FESTACANTO FOI UM ENCANTO! MUITA ENERGIA, ALEGRIA E O LANÇAMENTO DA PROPOSTA INSTITUINTE JÁ

ARES EMANCIPATÓRIOS NA PRAIA DE IRACEMA!

A festa do dia 28 de dezembro, no Mincharia realmente teve um caráter muito especial. Celebramos a conquista do Sítio Brotando a Emancipação, a vitória dos companheir@ do MDTS,  os 75 anos do companheiro Jorge Paiva  e as perspectivas do momento atual com muita música, poesia e alegria […]

FESTACANTO – NÃO  BASTA DIZER NÃO – UM CANTO PARA O FIM DA BARBÁRIE E INÍCIO DA EMANCIPAÇÃO – 28/12

Essa festa acontece num momento especial para o Crítica Radical

Em 1º lugar, estamos celebrando a aquisição definitiva do Sítio Brotando a Emancipação. O voo agora é para elaboração, implementação e sustentação do projeto.

Em 2º lugar, estamos comemorando a vitória dos trabalhadores(as) do Hospital das Clínicas e da Maternidade Escola da UFC, no Tribunal Superior do Trabalho.

Em 3º lugar, estamos lançando o livro Ler Marx (Robert Kurz) que apresenta um Marx que havia ficado oculto e desconhecido por ter prospectado a fronteira histórica do capitalismo através da crítica radical aos fundamentos do sistema.

Em 4º lugar, a realidade se aproximou do pensamento do Crítica. Um exemplo notável acerca disso é o fracasso da política. Com isso, entra na ordem do dia um novo movimento social para a superação da política e seu sistema. A crítica categorial teórica e a ruptura categorial prática nos permitirão encarar e dar conta dos enormes desafios do século XXI.

Além disso, vamos comemorar os muitíssimos bem vividos 75 anos do companheiro Jorge Paiva.

Todos os anos fazemos a nossa festa de confraternização. Mas essa, pelas razões expostas, reveste-se de um caráter especial. Por tudo isso seu chamamento não poderia ser diferente: NÃO  BASTA DIZER NÃO – Venha construir um canto para o fim da barbárie e o início da emancipação

Em breve lançaremos o livro SOCIEDADE AUTOFÁGICA (Anselm Jappe / Antígona). Uma oportunidade para compreendermos as aventuras e as oportunidades da superação do sujeito.

Um abraço

Critica Radical

FESTACANTO: UM CANTO PARA O FIM DA BARBÁRIE E O INÍCIO DA EMANCIPAÇÃO

CONQUISTA DO SÍTIO BROTANDO A EMANCIPAÇÃO

ANIVERSÁRIO DO COMPANHEIRO JORGE PAIVA

PRESENÇAS CONFIRMADAS:

Carlos Careca e Banda, Bandas Ôco do Mundo, Renegados e Zé Rodrigues (a confirmar), Eugênio Leandro, 

 28/DEZEMBRO – QUINTA FEIRA – A PARTIR DAS 18 HORAS

BAR DO MINCHARIA – PRAIA DE IRACEMA

A CONQUISTA DO SÍTIO BROTANDO A EMANCIPAÇÃO E A LUTA EMANCIPATÓRIA

UM MOMENTO MUITO ESPECIAL

       O Crítica Radical vive realmente um momento especial. Reuniram-se as condições para a quitação definitiva do Sítio Brotando a Emancipação, ampliam-se as possibilidades de construção do novo movimento social emancipatório e com o lançamento do livro Ler Marx (Robert Kurz) abrem,-se novos horizontes para o debate teórico. A comemoração será na Festa da Conquista, quando iremos festejar também os 75 anos do companheiro Jorge Paiva. Haja coração!

         FINALMENTE A CONQUISTA DO SÍTIO BROTANDO A EMANCIPAÇÃO!

        No dia 06/12/2017, na presença do Titular do Cartório do 1º Ofício de Cascavel, Dr. Francisco Jarbas Araújo e sua substituta Maria Glaucinete França Araújo, com a assessoria do Advogado Dalton Rosado e a presença de integrantes do Crítica Radical e amigos, foi repassado para o representante da família dos antigos proprietários, Sr. Antonio Nunes Filho, o cheque quitando a última parcela de R$160.000,00 referente à finalização da aquisição do sítio.

       É um momento ímpar considerando o enorme desafio que representou e continua representando essa façanha que vem se desenrolando desde dezembro de 2013, quando adquirimos o sítio. 

        A 1ª parcela foi de 90 mil reais; a 2ª, mais 100 mil . A 3ª de 200 mil, fruto do sorteio do apartamento da companheira Rosa Fonsêca. Para implementar várias iniciativas da luta e no sítio, como poço profundo e caixa d’água realizamos o sorteio do terreno doado pelo Professor Irenildo.

         E agora, para essa 4ª e última parcela, contamos com o resultado parcial do sorteio do carro da Rosa que foi remarcado para o dia do seu aniversário, 24 de abril de 2018, bem como com a generosidade e a confiança de vários(as) companheiros(as) que fizeram doações ou empréstimos para honrarmos o compromisso assumido: encerrado o inventário, repassaríamos o restante, exatamente o que aconteceu nesse momento.

          Mais uma vez registramos que jamais conseguiríamos essa proeza sem o apoio de todas as pessoas que chegaram junto contribuindo das mais diversas formas para obtermos essa conquista. Agora, a campanha vai continuar para honrarmos os novos compromisso assumidos e para a implementação das medidas necessárias que possibilitarão voar mais alto na proposta do sítio.

           Pois, concluída a tão sonhada aquisição chegou o momento da elaboração, apresentação e ampla discussão do projeto, para o que contamos com sua participação! Como a causa é da emancipação humana e ambiental, o sítio só pode ser da humanidade e do planeta.

            Vale ressaltar que isso acontece no momento em que a realidade encostou no pensamento da crítica radical. A crise do limite interno e externo do capitalismo se apresenta colocando na ordem do dia a necessidade e a possibilidade de um novo movimento social emancipatório no sentido da ruptura com o sistema e seus podres poderes e a construção da nova sociedade. 

PARA ALÉM DO NÃO VOTO, CONSTRUIR NOVAS FORMAS DE ORGANIZAÇÃO

         Por outro lado, amplia-se no país um descontentamento generalizado com a política, o que configura o alerta do Manifesto Contra a Política lançado em 1999, colocando na ordem do dia a substituição da política e seu sistema. Com a aproximação das eleições de 2018 cabe, portanto, para além da greve do voto, uma proposta de saída para a crise, uma nova forma de regulação social através de novas organizações autônomas em relação ao Estado e mercado.

UMA TEORIA INOVADORA

         E, por último, tão ou mais importante que as demais questões, subindo nos ombros de Marx e Kurz, começamos a visualizar a substituição do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias pela sociedade da emancipação humana e ambiental. Nesse sentido o lançamento do livro Ler Marx, de Robert Kurz, tem dado e poderá dar muitíssimo mais uma contribuição fundamental. Daí a importância de adquiri-lo, promover lançamentos e debates, bem como participar dos estudos, a exemplo do que acontecerá com a continuidade do Seminário Ler Marx, no próximo dia 22/12, na Faculdade de Arquitetura da UFC (https://www.facebook.com/events/197586747456604/)

28/12/2017 – Quinta – A PARTIR DAS 18 horas

FESTA DA CONQUISTA DO SÍTIO BROTANDO A EMANCIPAÇÃO 

E ANIVERSÁRIO DO JORGE 

BAR DO MINCHARIA 

RUA DOS PACAJUS, 05 – PRAIA DE IRACEMA

LANÇAMENTO LER MARX (ROBERT KURZ) – VEJA VÍDEOS, O ÍNDICE E PREFÁCIO

LANÇAMENTOS COM DEBATE DO LIVRO LER MARX, DE ROBERT KURZ 

        

  No dia 16 de novembro, na sede da ADUFC, foi lançado o livro LER MARX! Os textos mais importantes de Karl Marx para o século XXI editados e comentados por Robert Kurz.

Veja aqui o vídeo

Após a apresentação realizada por Jorge Paiva, várias pessoas se manifestaram, inclusive pela internet,  levantando questões, fazendo perguntas e/ou comentários e registrando a importância da iniciativa. Após a intervenção final do Jorge, foi servido um gostoso coquetel.

 

 Considerando a complexidade do conteúdo e o desejo de aprofundamento após o acesso ao livro ficou combinado fazermos um seminário nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro (local a confirmar).

Outros lançamentos realizaram-se, entre os quais no AUDITÓRIO DA FACED/UFC No II Encontro Nacional dos GT’s Marx da ANPOF: Capital e Política no Pensamento de Marx e no Marxismo.

             Pra quem não adquiriu o livro ainda veja aqui as referências da capa, o índice e o prefácio para ter uma ideia do conteúdo.

 LER MARX

   

KURZ, ROBERT

MARX LESEN. DIE WICHTIGSTEN TEXTE VON KARL MARX FÜR DAS 21. JAHRHUNDERT

FRANKFURT AM MAIN: EICHBORN, 2000

 

LIRE MARX. LES TEXTES LES PLUS IMPORTANTS DE KARL MARX POUR LE XXIE SIÈCLE.

LA BALUSTRADE, 2002

 

LER MARX. OS TEXTOS MAIS IMPORTANTES DE KARL MARX PARA O SÉCULO XXI

INTRODUÇÃO/2002 – TRADUÇÃO: TITO LIVIO

 

TRADUÇÃO: HTTP://OBECO-ONLINE.ORG/

EDIÇÃO CRÍTICA RADICAL, 2017

_________________________________________________________________________

 ÍNDICE

    PREFÁCIO

    INTRODUÇÃO: OS DESTINOS DO MARXISMO – LER MARX NO SÉCULO XXI

  1. ELES NÃO SABEM, MAS FAZEM-NO: O MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA COMO FIM EM SI MESMO IRRACIONAL

  2. O SER ESTRANHO E OS ÓRGÃOS DO CÉREBRO: CRÍTICA E CRISE DA SOCIEDADE DO TRABALHO 

  3. A FALSA APARÊNCIA DE UMA SOBERANIA IMAGINADA: CRÍTICA DA NAÇÃO, DO ESTADO, DO DIREITO, DA POLÍTICA E DA DEMOCRACIA 

  4. ESCORRENDO SANGUE E SUJEIRA POR TODOS OS POROS: O VILÃO CAPITALISMO E A SUA BARBÁRIE 

  5. O VERDADEIRO LIMITE DA PRODUÇÃO CAPITALISTA É O PRÓPRIO CAPITAL: MECANISMOS E TENDÊNCIA HISTÓRICA DAS CRISES 

  6. CAÇA POR TODO O GLOBO TERRESTRE, A CONCORRÊNCIA ENFURECE-SE: GLOBALIZAÇÃO E FUSIONITE DO CAPITAL 

  7. A MÃE DE TODAS AS FORMAS LOUCAS E A NINHADA DE LOBOS DA BOLSA: CAPITAL QUE RENDE JUROS, BOLHAS ESPECULATIVAS E A CRISE DO DINHEIRO 

  8. APROPRIAÇÃO UNIVERSAL DE UMA TOTALIDADE DE FORÇAS PRODUTIVAS: CRITÉRIOS PARA A ULTRAPASSAGEM DO CAPITALISMO 

     ____________________________________________________________

Prefácio

            Karl Marx está hoje quase completamente desaparecido das livrarias, ainda que as edições dos seus livros se comparem às da Bíblia. Também falta uma antologia dos textos de Marx, que poderia no entanto ser útil, não em último lugar para uma geração jovem, tanto a Leste como a Oeste, que já não cresceu com a leitura e a discussão de Marx, mas que afinal pretende por uma vez debater-se com o autêntico pensamento de Marx, que supostamente quase teria arruinado a história mundial. Já houve muitas edições de textos de Marx, mas na maior parte dos casos entendendo, como pressuposto tácito, que Marx se identificaria com o “marxismo” dos partidos socialistas operários e estatistas. Esse socialismo está hoje tão morto como o movimento operário. As fórmulas “do ponto de vista do trabalho” e da “luta de classes” tornaram-se arcaicas; já não desencadeiam quaisquer paixões, nem positivas nem negativas, provocam apenas bocejos.

             Mas isso constitui somente uma determinada leitura da teoria de Marx e uma determinada linha da sua argumentação, efectivamente ligadas a uma época agora passada (ainda que totalmente incompreendida) e que por isso não passam de história da teoria. O que, no entanto, é apenas metade de Marx. Pelo menos sabe-se hoje que Marx disse de si mesmo: “Eu não sou marxista”. E há uma abordagem, desaparecida do mapa e completamente por esclarecer, da teoria crítica radical dum “outro” Marx, um Marx que continuou estranho e obscuro, tanto para o “marxismo do movimento operário” como para os ideólogos socialistas que tudo justificavam durante a guerra fria. Até hoje ninguém tentou preparar, a partir da considerável quantidade de textos por ele deixados, uma edição deste Marx desconhecido e da sua crítica bem diferente do capitalismo. Também não havia razão para o fazer, dado que a recepção de Marx se limitou no essencial ao contexto da história da modernização. Pelo contrário, o que se fez, dum lado e do outro, foi apenas repelir e deixar escondido aquilo que na teoria de Marx se revelava demasiado incómodo para as necessidades da discussão política e da legitimação de posições que reflectiam interesses precisos. No entanto é precisamente este alter ego mergulhado no escuro do Marx completo, por assim dizer com cabeça de Jano, que ainda pode ser importante para o futuro.

            Por isso, nesta recolha, os textos de Marx são deliberadamente isolados do contexto da massa de textos compatíveis com o marxismo do movimento operário. O que nos valerá, provavelmente, a crítica de que os textos apresentados estão fora do seu contexto. Reconheçamos de imediato que é essa a nossa intenção: arrancar a “outra” crítica do capitalismo do Marx desconhecido, mais radical e largamente posto de parte no debate oficial, daquilo que se conhece do Marx do movimento operário e dos partidos já sem objecto, para a poder conhecer e assim a desenvolver.

             É claro que apenas aí chegaremos imperfeita e rudimentarmente, tal como não poderemos pretender ser exaustivos. Por vezes é simplesmente inevitável que o Marx “oficioso” apareça nesta recolha de textos, e que a sua maneira de se exprimir pareça ambígua, incompleta ou contraditória. Inversamente, quem se interessa por Marx no seu conjunto, pelo Marx integral em toda a sua contradição, e privilegia uma leitura “cientificamente” filológica dispõe das edições correntes de Marx, em particular os célebres “volumes azuis” das obras de Marx e Engels (MEW) publicados na ex-RDA (um conselho aos jovens desejosos de saber: peçam aos vossos pais e mães, jovens de 1968 tornados “realistas” – ou eventualmente serão já os e as avós – para verem o que guardaram no sótão), e também as obras completas de Marx e Engels (MEGA), projecto secular longe de terminado, que, apesar do desinteresse compreensível dos “ideólogos da vitória”, poderia ser prosseguido se beneficiasse de apoio internacional. As obras de apresentação de Marx, pelo contrário, são muito fracas e sobretudo insuficientes para criar condições para um renascimento qualitativamente novo de Marx para o século XXI.

            A presente recolha destina-se também às leitoras e leitores que não se interessam por Marx tanto por razões académicas e filológicas, mas querem conhecê-lo enquanto teórico crítico que ainda tem alguma coisa para dizer após o fim do movimento operário e do socialismo real, e que pode ser determinante hoje. Mesmo se estes textos e os seus argumentos não passam de pequenas peças de um mosaico, é sempre o Marx original que fala. Certamente menos o Marx da “luta de classes”, e mais o da crítica da irracionalidade do moderno sistema produtor de mercadorias, já não o “teórico das classes”, mas o “teórico da negação do sistema”. É evidente que tal recolha não se assemelha às “sagradas escrituras”. Finalmente, é preciso ainda reconhecer uma coisa: Marx não é só um autor contraditório e um “duplo Marx”, pode acontecer tornar-se também incrivelmente maçador. Pode desenvolver ao longo de páginas inteiras, com extrema prolixidade, argumentos que poderiam ter sido formulados com mais concisão e clareza. E por vezes encarniça-se a tal ponto, numa polémica interminável contra pequenas luminárias há muito esquecidas, que apetece gritar-lhe: já chega, há muito que o teu adversário foi ao tapete! Esta prolixidade, redundância e encarniçamento que lhe são próprios devem-se talvez ao pressentimento de que a sua teoria remete para qualquer coisa que ficaria por realizar e adormecida até hoje, fechada na ganga do século XIX. Mas é justamente onde a crítica de Marx ultrapassa explicitamente a sua época que o seu estilo muda: torna-se penetrante, apodíctico, violento, irresistível, porque mexe nos inconfessados limites tabu da modernidade, sem se importar. São estas formulações, a trazer à fala o que é indizível no capitalismo, que ainda hoje fazem bater o coração, porque, mesmo 150 anos depois, elas soam “inauditas” no verdadeiro sentido da palavra, e põem em questão o que é evidente e está interiorizado.

            A teoria crítica do século XXI tem de ir naturalmente além de Marx, como já foi dito muitas vezes. Mas, se considerarmos a história da modernização até hoje, este postulado revelou-se repetidamente uma lamentável recaída para trás de Marx, uma tentativa de deformar a sua teoria crítica através de uma metodologia das mais positivistas, de incorporá-la na economia política, de substituir a crítica da economia política por uma economia política “marxista” positiva e adaptá-la às exigências da política parlamentar, numa palavra, de desembaraçar-se de toda a reminiscência desagradável do “outro” Marx, e de sentir-se à vontade em pleno capitalismo com os conceitos alternativos demasiado modestos (ou miseráveis, no capitalismo de Estado). Em contrapartida, para ver para além de Marx, é indispensável retomar na sua teoria o aspecto desacreditado e posto de parte com uma algaraviada confusa. Para poder verdadeiramente ultrapassar Marx é preciso içar-se para os seus ombros, em vez de o fazer vergar a espinha dorsal.

             Há muito tempo que há pistas para continuar além de Marx. Assim, a relação entre os sexos representa um aspecto essencial da socialização capitalista, sobre o qual “o homem Marx” disse pouco ou nada. Neste contexto vai ser preciso elaborar uma teoria crítica sobre como se produzem os indivíduos capitalistas e a sua subjectividade hoje. Também a crítica da destruição da natureza pela externalização dos custos da economia empresarial – de resto sucintamente evocada por Marx – aguarda por uma referência conceptual e analítica consequente às formas de racionalidade capitalista. O fim da “sociedade do trabalho” e a crise do dinheiro que ela acarreta, e que já anunciou o fim dramático da modernidade em vastas regiões do mundo, colocam na ordem do dia o prosseguimento da reflexão sobre a teoria da crise de Marx, ainda longe de esgotada. É cada vez mais evidente que as grandes questões dos próximos anos e décadas se situam seguramente para lá do marxismo do movimento operário e do socialismo de Estado, mas nunca poderão ser resolvidas nas formas capitalistas de sociedade. É precisamente deste ponto de vista que retomar a recalcada crítica radical do outro Marx pode revelar-se fértil.

              A presente obra dirige-se a todos os que têm novamente desejo de conhecer esta figura errática, apesar da sua antiquada barba cerrada, e que mais uma vez querem aprender algo de novo sobre o velho Marx. Pode constituir uma reintrodução para os mais velhos que ainda não perderam totalmente a necessidade de reflexão teórica e que, talvez hesitantemente, se decidam a reconsiderar o passado “marxista” e os erros de juventude, em vez de simplesmente os apagar. E pode ser uma introdução para os mais jovens, e mesmo muito jovens, de quem sabemos pouco, mas que, sem a carga de um qualquer passado marxista, ainda frescos e sem qualquer culpabilidade histórica, poderão assim apropriar-se de uma crítica radical que corresponderá talvez melhor ao sentido que dão verdadeiramente à vida do que aquilo que lhes propõem os média capitalistas.

              O ser humano tem sempre o defeito de poder pensar. Assim, esta edição está ainda ligada a uma vaga esperança de procurar alimento espiritual para um movimento social que ainda está a dormitar no regaço do futuro próximo. É a esperança de que exista já hoje uma multidão de pessoas que, apesar de todos os discursos sobre a “falta de alternativas” à ordem mundial dominante, estão fartas do capitalismo e das suas exigências loucas.

 (Do livro Ler Marx! Os textos mais importantes de Karl Marx para o século XXI – Editados e comentados por Robert Kurz)

                Você não pode deixar de adquirir!

                Entre em contato conosco

Sede: Rua João gentil, 47 – Praça da Gentilândia – BENFICA – Fortaleza

Fones: 85 30812956 / 985166253

Pelo face ou e-mail: criticaradical@gmail.com

Mais fotos

https://www.facebook.com/pg/criticaradical/photos/?tab=album&album_id=1632547340149305

Veja o programa da rádio pós lançamento

ADIADO O SORTEIO SOLIDÁRIO NA FESTA PARA EMANCIPAÇÃO – A CAMPANHA CONTINUA!

 ANIVERSÁRIO DA MARIA NA FESTA PARA EMANCIPAÇÃO!

             A festa foi maravilhosa, com uma participação ampla e expressiva de muita gente, com muitos encontros e reencontros, muito carinho com Maria e demais companheir@s! Muitos livros foram adquiridos, suscitando grande interesse pelo debate. Assim como expressou-se uma grande alegria ao ser anunciada a conquista das condições para a quitação do Sítio Brotando a Emancipação.

              Por sugestão de várias pessoas com a concordância das demais presentes, foi decidido adiar o sorteio do carro da Rosa para o dia 24 de abril do próximo ano, data do aniversário da doadora, em função do curto espaço de tempo que revelou uma grande potencialidade, mas não suficiente para o objetivo a que se propôs. Daí a  necessidade de grande solidariedade em relação à campanha, para que logo após o pagamento que será nesta semana, possamos cair em campo para honrar os compromissos assumidos para a quitação do sítio e garantir os recursos que vão ser mobilizados.

             Desde já convocamos para a continuidade da luta sob todos os aspectos.

 ____________________________________________

                 SORTEIO ENTRE MAIS QUE AMIGOS(AS)

                 A festa é para celebrar a conquista de um sonho. Um sonho que foi sonhado junto. E que, agora, ao contar com você, vai virar realidade.

               O momento para essa alegria contagiante é especial. Será no dia do aniversário da Rosa                           Na festa haverá um sorteio de um carro FIAT UNO MILLE 2011, 4 portas, completo (ar condicionado/direção hidráulica). Seu valor é especial, pois pertence à Rosa Fonseca. Antes, ela doou seu apartamento para outro sorteio. Agora, põe seu carro à disposição para a conquista definitiva do Sítio Brotando a Emancipação que tem 55,5 ha e fica em Mangabeira / Cascavel / Região Metropolitana de Fortaleza / Ceará.

                   Concluída a tão sonhada aquisição chegou o momento da apresentação do projeto. Venha construí-lo e embelezá-lo. Participe da sua elaboração, Colabore com essa façanha histórica. Como a causa é da emancipação humana e ambiental, o sítio só pode ser da humanidade e do planeta.

                   Colaboração por cartela – R$ 10,00 

                   Data: 24 de abril de 2018.

                   Local: A confirmar

                   Responsável: Crítica Radical – Rua João Gentil, 47 – BENFICA – Fones: (85) 985166253 / (85) 30812956

Veja aqui as alternativas para a sua colaboração:

http://criticaradical.org/wp-admin/post.php?post=1663&action=edit

VEJA O EVENTO NO FACEBOOK

https://www.facebook.com/events/154574075147586/

CRÍTICA RADICAL NO ECCO 2017 – CHAMADO PARA A RESILIÊNCIA PLANETÁRIA E PROTESTO EM BRASÍLIA

Uma caravana com nove pessoas da Crítica Radical, das quais sete foram por terra na kombi do grupo, participou recentemente de um evento muito especial: o ECCO BRASIL 2017 – CHAMADO PARA A RESILIÊNCIA PLANETÁRIA, que aconteceu de 6 a 11 de outubro, na sede do IBC (Instituto Biorregional do Cerrado), em Alto Paraíso de Goiás, Chapada dos Veadeiros.

Pela primeira vez, desde a criação da Rede Global de Ecovilas (Global Ecovillage Network, GEN), o Brasil sediou um encontro que reuniu, num mesmo evento, o Conselho de Assentamentos Sustentáveis da América Latina (CASA) e o GEN.

 

Depois de uma longa e rica viagem pelas estradas do Ceará, Piauí e Tocantis, chegada ao ECCO 2017, em Alto Paraíso – Goiás

 

 

 

 

 

 

Batatas do Sítio Brotando a Emancipação para a ECCO 2017

VOLTANDO DA ECCO 2017, EM ALTO PARAÍSO (GOIÁS), A MENSAGEM DA CRÍTICA RADICAL NA PRAÇA DOS TRÊS PODRES PODERES, EM BRASÍLIA, ÚLTIMA ETAPA DA CARAVANA DA EMANCIPAÇÃO!

O PROTESTO IRREVERENTE DA CRÍTICA RADICAL NA PRAÇA DOS TRÊS PODRES PODERES, EM BRASÍLIA, ÚLTIMA ETAPA DA CARAVANA DA EMANCIPAÇÃO!

  Podemos afirmar que os ARES EMANCIPATÓRIOS percorreram os vários momentos e as diversas delegações presentes alertando sobre a gravidade do momento e a possibilidade de somar forças no sentido de um movimento realmente emancipatório. O encontro teve uma participação de vários países da América Latina, além da Europa e África, entre outros.

Dada à diversidade da programação, isso possibilitou a nossa presença mais efetiva no conjunto das atividades, em que podemos destacar:

  • O Conselho de Visões, que reuniu em seis conselhos temáticos diversos ativistas, permacultores, educadores, lideranças indígenas e representantes de diferentes tipos de organizações de todo o planeta para debater e planejar ações práticas no sentido de estilos de vida regenerativos e sociedades resilientes frente aos atuais desafios planetários. São eles:

– Assentamentos Humanos Sustentáveis

– Educação para Resiliência

– Economia de Bom Viver

– Ecologia Regenerativa e Permacultura Popular

– Comunicação Social e Mídia Livre

– Jovens

     Ao final, foram apresentadas as conclusões e propostas dos seis conselhos.

  • Pelos Direitos Universais da Mãe Terra.

  • A Noite de Talentos, que teve um momento forte quando apresentamos e dançamos com a galera a Ciranda da Emancipação.

  • A Assembleia Geral da CASA Brasil que nos acolheu como seus integrantes, ficando o companheiro Fabrício Souza como um dos conselheiros do Nordeste.

     Todas as atividades, além de autogestionadas, desde a alimentação, sempre deliciosa, às apresentações dos grupos e assembleias, foram sempre maravilhosamente marcadas por celebrações, músicas, danças, performances, diversidade de idiomas, em particular o “portunhol”, assim como práticas espirituais relacionadas com costumes ancestrais.

       Isso se manifestou inclusive quando se apresentou um fenômeno interessante de uma mancha luminosa no céu aparecendo para alguns como manifestação de forças extra terrestres, atraindo a atenção de quase todas as pessoas que ali estavam.

       Em todos os momentos buscamos compartilhar os conhecimentos bem como experiências e vivências marcadas pela diversidade e criatividade ali presentes, assim como contribuir decisivamente e, em alguns momentos, fazendo um contraponto importante para expor os fundamentos da crítica radical do valor-dissociação, da natureza da crise atual como a crise do limite interno e externo do capitalismo e a necessidade urgente de um novo movimento social no sentido da ruptura categorial teórica e prática com esse sistema. Chamamos a atenção também para a experiência do Sítio Brotando a Emancipação, como busca de criar uma referência para uma sociedade sem a mediação do dinheiro.

No que seria o último dia do encontro ocorreu uma situação de muita tensão, mas também de muita solidariedade: um incêndio de grandes proporções que ameaçou chegar ao local tendo o corpo de bombeiros orientado para evacuar totalmente o espaço. Foi um corre-corre louco para desarmar barracas, arrumar as bagagens e sair fora porque havia o risco de fechar a estrada de saída e criar um encurralamento. Foi aí que se manifestou tanto a capacidade de enfrentar situações de emergência, como a solidariedade inclusive de pessoas da cidade de Alto Paraíso que chegaram junto com seus carros para transportar o pessoal.

 Avaliamos que houve uma grande abertura com a nossa presença e as nossas reflexões e, na Assembleia Geral da Casa Brasil, ocorrida na Praça dos Bambus, no dia seguinte, foi tomada a decisão de se realizar de 18 a 23 de setembro de 2018 uma reunião do Conselho de Visões da Casa Brasil no Sítio Brotando a Emancipação. Assumimos também o compromisso de fortalecer essa articulação na Região Nordeste, inclusive com possibilidade de encontro.

Saindo de Alto Paraíso a caravana na Kombi passou por Brasília onde marcou presença com um irreverente protesto na Praça dos Três Poderes

A caravana enfrentou enormes desafios, mas contou também com grande solidariedade, inclusive para resolver o prego da Kombi já próximo do local que não diminuiu em nada a garra da equipe, mas nos trouxe mais compromissos financeiros além dos que já havíamos assumido para viabilizar a Caravana da Emancipação.

Como é sabido, não temos financiamento nem público nem privado e mantemos o projeto única e exclusivamente com o apoio da população. Desde já, portanto, nos dirigimos a todos(as) os amigos(as) para mais uma vez chegarem junto.

 

Natureza em ruínas – Robert Kurz (texto para debate)

Natureza em ruínas

Robert Kurz

A ciência moderna, até onde sabemos, é o projeto mais bem-sucedido da história da humanidade. Mas de longe o mais catastrófico também. Sucesso e catástrofe não se excluem necessariamente, muito pelo contrário: o maior dos sucessos pode encerrar o maior potencial de catástrofe. Ora, a partir do século 17, foi acumulado mais conhecimento sobre a natureza do que em todos os séculos anteriores, mas à esmagadora maioria das pessoas tal conhecimento se mostrou até hoje, em termos gerais, apenas de forma negativa. Com o auxílio da ciência aplicada à tecnologia, o mundo não se tornou mais belo, e sim mais feio. E a ameaça da natureza que pesava sobre as pessoas não diminuiu na natureza tecnologicamente remodelada pelas próprias pessoas, e sim aumentou.

Calamitosa aliança
Se a “primeira natureza” da pessoa biológica foi desde sempre plasmada e refundida pela cultura, nascendo assim uma “segunda natureza” social, essa “segunda natureza”, na modernidade, interveio com violência ímpar na “primeira natureza” e a modelou à sua imagem. O resultado é uma violência natural de segunda ordem que se tornou ainda mais incalculável que a violência natural de primeira ordem, a que já se estava familiarizado. É uma calamitosa aliança dominante de economistas, cientistas, técnicos e políticos que administra o processo de desenvolvimento científico-tecnológico na forma do sistema social moderno e que, não só com ignorância, mas também sem levar em conta os danos, defende contra toda a crítica a dinâmica autônoma nele implícita e a perpetua no tempo. De outro lado, a crítica da ciência por parte de marginalizados e dissidentes está duplamente condenada ao fracasso, pois não consegue pôr em xeque nem a forma social nem a estrutura do conhecimento científico, circunscrevendo o problema quase sempre à conduta moral dos cientistas, isto é, à questão ética da “responsabilidade”. Em oposição a essa batida empreitada ética, a nova corrente feminista da crítica da ciência desce bem mais fundo. Tal crítica demonstra que o paradigma epistemológico da ciência moderna está longe de ser “neutro”, evidenciando antes certa matriz cultural, sexualmente definida. O conceito de “objetividade”, tal como se revela em Francis Bacon (1561-1626), nos albores da história científica moderna, é unilateralmente determinado pelo homem, e a respectiva pretensão não se dirige antes de tudo ao conhecimento e à melhora da vida humana, mas à sujeição e ao domínio. Teóricas norte-americanas como a bióloga molecular Evelyn Fox Keller e a filósofa Sandra Harding tiram daí a conclusão de que a separação estrita entre sujeito e objeto, tal como subjaz à ciência moderna, tem de ser posta em tela de juízo. Mas para elas não se trata de uma crítica romântica da ciência, mas de uma “outra ciência”, que libere seu processo cognitivo da exigência de submissão. É nesse sentido que elas traçam um paralelo entre as racionalidades científico-tecnológica e econômica na modernidade, que ambas remontam a interesses de domínio e exploração. A ciência natural moderna e a moderna economia capitalista não são absolutamente idênticas, mas guardam estreitos laços de parentesco. Para além do princípio feminista de Fox Keller e Harding, esse parentesco revela-se tanto em perspectiva histórica quanto estrutural. Ciência, economia e aparato estatal na modernidade remontam a uma raiz comum, qual seja, a revolução militar das armas de fogo no princípio da era moderna. Daí também o viés especificamente masculino da modernidade. A revolução social ocasionada pelos canhões rompeu as estruturas da economia agrária com a formação de Exércitos regulares, de uma grande indústria armamentista até ali desconhecida e com a ampliação da indústria mineradora. Não somente o capitalismo foi assim gerado, mas também uma imagem da natureza a ele adequada. A estrita separação entre sujeito e objeto, fenômeno especificamente moderno, é fruto dessa história: tal como o sujeito masculino da revolução militar definiu o mundo literalmente como “bucha de canhão”, como puro objeto de aniquilação, assim o aparelho estatal e a racionalidade econômica definiram o indivíduo como objeto de gestão, como objeto da ciência empresarial. O surgimento da ciência foi desde o início integrado a esse desenvolvimento. Não é à toa que as invenções tecnológicas protomodernas se prenderam em diversos sentidos à inovação militar das armas de fogo, haja vista os projetos de Leonardo da Vinci, que, como tantos de seus contemporâneos letrados, construiu canhões, antecipando até, como se sabe, o desenvolvimento de submarinos e helicópteros de guerra.

Objetos de manipulação
Mas não foi uma simples finalidade externa que prendeu a ascensão da ciência à revolução militar e ao capitalismo daí nascente, mas sim o fundamento epistemológico dessa própria ciência. A racionalidade científica definiu seu objeto também como um objeto a ser sujeitado, o que já se acha na eloquente metáfora da linguagem científica “objetiva”, como mostrou Evelyn Fox Keller. O abandono dos dogmas da teologia não foi uma verdadeira emancipação do conhecimento, foi um ato que permaneceu sob o signo do nascente complexo militar-industrial e de sua teologia econômica secularizada. Nesse contexto, era inevitável que a natureza parecesse um objeto estranho e hostil. Objetividade converteu-se em objetivação, conhecimento em violação. A visão de mundo comum, subjacente às diversas formas de objetivação, é uma visão mecanicista. Isso porque somente objetos mecânicos se deixam objetivar e manipular inteiramente. Tal como o Estado moderno reduz o indivíduo vivo a uma abstração jurídica, tal como a lógica da economia exige que a sociedade seja reduzida à matéria morta do dinheiro, assim também a ciência reduz os processos naturais a um nexo mecânico. Esse reducionismo não se segue forçosamente do conhecimento da natureza em si, antes é um produto da tendência histórica da objetivação subjugadora. Na práxis social, o reducionismo econômico, político e científico casou-se a uma estrutura totalitária em que pessoa e mundo são definidos como objetos hostis de manipulação. A economia industrial só pôde fazer uso tão rigoroso da ciência porque a racionalidade científica procede da mesma raiz e obedece desde o berço a um imperativo mecanicista análogo. Até hoje estamos às voltas com um complexo de caráter militar, econômico e científico. Era inevitável, pois, que o sujeito manipulador, alguém que, como cientista, político e economista, se separou em termos absolutos de seus objetos, acabasse ele próprio objetivado e manipulado -um mero serviçal, rebaixado a executor dos complexos militar-industrial e econômico-tecnológico.

Caráter destrutivo
A força destrutiva desses complexos entrelaçados e sua dinâmica alucinada há muito ultrapassaram a linha vermelha atrás da qual iniciam as “catástrofes naturais” causadas pela economia e ciência. Ao atingirem o capitalismo científico e a ciência capitalista certas fronteiras naturais e ao tentarem rompê-las à força, sua lógica reducionista e mecanicista ameaça transformar-se, para além da insidiosa destruição dos fundamentos naturais da vida, na criação de tecnologias francamente apocalípticas de autodestruição.
Até meados do século 20, o complexo econômico-científico limitou-se a submeter à sua lógica da objetivação a matéria existente na natureza e consumi-la como objeto. O caráter destrutivo não era mais que um efeito secundário, indireto. Nos últimos 50 anos, ao contrário, o sistema passou não apenas a intervir na natureza, mas a produzir uma “outra natureza”, de aspecto físico e biológico inteiramente diverso, porque a simples manipulação externa da natureza terrena se esgotou. Não reconhecendo nenhuma outra lógica que não a própria, e portanto nenhum limite natural, o complexo econômico-científico é insensato o bastante para querer se emancipar plenamente da natureza.
Após a Segunda Guerra Mundial ficou patente que a energia fóssil, armazenada durante milhões de anos na Terra, esgotaria ao menos em sua forma economicamente aproveitável em razão da pilhagem moderna. A cultura da combustão capitalista ameaçava, pois, atingir seus limites naturais. A resposta para tanto foi a tecnologia atômica, ou seja, a tentativa de liberar uma forma de energia não existente na natureza terrena e dela independente. Autodestrutiva não só pela ameaça de catástrofes como as de Tchernobil ou Harrisburg, essa tecnologia, ainda quando livre de acidentes, acumula montanhas de lixo radioativo, cujos efeitos nocivos já não podem ser contornados e neutralizados pelos próprios processos naturais, perdurando durante dezenas de milhares de anos -um intervalo cultural inconcebível. Essa dimensão apocalíptica da tecnologia atômica, porém, não se deve à necessidade de conhecimento da natureza em si, mas à pretensão imperiosa da ciência moderna de objetivar a natureza e relegar à ruína tudo quanto se oponha a essa objetivação. A mesma lógica referente à base energética revela-se no plano da transformação de matérias-primas. Até fins do século 20, o emprego tecnológico da ciência no espaço econômico do capital concentrou-se nas transformações físicas e químicas da produção industrial. A agronomia, entendida como “agrobusiness”, foi cada vez mais organizada segundo o padrão industrial da linha de montagem, mas as intervenções diretas no “material” biológico se limitaram em boa parte a métodos tradicionais de criação de animais e plantas. Não é à toa que, ao término do século 20, também essa fronteira seja transgredida. Pois na terceira revolução industrial da microeletrônica ficou claro que o consumo industrial de matéria inorgânica se esgotou como suporte do crescimento econômico -nem sequer a dita sociedade de serviços é capaz de compensar tal esgotamento. A resposta do sistema é, por sua vez, desmedida e irracional: a natureza orgânica, a própria vida, deve ser decomposta em seus elementos constitutivos e transformada para criar uma “outra biologia”, independente da evolução natural terrestre.

Criaturas do capital
O complexo econômico-científico, com auxílio da tecnologia genética, quer produzir à sua imagem plantas, animais e, em última instância, pessoas que, mesmo no plano biológico elementar, sejam “segunda natureza” e, portanto, criaturas do capital, cuspidas e escarradas.
Do puro e simples conhecimento científico do genoma não se seguiria automaticamente a tecnologia genética. Isso porque boa parte dos nexos não pesquisados é complexa demais para que as possíveis consequências das intervenções tecnológicas nesse campo possam ser dominadas. Não se trata mais de um procedimento científico limitado a materiais exemplares esparsos; é todo o contexto vital que se transforma em objeto de laboratório.
Erros, contratempos ou mecanismos desconhecidos podem a todo instante conduzir a imprevisíveis reações biológicas em cadeia, a deformações genéticas e a novas epidemias incuráveis. A própria humanidade vira uma cobaia coletiva para experimentos biotecnológicos de risco. E nem é preciso que a ciência se sujeite externamente ao imperativo econômico, basta que haja a tecnologia genética, fruto de sua própria lógica da objetivação e sujeição da natureza.
O lampejo de lucidez da consciência ecológica há muito se esvaiu. Com o programa energético do presidente Bush, a superpotência capitalista americana torna à construção leviana da tecnologia atômica; o resto do mundo seguirá esse programa. E em toda parte diminuem as resistências à estrita aplicação da tecnologia genética, em toda parte os governos afrouxam os padrões de segurança, em toda parte esmorece o discurso “ético” ante as “injunções” econômico-tecnológicas. Para frear as tecnologias apocalípticas não é necessária apenas uma outra forma de sociedade, mas também uma outra ciência, no sentido de Evelyn Fox Keller e Sandra Harding.
Se o conhecimento científico não se emancipar da lógica de uma objetivação desumana da natureza, o complexo econômico-científico logrará transformar a Terra num deserto da física.
_____________________________________________________
Publicado na Folha de São Paulo, domingo, 17 de junho de 2001
Robert Kurz é sociólogo e ensaísta alemão, autor de “O Colapso da Modernização” (ed. Paz e Terra) e “Os Últimos Combates” (ed. Vozes). Ele escreve mensalmente na seção “Autores”, do Mais!.
Tradução de José Marcos Macedo.
http://obeco-online.org/

REALIZADO ENCONTRO EMANCIPE-SE! 7 e 8 de OUTUBRO

Nos dias 7 e 8 de outubro realizou-se no Sítio Brotando a Emancipação, em plena lua cheia, o encontro EMANCIPE-SE!

Com o sabor de pré-encontro ARES EMANCIPATÓRIOS, o objetivo foi reunir gente de todo canto e lugar para pensarmos junt@s a construção já de um movimento teórico e prático de ruptura categorial com esse sistema capitalista, que no seu limite interno e externo ameaça de extinção a humanidade e o planeta.

O DEBATE foi muito intenso, particularmente no que se refere á proposta de realizarmos ações práticas conjuntas – de cuidar da vida, da saúde, da alimentação, da limpeza, da segurança, artísticas, culturais, permaculturais, agroecológicas/agrofloresteiras, educacionais, organizacionais… independentes do mercado e do estado que nos possibilitem dar passos concretos nessa perspectiva emancipatória.

Além disso, rolou um papo para planejar o encontro de permacultores e permacultoras do Ceará que acontecerá nos dias 2 e 3 de dezembro, também no sítio.

Mais uma vez constatamos que o momento é gravíssimo, mas é também prenhe de novas possibilidades. Como indivíduos conscientes e livres, com criatividade, coragem e determinação, podemos tecer redes de solidariedade e partilha para avançarmos no sentido da emancipação.

 

CRÍTICA RADICAL NO IX ENGA E X CONGRESSO BRASILEIRO DE AGROECOLOGIA (CBA)

 

 

 

Uma equipe da Crítica Radical participou recentemente de encontros da maior importância: o IX ENGA (Encontro Nacional dos Grupos de Agroecologia), o VI Congresso Latino-Americano e o X Congresso Brasileiro de Agroecologia (X CBA) realizados em Brasília, de 12 a 15 de setembro de 2017.

Foi uma oportunidade para divulgar o Projeto do Sítio Brotando a Emancipação, o anteprojeto EMANCIPE-SE e uma mensagem aos(as) participantes com a convocatória para o Encontro Transnacional Ares Emancipatórios.

Além disso, tanto no ENGA quanto no CBA aconteceram várias intervenções, algumas das quais transcrevemos aqui.

 

 

;http://agroecologia2017.com/?lang=es

ENFIM, ARES EMANCIPATÓRIOS! ENCONTRO TRANSNACIONAL

         Amigo (a),

         Para você que está indignado(a) com a destruição e autodestruição em curso.

         Para você que alimenta a esperança de se pôr um paradeiro no risco que corre a humanidade e a natureza.

         Para você que quer empenhar-se numa construção coletiva de uma maneira de viver muito melhor do que a decomposição e descivilização reinantes.

         Para você que busca a construção de um movimento inovador capaz de enfrentar e superar a crise oriunda de uma relação social que, não só fracassou, mas fenece.

         Esse convite é para você.

         Venha participar da preparação e realização de um encontro especial. Um encontro cuja criação coletiva pretende contribuir para nos emanciparmos do capitalismo.  O I Encontro Transnacional Ares Emancipatórios.

         Trata-se de um diálogo imperdível com uma temática geral e temáticas específicas à altura dos desafios do século XXI. Com isso Fortaleza, Ceará, Brasil e o Mundo conquistam a oportunidade histórica para realizarmos o mais profundo e belo debate de todos os tempos.

         Experiências as mais ricas e as mais diversas virão de todo o estado, país e mundo. Além das exposições dos convidados(as) teremos o relato de várias pessoas que contribuirão para o enriquecimento do encontro. Atividades artísticas e culturais se desenrolarão, juntamente com todos os encontros coletivos, no circo especialmente montado para o pleno voo das mentes abertas, criativas e forjadoras da transcendência ao modo de produção e vida capitalistas e, consequentemente, aos Trumps, Temers e cia. que administram a barbárie de um sistema que acaba, mas não terminou. Textos, revistas e livros fundamentais serão lançados. Suas abordagens nos possibilitam elementos indispensáveis para dimensionarmos bem a complexidade da situação atual. Vários outros, cujas edições originais aniversariam em 2017/2018 nos possibilitam elementos para uma apreciação crítica sobre acontecimentos marcantes da humanidade. Além de livros, filmes, vídeos, cordéis, exposições fotográficas, contações de histórias e poesias também serão apresentadas. Campings estarão à disposição em locais muito agradáveis.  Com isso, esperamos colaborar para que os depoimentos candentes ecoem num espaço arejado que descortinarão, enfim, ares emancipatórios para um mundo do Encontro Transnacional que pode ser dimensionado como: emancipo-me, logo existo numa vida plena de sentido!

         Esse inusitado encontro será no 1º semestre de 2018 e será realizado no Sítio Brotando a Emancipação, cujo projeto se fundamenta numa crítica categorial e ruptura categorial prática ao moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias. O sítio, que namora com o mar na Praia de Barra Nova e com as águas do rio Choró, fica em Mangabeira, distrito de Cascavel, na Região Metropolitana de Fortaleza/Ceará.

         Pretende-se transmitir ao vivo toda a programação do evento para que em diferentes locais da Terra, as pessoas possam interagir com os(as) participantes, enriquecendo as discussões.

         Amigo(a), é muito provável que você já tenha colaborado para a realização de muitas de nossas iniciativas que desenharam e desenham a práxis histórica do Crítica Radical.

         Agora, sua participação será indispensável para nos colocarmos à altura da realização dos desafios desse evento e, ao mesmo tempo, multiplicarmos os esforços para que o sítio se constitua num espaço adequado para esse objetivo.

         Nesse sentido, foi elaborado por amigos(as) da Agroecologia e da Permacultura um design, através do qual você poderá dimensionar melhor e multiplicar a sua colaboração. Parte das atividades previstas foi realizada por ocasião do ERGA Nordeste (Encontro Regional da Rega – Rede de Grupos de Agroecologia) que aconteceu no início de junho, em plena lua cheia. Mutirões foram e estão sendo organizados para as inúmeras tarefas que devem estar concluídas antes/durante o evento.

         No encerramento da Semana Robert Kurz (23/07) inauguramos a instalação de uma caixa d’água com capacidade para 60 mil litros que, juntamente com a restauração da cacimba e do olho d’água, preencheremos as condições básicas para a realização exitosa do evento. Medidas estão sendo tomadas para a instalação de energia eólica e solar.

         Amigo(a), estamos diante da oportunidade histórica do desencadeamento da luta, teórica e prática, para a superação do sujeito fetichista narcisista e suplantação da sua sociedade produtora de mercadorias. Com a realização deste Encontro, esperamos contribuir com a gestação de um movimento que tem como meta a associação de indivíduos conscientes, livres, desfetichizados. ‘        

         Pois irrompeu o momento, parafraseando um pensador, do desobedecimento generalizado aos ditames de um sistema de regras loucas, autonomizado, alheio ao conteúdo e metafísico-real.

         Acalentamos durante muitos anos esse sonhar. Agora, queremos que ele se transforme numa aurora desmedida capaz de anunciar o brotar da emancipação. Já vale a pena despertar! Afinal, o sonho que se sonha junto é realidade.

         Esse sonho é nosso, meu, seu, da humanidade e do planeta.

         Um abraço!

         Crítica Radical

I ENCONTRO TRANSNACIONAL ARES EMANCIPATÓRIOS

1º SEMESTRE DE 2018 (data a confirmar)

Sítio Brotando a Emancipação – Cascavel – Ceará – Brasil