METASUJEITO – Mensagem sobre Meta-Arquivo, o Encontro dos(as) Críticos(as) Radicais e a Emancipação Humana

O Crítica Radical foi convidado para a Mostra Meta-Arquivo1964-1985 – Espaço de escuta e leitura de histórias da ditadura no Brasilno Sesc Belenzinho, em São Paulo, nos dias 22, 23 e 24 de agosto. A exposição vai continuar até novembro.

Trata-se de um período que parece ainda não ter sido descoberto, apesar das provas (Traplev). Esta comprovação ganha atualidade diante das declarações do presidente Bolsonaro sobre o assassinato de Fernando Santa Cruz, abrindo a possibilidade de um balanço aprofundado sobre a conquista, a trajetória e ensinamentos da luta pela Anistia no seu 40º aniversário. Abre-se, com isso, uma brecha para uma apreciação circunstanciada sobre a luta contra a ditadura, negando todo o passado como era, assim como o presente que aí está.

Esta apreciação, por outro lado, possibilita depararmo-nos com uma outra descoberta sobre a natureza da crise atual que é diferente de todas as outras anteriores e fornece inúmeras comprovações sobre o limite do sistema. Com a primeira descoberta, não foi possível sair dos marcos do sistema. Através da segunda poderemos conquistar a emancipação humana e ambiental.

Durante muito tempo essa descoberta permaneceu desconhecida. Depois, ocultada. Agora, vem enfrentando uma distorção e perseguição implacáveis em razão de seu caráter conspirativo emancipatório. Antes, durante e nos desdobramentos da Mostra Meta-Arquivo teremos a inusitada oportunidade para levarmos ao conhecimento dos(as) interessados(as) todo o significado dessa história que ganha uma incrível atualidade.

A história do Crítica está entrelaçada por essas descobertas. Não dá para compreender o Crítica sem elas. Elas constituem os elos fundamentais da história do Crítica Radical. Uma advém da compreensão que a Ditadura Civil-Militar era a expressão política do capitalismo que ainda estava em expansão. A outra compreende o capitalismo como um nexo categorial sexualmente constituído por uma outra ditadura – a ditadura do tempo abstrato.

Uma, impulsionou a nossa luta para irmos para além da ditadura. A outra, alicerçou a nossa convicção de que a ultrapassagem do capitalismo entrou na ordem do dia. Ambas nos possibilitaram experiências riquíssimas, tanto do ponto de vista teórico quanto prático. Ambas constituem as balizas que marcam a nossa luta imanente versus a nossa tentativa de transcendência ao capitalismo.

Como se sabe, a imanência ficou aprisionada na modernização do capitalismo. Com a entrada desse sistema em colapso, a caducidade da imanência se escancarou. A transcendência, por outro lado, ganha uma enorme relevância no nosso tempo presente, ao demonstrar a impossibilidade para expressões políticas das administrações atuais da barbárie, aqui e no mundo, de continuarem mantendo o capitalismo diante da fronteira histórica do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias.

Torna-se evidente agora que a insistência para manter e/ou prolongar a vida capitalista tem gravíssimas consequências. O humano tornou-se inútil. A terra inabitável. O ser humano e a natureza, que reúnem hoje condições de se emanciparem, estão sendo forçados a uma única opção: submeterem-se a sofisticados mecanismos para a continuidade do sistema. Aceitar cometer esse suicídio ao lado do capitalismo é o reconhecimento explícito da nossa colaboração para que a destruição e autodestruição do sistema em curso resultem na extinção da humanidade e do planeta.

Após muitos anos de persistente atuação de diversas pessoas no Brasil e no mundo, o Crítica se depara com este surpreendente convite para essa mostra. Entendemos que esse convite é para todas essas pessoas. É de todos(as) nós e para todos(as) nós. Em razão disso, num lugar apropriado, independente da mostra, queremos juntar essas pessoas, presencial ou virtualmente, para um intransferível momento de somarmos forças tendo em vista respondermos à oportunidade histórica para impulsionarmos a construção da conquista da emancipação humana.

Mas, se quisermos enfrentar e ir além das complexas e intricadas questões com as quais nos deparamos, teremos que nos superar enquanto sujeitos e, como antissujeitos integrantes de um movimento transnacional emancipatório, darmos asas à nossa criatividade, imaginação, paixão, instigação, conspiração, … para fundamentar e alcançar, teórica e praticamente, a desfetichização do mundo.

Esta façanha histórica está provocando críticos(as) radicais do valor-dissociação do Brasil e do mundo para que se reúnam e comecem a construção de um Encontro Transnacional Emancipatório, dando assim um salto no enfrentamento dos desafios atuais da humanidade e do planeta.

Isto ganha uma relevância desmedida diante da aproximação da realidade ao pensamento crítico radical, mostrando a insustentabilidade dessa sociedade baseada na lógica do valor-dissociação e que agora, diante do seu limite interno e externo, vê estupefata o desmoronamento de seus fundamentos.

A ruptura definitiva com o capitalismo pode encontrar, hoje, a sua viabilidade concreta realizando na prática a suplantação do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias. Chegou o momento de superarmos a história das relações fetichistas, e construirmos uma sociedade humanamente diversa e desfetichizada, socialmente igual e criativa, ecologicamente exuberante e bela, prazerosa no ócio produtivo e completamente livre.

CRÍTICA RADICAL PARTICIPA DA MOSTRA META-ARQUIVO NO SESC BELENZINHO – SÃO PAULO – 22, 23 E 24 DE AGOSTO

 Caros(as) Amigos (as)

O Crítica Radical recebeu um convite irrecusável.

No dia 22 de agosto, no Sesc Belenzinho, em São Paulo, abre-se uma exposição especial sobre a construção da história brasileira.

Trata-se da mostra Meta-Arquivo1964 -1985 – Espaço de escuta e leitura de histórias da ditadura no Brasil, nos dias 22 a 24 de agosto, cuja programação contém a trajetória do Crítica com seus desafios atuais. Além da dimensão e relevância do evento como um todo, consideramos muito importante a iniciativa de incluir na programação a trajetória do Grupo Crítica Radical .

Estamos aproveitando a oportunidade para realizarmos um encontro com críticos radicais do Ceará, de S. Paulo, do Rio, de Porto Alegre, Minas, de outros estados e países identificados ou interessados na crítica radical do valor-dissociação.

Os momentos da programação que deveremos participar são:

22/08 – Quinta – Sesc Belenzinho (Rua Padre Adelino, 1000 – próximo ao metrô Belém)

          – 15h15 – 16h15 – Conversa com os educadores da exposição 

          – 18h – Encontro do Grupo de Trabalho Meta Arquivo com a participação de todos os artistas – balanço final sobre processo de pesquisa (aberto ao público) – Sala de Espetáculos 2

            – 20h – Abertura da exposição e performance Inquérito de Paulo Nazareth – Galpão

23/08 – Sexta – Memorial da Resistência – Largo General Osório, 66 – Santa Ifigênia,

            – 10h – Gravação do depoimento do Jorge no Memorial da Resistência (ex-DEOPS) onde foi preso.

            – 14h – Uma visita ao espaço com o educativo com Ícaro, Jorge, Rosa e Maria

24/08 – Sábado – Abertura do programa público – Sesc Belenzinho

            – 15h – Memória e Resistência – Encontro com Ícaro Lira e o Grupo Crítica Radical – Espaço de Pesquisa Meta Arquivo (Galpão)

            – Em seguida, encontro com outros artistas.

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É um momento especial para participarmos da Mostra e nos reunirmos.

Como pode ver, teremos um tempo livre, independente da programação do SESC, no sábado pela manhã podendo entrar pela tarde e, se for o caso, domingo pela manhã para nos encontrarmos.                      

A ideia é, entre outras iniciativas, programarmos a realização de um Encontro Transnacional Emancipatório, onde possamos colaborar para o enfrentamento e superação dos desafios atuais do Brasil, da humanidade e do planeta. Estão convidados. integrantes da revista Jaggernaut (Anselm e amig@s), do site Obeco (Portugal), da revista EXIT (Roswitha e amig@s). Se não puderem comparecer, poderão participar pela internet. Já confirmaram presença @s professor@s Marildo Menegat (UFRJ) e Olgária Matos (USP/UNIFESP). O professor Paulo Arantes (USP) lamentavelmente tem uma programação em Fortaleza no mesmo período e não vai poder participar. Mas colocou-se à disposição para outras oportunidades. Os contatos continuam. Com base nesse quadro programamos o encontro para Sábado, 24.08, pela manhã. 

Um abração

Crítica Radical

PS – Segue a programação resumida do SESC. https://www.sescsp.org.br/programacao/198591_METAARQUIVO+1964+1985#/content=saiba-mais  

Sesc SP

Meta-Arquivo: 1964 – 1985. – Espaço de escuta e leitura de histórias da ditadura 

Meta-Arquivo é uma inquietação e uma pesquisa sobre a ditadura civil-militar brasileira. Parte de seu processo foi a criação, há um ano, do grupo de trabalho Meta-Arquivo, do qual participam os artistas, a equipe da exposição e as equipes do Memorial da Resistência de São Paulo e do Sesc Belenzinho.

A exposição ocupa o espaço expositivo do galpão com a produção dos artistas Ana Vaz, Grupo Contrafilé, Grupo Inteiro, Giselle Beiguelman, Ícaro Lira, Mabe Bethônico, Paulo Nazareth, Rafael Pagatini e Traplev. As histórias da ditadura são contadas a partir de seus trabalhos, centrados entre 1964 e 1985, e comprometidos com uma rede de arquivos e centros de memória sem os quais este projeto não aconteceria.

Na exposição, foi criado um espaço dedicado à consulta pelo público dos livros, documentos e referências levantados no processo de pesquisa. Esse material, coletado pelo grupo de trabalho, foi reunido pela curadoria em dossiês e organizado como uma pequena biblioteca.

No projeto arquitetônico desenhado por Anna Ferrari, estruturas metálicas aparentes cortam o galpão do Sesc Belenzinho, fixadas entre o piso e o teto, e enquadram as obras e suas superfícies em madeira. A alusão ao mobiliário arquivístico e escolar corporifica o conjunto. Sem divisões, as histórias sobrepõem-se, o arquivo pode ser visto em toda sua dimensão; conteúdo e estrutura são indissociáveis. Anna Ferrai traz ainda para o grupo de trabalho o testemunho de sua família, com a série de cartas escritas por León, seu avô, sobre o desaparecimento de seu filho e a namorada, mortos pela ditadura militar argentina. Essas cartas, parte do acervo da Fundación Augusto y León Ferrari Arte y Acervo, são a epígrafe da exposição.

No quadro geral, Meta-Arquivo é um espaço de escuta e leitura de histórias da ditadura e todas e todos estão convidados a entrar nessa atmosfera. O que é visível nesse momento é o potencial de transmissibilidade de todas essas vozes reunidas. O que se faz vivo nesse processo é a percepção de que a justiça se constrói pela mediação. Nos efeitos devastadores da negação dessas histórias, sua intencionalidade está na pesquisa e na sobrevivência de espaços de reflexão e ação no campo da arte brasileiro.

Curadoria e Pesquisa
Ana Pato

Artistas Convidados
Ana Vaz, Contrafilé, Giselle Beiguelman, O Grupo Inteiro, Ícaro Lira, Mabe Bethônico, Paulo Nazareth, Rafael Pagatini, Traplev

Projeto Expográfico
Anna Ferrari

Design Gráfico
O Grupo Inteiro

Produção Executiva
Nós da produção | Alita Mariah e Rafael Moretti

Coordenação Editorial
Julia Ayerbe

Projeto Educativo
Contrafilé

 Abertura
22 de agosto de 2019, quinta-feira, às 20h.

Meta-Arquivo: 1964 – 1985.

Realizado em parceria com o Memorial da Resistência, Meta-Arquivo articula-se no desejo de repensar as instituições de memória e suas práticas, e mobilizar processos de pesquisa em arte, para a criação de espaços de escuta e reflexão sobre a experiência histórica traumática brasileira.

PROGRAMAÇÃO

Encontro com Artistas – Apresentação dos Processos de Pesquisa

22/08 – QUINTA – 18h às 20h –  Belenzinho

Encontro de encerramento do Grupo de Trabalho Meta-Arquivo, com apresentação dos processos de pesquisa dos artistas ao longo da produção das obras para a exposição.

Com Ana Vaz, Giselle Beigelman, Grupo Contrafilé, Grupo Inteiro, Ícaro Lira, Mabe Bethônico, Paulo Nazareth, Rafael Pagattini, Traplev e a curadora Ana Pato.

Local: Sala de Espetáculos II

Duração: 2h

[Foto: divulgação]

Inquérito

22/08 QUINTA – 20h

Ação performática de Paulo Nazareth na qual reproduzirá, a partir de uma matriz em pedra de litogravura, um documento dos militantes do Comando Nacional da VAR-Palmares encontrado num “aparelho”, que ensina como sobreviver a uma tortura. Um escrivão aposentado estará no espaço expositivo em uma mesa de delegacia para datilografar esse documento, que ficará exposto como resíduo da ação.

Paulo Nazareth. O trabalho de performance e instalação do artista explora com frequência suas raízes africanas e indígenas. Sua caminhada-performance representa um questionamento lento e em tempo real de sua própria experiência e dos indivíduos que encontra, traçando uma sutil matriz de conexões que vincula pessoas, comunidades e histórias compartilhadas. O artista ganhou o Prêmio MASP de Artes Visuais (2012) e seu trabalho já foi apresentado em mostras individuais e coletivas ao redor do mundo. Sua obra integra as coleções Boros Collection (Alemanha), Thyssen-Bornemisza Art (Áustria), Pinault Collection (França), Rubbel Family Collection (EUA), Coleção Banco Itaú, MAM e Pinacoteca do Estado de São Paulo. Vive e trabalha em Belo Horizonte e pelo mundo.

Local: Galpão

Memória e resistência: encontro com Ícaro Lira e o grupo Crítica Radical

24/08 – SEXTA – 15h às 16h30  Belenzinho

Como parte de sua pesquisa dedicada às atividades do grupo militante Crítica Radical, Ícaro Lira convida para uma fala pública os integrantes do grupo Rosa da Fonseca, Maria Luiza Fontenele e Jorge Paiva (CE).

Local: Galpão – Duração: 1h30

[Foto: Acervo pessoal Rosa da Fonseca]

Memória e resistência: encontro com Traplev e Amelinha Teles

24/08 – SÁBADO – 16h30 às 18h  Belenzinho

META-ARQUIVO: 1964 – 1985.

Abordando a memória das organizações clandestinas do período de 1960-1970 que lutaram contra a ditadura militar no Brasil, Traplev propõe uma conversa com Amelinha Teles, escritora, feminista e membra da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos.

Com Traplev e Amelinha Teles.

Local: Galpão

Duração: 1h30

[Foto: arquivo público do Estado de São Paulo]

Mineração e Ditadura: Encontro com Mabe Bethônico e Ana Carolina Reginatto

24/08  18h às 19h  Belenzinho

META-ARQUIVO: 1964 – 1985.

Debruçando-se sobre a atuação das empresas mineradoras durante a Ditadura Militar Brasileira, Mabe Bethônico apresenta sua pesquisa em uma aula pública com a convidada Ana Carolina Reginatto Moraes, doutoranda pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Mabe Bethônico e Ana Carolina Reginatto (RJ).

Local: Galpão

[Foto: Mabe Bethônico]

Patética

30/08 a 08/09 – Diversos Horários – Belenzinho

Meta-Arquivo: 1964 – 1985. – Espaço de escuta e leitura de histórias da

Patética reflete sobre as circunstâncias e o assassinato do jornalista e dramaturgo Vladimir Herzog (1937-1975), morto nos porões do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações/Centro de Operações de Defesa Interna), em outubro de 1975. O texto foi escrito um ano depois de seu falecimento, por seu cunhado e, também dramaturgo, João Ribeiro Chaves Neto. 

Local: Praça Central – Duração: 1h – [Foto: Divulgação]


TEATRO

Comum

30/08 a 15/09 – Diversos Horários – Belenzinho

META-ARQUIVO: 1964 – 1985.

Três histórias ligadas à descoberta de uma vala comum clandestina criada no período da Ditadura Militar Brasileira. A busca de um filho por informações de seus pais desaparecidos políticos. O dilema de dois coveiros encarregados da criação de uma vala. Uma jovem estudante que se aproxima do ativismo político. 1970/1990 épocas distintas se entrelaçam nos fragmentos dessas histórias e evidenciam causas e consequências.

Comum foi inspirado na história da vala comum do Cemitério Dom Bosco no bairro de Perus, São Paulo/SP.

Criação: Grupo Pandora de Teatro
Texto e direção: Lucas Vitorino
Elenco: Filipe Pereira, Rodolfo Vetore, Rodrigo Vicente, Thalita Duarte e Wellington Candido
Design de luz e música: Elves Ferreira
Operação de Luz: Caroline Alves
Edição de Vídeo: Filipe Dias
Figurino: Thais Kaori
Cenografia: Lucas Vitorino e Thalita Duarte
Cenotecnia: Eprom Eventos e Luis Fernando Soares
Operação de Vídeo: Lucas Vitorino
Treinamento corporal: Rodrigo Vicente e Rodolfo Vetore
Preparação corpo e voz: Paula Klein
Assessoria de imprensa: Frederico Paula (Nossa Senhora da Pauta)
Assessoria de gestão de grupo: Cynthia Margareth (Aflorar Cultura)
Produção: Caroline Alves e Thalita Duarte

Local: Sala de Espetáculos I. 

Duração: 110 min.

[Foto: Luh Silva]

Não recomendado para menores de 14 anos