IMPEACHMENT DA POLÍTICA

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IMPEACHMENT DA POLÍTICA!

Em seu lugar construir espaços emancipatórios

para uma vida muito além do capitalismo!

         Manifestações com milhares e milhões de pessoas ecoam pelo Brasil. São contra ou a favor do governo.

          Em torno dessas ideias giram a direita, o centro e a esquerda. Eles ensaiam uma guerra. Com ela pretendem conquistar ou manter o poder, o aparelho de Estado. 

          Mas através do Estado será mantido o capitalismo. Com eles estará assegurada a ruína para quem está ou vai tomar o poder. Afinal, o Estado se transformou na administração da barbárie. Ela vinha se desenhando através das iniciativas reformistas e ou revolucionárias. Resultado: virou uma insanidade a forma como infelizmente se desenrola a quase totalidade da nossa vida.

           A intolerância e a forma excludente como lutam os manifestantes vêm escondendo até aqui a questão fundamental que é comum a todos eles: a intransigência para manter o papel da política, seus partidos e seu sistema. Lamentavelmente, só olham para o dedo do poeta que aponta para os limites da política, partidos e sistema.

           É por causa disso, que se continua também ignorando os ensinamentos das experiências políticas, para ficar no período mais recente, da Primavera Árabe, Occupy Wall Street, Grécia, França, Itália e demais países da Europa, Chile, Venezuela, Cuba, Estados Unidos, BRICS e do próprio Brasil, que deram e continuam dando n’água.

           Os ensinamentos dessas experiências indicam que a política e seus partidos fracassaram. Suas ideias do passado não foram revistas e transformadas. Tornaram-se, portanto, incapazes de construir uma nova visão crítica à altura dos desafios da crise atual do colapso patriarcal capitalista, socioambiental e do sujeito. Sem essa crítica não tinham como perceber o novo modo de produção do capitalismo. Não tinham como dimensionar o aspecto central da contradição do capital que é entre o conteúdo material da produção e a forma imposta pela valorização do dinheiro.

            Maravilharam-se com as novas forças produtivas da microeletrônica. Mas se revelaram despreparados quando elas escancararam o seu verdadeiro potencial de crise. Pois, pela 1ª vez na história, a riqueza material é produzida mais pelo emprego tecnológico da ciência do que pelo dispêndio do trabalho humano. O capitalismo, por causa da concorrência entre os capitalistas, levou essa produtividade ao infinito. Com isso, acabou produzindo uma drástica redução do trabalho e, portanto, do valor (que se expressa no dinheiro) e da mais-valia (que se expressa no lucro). Eles estão zerando. Eis aí a subversão capitalista que está derrotando o próprio capitalismo. Isso colocou em jogo a sua capacidade de existência e funcionamento.

            Com isso não se tem como negar o agravamento da crise. Ela desnudou a política e a economia não só no Brasil. Mostra como genocida a política de imigração na Europa. A sociedade do trabalho encontra-se sem trabalho e lança milhões no aterro sanitário social. O Estado nacional está para desaparecer. A crise ecológica devasta o planeta. A crise da relação entre os sexos está fora do alcance da política. Os governantes estão prostrados para tentar gerir o caos. Estamos nos deparando com uma regressão humana, etc.

             Ao tentar contornar esse colapso com a fuga para frente da financeirização e crédito público, o capitalismo avançou adoidado na sua destruição e autodestruição. Até aqui, vinha provocando o genocídio da humanidade e o ecocídio do planeta. Agora, ameaça de extinção o ser humano e a natureza.

            Eis uma questão, entre outras, que nos ajuda a compreender porque os defensores e participantes da política não querem ver, nem falar e nem ouvir sobre o limite interno econômico e limite externo ecológico do sistema. Esses limites caracterizam a crise da fronteira histórica do moderno sistema fetichista produtor de mercadorias. Enfrentá-los e suplantá-los é a tarefa que está colocada para o momento atual.

             Essa possibilidade é traduzida também pela ideia nova da crítica radical da crise ao apreciar outros aspectos do papel da política. Em primeiro lugar, ela chama a atenção para o fato de que os méritos e as razões da política tornaram-se arcaicos e reacionários.  Política é sujeição. E isto, num momento em que se pode ir para muito além dela.

              Em segundo lugar, essa nova ideia mostra que a ação política com suas lutas correspondentes sob a forma capitalista impedem uma saída para o Brasil, a Humanidade e o Planeta. Eis a razão para a tentativa de conter os novos movimentos sociais que buscam a ruptura categorial com o capitalismo.

              Em terceiro lugar, enfatiza que a política é uma regulação social que nos empurra para a construção da subjetividade da concorrência patriarcal burguesa. E isso dificulta a tomada de consciência das pessoas. Os participantes da política querem que a política continue sendo considerada natural. Fazem de tudo para negar que ela é uma construção histórica.

               Em seguida, a ideia nova da crítica radical da crise alerta que a democracia é a forma mais apropriada à sociedade da política, ou seja, à sociedade capitalista e, portanto, a outra face do capital, e não o seu contrário. Em razão disso constitui a submissão completa do ser humano à lógica sem sujeito do dinheiro.

               Finalmente, a política não tem meios autônomos de intervenção. Para resolver qualquer coisa ela precisa sempre de dinheiro numa relação de dependência à economia. Como a economia está em derrocada, a política perdeu sua razão de ser. Não é mais solução. Não tem mais nada a nos oferecer a não ser a condição de prisioneiros da administração democrática da barbárie com sua corrupção generalizada, sua degradação, sua decomposição ética e sua subordinação ao dinheiro. Em razão disso, falar em golpe, impeachment, novas eleições, constituinte, democracia, etc., independentemente da vontade de quem quer seja, visa a manutenção do sistema que não tem como continuar a existir sem comprometer a vida humana e a natureza.

              Portanto, através da política não vamos transformar a sociedade. Ou seja, a deusa política, ao se deparar com a crise categorial do sistema, já não pode salvar nem a si mesma. Daí a nossa proposta IMPEACHMENT DA POLÍTICA! Em lugar da política, construir espaços emancipatórios para uma vida muito além do capitalismo! Para que as relações entre as pessoas sejam diretas. Para que o dinheiro não comande a relação social. Para que se produza coletivamente e se compartilhe os frutos. Aqui se luta, contesta e afirma.  Aqui se elimina a representação. Aqui o ser humano conquista o livre arbítrio. Afirma a sua vontade antipolítica. Constrói-se como antissujeito autônomo, consciente e livre. Aposta na organização de um novo movimento social transnacional emancipatório. Rompe com a servidão voluntária ao capitalismo. Uma nova sociedade. Uma nova relação social. Uma sociedade humanamente diversa. Socialmente igual. Antifetichista. Crítica, fraterna e solidária. Prazerosa no ócio produtivo. Numa nova relação com a natureza, ecologicamente exuberante e bela. Uma sociedade completamente livre. Enfim, a construção de uma vida plena de sentido.

               Por tudo isso a vontade consciente dos seres humanos terá importância decisiva na suplantação do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias.

               Amigo e amiga, é de uma extrema felicidade que o criador, o ser humano, tenha agora a dimensão do significado e beleza que é superar a sua criatura, o capitalismo, com sua política, partidos e demais formas objetivas de existência e de pensamento. Afinal, estamos diante da oportunidade histórica de iniciarmos a gestação de uma resposta consequente para a crise atual. Essa ideia nova da crítica radical da crise nos possibilita substituir o amor da servidão pelo desejo, paixão, tesão e criatividade da liberdade e da emancipação.

     

A POLÍTICA DO FIM DO MUNDO!

O FIM DO MUNDO DA POLÍTICA!

EMANCIPAÇÃO AINDA QUE TARDIA!

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COM A POLÍTICA O CAPITALISMO SE EMANCIPA CADA VEZ MAIS DAS PESSOAS HUMANAS!

       COM A ANTIPOLÍTICA AS PESSOAS HUMANAS SE EMANCIPAM DO CAPITALISMO!

 Veja na página TEXTOS contribuições fundamentais para a reflexão e posicionamento nesse momento! 

   

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MENSAGEM AO POVO CEARENSE

Através da crítica radical da crise e sua ruptura categorial com o moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias suplantaremos a ameaça de extinção da humanidade e do planeta.

            A confiança no capitalismo já se mistura com o pânico diante de sua crise atual. Trata-se de uma crise inusitada que aponta o colapso socioambiental, das relações fetichistas patriarcais capitalistas e do sujeito.

            A anterior recusa à ideia de um limite interno e externo da valorização do capital se chocou com a sua comprovação na terceira revolução industrial da microeletrônica. Essa recusa em se ocupar com a crítica radical da crise da forma social valor-dissociação, no momento em que começava o processo da fronteira histórica do sistema, foi um erro colossal.

            Tal fato reforça enormemente o chamamento para a superação dessa grave insuficiência, em particular aos teóricos(as) de esquerda em seus mais variados matizes. Eles(as) não quiseram ver, nem ouvir e nem falar sobre essa crítica. Eles(as) não encararam o fato incontornável que seu novo e velho destruidor criativo capitalismo ficou diante do seu limite absoluto.

             Daqui vieram desdobramentos fundamentais. Destaquemos alguns. A política e seus partidos com seus processos de democratização, que nada mais são do que a completa submissão à lógica sem sujeito do dinheiro, perderam sua relevância e estão ameaçados de desaparecimento. Os governantes foram transformados em meros administradores do genocídio, do ecocídio e da barbárie. O estado e o mercado que, em dobradinha, foram pujantes no processo de desenvolvimento do capitalismo, agora se defrontam historicamente com o seu fracasso. O novo período do dinheiro sem valor colocou a humanidade e o planeta num impasse catastrófico, além de contribuir para uma corrupção generalizada. O apelo do masoquismo histórico, que parecia inesgotável, se deparou com o seu esgotamento, ou seja, com o fim do trabalho. Os embustes/ajustes fiscais neoliberais ou neokeynesianos que hoje impõem inauditos sacrifícios aos povos se tornaram impotentes porque ficaram colocados perante a barreira histórica do sistema. A mídia que multiplica informação e insiste em querer manter apenas expectadores(as) começa a perder eficácia perante as pessoas que buscam desenvolver um conhecimento crítico à lógica insustentável da sociedade espetacular. A insistência das autoridades governamentais, frente ao genocídio na segunda maior migração mundial, em afirmarem que a crise não é do sistema e sim dos refugiados, se torna ridícula. Por outro lado, as paliativas medidas para o colapso ambiental, além de ecocidas, são alimentadoras da extinção da humanidade e do planeta.

              Com tudo isso, cresceu a compreensão de que o abalo não é só econômico e ambiental e tem uma causa mais profunda.

              Essa causa ficou, até aqui, quase desconhecida. Hoje, seu redimensionamento, teórico e prático, pode virar pelo avesso a pré-história humana.

              Quando descobrimos e apresentamos o fundamento e o conteúdo da ruptura categorial com o sistema, fomos interpretados como profetas do caos. Agora, diante do seu reinado, há saída?

               Estamos achando que irrompeu um momento contraditório para essa enorme conquista. De um lado, a inconsciência que provoca o recuo da civilização. Do outro lado, a possibilidade de construir a crítica radical da crise que, por ser uma nova ideia no mundo, nos possibilita pensar, existir e lutar por um conteúdo verdadeiramente emancipatório do capitalismo.

               Através dela o pensar descortina uma nova reflexão. O existir impulsiona uma nova visão coletiva para viver uma vida plena de sentido. A luta incentiva a buscar, diariamente, uma nova relação social e com a natureza, uma nova sociedade. Isso contribui para que se forjem profundos e fraternais sentimentos e laços humanos e ambientais com valiosas pessoas aqui e no mundo.

               Antes, voamos quando os caminhos não estavam traçados. Hoje, o novo caminhar/voar para a emancipação humana e do planeta já não é uma impossibilidade.

               Avizinha-se o momento de substituirmos o capitalismo, de cujo ventre surge o terror, rompendo com a falsa polarização entre o capitalismo do terror e o terror do capitalismo. Assim, a sociedade do espetáculo fica suplantada. A barbárie e a extinção serão varridas da face da terra. Eis o momento da construção da nova história sem relação fetichista, de exploração, dominação e discriminação, racista, homofóbica, antissemita, genocida, ecocida e patriarcal capitalista! Essa façanha histórica convida você.

               Nunca houve um período da história da humanidade em que a vontade consciente dos seres humanos tenha tido uma importância tão decisiva como tem agora na suplantação do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias.

               Como antissujeitos, conscientes e livres, podemos iniciar nossa caminhada para encerrarmos o cântico das mercadorias e suas paixões. De agora em diante já podemos cantar a vida e a natureza, enfim, o ser humano numa sociedade humanamente diversa e desfetichizada, socialmente igual e criativa, ecologicamente exuberante e bela, prazerosa no ócio produtivo e completamente livre.

               Amigo e amiga, 2016 pode ser o prenúncio de uma nova época para a humanidade e o planeta.

               Um grande abraço!

               Crítica Radical

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BASTA DE CAPITALISMO!

A EMANCIPAÇÃO É MUITO MELHOR!

 VAMOS CONSTRUIR UMA NOVA HISTÓRIA SEM RELAÇÃO FETICHISTA,

DE EXPLORAÇÃO, DOMINAÇÃO E DISCRIMINAÇÃO, RACISTA, HOMOFÓBICA,

GENOCIDA, ECOCIDA E PATRIARCAL CAPITALISTA!

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MOMENTO DE SUPERAÇÃO

Vivemos um momento de superação!

Dinheiro é corrupção, corrupção é dinheiro.

Dinheiro é a expressão da relação social do capitalismo, cuja substância é o trabalho.

O capitalismo ditou, até aqui, a história da humanidade e do planeta.

Ditou porque sua dinâmica residia na valorização do dinheiro.

O patriarcado capitalista constitui o fundamento desse nascimento e se sustentava nele.

Mercado e Estado nasceram com ele

A constituição do sujeito foi formatada por ele

Assim, naturaliza-se o viver, o sacrificar, o sofrer e o se matar por ele.

No entanto, o capitalismo na 3ª revolução industrial da microeletrônica, substitui o trabalho, que está na base da valorização do dinheiro.

E, com isso, o sistema corta o galho aonde estava sentado.

Mas, hoje, política e economia ao tentarem sustentá-lo, se desmoralizam. Por quê?

Porque a crise atual escancarou a sua barreira histórica.

Agora, toda a sua solidez se desmancha no ar!

O que nunca foi feito agora pode começar…

Porque não viver uma vida muito melhor sem ele?

Se a sexta extinção é dele(s), a emancipação é nossa!

 

PODER MUNDIAL E DINHEIRO MUNDIAL – A função económica da máquina militar dos Estados Unidos no capitalismo global e os motivos ocultos da nova crise financeira – Robert Kurz

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PODER MUNDIAL E DINHEIRO MUNDIAL

A função económica da máquina militar dos Estados Unidos no capitalismo global e os motivos ocultos da nova crise financeira

 Robert Kurz

Nota prévia (22.01.2008): O texto que segue foi escrito em Novembro de 2007 para a revista de debates de esquerda “Widersprüch” (Zurique) e aí foi publicado no início de Janeiro [nº 53]. Sob o signo da crise financeira em curso e do mais recente crash bolsista, ele adquire uma actualidade insuspeitada.

Desde 1989, quando se fala do “fim de uma era”, na maior parte dos casos as pessoas referem-se à queda da RDA e do socialismo de Estado, na Rússia e na Europa Oriental; na sua sequência, ao fim da guerra-fria entre os blocos e ao desaparecimento das guerras “quentes” por procuração, nos pátios das traseiras do mercado mundial. Segundo os eufóricos da liberdade de então, a suposta vitória do capitalismo, paralelamente à generalização inevitável da “economia de mercado” e à constituição de um espaço económico unificado global segundo o padrão ocidental, deveria anunciar uma nova era de prosperidade global, desarmamento e paz. Esta expectativa revelou-se completamente ilusória. Nos últimos 17 anos desenvolveu-se realmente bem o contrário dos prognósticos interesseiros dos optimistas profissionais. A globalização trouxe, em levas sucessivas, cada vez mais zonas de pobreza em massa, guerras civis sem perspectiva, e um terrorismo pós-moderno neo-religioso que não se pode qualificar senão como bárbaro. O Ocidente, sob a direcção da última potência mundial, os Estados Unidos da América, reagiu a tudo isso com “guerras de ordenamento mundial” com igual falta de perspectivas e com uma precária administração da crise planetária (sobre isso vd. Kurz, 2003).

Pelos vistos, a interpretação dos acontecimentos pós-1989 foi meramente superficial e daí que não resultou. De facto, então não se desmoronou simples e isoladamente o bloco de Leste, como “sistema de penúria mal concebido”, mas igual destino tiveram não poucos países de orientação pró-ocidental do chamado Terceiro Mundo. Mais ainda: mesmo nos países centrais ocidentais há muito tempo que o “milagre económico” do pós guerra tinha afrouxado, com as taxas de crescimento sempre a descer. Desde então constituiu-se um desemprego em massa estrutural, que vai de par com o subemprego e a precarização do trabalho. Sob a impressão destas tendências, poderia impor-se uma interpretação completamente diferente, a saber, que se trata de uma crise geral do moderno sistema mundial produtor de mercadorias, que não poupa os próprios centros capitalistas. Nesta perspectiva, o chamado socialismo real do bloco de Leste não constituiu uma alternativa histórica, mas um sistema de capitalismo de Estado de “modernização atrasada” na periferia do mercado mundial e sua parte integrante. Depois de, com o fim dos velhos regimes de desenvolvimento de diversas cores, os “elos mais fracos” deste sistema mundial terem sido os primeiros a romper-se, o processo de crise prossegue imparável no espaço da globalização directa.

A terceira revolução industrial é considerada, e não sem razão, a causa de longe mais profunda da nova crise mundial. Pela primeira vez na história do capitalismo os potenciais de racionalização ultrapassam as possibilidades de expansão dos mercados. Na concorrência de crise, o capital desfaz a sua própria “substância trabalho” (Marx). O reverso do desemprego estrutural em massa e do subemprego à escala mundial é, por isso, a fuga do capital monetário para a célebre economia das “bolhas financeiras”, uma vez que os investimentos adicionais na economia real deixaram de ser rentáveis; é o que se depreende dos excessos de capacidade de produção a nível global (exemplarmente na indústria automóvel) e das batalhas especulativas das “fusões e aquisições” (vd. sobre isso Kurz 2005).

A interpretação aqui esboçada a traços largos no fim dos anos 90 era considerada com cabimento e até plausível, pelo menos junto de parte da crítica social de esquerda. Entretanto, as pessoas habituaram-se a que o capital pareça poder de algum modo viver, mesmo com uma acumulação simulada de bolhas financeiras (“jobless growth”). E a mais recente industrialização para exportação na Ásia, sobretudo na China, não apontará para uma nova era de crescimento real, só que já não na Europa? Simultaneamente as guerras de ordenamento mundial parecem reduzir-se, de forma muito banal, aos ordinários interesses do petróleo, pois ameaça faltar o “produto” para a cultura de combustão capitalista. Perante este pano de fundo, será que vem aí uma nova concorrência imperialista de blocos, por exemplo entre os Estados Unidos, a União Europeia e a China? Com tais considerações, a esquerda regride em grande parte, com certas modificações, ao seu velho padrão de pensamento anterior à mudança de era. Existem, porém, boas razões para crer que esta reinterpretação fornece uma mera caricatura da realidade que, vista mais de perto, se apresenta de modo completamente diferente. Neste contexto é essencial o estatuto político-económico da última potência mundial, os Estados Unidos da América, no capitalismo de crise global.

A crise do dinheiro e do sistema monetário mundial

A crise mundial da terceira revolução industrial e da globalização das últimas duas décadas remonta, por assim dizer, a uma crise do dinheiro que já há muito tempo está a cozinhar em lume brando, nomeadamente desde a primeira guerra mundial. Até aí o carácter do dinheiro, como “mercadoria à parte” (equivalente geral) dotada de uma substância de valor autónoma, era reconhecido de forma quase unânime. Por isso as moedas dos grandes países capitalistas tinham de ter “cobertura” em reservas de ouro nos bancos centrais. O ouro era o verdadeiro dinheiro mundial, a “lingua franca” do mercado mundial; e a libra esterlina da potência mundial de então, a Grã-Bretanha, só pôde funcionar como moeda mundial graças ao seu “padrão-ouro”. Contudo, as economias industriais de guerra das duas guerras mundiais e as forças produtivas da segunda revolução industrial (produção em massa fordista, linha de montagem, “automobilização”) deixaram de poder ser expressas, mesmo numa circulação acelerada, na “vinculação ao ouro” do dinheiro, que por isso teve de ser cortada. Por outras palavras: a substância de valor do dinheiro, que se baseia na substância condensada de trabalho do metal nobre ouro, não podia ser mantida. Por isso a “dessubstancialização” se fez sentir no plano do dinheiro, equivalente geral como “mercadoria-rainha” e forma de aparência do capital, já muito mais cedo do que no plano da vulgar “ralé da mercadoria”, onde ela só hoje se torna manifesta, na terceira revolução industrial. A consequência foi a “inflação secular”, completamente desconhecida no século XIX, a ininterrupta desvalorização do dinheiro – ora galopante (hiperinflação), ora latente.

Apesar do efeito inflacionário, alguns teóricos fizeram da necessidade virtude, declarando desnecessária a vinculação do dinheiro ao ouro, e o dinheiro um mero símbolo, que apenas teria de ser garantido juridicamente pelo Estado (assim, por ex., já Knapp 1905). Mas a derrocada do mercado mundial e a crise da economia mundial nos anos 30 teve também algo a ver com a falta de um dinheiro mundial reconhecido, uma vez que tinham fracassado todas as tentativas de regressar à vinculação ao ouro na Europa. Quando em 1944, em Bretton Woods, se lançaram as bases de uma ordem económica e monetária do pós-guerra, a coberto da “Pax Americana”, toda ela foi traçada para ter por base o dólar, como nova moeda de reserva e do comércio mundial. O fundamento para isso era não só a posição industrial incomparável dos EUA (sobretudo devido ao poderoso impulso ao crescimento da economia de guerra), mas também o facto de o dólar ser a única moeda convertível em ouro. No célebre Fort Knox estavam então guardados três quartos das reservas mundiais de ouro (cf. Kennedy 1933).

Só nesta base da ordem monetária mundial de Bretton Woods e de câmbios fixos em relação ao dólar se pôde desenvolver o “milagre económico” do pós-guerra, à sombra da guerra fria. Mas a recuperação da Europa e do Japão, no mercado mundial em expansão, começou logo a corroer a dominação económica dos Estados Unidos e, por conseguinte, a substância de ouro do dólar. Na medida em que a quota-parte na exportação de mercadorias e de capital se alterava em desfavor dos EUA, também o dólar perdia força e era cada vez mais trocado por ouro. As reservas de Fort Knox derretiam-se. Em 1973, o presidente Nixon viu-se obrigado a revogar a convertibilidade do dólar em ouro.

Assim chegou ao fim o sistema de Bretton Woods. As taxas de câmbio tiveram de ser liberalizadas, “flutuando” desde então conforme a situação nos mercados, o que constitui o ponto de partida para uma especulação monetária inteiramente nova com base nas oscilações das taxas de câmbio, com perigosas repercussões sobre a economia real.

Contudo, uma vez que não chegou a vir a grande catástrofe, apesar da crise monetária mundial dos anos 70, o problema do dinheiro e da moeda é considerado desde então empiricamente resolvido, mesmo entre os teóricos de esquerda: contrariamente à opinião de Marx, o carácter do dinheiro como “mercadoria à parte”, com substância de valor própria, teria passado definitivamente à história (veja-se por exemplo Heinrich 2004). Mas a prática, de modo algum segura, de relações monetárias flexíveis no espaço de tempo historicamente curto de poucas décadas nada de essencial diz ainda sobre a sustentabilidade da nova constelação, tanto mais que as crises monetárias na periferia, nos anos 90 na Ásia e após a viragem do século na Argentina, apontam para um problema que continua latente.

Do dólar-ouro ao dólar-armamento

A crise monetária mundial dos anos 70 apenas terminou sem grandes prejuízos porque o dólar, apesar da perda da convertibilidade em ouro, conseguiu manter quase intacta a sua função de dinheiro mundial, isto é, como moeda de reserva e do comércio mundial, à falta de uma alternativa credível. Caso contrário, o resultado teria sido já então a repetição da catástrofe dos anos 30, elevada a um patamar superior, pois sem a função de um dinheiro mundial o mercado mundial tem de implodir. No entanto, a reconstituição do dólar como moeda mundial ocorreu sobre um fundamento completamente novo. Em lugar da substância de valor do dinheiro alicerçada em ouro surgia agora, efectivamente, uma espécie de garantia “política”, contudo não apenas jurídico-formal, mas essencialmente militar. A moeda da potência mundial, ou “superpotência” do hemisfério ocidental, assumia agora a sua função de dinheiro mundial apenas em razão desta base de poder.

Aqui consumou-se um estranho processo recíproco: à medida que a posição económica dos EUA declinava no mercado mundial regular dos fluxos de mercadorias e de capital (um processo que se prolonga até hoje), crescia continuamente o “complexo militar-industrial”, já assim designado pelo presidente Eisenhower. As exorbitantes taxas de crescimento da indústria de armamento na segunda guerra mundial prosseguiram, na forma de uma muito discutida “economia de guerra permanente”. Perante este pano de fundo, também a terceira revolução industrial da microelectrónica saldou-se em sempre novos sistemas de armamento de alta tecnologia e abriu o caminho da industrialização para a electronicização da guerra. Com o desenvolvimento de sucessivas gerações de armas, os EUA foram-se colocando numa posição inalcançável para o resto do mundo, no que respeita ao armamento. O presidente Reagan ainda forçou mais esta tendência. A União Soviética, como potência oponente da “modernização atrasada”, soçobrou, desde logo, devido às contradições internas de uma “economia capitalista planificada”, mas foi também “armada até à morte” e não conseguiu aguentar a corrida à alta tecnologia, nem no plano económico, nem no plano militar.

O “factor extra-económico” da máquina militar dos EUA, cada vez mais sem concorrência, deu assim origem a uma tremenda potência económica. É verdade que houve nos EUA quem lançasse avisos contra a imparável caminhada para uma “economia de guerra permanente”, na medida em que esta desencadeava uma avalanche de dívida estatal. Embora Reagan, estritamente neoliberal e monetarista, tivesse cortado brutalmente os programas sociais keynesianos dos seus antecessores, ele deixou explodir o “keynesianismo do armamento”, contra a sua própria doutrina. Com isso o já de si inflado complexo militar-industrial tornou-se sob muitos aspectos o suporte do crescimento e a máquina de empregos (até em formas derivadas). A economia dos EUA dava sinais de força interna nominal, embora fosse cada vez mais fraca no mercado mundial.

A astronómica dívida ligada a este processo de militarização económica deixou de poder ser financiada com as poupanças próprias já nos anos 80. Mas a potência económica da máquina militar também se repercutiu nas relações externas. Era precisamente o poder militar dos EUA como “polícia mundial” que parecia oferecer um “porto seguro” aos mercados financeiros globais. Esta impressão iria ainda reforçar-se consideravelmente após a suposta vitória sobre o sistema contrário do Leste. O dólar conservou a sua função de dinheiro mundial ao metamorfosear-se de dólar-ouro em dólar-armamento. E o carácter estratégico das guerras de ordenamento mundial, nos anos 90 e após a viragem do século, no Próximo Oriente, nos Balcãs e no Afeganistão, consistia em primeira linha em perpetuar o mito do “porto seguro” e, com ele, o dólar como moeda mundial através da demonstração de capacidade de intervenção militar global. Nesta base, em última instância irracional, o capital monetário excedentário na terceira revolução industrial (já não susceptível de investimento real rentável) fluiu cada vez mais de todo o mundo para os EUA, financiando assim indirectamente a máquina militar e do armamento.

A maior bolha financeira de todos os tempos e o milagre do consumo dos Estados Unidos

O limite interno da valorização real do capital na terceira revolução industrial promoveu por todo o lado a fuga para a superstrutura do crédito e para uma economia de bolhas financeiras. Esta economia de crise do capital financeiro teve forçosamente que se concentrar no suposto “porto seguro” do espaço do dólar. Quanto mais capital monetário excedentário vagueava pelos mercados financeiros globais, tanto maior se tornava a força de sucção dos EUA para absorver estas torrentes monetárias. Deste modo se formou in Gods own country “a mãe de todas as bolhas financeiras”. Através da venda de títulos do tesouro americanos em todo o mundo não só se financiou o boom do armamento endividado. Paralelamente a isso também inflaram nos EUA os mercados de acções nos anos 90 e os mercados imobiliários após a viragem do século. Assim se lançaram as bases de uma nova qualidade do endividamento.

Ao lado do complexo militar-industrial formou-se assim um segundo pilar de crescimento aparente, “irregular”, da economia interna dos Estados Unidos. Em virtude da dispersão da propriedade das acções e do imobiliário, muito maior que na Europa, pôde colocar-se em marcha um paradoxal “milagre do consumo”. Embora os salários reais, em média, tenham estagnado ou até regredido desde os anos 70 (Cf. Thurow 1996), o consumo tornou-se cada vez mais o suporte decisivo do crescimento. A causa profunda desse boom não era de modo algum o tão invocado “milagre do emprego”. É que, além do emprego no complexo militar-industrial, por seu lado dependente do soro do endividamento estatal, criaram-se sobretudo empregos de miséria no sector dos serviços, a célebre “pobreza empregada”. Em virtude da posição fraca dos EUA no mercado mundial, também o emprego no sector exportador tende a diminuir.

O boom do consumo alimenta-se, até hoje, não tanto de rendimentos salariais regulares como, e em primeiro lugar, das bolhas financeiras dos mercados de acções e do imobiliário. Os ganhos diferenciais, provenientes dos aumentos fictícios do valor dos respectivos títulos de propriedade, devido à sua ampla dispersão, reflectiram-se em milhões de casos de endividamento com cartões de crédito e créditos hipotecários, numa escala nunca antes vista. A garantia era constituída precisamente pelos preços acrescidos, primeiro das acções e depois do imobiliário. O ingresso maciço do capital monetário excedentário de todo o mundo para o suposto porto “seguro” do dólar foi encaminhado para financiar, não apenas o consumo armamentista endividado, mas igualmente o consumo privado endividado. Esta é a maravilhosa máquina do dinheiro que tem alimentado o milagre do consumo dos Estados Unidos.

O circuito do deficit do Pacífico e a conjuntura mundial

A fraqueza da economia real dos EUA no mercado mundial revelou-se num deficit da balança comercial que não parou de se avolumar. Em termos relativos, na economia interna da última potência mundial, dominada pelo complexo armamentista e pela prestação de serviços, foram sendo produzidas cada vez menos mercadorias industriais; em algumas áreas a regressão foi mesmo absoluta. A maior parte dos cidadãos americanos, que se puderam endividar com base no crescimento duradouro do preço das acções e dos imóveis, consumiam cada vez mais mercadorias produzidas noutros países. Assim foi impulsionado um circuito do deficit global, que se fez notar pela primeira vez nos anos 80, acelerou nos anos 90 e hoje começa a sobreaquecer. Se, em primeiro lugar, tinha sobretudo deslizado para negativo a balança comercial com o Japão, o deficit não tardou a crescer também face aos pequenos Estados asiáticos e face à Europa, para finalmente transbordar de forma incrível, no tráfego de mercadorias com os colossos Índia e China. Hoje quase já não existe uma zona industrial do mundo que não tenha saldo positivo no comércio com os EUA.

O reverso do endividamento monetário externo, através da absorção dos fluxos globais de capital, consiste por conseguinte em que, inversamente, também os fluxos excedentários globais de mercadorias são absorvidos. Por outras palavras: os consumidores americanos (Estado e privados) pedem emprestado o dinheiro com que pagam aos fornecedores a enchente de mercadorias. Deste modo, os EUA tornaram-se o buraco negro da economia mundial. No entanto, tal implica uma dupla dependência recíproca. Se os maravilhosos consumidores americanos não fossem, por assim dizer, consumindo heroicamente a produção excedentária de todo o mundo, a crise da economia mundial da terceira revolução industrial já há muito tempo se teria manifestado com todo o seu peso. Acresce que não se trata de um fluxo de mercadorias entre economias nacionais separadas, mas de movimentos no interior da globalização da economia empresarial. São sobretudo as grandes empresas americanas, além de japonesas e europeias, que usam a China como placa giratória das cadeias transnacionais de criação de valor, por causa das estruturas de baixos salários, e a partir daí fornecem os mercados dos EUA e doutros lugares. Os correspondentes investimentos limitam-se por isso às “zonas económicas de exportação” e nada têm a ver com um “desenvolvimento” económico nacional tradicional da China, da Índia etc.

A estrada de sentido único da exportação da Ásia sobre o Pacífico para os EUA transformou entretanto o circuito do deficit num volante que move toda a economia mundial. A indústria europeia não só fornece, como outras regiões do mercado mundial, uma parte dos seus excedentes aos EUA por via directa, como ao mesmo tempo exporta cada vez mais componentes de produção para a máquina trituradora da exportação asiática (sobretudo no sector da construção de máquinas). A famigerada “retoma” dos últimos anos deve-se quase exclusivamente a esta economia-vudu. É verdade que, periodicamente, há avisos para o perigo destes crescentes “desequilíbrios da economia mundial” sob a forma dos deficits externos acumulados dos EUA. Mas, uma vez que tudo de algum modo se tem passado bem há tanto tempo, na maior parte dos casos o alarme é desactivado logo a seguir.

O cenário da crise do crédito e do dólar que aí vem

Durante o ano de 2007, contudo, concentraram-se ameaçadoras nuvens negras no horizonte da economia mundial. Tal não podia deixar de acontecer: Está a esvaziar-se a bolha do imobiliário americano, principal combustível do consumo nos últimos anos, e os preços das casas estão a baixar a olhos vistos. Deste modo, os créditos hipotecários no sector “subprime” (devedores sem capital próprio digno de menção) começam a ficar em maus lençóis a uma escala maciça. A dimensão que a crise financeira crescente poderá assumir já se revelou em poucos meses: De repente, bancos e caixas de poupança de muitos países viram-se sob uma pressão maciça no sentido de amortizarem crédito mal parado, porque os títulos da dívida americana circulam à escala global. Mas isto foi apenas o começo. Em virtude dos ciclos de rotação do capital de crédito e do capital real, que muitas vezes se estendem ao longo de anos, a verdadeira dimensão da crise do crédito só se tornará visível nos anos de 2008 a 2010. Se, neste espaço de tempo, o consumo americano sofrer uma ruptura profunda, não só se tornará efectivo o revés nos mercados globais de acções, mas também ficará paralisado o circuito do deficit do Pacífico e, com ele, a conjuntura mundial. Ninguém pode prever com exactidão a sua dimensão, mas a crise ameaça ultrapassar todos os fenómenos de crise da terceira revolução industrial dos últimos 20 anos.

É como assobiar para espantar o medo, quando os comentadores económicos agora fingem esperar que a conjuntura interna, na União Europeia ou até na China, poderia de repente tornar-se “auto-sustentada” e substituir o consumo dos Estados Unidos, como sugadora das torrentes excedentárias de mercadorias. De onde haveria de vir o poder de compra nestas regiões, se ele não surgiu até agora, apesar do boom das exportações? Simultaneamente abre-se um duplo dilema no que diz respeito aos juros. Às crises asiáticas dos anos 90 e à derrocada da New Economy virtual a seguir a 2000 ainda se fez frente com uma corrida à baixa dos juros dos bancos centrais que inundou os mercados com dinheiro barato. É o que os mercados financeiros esperam agora de novo da reserva federal americana, e os outros bancos centrais deverão seguir. Mas, por um lado, uma nova enchente de dólares poderia despertar o potencial de inflação há muito latente na “inflação patrimonial” dos títulos de dívida, e fazer transitar para um estádio galopante a secular desvalorização do dinheiro, se se pretender alimentar desta maneira o moribundo consumo dos Estados Unidos. Por outro lado, está à vista que o afluxo do capital monetário excedentário aos EUA decairá se o Banco Central Europeu, perante uma inflação crescente, não estiver pelos ajustes e assim se anular a diferença dos juros entre os EUA e a União Europeia. A simultaneidade de depressão e inflação vai-se tornando uma possibilidade.

O dilema dos juros, como resultado da difusão por todo o mundo da crise do crédito dos Estados Unidos, começa também a pôr em causa a função do dólar como dinheiro mundial. Por detrás do problema está, em última instância, o gigantesco deficit externo acumulado, que clama por uma desvalorização drástica do dólar e uma igualmente drástica revalorização das moedas com excedentes de exportação. De facto, no passado o dólar já foi por diversas vezes desvalorizado de forma controlada, o que levou a que os países credores tivessem de pagar uma parte das dívidas dos Estados Unidos. Agora, porém, antevê-se uma queda descontrolada, que já começou face ao Euro, enquanto as moedas asiáticas ainda são mantidas artificialmente baixas. Se, porém, a crise do crédito se repercutir plenamente, também esta barreira será derrubada. Nessa altura chegará ao fim, não apenas a capacidade de financiamento do complexo militar industrial, mas também o mito do “porto seguro”.

O lugar do dólar, porém, não pode ser ocupado por nenhum outro dinheiro mundial, ainda que haja muita propaganda a favor do Euro nesse sentido. O Euro não pode assumir o lugar do dólar porque não tem bases para isso, nem em ouro, nem em armamento. A crise do dinheiro mundial e o potencial de inflação a ela associado apontam para uma amadurecida crise do dinheiro em geral. É o que se esboça também na imparável subida do preço do ouro, com sucessivos novos recordes, que acompanha a crise monetária em formação: O carácter de mercadoria do dinheiro, com substância de valor própria, impõe-se na crise. O ouro, de simples matéria-prima, torna-se novamente no “verdadeiro” dinheiro, ou dinheiro mundial, mas as forças produtivas da terceira revolução industrial já não podem ser mediadas como movimento do mercado mundial com base no ouro. Seria como tentar esvaziar o oceano como uma colher de café em ouro. A situação do período entre as duas guerras ameaça regressar, mas num nível de desenvolvimento muito mais elevado.

Crise mundial, ideologia mundial e guerra civil mundial

O que se espera da crítica social emancipatória nesta situação de um limite interno histórico do capitalismo é a redefinição de socialismo, para lá das formas fetichistas da mercadoria, do dinheiro, do Estado nacional e das relações de género que lhes estão associadas. Porém, na medida em que a esquerda, em vez disso, regressa aos seus velhos padrões de interpretação e procura uma nova “força” imanente às novas constelações mundiais, susceptível de ser ocupada positivamente, ela própria ameaça tornar-se reaccionária. Nestas circunstâncias, a crítica do capitalismo converte-se muitas vezes em anti-americanismo e anti-semitismo aberto ou estrutural. As “formas de pensamento objectivas” (Marx) do fetiche capital, que incluem uma “inversão da realidade”, constituem (se não forem destruídas) o fundamento para uma digestão ideológica da crise, como a que já no período entre as duas guerras levou a resultados devastadores. No contexto da globalização do capital, o resultado é uma ideologia mundial assassina. Causas e efeitos são invertidos: a crise do crédito surge, não como efeito do esgotamento da acumulação real, mas como resultado da “avidez do capital financeiro” (uma ideia desde há 200 anos ligada aos clichés anti-semitas); o papel dos Estados Unidos e do dólar-armamento surge, não como condição comum transversal a todo o capital globalizado, mas como opressão imperial sobre o resto do mundo.

O motivo desta inversão ideológica hoje é o desejo desesperado de se refugiar de novo nos tempos da prosperidade fordista e da regulação keynesiana. Neste âmbito afirma-se, mesmo entre a esquerda radical, uma opção no sentido de substituir “a versão americana, unilateral do Empire” (Hardt/Negri, 2004) por uma globalização “democrática” sob a direcção da União Europeia, e porventura com o Euro como nova moeda do comércio mundial e de reserva. Esta opção não só é completamente cega perante a crise, mas também ignora o contexto interno do capital mundial e o carácter da União Europeia. Também, de entre as ideias fantasmáticas de aliança deste reformismo mundial virtual, qual delas será a mais horripilante; por exemplo, quando se pretende incluir o regime da Gazprom e dos serviços secretos de Putin, ou a burocracia de exportação chinesa suportada em grande parte pelo investimento do capital transnacional, tal como a nada santa aliança entre o caudilhismo do petróleo de Chavez e o regime islamista anti-semita de Teerão.

Mesmo abstraindo do facto de que uma globalização centrada na Europa não valeria nem mais um chavo que uma globalização centrada nos Estados Unidos, ela nem sequer seria possível. Não se trata apenas de o Euro não conseguir substituir-se ao dólar-armamento em queda, mas a União europeia, por isso mesmo, também não está em posição de reverter a corrente do capital monetário excedentário, nem de absorver a produção excedentária global. A Rússia, a Venezuela e o Irão, cujas pretensões políticas contra o “satã americano” se nutrem apenas da explosão do preço do petróleo, estão na economia mundial numa dependência ainda maior deste papel paradoxal da economia americana. Se o volante do circuito do deficit do Pacífico parar e surgir uma depressão mundial, os regimes do petróleo, todos eles, serão os primeiros a ficar no fio da navalha.

A crise mundial da terceira revolução industrial, que vai amadurecendo e para cuja administração não há nenhum novo “modelo de regulação” à vista, certamente não vai simplesmente prosseguir o seu caminho económico. Na situação económica insuperável da nova constelação de crise global que se vislumbra, mais ainda que em anteriores rupturas na história da modernização, espreita o perigo de uma “fuga para a frente” irracional, em direcção à guerra mundial. Porém, no nível de desenvolvimento da globalização, esta já não pode ser nenhuma guerra entre blocos de poder, entre impérios nacionais, por uma “nova partilha do mundo”. Haveria que falar antes de uma nova guerra civil mundial de tipo novo, tal como já se apresentou nas guerras de “desestatização” e de ordenamento mundial, desde a queda da União Soviética, que talvez não tenham passado dos seus prenúncios. Nunca a palavra de ordem “socialismo ou barbárie” teve tanta actualidade como hoje. Mas, simultaneamente, no final da história da modernização, o socialismo tem de ser reinventado.

Bibliografia

Hardt, Michael/Negri, Antonio (2004): Multitude. Krieg und Demokratie im Empire [Multitude. Guerra e Democracia no Império], Frankfurt/Nova Iorque

Heinrich, Michael (2004): Die Wissenschaft vom Wert [A Ciência do Valor], Münster

Kennedy, Paul (1993): In Vorbereitung auf das 21. Jahrhundert [A Preparação para o Século XXI], Frankfurt/Main

Knapp, Georg Friedrich (1905): Staatliche Theorie des Geldes [A Teoria Estatal do Dinheiro], Munique e Lípsia

Kurz, Robert (2003): Weltordnungskrieg. Das Ende der Souveränität und die Wandlungen des Imperialismus im Zeitalter der Globalisierung [A guerra de ordenamento mundial. O fim da soberania e as metamorfoses do imperialismo na era da globalização], Bad Honnef

Kurz, Robert (2005): Das Weltkapital. Globalisierung und innere Schranken des modernen warenproduzierenden Systems [O Capital Mundial. A Globalização e os limites internos do sistema produtor de mercadorias moderno], Berlim

Thurow, Lester (1996): Die Zukunft des Kapitalismus [O Futuro do Capitalismo], Düsseldorf/Munique

 

Original WELTMACHT UND WELTGELD. Die ökonomische Funktion der US-Militärmaschine im globalen Kapitalismus und die Hintergründe der neuen Finanzkrise inwww.exit-online.org. Publicado no nº 53 da Revista Widersprüch (Zurique), Janeiro de 2007 http://www.widerspruch.ch/53.html

http://obeco-online.org/

http://www.exit-online.org/

 

MDTS E CRÍTICA RADICAL APRESENTAM DENÚNCIA CONTRA A UFC NA OIT

foto oit 1       OIT 2 OIT 3

             O MDTS – Movimento em Defesa dos Trabalhadores da Saúde (UFC/SAMEAC) e o Coletivo Crítica Radical de Fortaleza entregaram nesta sexta, 06.05, a Stanley Gacec, representante da OIT – Organização Internacional do Trabalho no Brasil, documento de denúncia contra a Universidade Federal do Ceará – UFC pelo processo de demissão em massa de 700 trabalhadores do Hospital das Clínicas e Maternidade Escola da UFC. O documento, endereçado ao Comitê de Liberdade Sindical da OIT, teve o apoio de todas as Centrais Sindicais presentes ao 4º Congresso Internacional sobre Direito Sindical realizado em Fortaleza. Na denúncia os movimentos citados e as Centrais apontam que todo o processo de demissão vem se dando “sem qualquer negociação prévia com as entidades sindicais, representando despedida coletiva e arbitrária em massa com forte impacto social” além das práticas antissindicais que tipificam flagrante violação das Convenções 87 e 98 da OIT.

Veja a íntegra do documento

DOC OIT 1

DOC OIT 2

DOC OIT 3

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SEMINÁRIO E AUDIÊNCIA FORTALECEM A LUTA CONTRA AS DEMISSÕES NA UFC!

SEMINÁRIO CRISE E DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA FOI SUCESSO TOTAL!

                 Com o Auditório da Odontologia lotado aconteceu no dia 29/03, o Seminário CRISE E DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA: CAOS, PRIVATIZAÇÃO E PERSPECTIVAS – IMPASSES DA EBSERH E A CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO À ALTURA DAS COMPLEXAS QUESTÕES DOS HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS*!
                  As intervenções das companheiras Teresa Neuman (MDTS) e Rosa Fonseca (Crítica Radical), bem como do Dr. Jorge Darze (RJ), do Dr. Darley Wollmann (PR), Dr. Paulo Everton (Ce) e Dr. Clóvis Renato (Ce) foram de fundamental importância para situar a temática do seminário, evidenciando a gravidade da situação da saúde e, em particular dos Hospitais Universitários realçando as consequências profundamente negativas da implantação da EBSERH. Ficou evidente a relação entre a luta contra a EBSERH e a privatização e luta contra as demissões dos trabalhadores(as) do Hospital das Clínicas e Maternidade Escola da UFC.
A exibição do vídeo sobre a luta e com depoimentos de companheiros(as) sobre a situação frente às demissões emocionou a todos os presentes.
Representantes de várias entidades se pronunciaram a exemplo do Dr. Clayton,(CESAU / SINDIODONTO), Maria Luiza Fontenele (Crítica Radical e União das Mulheres Cearenses), Keila Camelo (SINTUFC), Valmir Bráz (SINDPD), Luziana Feijó (CREFITO 6), o Professor Fernando Pires (Observatório de Políticas Públicas da UFC) bem como Dr. Thiago Pinheiro (Advogado MDTS) e Afrânio Castelo (Mandato Dep. Renato Roseno) manifestando a solidariedade, reforçando as denúncias e fortalecendo a luta.
Ao final, foi aprovado a proposta de dar continuidade a essa articulação para reforçar a luta em plano nacional contra a EBSERH e em defesa da saúde pública de qualidade numa nova perspectiva de vida.

                 Vários companheiros(as) deram depoimento de como se sentiram fortalecidos com a realização do seminário.

JUIZ DO TRABALHO BUSCA UMA SOLUÇÃO HUMANA PARA O PROBLEMA! A UFC É CONTRA!

           No dia seguinte, 30.03, a audiência e manifestação realizadas na Justiça do Trabalho, também deram um novo fôlego à luta contra as demissões. Mais uma vez o Juiz da ação, Dr. Fortuna, da 7ª Vara reafirmou suas posições no sentido de preservar os direitos dos trabalhadores garantidos por Lei e insistir na possibilidade de negociação para uma solução humana para a questão.

            Veja as principais decisões do Juiz:

             – Indeferiu o requerimento de suspensão do processo formulado pela Universidade Federal do Ceará que teria como consequência a demissão imediata de todos os trabalhadores. O Juiz esclareceu que a ação do MDTS baseou-se não só “na observância da lei de greve, mas, também, na alegativa de demissão em massa sem negociação coletiva prévia.”

              – Em consequência disso, ficou mantida a proibição de demissão dos trabalhadores(as), a não ser que solicitem.

              – Como foi anexado à ação inicial do MDTS um novo processo por iniciativa do SINFITO, foi marcado um novo prazo para as partes se pronunciarem ficando possíveis decisões finais para a próxima audiência.

              – O Juiz comprometeu-se a enviar um ofício ao Juiz da 4ª Vara da Justiça Federal para a realização de uma audiência conjunta chamando todas as partes, inclusive a EBSERH, no sentido de uma solução definitiva. Se isso acontecer, corta-se o campo de manobra da UFC que sempre justifica a sua intransigência e massacre contra os trabalhadores com a decisão da Justiça Federal. O próprio Dr. Fortuna confirmou o diálogo que teve com o Dr. Vidal, da Justiça Federal, afirmando que havendo um novo acordo ele poderia confirmar.

              – Com relação aos atrasados dos 111, os procuradores representantes da UFC requereram a concessão de prazo para manifestação sobre o depósito judicial juntado aos autos, sendo deferido o requerimento e concedido o prazo de 10 (dez) dias.

               – Antes de encerrar a audiência o Juiz concedeu a palavra também ao Dr. Jorge Darze e Dr. Darley Wollmann, do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro e do Paraná respectivamente, convidados como expositores no SEMINÁRIO CRISE E DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA: CAOS, PRIVATIZAÇÃO E PERSPECTIVAS – Impasses da EBSERH e a construção de um projeto à altura das complexas questões dos Hospitais Universitários, realizado no dia anterior no Auditório da Odontologia/UFC, por iniciativa do MDTS e Crítica Radical. Foi muito importante o pronunciamento dos dois em particular ao testemunhar a experiência de prorrogação dos contratos do pessoal em situação semelhante nos dois estados citados.

             – A próxima audiência ficou para o dia 18.05.2016, às 08:30h.

             Após a audiência realizou-se uma plenária no auditório do SINDPd, com a participação dos convidados ao seminário e dos advogados do MDTS, Dr. Clóvis Renato e Dr. Thiago Pinheiro, além de outros companheiros apoiadores da luta. Após vários pronunciamentos e esclarecimentos, os trabalhadores(as) decidiram por unanimidade continuar a luta.

              Na oportunidade o coordenador do SINDPd, companheiro Valmir Bráz e a companheira Sílvia Pimentel do SINDIODONTO fizeram doações para reforçar a solidariedade aos companheiros que estão sem receber salários em função da luta.

              *O Seminário teve a PROMOÇÃO E APOIO da Crítica Radical, MDTS, C.A. Medicina, CESAU , Fórum em Defesa do SUS, SINDMEDCE, SENECE, CREFITO 6, SINTUFC, C.A da Medicina, SINDIODONTO, CRESS, AFBNB, SINTAF, UMC, …

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ÍNTEGRA DA ATA 

ATA DE AUDIÊNCIA

PROCESSO: 0001685-79.2015.5.07.0007

REQUERENTE: ANA CLAUDIA LIMA LEAO

REQUERIDO(A): SOC DE ASSIST A MAT ESC ASSIS CHATEAUBRIAND

 

Em 27 de janeiro de 2016, na sala de sessões da MM. 7ª VARA DO TRABALHO DE FORTALEZA/CE, sob a direção do Exmo(a). Juiz FRANCISCO ANTONIO DA SILVA FORTUNA, realizou-se audiência relativa ao processo identificado em epígrafe.

 

Às 08h49min, aberta a audiência, foram, de ordem do Exmo(a). Juiz do Trabalho, apregoadas as partes.

Presente o(a) requerente, acompanhado(a) do(a) advogado(a), Dr(a). CLOVIS RENATO COSTA FARIAS, OAB nº 20500/CE.

Presente o(a) preposto(a) da SOC DE ASSIST A MAT ESC ASSIS CHATEAUBRIAND, Sr. Adolfo Bruno Ferrer bezerra de Menezes, acompanhado(a) do(a) advogado(a), Dr(a). MARIA ERIVANIA PEREIRA BURITI, OAB nº 23261/CE.

Presente o procurador do(a) requerido(a) UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARA, Dr(a). RAFAEL MOREIRA NOGUEIRA, DR. MARCEL JULIEN MATOS ROCHA, DR. COBERTO CARLOS FERNANDES DE OLIVEIRA e DR. LEONARDO LIMA NUNES.

Presente o representante do Ministério Público do Trabalho, Dr. Carlos Leonardo Holanda Silva.

Presente representante do SINISAÚDE, Maria Madalena Policarpo da Silva.

Presente as estudantes de Direito Priscilla Noronha Nobre e Graziela Fetter.

CONCILIAÇÃO REJEITADA, ficando registrado que a UFC declarou através de seu representante que não há possibilidade de celebração de acordo em face dos fundamentos já expostos na peça contestatória.

À requerimento do advogado do SindPD-CE fica registrado que o procurador representante da Universidade Federal do Ceará – UFC declarou que não manteve contanto com representante do Ministério Público Federal para discussão da possibilidade de complementação/alteração do acordo celebrado perante a 4º Vara da Justiça Federal.

Analisando os autos verifica-se na audiência realizada no dia 03/11/2015 foi deferido em sede de liminar pedido formulado pelos autores para que a UFC se abstenha de dispensar a mão de obra dos autores em suas unidades hospitalares, assim como a exigência de apresentação, pela SAMEAC, da lista de dispensados. Constou, ainda, expressamente, que a Universidade deve “se abster de dispensa a mão de obra dos autores até a final solução deste processo”.

Contudo, a documentação carreada aos autos pelos autores demonstram, à saciedade, que a UFC vem descumprindo reiteradamente tal ordem judicial.

Por isso, imponho à Universidade Federal do Ceará – UFC o pagamento da multa estipulada na liminar, no valor de R$ 20.000,00, por trabalhador prejudicado, considerados como tais aqueles que tiveram seus nomes incluídos e listas de dispensa e aqueles que foram impedidos de acessar seus locais de trabalho nos hospitais universitários. O montante devido deverá ser apurado na fase de liquidação.

Já na audiência realizada em 07/12/2015 foi determinado que a Universidade Federal do Ceará – UFC procedesse ao “depósito, em conta judicial à disposição deste Juízo, até o dia 17/12/2015, de qualquer importe vinculado ao pagamento das verbas rescisórias dos empregados da SAMEAC, em especial os créditos vinculados às dispensadas já anunciadas e aquelas decorrentes do acordo judicial homologado nos autos da ação civil pública nº 5846-78.2014.4.05.8100, em trâmite perante a 4a. Vara da Justiça Federal do Ceará”.

Contudo, tal ordem judicial também não foi cumprida pela UFC, conforme argumentos expendidos por procurador da referida autarquia, em audiência, porque a SAMEAC se negou a emitir a respectiva nota fiscal.

No entanto, não prospera a insurgência da autarquia federal, haja vista que a referida ordem não se submete a qualquer condição, em especial aquelas de natureza contratual. Contudo, não foi fixada qualquer “astreintes” para o caso de descumprimento da ordem emanada deste Juízo.

Face ao acima exposto, e considerando o descumprimento das ordens judiciais acima descritas, determino, com amparo no art. 14, V, e seu parágrafo único, do CPC, que seja expedido MANDADO ESPECIAL dirigido ao reitor da Universidade Federal do Ceará – UFC para que dê cumprimento às liminares deferidas por este juízo, em especial quanto às ordens judiciais acima descritas, sob pena de pagamento de multa no importe de R$ 50.000,00 em caso de descumprimento da ordem de dispensar a mão de obra de empregados da SAMEAC ou proibir seu acesso aos locais de trabalho, a partir desta data; e de R$ 20.000,00 em caso de não disponibilização em conta judicial à disposição deste juízo, até o dia 05/02/2016, dos valores disponibilizados para o pagamento das verbas rescisórias dos empregados das SAMEAC.

Com a palavra, o preposto da SAMEAC se manifestou nos seguintes termos: “a SAMEAC não faz lista de demissão; a SAMEAC tem um contrato a ser cumprido e ao mesmo tempo é responsável pela área trabalhista de seus funcionários, o que nessa situação de falta de entendimento nos deixa passivo, porque a SAMEAC segue a um contrato; a SAMEAC está apta a concorrer em licitações, afinal tem concorrido recentemente, e desconhece qualquer restrição a sua pessoa jurídica perante a Lei 8666; não há lista de demissão que não tenha partido do complexo hospitalar da UFC, e por fim, o contrato encerra dia 18/02/2016, e como a SAMEAC é passiva quanto a dispensa dos funcionários, ela é passiva na situação, pois depende de orientação superior do contratante. A SAMEAC, desde o início do processo é favorável à substituição dos funcionários, assim como não se opõe ao movimento dos funcionários de prorrogação do contrato, desde que qualquer encaminhamento o respeito e trate as demissões de forma humanizada. Talvez valha lembrar que nas audiências no MPT houve um compromisso da superintendência dos hospitais de repassar os recursos para as rescisões até 31/12/2015. Assim está dito e assim quer definição”.

O procurador da UFC requereu a concessão do prazo de 5 dias para proceder à juntada dos documentos que devem instruir sua defesa, dada a impossibilidade de juntada na data de ontem em virtude de problemas no PJE/JT. Sem objeção dos demais litigantes, o requerimento foi deferido como postulado.

Com a palavra, o procurador da UFC, Dr. Roberto Carlos, se manifestou nos seguintes termos: “em relação ao depósito, que a UFC não teve a intenção de descumprir a ordem judicial, pelo contrário, vê na ordem a possibilidade de resguardar, podendo fazer a retenção dos valores e depositá-los no juízo. Este, materialmente impedido de fazer o depósito, tendo em vista que a SAMEAC, por telefone, na pessoa de sua presidente, recusou-se a fornecer os dados necessários a realização dos depósitos, uma vez que a UFC , por não ser o empregador, não tem os registros dos funcionários, nem os valores a serem depositados. Que em reunião no dia 13/01/2016, na UFC, os representantes da SAMEAC, Hernane Landim e Erivania Buriti, comprometeram a solicitar junto a diretoria das SAMEAC autorização para fornecer a documentação pressuposta para fornecer o depósito judicial, em observância a decisão proferida pelo Juiz da 7º Vara do Trabalho.”

Os autores informaram que ajuizaram as ações principais nºs 0000014-84.2016.5.07.0007 e 0000010-47.2016.5.07.0007, requerendo que sejam associadas a estes autos. Dada a existência de conexão, determina-se a associação dos referidos processos a esta ação cautelar inominada, devendo todos os atos processuais serem praticados nestes autos virtuais.

Os pedidos de autorização para homologação de termo de rescisão serão analisados após o depósito do numerário pela UFC, conforme determinado acima.

Com a palavra, requereu o advogado do Sindsaúde o seguinte: “que em caso de eventual demissão de empregados com mais de um ano de trabalho, a SAMEAC remeta ao sindicato os respectivos termos de rescisão e extratos de FGTS, afim de que seja possível examinar a exatidão de valores ofertados. Pede, ainda, que este juízo estabeleça um prazo para que a SAMEAC proceda as homologações de eventuais rescisões após o depósito dos recursos pela UFC.”

O requerimento será apreciado após o decurso do prazo concedido à UFC para disponibilização do numerário destinado ao pagamento das verbas rescisórias.

Próxima audiência para o dia 30 de março de 2016, às 8h30min para defesa da SAMEAC quanto aos processos nº 0000014-84.2016.5.07.0007 e 0000010-47.2016.5.07.0007 e da Universidade Federal do Ceará quanto ao processo nº 0000010-47.2016.5.07.0007, sob pena de serem considerados reveis e confessos quanto às matérias de fato, e produção de todas as provas.

Deverá a Secretaria da Vara proceder à retificação da autuação no PJE/JT, quanto à ação civil coletiva nº 0000010-47.2016.5.07.0007 para incluir a Universidade Federal do Ceará – UFC no polo passivo.

FRANCISCO ANTONIO DA SILVA FORTUNA

Juiz do Trabalho

Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: [FRANCISCO ANTONIO DA SILVA FORTUNA] https://pje.trt7.jus.br/primeirograu/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam 16012710473782100000006.

 

 

 

 

 

 

PODER MUNDIAL E DINHEIRO MUNDIAL – Robert Kurz – LANÇAMENTO EM BREVE

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PODER MUNDIAL E DINHEIRO MUNDIAL

Crônicas do capitalismo em declínio

Autor: Robert Kurz

Tradução: Boaventura Antunes, Lumir Nahodil e André Villar Gomez

 

SINOPSE:

A globalização trouxe, em levas sucessivas, cada vez mais zonas de pobreza em massa, guerras civis sem perspectiva, e um terrorismo pós- moderno neoreligioso que não se pode qualificar senão como bárbaro. O Ocidente, sob a direção da última potência mundial, os Estados Unidos, reagiu a tudo isso com ‘guerras de ordenamento mundial’ com igual falta de perspectivas e com uma precária administração da crise planetária

O presente volume reúne textos de Robert Kurz publicados entre 2003 e 2012. São intervenções no debate público de esquerda que podem ser lidas como desdobramentos da análise da crise econômica mundial e do estado de emergência global realizada em livros como Weltordnungskrieg (A Guerra do Ordenamento Mundial) de 2002 eDas

Weltkapital (O Capital Mundial) de 2005. Esse conjunto de materiais é parte da elaboração de uma crítica social radical desenvolvida desde os anos 1980 na Alemanha chamada “crítica do valor-dissociação”. Fora do espaço de língua alemã, a recepção das obras de Kurz permanece fragmentária. Neste Poder Mundial e Dinheiro Mundialoferecemos ao leitor mais uma oportunidade de conhecer a abordagem teórica desenvolvida no contexto do projeto “Exit! – Crítica da crise da sociedade da mercadoria.”

SOBRE O AUTOR :

Robert Kurz (1943-2012) viveu em Nuremberg como publicista autônomo. Foi cofundador e redator da revista teórica (EXIT! – Critica e Crise da Sociedade da Mercadoria). A área dos seus estudos abrangeu a teoria da crise e da modernização, a análise crítica do sistema mundial capitalista, a crítica do Iluminismo e a relação entre cultura e economia.

 FICHA TÉCNICA:

EDITORA CONSEQUÊNCIA

ASSUNTO: CIÊNCIA POLÍTICA

IDIOMA: Português

FORMATO: Brochura

TAMANHO: 14,0 x 21,0cm

EDIÇÃO: 1ª – 2015

PÁGs. 120

LOMBADA: 1,2 cm

ISBN: 9788569437017

PREÇO: R$ 30,0

SEMINÁRIO CRISE E DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA: CAOS, PRIVATIZAÇÃO E PERSPECTIVAS

SEMINÁRIO

CRISE E DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA: CAOS, PRIVATIZAÇÃO E PERSPECTIVAS

Impasses da EBSERH e a construção de um projeto à altura das complexas questões dos Hospitais Universitários

            Uma regra não escrita vigora na saúde (e não só) do Brasil: é proibido pensar uma saída para o caos da saúde brasileira. Ela tornou-se inviável. Prevenção quase não existe. O exemplo do Aedes aegypti está aí. As políticas públicas geraram o caos. E saúde passou a custar o olho da cara. E no entra e sai de governo tudo muda, pra nada mudar.

            150 milhões de brasileiros recorrem ao SUS. 50 milhões têm plano de saúde. Saúde pública virou uma calamidade. A privada se degenera. E, apesar dos esforços dos profissionais, o ensino, a pesquisa, a extensão e a própria prática das questões da saúde não estão à altura dos desafios do século XXI.

            Ultrassons, tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas, cintilografias, endoscopias, cateterismos e outras tecnologias fornecem imagens nítidas e dão ideia do funcionamento dos órgãos internos das pessoas. No entanto, sua utilização está proibida para milhões de brasileiros.

            A luta contra as demissões no Hospital das Clínicas e Maternidade Escola da UFC aumentou a nossa consciência e o nosso compromisso para uma resposta à gravidade da crise da saúde pública.

            Nessa batalha constatamos que a criação da EBSERH pelo Governo Lula/Dilma agravou ainda mais o quadro das unidades hospitalares universitárias. Nossa reflexão e luta nos possibilitaram o conhecimento de inúmeras denúncias em todo o Brasil, expondo a verdadeira face da EBSERH: inconstitucionalidade, imoralidade, ilegitimidade, privatização dos hospitais universitários, quebra da unidade entre ensino, pesquisa e extensão, restrições à autonomia da própria Universidade, tentativa de cessão dos funcionários estatutários à referida empresa, imposição de demissões de milhares de trabalhadores(as) em todo o Brasil, etc., etc..  No Ceará, além disso, denúncias apontam para assédio moral, desrespeito a direitos e péssimas condições de funcionamento das referidas unidades de saúde, que vêm se agravando com o processo de demissão dos trabalhadores(as) vinculados à SAMEAC. E o que é mais grave, não há espaço para uma discussão aberta, arejada, tendo em vista a gravidade da situação.

              Agora você está sendo convidado(a) para participar de uma reflexão e tomada de medidas para enfrentar e começar a resolver a luta sobre essa temática. Esse é o objetivo do  Seminário que será realizado no dia 29 de março com o tema “Crise e Desafios da Saúde Pública: Caos, Privatização e Perspectivas – Impasses da EBSERH e a construção de um projeto à altura das complexas questões dos hospitais universitários” com a presença de vários(as) convidados(as).

            Renovamos também aqui a convocação para a Audiência na Justiça do Trabalho no dia 30 de março, às 8h30m, quando realizaremos manifestação em solidariedade à luta dos companheiros contra as demissões. Será no Fórum Autran Nunes, na Av. Tristão Gonçalves, esquina com Pedro I.

            Você não pode perder essa reflexão e essa luta. Participe! Colabore!

            Vamos construir um futuro diferente para a nossa gente aqui, no Brasil e no Planeta!

 

SEMINÁRIO CRISE E DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA:

CAOS, PRIVATIZAÇÃO E PERSPECTIVAS –

Impasses da EBSERH e a construção de um projeto

à altura das complexas questões dos Hospitais Universitários

Participantes: Dr. Jorge Darze (RJ) / Dr. Darley Wollmann (PR) / Dr. Paulo Everton (Ce) / Dr. Clóvis Renato (Ce) / MDTS, Crítica Radical, C.A. Medicina, CESAU /Fórum em Defesa do SUS, e Representantes do sindicatos e entidades.

 29 DE MARÇO/2016 – TERÇA – 8h30m 

PROMOÇÃO E APOIO: MDTS, Crítica Radical, SINDMEDCE, SENECE, CREFITO 6, SINTUFC, C.A da Medicina, SINDIODONTO, CRESS, AFBNB, SINTAF, …

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ABAIXO AS DEMISSÕES! A BARBÁRIE NÃO PASSARÁ!

O Reitor da UFC se fundamenta em métodos obscurantistas.

Deseja instituir uma regra na UFC. É proibido pensar em alternativas diante da crise atual.
É o que se depreende de um conjunto de medidas para justificar a demissão em massa de trabalhadores do Hospital e da Maternidade.

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Na falta de argumentos, espalhou mentiras. Forçou rescisões. Despejou ameaças.
Quer acabar com a nossa luta. Impedir o nosso trabalho. Proibir nossa presença nas dependências da UFC.

Se você não acredita, veja os argumentos apresentados no pedido de ilegalidade da nossa greve junto ao TRT. As justificativas são as mais ridículas.

Mas, nada disso adiantou. Está mantida a audiência do dia 30 de março na Justiça do Trabalho, com o Juiz Dr. Fortuna. Será convocada uma audiência na Justiça Federal, com o Juiz Dr. Vidal.

A manifestação na vinda do Ministro da Educação teve grande repercussão.

Nosso café da manhã, antes da manifestação, foi um sucesso. 

E a luta continua! Cresce o apoio às nossas reivindicações. Nossa luta avança! Estamos mais conscientes!

Além disso, a UFC não é só Reitor. É formada pelos estudantes, funcionários, professores e é mantida pelo nosso povo. Então, vamos nos juntar, minha gente!

Chega de reinado do aedes aegypti, microcefalia, desemprego, corrupção, violência, perda de direitos, restrições na Previdência, genocídio, ecocídio, CPMF, caos na saúde e educação, carestia, intolerância, vidas vazias e mais sacrifícios para a nossa gente! Fortaleza, Ceará e UFC não aceitam mais barbárie!

Desejamos um projeto inovador para o Hospital, a Maternidade, Fortaleza, Ceará, Brasil, para a humanidade e o planeta Terra!

Ninguém aguenta mais a esculhambação que tomou conta do país.

Basta! Em nossas mãos, corações e mentes, a saída da crise terminal do sistema.

O autoritarismo da reitoria não é um fato isolado. Mostra que as autoridades atuais e as que se candidatam para a administração da barbárie estão sem perspectivas.

Elas refletem a ausência de um projeto crítico e emancipatório diante do colapso capitalista, socioambiental e do sujeito.

Se querem extinção e exclusão, nós queremos a emancipação!

Todo apoio à luta dos trabalhadores(as), da juventude, mulheres, ecologistas, discriminados, perseguidos, explorados, injustiçados!

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Diante de caminhos não traçados, voar é preciso!

A emancipação não se mendiga, se conquista!

Um abraço!

Fortaleza, 22/fevereiro/2016

MDTS – Movimento em Defesa dos Trabalhadores(as) da Saúde (UFC/SAMEAC) e Crítica Radical

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SEMINÁRIO A CRISE E OS DESAFIOS
DA SAÚDE PÚBLICA BRASILEIRA

O FRACASSO ANUNCIADO DA EBSERH E A CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO
À ALTURA DAS COMPLEXAS QUESTÕES DOS HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS

Participação:
Dr. Jorge Darze, Dr. Darley Wollmann, Dr. Clóvis Renato, Dr. Paulo Everton e demais convidados(as)

29/MARÇO/16 – TERÇA – 9 HORAS – Auditório Rachel de Queiroz – CH1/UFC/BENFICA

PROMOÇÃO/APOIO: MDTS, CRÍTICA RADICAL, SIND. DOS MÉDICOS, SINTUFC, CREFITO… (Em aberto)
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EBSERH É IMORALIDADE, ILEGITIMIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE!

ABAIXO AS DEMISSÕES! A BARBÁRIE NÃO PASSARÁ!

VAMOS CONSTRUIR UMA PLENÁRIA DA COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA!

 CHEGOU A HORA DE UMA GRANDE MANIFESTAÇÃO NA REITORIA!

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15,16 e 17 de março – Greve Nacional da Educação

 

“O HOMEM SEM QUALIDADES À ESPERA DE GODOT” – DEBATE NESTE SÁBADO NA ARQUITETURA/UFC

           No próximo sábado, 05/03, haverá nova apresentação com debate da tese de Doutorado em Psicologia Social de Robson Oliveira na UERJ “O homem sem qualidades à espera de Godot. – Moliére, Musil, Becket, Macunaíma e o devir vazio tautológico da modernidade”. 

            O debate iniciou anteriormente, no encontro do Crítica Radical, com uma apresentação condensada da tese. Em função da importância e complexidade do tema e do interesse que despertou, o debate terá continuidade no próximo sábado.

             Na sexta-feira da semana passada Robson apresentou a tese à banca examinadora na UERJ e foi aprovado com louvor.

 

 

UFC PEDE ILEGALIDADE DA GREVE. MANIFESTAÇÃO E AUDIÊNCIA DO MDTS COM MINISTRO DA EDUCAÇÃO

ABAIXO O REITOR E O TERROR NA UFC!

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       O Movimento em Defesa dos Trabalhadores(as) da Saúde (UFC/SAMEAC) foi surpreendido com o pedido de ilegalidade da greve pela UFC junto ao TRT. Na próxima quinta-feira, haverá reunião para discutir o assunto

       Na sexta-feira, 19/02, os trabalhadores(as) da Maternidade Escola e Hospital das Clínicas ameaçados de demissão pela UFC tiveram um dia de intensa mobilização.

       Logo cedo pela manhã, em ônibus alugado pelo MDTS, os trabalhadores(as) se dirigiram para a Escola Leonel Brizola, Maraponga, onde o Ministro da Educação Aloizio Mercadante participaria do Dia Nacional de Mobilização da Educação contra a Zika. Debaixo de chuva os companheiros adentraram na escola, onde protagonizaram uma manifestação de protesto contra as demissões e pela prorrogação dos contratos da UFC com a SAMEAC. Com a chegada do Ministro, realizou-se uma rápida audiência no Auditório da escola, onde ele recebeu os documentos e remarcou um novo contato para meio dia.

           De lá o ônibus dirigiu-se para o Tribunal Regional do Trabalho para que os companheiros(as) pudessem acompanhar a audiência marcada para 10 horas, de decisão sobre o pedido de ilegalidade da greve feito pela UFC, através de seus Procuradores, em mais uma lamentável tentativa da reitoria de derrotar o movimento. O Tribunal ouviu as partes, mas não deliberou como queriam. A greve continua legal e o processo vai pra frente.

           Ao meio dia houve um novo contato com o Ministro na Base Aérea, onde foi colocada   toda a situação dos trabalhadores(as) do Complexo Hospitalar. Ele ficou de analisar e dar uma resposta na quarta-feira. 

           Posteriormente tomamos conhecimento dos termos da ação proposta pela Reitoria e AGU (Advocacia Geral da União) ao TST, em que, além da ilegalidade da greve e autorização para demissão em massa, entre outras aberrações, é solicitado que a justiça proíba os trabalhadores(as) de ingressarem no Complexo Hospitalar e, pasmem, na própria UFC. (veja abaixo)

           A comunidade universitária, os movimentos sociais, estudantes, professores, funcionários estão sendo chamad@s a se posicionarem contra essa postura intransigente, de perseguição, intolerância, desumanidade e crueldade contra esses trabalhadores(as). 

            Na próxima 5ª feira, haverá uma reunião na Faculdade de Arquitetura da UFC, às 16 horas, para dar continuidade à campanha de solidariedade e contra as demissões e à discussão mais ampla sobre o questionamento ao papel da EBSERH – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares no que se refere à Autonomia Universitária e aos Hospitais Universitários como unidades de Ensino, Pesquisa e Extensão, bem como a situação da saúde e da vida no atual momento de crise.

                                       NÃO À DEMISSÃO! PELA PRORROGAÇÃO! A LUTA CONTINUA!

Veja aqui trecho da Ação impetrada pela UFC em que é pedido ao Tribunal do Trabalho a ordem para que os referidos trabalhadores…
               …”Não ingressem nas instalações do CH/UFC ou da própria UFC, nem pleiteiem verbas trabalhistas para além desta data, sob pena de multa diária ao sindicato suscitado no valor de R$ 20.000,00 por empregado que descumpra a ordem judicial a ser compensada com a multa de mesmo patamar aplicada à UFC na ação nº 0001685-79.2015.5.07.0007.” (grifo nosso)

CARNAVAL 2016 – Crítica Radical na Avenida com o Bloco Emancipação

Foi muito massa o Bloco da Emancipação na Avenida rompendo o desfile convencional.

ESTANDARTE NA MÃO PRA ANUNCIAR...!!!

ESTANDARTE NA MÃO PRA ANUNCIAR…!!!

BLOCO DA EMANCIPAÇÃO ENTRANDO NA AVENIDA

BLOCO DA EMANCIPAÇÃO ENTRANDO NA AVENIDA

 

FREVO SAMBADO

E AGORA ME FALE, ME CONTE

O QUE VAMOS FAZER

EM OUTROS CARNAVAIS

EU LHE AVISEI.

O TITANIC AFUNDOU

A LAMA ESPALHOU

PORQUE QUE A GENTE

VAI SACRIFICAR?

O PÃO E A POESIA

O AMOR E A ALEGRIA

ACORDA NÃO DÁ MAIS PRA SUPORTAR!

 

E AGORA ME FALE, ME CONTE

O QUE VAMOS FAZER!?

EM OUTROS CARNAVAIS

EU LHE AVISEI.

O TITANIC AFUNDOU

A LAMA ESPALHOU

PORQUE QUE A GENTE

VAI SACRIFICAR?

O PÃO E A POESIA

O AMOR E A ALEGRIA

ACORDA NÃO DÁ MAIS PRA SUSTENTAR

GOVERNO, DINHEIRO

É UMA ARAPUCA

PODER E POLÍTICA

É JOGO, É SINUCA

NESSA ARMAÇÃO

É LOUCURA, É VACILO

QUERER FICAR

NO CARNAVAL DA SAÍDA

ADEUS, FANTASIA

IMAGINE QUE O MUNDO VAI MUDAR

MEU BLOCO VAI AGITANDO

A GENTE CANTANDO

A NOVA VIDA VAMOS FESTEJAR!

MEU BLOCO VAI AGITANDO

A GENTE CANTANDO

A NOVA VIDA VAMOS FESTEJAR!

(REPETE 3 VEZES)

 

SAMBA PRA SAIR DA LAMA

REFRÃO (2 VEZES)

SUJOU, SUJOU

A ÁGUA DO RIO LEVOU

A LAMA ESCONDIDA, FEDIDA

QUE O SISTEMA ABAFOU

 

É A LAMA DA POLÍTICA,

LAMA DO ESTADO,

LAMA DO DINHEIRO,

LAMA DO MERCADO,

LAMA DE TODO JEITO,

LAMA DE TODA COR,

LAMA DA MODERNIDADE

QUE A CRISE REJEITOU

 

REFRÃO (2 VEZES)

 

A LAMA ESCORREU,

LEVOU JUNTO A FANTASIA

DISTORCEU O ENREDO,

DECOMPÔS A MELODIA

DESAFINOU!

VAMOS DANÇAR NO CARNAVAL

VAMOS SAIR DO ATOLEIRO

DESSA LAMA MUNDIAL

VEM SAIR DESSA LAMA,

VEM LIMPAR ESSE SALÃO

PREPARAR A FESTA

PRA EMANCIPAÇÃO!

VEM SAIR DESSA LAMA,

VEM LIMPAR ESSE SALÃO

PREPARAR A FESTA

PRA EMANCIPAÇÃO! (REPETE 3 VEZES)