho.

A moderna ontologia do sistema de produção de mercadorias inclui, no entanto, determinada relação de gênero. Todos os momentos da vida e da reprodução, sejam materiais, psicossociais ou simbólico-culturais, assumem uma conotação simbólica e são na prática delegados às mulheres mediante todos os desenvolvimentos históricos e internos a esta ontologia. O reconhecimento das assalariadas – e, em geral, das mulheres – na sociedade burguesa como sujeitos no sistema jurídico e na vida política – negado pela maioria dos filósofos do esclarecimento – possuía validade restrita mesmo após a segunda onda da crítica imanente: de um lado, elas se movimentavam nas esferas oficiais da sociedade, mas, ao mesmo tempo, mantêm uma perna “do lado de fora” porque precisam representar os momentos de cisão e não integrados de maneira sistêmica. Neste sentido, a ontologia moderna não se constitui em uma totalidade fechada, mas sim em uma totalidade rompida e contraditória em si mesma, mediada pela “relação de cisão” manifestada nas relações de gênero (Roswitha Scholz). Para corresponder à relação estrutural de cisão no contexto da ontologia moderna, o reconhecimento burguês das mulheres deve ser mantido de forma imperfeita e incompleta. O indivíduo íntegro, abstratamente definido, é, na realidade, dotado de masculinidade, da mesma forma que o universalismo abstrato é androcêntrico exatamente por isso.

Em grandes dimensões repetiu-se a dialética afirmativa do reconhecimento burguês aos movimentos da periferia pela independência nacional e participação autônoma no mercado mundial. Neste caso, a crítica do capitalismo se baseou essencialmente na estrutura da dependência colonialista e pós-colonialista em relação aos países ocidentais mais desenvolvidos, mas não nas categorias sociais básicas. Aqui também se tratava de um reconhecimento perfeitamente assentado na ontologia moderna, mas não em sua crítica e em sua superação. Desta forma, tanto a revolução russa como a chinesa e os posteriores movimentos de libertação no hemisfério sul assumiram uma função no âmbito da “modernização da modernidade”, que consistia na formação recuperadora de economias e Estados nacionais na periferia. Conseqüentemente, também este movimento histórico precisava estar baseado nas idealizadas categorias da modernidade e em sua legitimação através do esclarecimento, mantendo-se preso, portanto, ao universalismo androcêntrico.

A não-simultaneidade no seio da moderna ontologia produziu um declive do desenvolvimento em termos geográficos ou no próprio interior da sociedade, que reclamava um posicionamento tanto da crítica aparentemente radical como da crítica liberal e do esclarecimento. O movimento dos trabalhadores dos países ocidentais, as revoluções do Leste e os movimentos de libertação do hemisfério sul representam apenas variantes distintas de uma “modernização recuperadora” no contexto dessa desigualdade. Tratava-se de ascender ao sistema de produção de mercadorias, e não de sair dessa ontologia histórica. Essa opção podia ser positivamente ocupada pelas noções de “progresso” e “desenvolvimento”, enquanto o sistema mundial como um todo dava espaço para uma subseqüente “modernização da modernidade”.

Este espaço para o desenvolvimento não existe mais. Na terceira revolução industrial, a ontologia moderna depara-se com limites históricos. Tornam-se obsoletas mesmo as categorias nas quais transcorreu o progresso total de modernização, como mostram com clareza o “trabalho”, a nação e a política. Com isso expirou também a não-simultaneidade no interior do sistema de produção de mercadorias. Mas isso ocorreu não porque todas as sociedades deste mundo teriam alcançado o mais alto nível de desenvolvimento moderno ou porque tenham sido nivelados os declives ou, ainda, porque tenha sido alcançada uma positiva simultaneidade planetária em níveis equivalentes. A não-simultaneidade expirou em razão do fato de que o sistema de produção de mercadorias estaria afundando na crise ontológica. Tanto faz o nível de desenvolvimento alcançado pelas sociedades em particular: todas elas são apanhadas em mesma medida pela crise ontológica ou categorial.

As diferentes sociedades encontram-se ainda em situações totalmente diversas nos planos material, social, político etc. Muitos países estão apenas nos primórdios do “desenvolvimento” moderno; outros estão empacados a meio caminho. Mas o declive não mobiliza nenhuma dinâmica adicional de “modernização recuperadora”. Ele gera, ao contrário, uma dinâmica de barbárie. A crise ontológica produz uma simultaneidade negativa, uma “decadência em termos mundiais” das categorias modernas, que transcorre sucessivamente sob condições inalteradas de desigualdade. Não existe volta para a antiga sociedade agrária, mas, uma vez ocorrido, o desenvolvimento nas formas ontológicas modernas passa a ser desmontado. Indústrias inteiras são paralisadas; continentes inteiros são deixados à própria sorte; e, mesmo nos países centrais do Ocidente, a crise crescente passa a ser apenas administrada sem perspectiva de mudanças.

Por toda parte e em todos os níveis da esgotada ontologia capitalista, a crise atinge não apenas as categorias capitalistas, mas também a relação de cisão determinada pelas questões de gênero. As relações de gênero ficam também “fora de controle”; torna-se frágil a identidade masculina da subjetividade completa e unidimensional de trabalho abstrato, direito, política, etc. Ela se decompõe em uma situação de “selvageria” (Roswitha Scholz), que se torna componente integral da tendência à barbárie e libera novos potenciais de violência gratuita contra mulheres. A barbárie não pode mais ser estancada através de um mero e já fracassado reconhecimento imanente das mulheres: isso só seria possível mediante a ruptura ontológica com a totalidade do campo histórico da modernidade capitalista, na qual é imanente a relação de cisão determinada pelas questões de gênero.

Em todo lugar, a mesma crise ontológica paralisa a crítica ainda mais do que antes. A crítica socialista do capitalismo, imanente em suas categorias e afirmativa ontologicamente, possui paradigmas oriundos da não-simultaneidade; ela está tão profundamente enraizada que nada mais pode ser pensado. A reiteração fantasmagórica de suas concepções cai no vazio porque não é alcançado o nível exigido da crítica categorial e da abrangente ruptura ontológica. De certa maneira, tornaram-se conjuntamente reacionários o liberalismo, o conservadorismo e o marxismo tradicional. As ideologias da modernização decompõem-se e misturam-se umas às outras. Esclarecimento e contra-esclarecimento tornam-se idênticos. Hoje existem comunistas anti-semitas e liberais racistas, iluministas conservadores, socialistas radicais de mercado e utopistas sexistas e machistas. Os movimentos sociais recentes mostram-se até agora impotentes diante dos problemas da crítica ontológica e da simultaneidade negativa. Apesar de serem distintos os pressupostos herdados do passado, estes problemas podem ser formulados e solucionados apenas por uma sociedade planetária.

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Traduzido do alemão por Marcos Branda Lacerda.

Original DER ONTOLOGISCHE BRUCH. Vor dem Beginn einer anderen Weltgeschichte in www.exit-online.org/. Comunicação ao Seminário sobre Roberto Schwarz em S. Paulo, Agosto de 2004. Texto em português incluído colectânea das comunicações aí havidas: UM CRÍTICO NA PERIFERIA DO CAPITALISMO, S. Paulo, 2007.

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