Natureza em ruínas – Robert Kurz (texto para debate)

Natureza em ruínas

Robert Kurz

A ciência moderna, até onde sabemos, é o projeto mais bem-sucedido da história da humanidade. Mas de longe o mais catastrófico também. Sucesso e catástrofe não se excluem necessariamente, muito pelo contrário: o maior dos sucessos pode encerrar o maior potencial de catástrofe. Ora, a partir do século 17, foi acumulado mais conhecimento sobre a natureza do que em todos os séculos anteriores, mas à esmagadora maioria das pessoas tal conhecimento se mostrou até hoje, em termos gerais, apenas de forma negativa. Com o auxílio da ciência aplicada à tecnologia, o mundo não se tornou mais belo, e sim mais feio. E a ameaça da natureza que pesava sobre as pessoas não diminuiu na natureza tecnologicamente remodelada pelas próprias pessoas, e sim aumentou.

Calamitosa aliança
Se a “primeira natureza” da pessoa biológica foi desde sempre plasmada e refundida pela cultura, nascendo assim uma “segunda natureza” social, essa “segunda natureza”, na modernidade, interveio com violência ímpar na “primeira natureza” e a modelou à sua imagem. O resultado é uma violência natural de segunda ordem que se tornou ainda mais incalculável que a violência natural de primeira ordem, a que já se estava familiarizado. É uma calamitosa aliança dominante de economistas, cientistas, técnicos e políticos que administra o processo de desenvolvimento científico-tecnológico na forma do sistema social moderno e que, não só com ignorância, mas também sem levar em conta os danos, defende contra toda a crítica a dinâmica autônoma nele implícita e a perpetua no tempo. De outro lado, a crítica da ciência por parte de marginalizados e dissidentes está duplamente condenada ao fracasso, pois não consegue pôr em xeque nem a forma social nem a estrutura do conhecimento científico, circunscrevendo o problema quase sempre à conduta moral dos cientistas, isto é, à questão ética da “responsabilidade”. Em oposição a essa batida empreitada ética, a nova corrente feminista da crítica da ciência desce bem mais fundo. Tal crítica demonstra que o paradigma epistemológico da ciência moderna está longe de ser “neutro”, evidenciando antes certa matriz cultural, sexualmente definida. O conceito de “objetividade”, tal como se revela em Francis Bacon (1561-1626), nos albores da história científica moderna, é unilateralmente determinado pelo homem, e a respectiva pretensão não se dirige antes de tudo ao conhecimento e à melhora da vida humana, mas à sujeição e ao domínio. Teóricas norte-americanas como a bióloga molecular Evelyn Fox Keller e a filósofa Sandra Harding tiram daí a conclusão de que a separação estrita entre sujeito e objeto, tal como subjaz à ciência moderna, tem de ser posta em tela de juízo. Mas para elas não se trata de uma crítica romântica da ciência, mas de uma “outra ciência”, que libere seu processo cognitivo da exigência de submissão. É nesse sentido que elas traçam um paralelo entre as racionalidades científico-tecnológica e econômica na modernidade, que ambas remontam a interesses de domínio e exploração. A ciência natural moderna e a moderna economia capitalista não são absolutamente idênticas, mas guardam estreitos laços de parentesco. Para além do princípio feminista de Fox Keller e Harding, esse parentesco revela-se tanto em perspectiva histórica quanto estrutural. Ciência, economia e aparato estatal na modernidade remontam a uma raiz comum, qual seja, a revolução militar das armas de fogo no princípio da era moderna. Daí também o viés especificamente masculino da modernidade. A revolução social ocasionada pelos canhões rompeu as estruturas da economia agrária com a formação de Exércitos regulares, de uma grande indústria armamentista até ali desconhecida e com a ampliação da indústria mineradora. Não somente o capitalismo foi assim gerado, mas também uma imagem da natureza a ele adequada. A estrita separação entre sujeito e objeto, fenômeno especificamente moderno, é fruto dessa história: tal como o sujeito masculino da revolução militar definiu o mundo literalmente como “bucha de canhão”, como puro objeto de aniquilação, assim o aparelho estatal e a racionalidade econômica definiram o indivíduo como objeto de gestão, como objeto da ciência empresarial. O surgimento da ciência foi desde o início integrado a esse desenvolvimento. Não é à toa que as invenções tecnológicas protomodernas se prenderam em diversos sentidos à inovação militar das armas de fogo, haja vista os projetos de Leonardo da Vinci, que, como tantos de seus contemporâneos letrados, construiu canhões, antecipando até, como se sabe, o desenvolvimento de submarinos e helicópteros de guerra.

Objetos de manipulação
Mas não foi uma simples finalidade externa que prendeu a ascensão da ciência à revolução militar e ao capitalismo daí nascente, mas sim o fundamento epistemológico dessa própria ciência. A racionalidade científica definiu seu objeto também como um objeto a ser sujeitado, o que já se acha na eloquente metáfora da linguagem científica “objetiva”, como mostrou Evelyn Fox Keller. O abandono dos dogmas da teologia não foi uma verdadeira emancipação do conhecimento, foi um ato que permaneceu sob o signo do nascente complexo militar-industrial e de sua teologia econômica secularizada. Nesse contexto, era inevitável que a natureza parecesse um objeto estranho e hostil. Objetividade converteu-se em objetivação, conhecimento em violação. A visão de mundo comum, subjacente às diversas formas de objetivação, é uma visão mecanicista. Isso porque somente objetos mecânicos se deixam objetivar e manipular inteiramente. Tal como o Estado moderno reduz o indivíduo vivo a uma abstração jurídica, tal como a lógica da economia exige que a sociedade seja reduzida à matéria morta do dinheiro, assim também a ciência reduz os processos naturais a um nexo mecânico. Esse reducionismo não se segue forçosamente do conhecimento da natureza em si, antes é um produto da tendência histórica da objetivação subjugadora. Na práxis social, o reducionismo econômico, político e científico casou-se a uma estrutura totalitária em que pessoa e mundo são definidos como objetos hostis de manipulação. A economia industrial só pôde fazer uso tão rigoroso da ciência porque a racionalidade científica procede da mesma raiz e obedece desde o berço a um imperativo mecanicista análogo. Até hoje estamos às voltas com um complexo de caráter militar, econômico e científico. Era inevitável, pois, que o sujeito manipulador, alguém que, como cientista, político e economista, se separou em termos absolutos de seus objetos, acabasse ele próprio objetivado e manipulado -um mero serviçal, rebaixado a executor dos complexos militar-industrial e econômico-tecnológico.

Caráter destrutivo
A força destrutiva desses complexos entrelaçados e sua dinâmica alucinada há muito ultrapassaram a linha vermelha atrás da qual iniciam as “catástrofes naturais” causadas pela economia e ciência. Ao atingirem o capitalismo científico e a ciência capitalista certas fronteiras naturais e ao tentarem rompê-las à força, sua lógica reducionista e mecanicista ameaça transformar-se, para além da insidiosa destruição dos fundamentos naturais da vida, na criação de tecnologias francamente apocalípticas de autodestruição.
Até meados do século 20, o complexo econômico-científico limitou-se a submeter à sua lógica da objetivação a matéria existente na natureza e consumi-la como objeto. O caráter destrutivo não era mais que um efeito secundário, indireto. Nos últimos 50 anos, ao contrário, o sistema passou não apenas a intervir na natureza, mas a produzir uma “outra natureza”, de aspecto físico e biológico inteiramente diverso, porque a simples manipulação externa da natureza terrena se esgotou. Não reconhecendo nenhuma outra lógica que não a própria, e portanto nenhum limite natural, o complexo econômico-científico é insensato o bastante para querer se emancipar plenamente da natureza.
Após a Segunda Guerra Mundial ficou patente que a energia fóssil, armazenada durante milhões de anos na Terra, esgotaria ao menos em sua forma economicamente aproveitável em razão da pilhagem moderna. A cultura da combustão capitalista ameaçava, pois, atingir seus limites naturais. A resposta para tanto foi a tecnologia atômica, ou seja, a tentativa de liberar uma forma de energia não existente na natureza terrena e dela independente. Autodestrutiva não só pela ameaça de catástrofes como as de Tchernobil ou Harrisburg, essa tecnologia, ainda quando livre de acidentes, acumula montanhas de lixo radioativo, cujos efeitos nocivos já não podem ser contornados e neutralizados pelos próprios processos naturais, perdurando durante dezenas de milhares de anos -um intervalo cultural inconcebível. Essa dimensão apocalíptica da tecnologia atômica, porém, não se deve à necessidade de conhecimento da natureza em si, mas à pretensão imperiosa da ciência moderna de objetivar a natureza e relegar à ruína tudo quanto se oponha a essa objetivação. A mesma lógica referente à base energética revela-se no plano da transformação de matérias-primas. Até fins do século 20, o emprego tecnológico da ciência no espaço econômico do capital concentrou-se nas transformações físicas e químicas da produção industrial. A agronomia, entendida como “agrobusiness”, foi cada vez mais organizada segundo o padrão industrial da linha de montagem, mas as intervenções diretas no “material” biológico se limitaram em boa parte a métodos tradicionais de criação de animais e plantas. Não é à toa que, ao término do século 20, também essa fronteira seja transgredida. Pois na terceira revolução industrial da microeletrônica ficou claro que o consumo industrial de matéria inorgânica se esgotou como suporte do crescimento econômico -nem sequer a dita sociedade de serviços é capaz de compensar tal esgotamento. A resposta do sistema é, por sua vez, desmedida e irracional: a natureza orgânica, a própria vida, deve ser decomposta em seus elementos constitutivos e transformada para criar uma “outra biologia”, independente da evolução natural terrestre.

Criaturas do capital
O complexo econômico-científico, com auxílio da tecnologia genética, quer produzir à sua imagem plantas, animais e, em última instância, pessoas que, mesmo no plano biológico elementar, sejam “segunda natureza” e, portanto, criaturas do capital, cuspidas e escarradas.
Do puro e simples conhecimento científico do genoma não se seguiria automaticamente a tecnologia genética. Isso porque boa parte dos nexos não pesquisados é complexa demais para que as possíveis consequências das intervenções tecnológicas nesse campo possam ser dominadas. Não se trata mais de um procedimento científico limitado a materiais exemplares esparsos; é todo o contexto vital que se transforma em objeto de laboratório.
Erros, contratempos ou mecanismos desconhecidos podem a todo instante conduzir a imprevisíveis reações biológicas em cadeia, a deformações genéticas e a novas epidemias incuráveis. A própria humanidade vira uma cobaia coletiva para experimentos biotecnológicos de risco. E nem é preciso que a ciência se sujeite externamente ao imperativo econômico, basta que haja a tecnologia genética, fruto de sua própria lógica da objetivação e sujeição da natureza.
O lampejo de lucidez da consciência ecológica há muito se esvaiu. Com o programa energético do presidente Bush, a superpotência capitalista americana torna à construção leviana da tecnologia atômica; o resto do mundo seguirá esse programa. E em toda parte diminuem as resistências à estrita aplicação da tecnologia genética, em toda parte os governos afrouxam os padrões de segurança, em toda parte esmorece o discurso “ético” ante as “injunções” econômico-tecnológicas. Para frear as tecnologias apocalípticas não é necessária apenas uma outra forma de sociedade, mas também uma outra ciência, no sentido de Evelyn Fox Keller e Sandra Harding.
Se o conhecimento científico não se emancipar da lógica de uma objetivação desumana da natureza, o complexo econômico-científico logrará transformar a Terra num deserto da física.
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Publicado na Folha de São Paulo, domingo, 17 de junho de 2001
Robert Kurz é sociólogo e ensaísta alemão, autor de “O Colapso da Modernização” (ed. Paz e Terra) e “Os Últimos Combates” (ed. Vozes). Ele escreve mensalmente na seção “Autores”, do Mais!.
Tradução de José Marcos Macedo.
http://obeco-online.org/

REALIZADO ENCONTRO EMANCIPE-SE! 7 e 8 de OUTUBRO

Nos dias 7 e 8 de outubro realizou-se no Sítio Brotando a Emancipação, em plena lua cheia, o encontro EMANCIPE-SE!

Com o sabor de pré-encontro ARES EMANCIPATÓRIOS, o objetivo foi reunir gente de todo canto e lugar para pensarmos junt@s a construção já de um movimento teórico e prático de ruptura categorial com esse sistema capitalista, que no seu limite interno e externo ameaça de extinção a humanidade e o planeta.

O DEBATE foi muito intenso, particularmente no que se refere á proposta de realizarmos ações práticas conjuntas – de cuidar da vida, da saúde, da alimentação, da limpeza, da segurança, artísticas, culturais, permaculturais, agroecológicas/agrofloresteiras, educacionais, organizacionais… independentes do mercado e do estado que nos possibilitem dar passos concretos nessa perspectiva emancipatória.

Além disso, rolou um papo para planejar o encontro de permacultores e permacultoras do Ceará que acontecerá nos dias 2 e 3 de dezembro, também no sítio.

Mais uma vez constatamos que o momento é gravíssimo, mas é também prenhe de novas possibilidades. Como indivíduos conscientes e livres, com criatividade, coragem e determinação, podemos tecer redes de solidariedade e partilha para avançarmos no sentido da emancipação.

 

CRÍTICA RADICAL NO IX ENGA E X CONGRESSO BRASILEIRO DE AGROECOLOGIA (CBA)

 

 

 

Uma equipe da Crítica Radical participou recentemente de encontros da maior importância: o IX ENGA (Encontro Nacional dos Grupos de Agroecologia), o VI Congresso Latino-Americano e o X Congresso Brasileiro de Agroecologia (X CBA) realizados em Brasília, de 12 a 15 de setembro de 2017.

Foi uma oportunidade para divulgar o Projeto do Sítio Brotando a Emancipação, o anteprojeto EMANCIPE-SE e uma mensagem aos(as) participantes com a convocatória para o Encontro Transnacional Ares Emancipatórios.

Além disso, tanto no ENGA quanto no CBA aconteceram várias intervenções, algumas das quais transcrevemos aqui.

 

 

;http://agroecologia2017.com/?lang=es

ENFIM, ARES EMANCIPATÓRIOS! ENCONTRO TRANSNACIONAL

         Amigo (a),

         Para você que está indignado(a) com a destruição e autodestruição em curso.

         Para você que alimenta a esperança de se pôr um paradeiro no risco que corre a humanidade e a natureza.

         Para você que quer empenhar-se numa construção coletiva de uma maneira de viver muito melhor do que a decomposição e descivilização reinantes.

         Para você que busca a construção de um movimento inovador capaz de enfrentar e superar a crise oriunda de uma relação social que, não só fracassou, mas fenece.

         Esse convite é para você.

         Venha participar da preparação e realização de um encontro especial. Um encontro cuja criação coletiva pretende contribuir para nos emanciparmos do capitalismo.  O I Encontro Transnacional Ares Emancipatórios.

         Trata-se de um diálogo imperdível com uma temática geral e temáticas específicas à altura dos desafios do século XXI. Com isso Fortaleza, Ceará, Brasil e o Mundo conquistam a oportunidade histórica para realizarmos o mais profundo e belo debate de todos os tempos.

         Experiências as mais ricas e as mais diversas virão de todo o estado, país e mundo. Além das exposições dos convidados(as) teremos o relato de várias pessoas que contribuirão para o enriquecimento do encontro. Atividades artísticas e culturais se desenrolarão, juntamente com todos os encontros coletivos, no circo especialmente montado para o pleno voo das mentes abertas, criativas e forjadoras da transcendência ao modo de produção e vida capitalistas e, consequentemente, aos Trumps, Temers e cia. que administram a barbárie de um sistema que acaba, mas não terminou. Textos, revistas e livros fundamentais serão lançados. Suas abordagens nos possibilitam elementos indispensáveis para dimensionarmos bem a complexidade da situação atual. Vários outros, cujas edições originais aniversariam em 2017/2018 nos possibilitam elementos para uma apreciação crítica sobre acontecimentos marcantes da humanidade. Além de livros, filmes, vídeos, cordéis, exposições fotográficas, contações de histórias e poesias também serão apresentadas. Campings estarão à disposição em locais muito agradáveis.  Com isso, esperamos colaborar para que os depoimentos candentes ecoem num espaço arejado que descortinarão, enfim, ares emancipatórios para um mundo do Encontro Transnacional que pode ser dimensionado como: emancipo-me, logo existo numa vida plena de sentido!

         Esse inusitado encontro será no 1º semestre de 2018 e será realizado no Sítio Brotando a Emancipação, cujo projeto se fundamenta numa crítica categorial e ruptura categorial prática ao moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias. O sítio, que namora com o mar na Praia de Barra Nova e com as águas do rio Choró, fica em Mangabeira, distrito de Cascavel, na Região Metropolitana de Fortaleza/Ceará.

         Pretende-se transmitir ao vivo toda a programação do evento para que em diferentes locais da Terra, as pessoas possam interagir com os(as) participantes, enriquecendo as discussões.

         Amigo(a), é muito provável que você já tenha colaborado para a realização de muitas de nossas iniciativas que desenharam e desenham a práxis histórica do Crítica Radical.

         Agora, sua participação será indispensável para nos colocarmos à altura da realização dos desafios desse evento e, ao mesmo tempo, multiplicarmos os esforços para que o sítio se constitua num espaço adequado para esse objetivo.

         Nesse sentido, foi elaborado por amigos(as) da Agroecologia e da Permacultura um design, através do qual você poderá dimensionar melhor e multiplicar a sua colaboração. Parte das atividades previstas foi realizada por ocasião do ERGA Nordeste (Encontro Regional da Rega – Rede de Grupos de Agroecologia) que aconteceu no início de junho, em plena lua cheia. Mutirões foram e estão sendo organizados para as inúmeras tarefas que devem estar concluídas antes/durante o evento.

         No encerramento da Semana Robert Kurz (23/07) inauguramos a instalação de uma caixa d’água com capacidade para 60 mil litros que, juntamente com a restauração da cacimba e do olho d’água, preencheremos as condições básicas para a realização exitosa do evento. Medidas estão sendo tomadas para a instalação de energia eólica e solar.

         Amigo(a), estamos diante da oportunidade histórica do desencadeamento da luta, teórica e prática, para a superação do sujeito fetichista narcisista e suplantação da sua sociedade produtora de mercadorias. Com a realização deste Encontro, esperamos contribuir com a gestação de um movimento que tem como meta a associação de indivíduos conscientes, livres, desfetichizados. ‘        

         Pois irrompeu o momento, parafraseando um pensador, do desobedecimento generalizado aos ditames de um sistema de regras loucas, autonomizado, alheio ao conteúdo e metafísico-real.

         Acalentamos durante muitos anos esse sonhar. Agora, queremos que ele se transforme numa aurora desmedida capaz de anunciar o brotar da emancipação. Já vale a pena despertar! Afinal, o sonho que se sonha junto é realidade.

         Esse sonho é nosso, meu, seu, da humanidade e do planeta.

         Um abraço!

         Crítica Radical

I ENCONTRO TRANSNACIONAL ARES EMANCIPATÓRIOS

1º SEMESTRE DE 2018 (data a confirmar)

Sítio Brotando a Emancipação – Cascavel – Ceará – Brasil

NOVAMENTE NO AR NOSSA WEB RÁDIO/TV AO VIVO

 

É com imensa alegria que anunciamos a retomada da nossa RÁDIO/TV online.

Ainda num processo de organização mas já com uma programação musical diversificada e realizando alguns programas de caráter experimental.

Em breve estaremos fazendo uma programação mais estável para a qual achamos fundamental as sugestões e propostas.

Já está na internet o site da rádio, cujo link estamos postando para que você possa escutar nossa programação através do seu computador

www.criticaradicalradiotv.org

Se preferir, você pode acessar o link do PLAYER:

http://streaming18.hstbr.net/player/criticaradical/

E pode também baixar o APP da nossa rádio pela play store em seu celular:

Radio Critica Radical

A transmissão ao vivo está sendo feita também pela nossa página Crítica Radical no facebook e tem contado com um número significativo de visualizações.

Logo, logo estaremos estabelecendo os horários dos programas. Contamos com sua participação e colaboração!

CICLOVEREDA NO SÍTIO BROTANDO A EMANCIPAÇÃO

Nos dias 9 e 10 de setembro, realizou-se uma atividade de mutirão para fazer coletivamente a CicloVereda no Sítio Brotando a Emancipação*.

A Ciclovereda será uma ciclofaixa no entorno do sítio, que também servirá à passagem de pedestres e protegerá o sítio de queimadas vindas dos terrenos vizinhos.

Veja um pouco

Trilha Sonora:
Semente da Mudança (Ciranda da Emancipação) Wilton Matos / Rosa da Fonseca

Venha pra roda
Venha pra roda cirandar
Deixe de medo da crise
Não se barbarize
Venha se emancipar

A natureza
Ela mostra o caminho
E o nosso guia é a consciência, o despertar
Eu vou plantar, eu vou colher
Eu vou regar
A semente da mudança vai agora germinar

A humanidade
Nunca se viu tão doente
E segue um rumo que pode se exterminar
Eu vou seguir, eu vou gritar
E proclamar
Por toda a humanidade, hoje vou me emancipar

*Mais informações sobre o sítio: http://criticaradical.org/sitio-brotando-a-emancipacao/
https://www.facebook.com/Sitio-Brotando-a-Emancipação-420839614919345/

MORRE LUIS BREDLOW. LUIS BREDLOW, PRESENTE! ONTEM, HOJE E SEMPRE!

LUIS BREDLOW, PRESENTE! ONTEM, HOJE E SEMPRE!


Com imenso pesar recebemos de Anselm Jappe e compartilhamos a informação do falecimento de Luis Bredlow no dia 8 de setembro de 2017, num hospital de Terrassa, Espanha.
Bredlow participou conosco do Fórum Transnacional da Emancipação Humana – Desafios da Humanidade e do Planeta realizado nos dias 1 a 15 de agosto de 2010, em Fortaleza, proferindo a conferência “Democracia, Indivíduo, Dinheiro e a Emancipação Humana”.

Em sua memória escreveu Anselm Jappe

En recuerdo de Luis Andrés Bredlow
Anselm Jappe

Luis Bredlow ha muerto el 8 de septiembre de 2017 en un hospital de Terrassa, cerca de Barcelona, a la temprana edad de 59 años, a consecuencia de un cáncer contra el cual
estaba luchando desde hacía seis meses. Con él se apaga un espíritu brillante y profundo que ha contribuido tanto a la crítica social como al estudio de la filosofía clásica y antigua.

Había nacido el 3 de agosto de 1958, con el nombre de pila de Lutz, en la ciudad alemana de Augsburgo, hijo único de padres de orígenes eslavos. Prosiguió luego sus estudios en Colonia, donde lo conocí en 1976. Influido por el ambiente pos-68, empezó desde muy joven a interesarse en el marxismo y el anarquismo, a la búsqueda tanto de una crítica social radical, alejada de los dogmas del izquierdismo dominante, como de una práctica radical de vida anti-burguesa. Ya entonces, su precocidad intelectual, su seriedad, su erudición y sus dotes para la escritura impresionaron incluso a personas de ideas muy
diferentes a las suyas y a algunos de sus profesores. Con 18 años era capaz de escribir auténticos ensayos, pero también de vivir a la manera hippie en las playas de Grecia. Era
de Luis: sin dejar de ser implacable en la exigcencia de rigor intelectual, él era en general deon dos o tres más (entre ellos, el futuro editor Klaus Bittermann), publicó, entre 1978 y 1981, la revista Ausschreitungen. El estilo brillante, aunque difícil; la elocuencia polémica, en particular contra toda la izquierda, incluida aquella que se tenía por más radical; las referencias a las ≪misteriosas≫ teorías situacionistas; el llamamiento a una subjetividad radical y la crítica de la militancia hacían de esta revista de escasa difusión un objeto, a mis ojos, fascinante, casi esotérico, e inquietante para mi buena conciencia de izquierdista de entonces. El estilo de comunicación más bien seco, también en el plano personal, típico de los pro-situs, me desconcertaba, pero era en verdad contrario al carácter
de Luis: sin dejar de ser implacable en la exigcencia de rigor intelectual, él era en general de una paciencia ≪socrática≫, siempre dispuesto a hablar con todo el mundo.

El hecho de tejer vínculos entre los miembros de una ≪corriente subversiva internacional≫ que él deseaba de todo corazón le aportó numerosos contactos en otros países. Dado que
nunca le gustó Alemania (país que, de hecho, siempre aborreció), le hizo feliz ir estableciéndose poco a poco, a principios de los años ochenta, en Barcelona. Ya no
abandonaría esta ciudad, que le gustaba mucho, sobre todo en sus aspectos populares, e hizo del español su lengua principal.
Por contra, cada vez viajaba menos.

En los primeros años, acentuó su ruptura con los modos de vida generalmente aceptados, elección que pagó con una cierta penuria material, pero sin interrumpir jamás sus lecturas,
escritos y traducciones. Algunos años después, retomó sus estudios en las universidades de Barcelona, primero de sociología, luego de filosofía, manteniéndose con trabajos de
traducción, sobre todo para la editorial Anagrama. Cada vez más apasionado por la filosofía clásica, terminó decantándose por la filosofía antigua. Gracias al griego que había
aprendido en el instituto en Alemania, se especializó en el estudio de los presocráticos, en particular en Parménides (tema de su tesis doctoral) y en Gorgias. Aproximándose a la
filología, publicó distintas ediciones críticas de sus obras y diversos ensayos en revistas especializadas, convirtiéndose en una autoridad en este terreno. Publicó asimismo la primera traducción moderna al español de las Vidas y opiniones de los filósofos ilustres de Diógenes Laercio, así como sendas introducciones al pensamiento de Platón y de Kant, que
demuestran su creciente interés en la ontología y la metafísica. Admirable fue también la revista cultural Mania, que fundó en 1995 con algunos compañeros de estudios y de la cual Luis era el principal promotor. En ella se publicaron tanto traducciones como artículos originales y se dio a conocer al público hispanohablante a autores importantes. Luis colaboró igualmente con la revista Archipiélago y otras, con artículos de crítica social, una crítica basada muchas veces en la observación, cargada de ironía, de la vida moderna.
Algunos de estos artículos se reunieron en Ensayos de herejía, recopilatorio publicado por Julián Lacalle, de la editorial Pepitas de Calabaza, quien tiene previsto editar una nueva antología, más amplia, de sus escritos. No obstante, Luis seguía queriendo escribir una obra más extensa de crítica social, de la cual estos ensayos no son sino fragmentos: por desgracia, todo lo que ha quedado de esa obra. Y es que en los últimos quince años su atención estaba cada vez más acaparada por sus estudios de filosofía y las exigencias de la enseñanza universitaria. Por más ajeno que fuera Luis a toda actitud académica y a todo interés por ≪hacer carrera≫, fue subiendo poco a poco peldaños en la Universidad de Barcelona y disfrutaba mucho dando sus clases, que preparaba minuciosamente. Dirigía, asimismo, varias tesis de doctorado.
Luis ha vivido los últimos veinte años con Felicidad, profesora de biología, quien le comunicaba su serenidad y suavizaba las asperezas de su carácter: Luis tenía mucho apego a su manera de vivir, que a menudo casaba bastante mal con las costumbres de sus contemporáneos. Era muy escéptico con respecto a las nuevas tecnologías e indiferente al confort material, pero exigente en cuanto a autonomía personal. Persona reticente hacia toda práctica ≪militante≫, y que no soportaba imposiciones externas, se sentía a gusto en su estudio, con sus inseparables pipas, sus termos de té y su gato, escribiendo a mano. No estudiaba únicamente filosofía griega, pero recordaba a un sabio presocrático o a Diógenes.Una vida de estudio casi monacal que estaba, no obstante, atemperada por su afición a la buena mesa y al vino, por los largos paseos y por un gran sentido del humor: tenía ocurrencias inolvidables. Aun siendo de temperamento solitario, y rehuyendo toda
mundanidad o vida social superficial, sabía darse de verdad a los amigos (entre ellos, Diego Camacho —Abel Paz—, cuyo Durruti había traducido al alemán).
Luis practicaba la poesía; en alemán en su juventud y luego, más ampliamente, en español, llegando a publicar dos poemarios. Pese a que ha sido, en mi humilde opinión, uno de los grandes espíritus de nuestra época,Bredlow es poco conocido por el gran público, e incluso por el público de la crítica social.
Ello se debe, en primer lugar, al hecho de que nunca publicó un libro ≪de verdad≫, sino únicamente ensayos, muchas veces en pequeñas revistas. .Por qué no llegó a dar todo lo que podía? Primero, porque Luis, espíritu curioso y al mismo tiempo perfeccionista, era de los que piensan que hay que estudiar los temas a fondo antes de pronunciarse y de los que luego, indefectiblemente, consideran que aún no lo han estudiado lo suficiente. Así, había veces en que estudios enormes (a los dieciséis años había compilado una cronología de la historia universal, con mapas, de un centenar de páginas) no llegaban a concretarse en un escrito terminado. A ello se sumaba lo variado de sus intereses, que, además de los campos ya mencionados, incluían igualmente la lógica y la matemática, la literatura y el estudio de lenguas. Las traducciones alimenticias primero y las tareas universitarias después también le robaban mucho tiempo. Además, un saludable escepticismo le impedía adherirse con demasiada rotundidad a las teorías ya existentes. Atraído a lo largo de los años por el anarquismo, el marxismo crítico, las ideas situacionistas y postsituacionistas (se interesó
mucho por la obra de Giorgio Cesarano, al que había traducido), Georges Bataille, la crítica del valor o la crítica anti-industrial, siempre mantenía su independencia. Ajeno a cualquier vanidad personal y a toda consideración de la actividad crítica como medio para imponerse,aunque fuera en medios reducidos, renunció a promocionarse. Daba charlas de crítica social
cuando alguien se lo proponía y discutía con entusiasmo, pero no buscaba una visibilidad forzada.