ANTEPROJETO SEMINÁRIO E ENCONTRO TRANSNACIONAIS

Caro Amigo, Cara Amiga,

A apresentação deste anteprojeto já extrapolou o Crítica. Tudo indica que teremos um processo enriquecedor para elaboração, debate e decisão da proposta do Crítica para o Projeto de Encontro Transnacional. Uma reunião está sendo convocada com esse objetivo. Nesta extrapolação e ampliação não tem como não incluir você. Portanto, estamos encaminhando a você o conteúdo do anteprojeto. Assim o debate será ainda mais promissor para o aprofundamento e embelezamento coletivo dos(as) críticos(as) radicais do valor-dissociação para o Projeto.

Um abraço

Crítica Radical

ANTEPROJETO

SEMINÁRIO E ENCONTRO TRANSNACIONAIS

TEORIA CRÍTICA RADICAL DO VALOR-DISSOCIAÇÃO, SUPLANTAÇÃO DO CAPITALISMO COM SUA CRISE ATUAL DO COLAPSO DA SUA MODERNIZAÇÃO, DE SEU LIMITE HISTÓRICO, DE SUA ADMINISTRAÇÃO DA BARBÁRIE COMO ESPETÁCULO DO FIM DO MUNDO DO SUJEITO FETICHISTA E LANÇAMENTO E ORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO TRANSNACIONAL DA EMANCIPAÇÃO HUMANA E AMBIENTAL

09, 10, 11 e 12 de abril de 2020 – FORTALEZA E SÍTIO BROTANDO A EMANCIPAÇÃO

I – INTRODUÇÃO

Com esse anteprojeto do Seminário e Encontro Transnacionais queremos provocar de forma instigante e criativa a sua vontade consciente. Além de você, toda a humanidade e dos seres humanos em geral para iniciarmos a construção de um modo superior de sociabilidade. Uma nova relação social que vá muito além das formas fetichistas da mercadoria, da política, do trabalho e do dinheiro. Aqui a pré-modernidade, a modernidade, a pós-modernidade e a ultra-modernidade revelam-se como pré-históricas. O anteprojeto pretende, portanto, sensibilizá-lo(a) para o processo emancipatório que se inicia. Busca convocá-lo(a) para pegarmos a chave, abrirmos a porta e entrarmos no quarto proibido onde estão guardados os segredos de toda a humanidade. Através deste anteprojeto desenha-se a construção do vôo mais alto da inteligência humana, o período da mais bela luta de todos os tempos.

II – IDENTIFICAÇÃO DO EVENTO

Título do Evento: SEMINÁRIO E ENCONTRO TRANSNACIONAIS – TEORIA CRÍTICA RADICAL DO VALOR-DISSOCIAÇÃO, SUPLANTAÇÃO DO CAPITALISMO COM SUA CRISE ATUAL DO COLAPSO DA SUA MODERNIZAÇÃO, DE SEU LIMITE HISTÓRICO, DE SUA ADMINISTRAÇÃO DA BARBÁRIE COMO ESPETÁCULO DO FIM DO MUNDO DO SUJEITO FETICHISTA E LANÇAMENTO E ORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO TRANSNACIONAL DA EMANCIPAÇÃO HUMANA E AMBIENTAL Proposição e Realização: Críticos(as) Radicais do valor-dissociação de Fortaleza, Ceará, Brasil e Mundo Apoio: Universidades, escolas, movimentos sociais e entidades em geral Duração: 25 horas Período: 09, 10, 11 e 12 de abril de 2020 Público Alvo: pesquisadores(as), professores(as), estudantes, trabalhadores(as), integrantes dos diversos movimentos sociais, artistas, intelectuais, negros, índios, LGBTs, mulheres, ecologistas e indivíduos em geral do Brasil e de vários países. Conferencistas Convidados(as): Roswitha Scholz (Pedagoga, ensaísta alemã e editora da revista EXIT e outros(as) integrantes da revista), Anselm Jappe (Doutor em Filosofia e Ciências Sociais, professor, ensaísta alemão, editor da Revista Jaggernaut e outros), Teresa Ricci (Doutora em Literatura e ensaísta italiana), Gérard Briche (Doutor em Filosofia, professor e ensaísta francês), Felicidad Espinoza Soto (Mestra em Desenvolvimento Rural, Ciências Ambientais e Bióloga em Espanha e integrante da Revista Mania), Boaventura Antunes e demais ensaístas e colaboradores da revista EXIT no site obeco, Paulo Arantes (Doutor em Filosofia, professor aposentado da USP), Marildo Menegat (Doutor em Filosofia, professor na UFRJ), Carlos Toledo (Doutor e Professor em Geografia Econômica / USP e integrante do LABUR), Dieter Heidemann (Doutor e professor de Geografia da USP/aposentado e integrante do LABUR), Gabriel Zacarias (doutor em Estudos Culturais e professor na UNICAMP). Deveremos contar também com professores da UECE, UFC e outras universidades e Jorge Paiva (integrante do Instituto Crítica Radical de Fortaleza). Locais do Evento – Fortaleza e Sítio Brotando a Emancipação (Cascavel – Ce) Endereço: Em Fortaleza, a confirmar. Observação: A Temática Geral e Específica, a Programação e Orçamento estão em elaboração para o projeto final.

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III — O EVENTO Fortaleza, no decorrer dos anos, tem sido palco e origem de vários eventos de dimensões e repercussões inéditas para a cidade e país. Entre elas cabe destacar: Seminário Internacional Crítica Radical, Superação do Capitalismo e a Emancipação Humana (CEFET- CEARÁ /2.000), Seminário Internacional Crítica Radical, Crise e Emancipação — Para superação da história das relações fetichistas (Bienal Internacional do Livro — Centro de Convenções/2004), Simpósio Internacional – De que amanhã se trata? Ciência, Cultura e Desafios Contemporâneos no Olhar da Critica Emancipatória (SPBC — UECE/2005), o Seminário FETICHISMO E EMANCIPAÇÃO – 150 anos dos Grundrisse (Karl Marx) e A Origem das Espécies (Charles Darwin) (UFC/2008) e o Ciclo de Debates Brasil nas Ruas — Reforma ou Ruptura? (UFC/2013), lançamento de livros com debates entre os quais, mais recentemente Luis Marques (Capitalismo e Colapso Ambiental), Marcelo Godoy (A Casa da Vovó), Moishe Postone (Tempo, Trabalho e Dominação Social), Marildo Menegat (Crítica do Capitalismo em Tempos de Catástrofe) Gabriel Zacarias (No espelho do terror), além de vários encontros e debates, entre outras atividades.
A realização desses eventos sempre contou com um número significativo de participantes ensejando acalorados debates. Todas essas iniciativas fazem parte de uma proposta que vinha sendo desenvolvida pelo Instituto Filosofia da Práxis em parceria com universidades e outras instituições que, entrelaçando o mundo acadêmico e aqueles(as) que refletem e compõem os movimentos sociais, se propôs a discutir a realidade do mundo presente, a partir de um ponto de vista capaz de dar conta da crise real do que se tornou comum chamar o mundo globalizado.
No centro dos debates travados nesses eventos, a atualidade da crítica da economia política na ótica da teoria crítica radical, ou seja, com Marx para além de Marx, com particular ênfase na crítica do valor, da dissociação e do fetichismo da mercadoria e seu sujeito, centrada na crise da moderna sociedade produtora de mercadorias. No segundo semestre de 2007, o Instituto e o grupo Crítica Radical lançaram a proposta de realizar em 2008, por ocasião dos 40 anos do maio de 68, em Paris, um encontro de caráter transnacional. O objetivo era debater a crise atual à luz da crítica radical do valor-dissociação, fetichismo e sujeito, bem como a necessidade da construção de um novo movimento social de caráter transnacional emancipatório para superar a história das relações fetichistas. A idéia era revisitar o maio francês, em particular o movimento situacionista, estabelecendo nexos com a teoria crítica radical na atualidade tendo em vista fornecer elementos para uma práxis inovadora em plano mundial. A proposta não se concretizou, mas oportunizou a que no primeiro semestre de 2008, uma equipe de integrantes do Instituto e do grupo Crítica Radical, participasse de várias reuniões e encontros na Europa (Portugal, França e Itália) e em seguida no Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo) desenvolvendo esforços para a articulação desse encontro. O abalo financeiro no segundo semestre de 2008 e seus desdobramentos, reflexo da crise da barreira histórica do sistema, gerou uma grande perplexidade entre economistas, executivos, teóricos de diversos matizes e ideólogos do capitalismo e sua modernização. Essa circunstância, sem dúvida alguma, contribuiu para despertar nas pessoas um interesse maior pelas análises que, com bastante antecedência, já vinham sendo feitas pela crítica radical. No Fórum Social Mundial/2009, em Belém, a idéia da realização de um fórum transnacional antifetichista, apresentada num debate acerca da natureza da crise atual, contou com a adesão de um expressivo contingente de pessoas que participavam de uma acalorada discussão sobre a superação da crise. Neste espaço, foi debatida a urgente superação da paralisia do pensamento moderno e pós-moderno e construção de um novo
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movimento de transformação de toda a sociedade capaz de sair da imanência e ultrapassar o sistema produtor de mercadorias. Vale ressaltar que agora essa proposta começa a ter uma grande amplitude na medida em que ao hoje Instituto Crítica Radical se somam críticos(as) radicais do Brasil e do mundo e outras entidades e instituições na promoção do evento em plano local, nacional e internacional. Assim, a realização dos eventos propostos dá prosseguimento à tarefa de enfrentar a chamada “crise de paradigmas” que continua permeando a atual produção nas ciências humanas em suas diversas especializações. Com esse propósito discutirá as categorias fundantes do sistema produtor de mercadorias na ótica da crítica radical, englobando no debate as diversas contribuições e tradições dessa linha de pensamento que são originárias da percepção de um duplo Marx, ou seja, o Marx exotérico e o Marx esotérico.

IV – JUSTIFICATIVA

O discurso do presidente Bolsonaro na abertura da Conferência da ONU, não deixa mais nenhuma dúvida. Os governantes estão dispostos a tudo para levar em frente a administração da barbárie cuja devastação humana e ambiental é inimaginável. A busca da resposta para a superação dessa barbárie já começou. Suas raízes remontam para a própria origem do capitalismo. Como estamos diante do esgotamento do valor-dissociação, ou seja, das próprias fontes do capitalismo, irrompe a oportunidade histórica para sua superação. Mas cabe aqui um alerta: se o fetichismo não é exterior ao sujeito e se a formafetiche é a própria forma-sujeito, então não podemos mobilizar conseqüentemente os sujeitos enquanto sujeitos para a superação da relação social que os contém. Um exemplo notável disto é que os governantes, os políticos e seus partidos de direita, de centro e de esquerda, dirigentes sindicais, intelectuais e integrantes dos movimentos sociais não levaram em conta o alerta de que a mudança no modo de produção do capitalismo o levaria a uma crise do seu limite. Não perceberam e, hoje, estão despreparados e totalmente desprovidos de um projeto à altura do Século XXI. Pois quando o objeto da crítica se modifica, também a própria crítica deve modificar a si mesma. Hoje, as transformações da nossa época exigem uma ruptura inusitada com o capitalismo e todas as suas expressões políticas em curso. As novas forças produtivas da microeletrônica e mais ainda, recentemente, a 4ª revolução industrial, escancararam seu verdadeiro potencial de crise. Pela primeira vez na história, a riqueza material é produzida mais pelo emprego tecnológico da ciência do que pelo dispêndio do trabalho humano abstrato. Antes, o fordismo marcava o apogeu do sistema. Agora, a informatização marca sua entrada definitiva em crise! Não apenas em um aspecto particular, mas em seu aspecto central. Trata-se da contradição entre o conteúdo material da produção e a forma imposta pelo valor, pela valorização do dinheiro. O aumento incessante da produtividade do trabalho atingiu uma situação tal que o valor novo adicionado por unidade de produto é insignificante. O capitalismo, por causa da concorrência, levou essa produtividade ao infinito. Com isso, acabou produzindo uma drástica redução do valor (que se expressa no dinheiro) e da mais-valia (mais valor que se expressa no lucro) nele incluídos. Eles estão zerando. Eis aí a contradição em processo do capitalismo que está derrotando o próprio capitalismo. Agora, a capacidade de racionalização do trabalho é maior que a capacidade de expansão do mercado. Com isso, a medição da riqueza pelo critério do valor, ou seja, da valorização do dinheiro, se tornou insustentável. O trabalho deixa de ser a fonte principal da riqueza e o tempo de trabalho deixa de ser sua medida. Hoje, a redução do tempo de trabalho a um mínimo está em contradição antagônica com o tempo de trabalho como
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medida e critério da produção. Eis aspectos fundamentais que explicam a causa e a natureza da crise atual do mundo globalizado. Com isso, o capital perdeu sua dinâmica. Sua substância, o trabalho, esvai-se. Sua expressão, o dinheiro, vira dinheiro sem valor. Suas formas de pensamento e formas de existência tornaram-se obsoletas. Suas relações patriarcais capitalistas mostram que seu tempo histórico está esgotado. Sua crise já não é mais de expansão. Seu sistema sobrevive à beira do colapso. O capitalismo hoje se comporta como um sistema condenado à morte. Sua execução, no entanto, vinha sendo protelada. A dobradinha mercado x estado vinha conseguindo adiá-la. A cada adiamento o sistema respirava fundo. O alivio, entretanto, durou pouco. O adiamento se configura agora como recuo da civilização. Sua razão iluminista passou a gestar trevas. Sua árvore dourada da vida fenece. Hoje nos deparamos diariamente com genocídio, ecocídio, enfim, barbárie. E o Brasil? O campeão de desmatamento do mundo começa a vivenciar o seu colapso. A situação se agrava. A economia encolhe. Toda a corrupção ainda não veio à tona. No cenário internacional está apagado. Caminha ladeira abaixo. Recessão à vista. Indústria em queda. Perspectiva de saída ainda ausente. O Brasil passou a viver com o poder de compra das pessoas pulverizado pelo desemprego em massa, pela inflação, pelos juros, pelo ajuste fiscal com novos impostos, pela alta do dólar, pela redução dos serviços públicos e dos investimentos estatais. Evidentemente, o que está aqui em jogo é a própria capacidade de existência e funcionamento do capitalismo. São manifestações que demarcam as suas fronteiras. Indicam um programa suicida do modo de produção capitalista. Essa situação torna injustificável que partidos políticos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais continuem atrelados ao mercado, ao estado, à política e à economia. Será que eles se dispõem a cometer suicídio junto com o capitalismo? A crise, como vimos, advém da fronteira histórica da valorização do fundamento da produção capitalista. Ao tentar contornar esse limite interno, com a fuga para frente da financeirização e crédito público, o capitalismo deu n’água. Essa crise já não mais permite saída nos marcos do próprio capitalismo. Afinal, as raízes dessa crise advêm da própria origem do capitalismo. Ademais, a problemática global da crise da sociedade capitalista encontra sua expressão na questão feminina. Está em cheque a identidade sexual desta sociedade. A superação do valor é também a superação da sua identidade masculina. Superar o patriarcado é superar o moderno sistema fetichista produtor de mercadorias. Por causa disso a crítica radical do valor, da dissociação sexual, do sujeito, da extinção da humanidade e do planeta e do iluminismo constitui um todo indivisível. Pois, essa crise expõe de maneira cristalina não só o limite interno, mas também o limite externo ecológico do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias. Hoje nos deparamos com o desaparecimento de várias espécies em todo o planeta Terra. Diariamente a destruição do equilíbrio dos sistemas naturais mostra a sua expansão. A diversidade da vida no planeta ficou drasticamente reduzida. A vida na Terra e a sobrevivência da humanidade estão em perigo. Estamos diante de um evento mais devastador que o impacto do asteróide que matou os dinossauros há 65 milhões de anos. Hoje, os asteróides somos nós – os seres humanos — que, ao teimarmos em manter as relações patriarcais capitalistas do moderno sistema fetichista produtor de mercadorias estamos provocando rastros de destruição impressionantes: alterando a composição da atmosfera através da emissão de CO2; aumentando a acidez dos oceanos; elevando a temperatura média do planeta e, conseqüentemente a temperatura dos oceanos e do nível do mar, colocando o planeta em perigo com muito mais regiões em risco; reduzindo drasticamente os recursos hídricos provocando secas; poluindo o ar; provocando enchentes; já comprometemos mais de 50% da superfície da terra; arrasamos uma enorme
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extensão das florestas tropicais; expulsamos espécies de seu habitat natural; provocamos danos irreparáveis ao ecossistema global; produzimos alimentos que matam os seres humanos; degradamos cada vez mais os serviços de saúde; já provocamos a extinção de uma grande porcentagem de todos os mamíferos, de mais de 40% dos anfíbios, de 1/3 dos corais, de 1/3 dos tubarões, de 1/5 dos répteis, de 1/6 das aves. São dados divulgados por cientistas de todo o mundo. Agora, podemos perceber que estamos diante da ameaça da extinção da humanidade e do planeta. Com isso fica colocada a urgência da construção de uma resposta à altura dos desafios da crítica radical da crise do sistema. E aqui entra uma questão decisiva. Essa crise mostra que o limite de nossa constituição como sujeito formatado pela matrix fetichista tornou-nos até aqui impotentes perante a criatura – o capitalismo – que se tornou maior que seu criador – o ser humano. Se não formos capazes de superar a nossa máscara de caráter de sujeito pós-moderno da decadência, constituindo-nos como antissujeitos para sairmos da camisa de força em que nos querem colocar, afundaremos nos seus horrores. Horrores que são conseqüência do funcionamento em fim de linha da própria lógica da sociedade do espetáculo. Como antissujeitos reuniremos as condições indispensáveis para encerrarmos o cântico das mercadorias e suas paixões. Com essa conquista poderemos cantar o ser humano e sua emancipação. A nossa luta agora é pela ruptura já com o moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias substituindo-o por uma nova sociedade. Nunca houve um período da história da humanidade em que a vontade consciente dos seres humanos tenha tido uma importância tão decisiva como tem agora para, através de um movimento social transnacional emancipatório, suplantar a sociedade capitalista. Nesse sentido, o Seminário e Encontro se justificam, principalmente, pelo esforço de divulgar e debater as mais recentes elaborações, reflexões e pesquisas de uma critica social avançada. Cabe destacar, em particular, o estudo e aprofundamento teórico da crítica radical do valor-dissociação, fetichismo da mercadoria, sujeito, trabalho, política, Estado, mercado, dinheiro, economia, direito, nação, etc. Desta revolução teórica constituiu-se um campo indispensável para uma crítica e uma práxis social inovadoras. O Seminário e Encontro justificam-se também porque ampliarão o alcance da divulgação dessas elaborações em plano mundial, estendendo para além-mar a concretização da atividade de extensão universitária e um momento para tornar público o resultado de pesquisas relacionadas ao instigante ternário. Tais elaborações remetem para a Inglaterra do século XIX, na época o laboratório mais avançado do modo de produção capitalista, onde a crítica radical descobre a célula germinal desse sistema, a mercadoria. Frente à dinâmica do capitalismo, cujo apogeu empolgou e modernizou o mundo e que hoje esbarrou no seu limite histórico, a crítica radical explica sua lógica com base no fundamento da produção burguesa, o valordissociação, bem como a natureza da crise atual. No entanto, no mundo dominado pelo fetichismo da mercadoria, esta nova abordagem teórica apresentada nos Grundrisse com seu desdobramento principalmente no primeiro capítulo de O Capital atravessou os tempos como proscrita. O próprio autor dessas obras contribuiu para isso ao desenvolver a idéia da história como história da luta de classes cujo desfecho desembocou na modernização capitalista e, hoje, no seu colapso. A interpretação da história como história das relações fetichistas permaneceu alheia e inquietante não só para o marxismo do movimento operário, mas também para a intelectualidade, em particular para socialistas e comunistas, bem como para membros dos partidos políticos, sindicatos, artistas, cientistas, trabalhadores, feministas, ecologistas, jornalistas, juventude, anarquistas, autonomistas, etc.
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Mas, se antes inexistiam publicações, reflexões e práxis voltadas para essa teoria ainda desconhecida, hoje nos deparamos com uma situação completamente diferente e estimuladora. Agora, a atitude de reprimir, esconder e desqualificar a crítica radical do fetichismo começa a ser superada. E, com isso, irrompe um movimento teórico tendo como fundamento a negação do sistema; vem à luz a sua abordagem acerca da irracionalidade do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias; surge, enfim, a crítica radical que capta a lógica destrutiva do processo de acumulação capitalista em seus fundamentos e limites e aponta para a sua superação. O desenvolvimento, a divulgação e o estudo desta teoria e a construção de um movimento social de novo tipo nela fundamentada, coincidem com o aprofundamento e acirramento da crise que traz à superfície os limites da lógica do sistema produtor de mercadorias. Evidencia-se, com isso, a possibilidade da superação do sistema capitalista, que surge, agora, compreensível e factível após a revelação dos seus segredos mais importantes. Esses aspectos ganharão muito mais abrangência com a realização dos eventos supracitados que já vêm despertando a sensibilidade, a curiosidade e a imaginação em todas s pessoas interessadas e preocupadas no desenvolvimento de atividades cientificas e culturais voltadas para o conhecimento e enfrentamento dos desafios colocados para a humanidade e o planeta no Século XXI. A realização do Seminário e Encontro pretende também contribuir de forma especial para uma maior e melhor apreensão do mundo dos que compõem os movimentos sociais, aqui e alhures, como uma forma de potencializar suas ações transformadoras.

V – OBJETIVOS GERAIS

Apresentar e debater as idéias que fundamentam a análise do impasse da sociedade atual que desemboca no colapso do capitalismo e que, por essa razão, constitui uma ameaça à humanidade e ao planeta, cujo desfecho pode ser o auto-aniquilamento da humanidade e a destruição da natureza. Isto reflete uma sociedade que, em conseqüência do fetichismo da abstração real do valor-dissociação, não tem consciência de si mesma, não decide livremente, não utiliza suas potencialidades, não consegue organizar diretamente sua própria forma de socialização. A causa desse fracasso foi captada e anunciada pela crítica radical cujo olhar teórico e prático, se volta agora para a suplantação do sistema. No entanto, até agora não havia nenhuma convocação transnacional para superarmos essa situação. Mas, encarar e responder a estes desafios tornou-se incontornável. Nesse sentido, urge construirmos um ambiente favorável para o pensar e o agir emancipatórios. Os eventos pretendem, portanto, encarar o fundamento lógico do sistema, seu desenrolar no tempo histórico e sua barreira mundialmente apresentada pela crise atual. Um Seminário e um Encontro que têm como objetivo a emancipação humana e ambiental com base na fundamentação teórica e prática da crítica radical do valor-dissociação. Esses eventos pretendem desencadear imediatamente o processo de construção de um movimento social emancipatório que transcenda o sistema produtor de mercadorias e inaugure a nova relação social. Uma oportunidade para o encontro do impensável com o impossível para ultrapassarmos a história das relações fetichistas. Enfim, um fórum que tem como objetivo a conquista da sociedade da emancipação humana. Esses objetivos norteiam a realização dos eventos, certamente ampliados em suas pretensões pelo acúmulo do debate e da expectativa da contribuição de outros pensadores e/ou correntes de pensamento. Ao mesmo tempo objetiva-se a articulação de movimentos sociais, coletivos e integrantes de instituições de ensino, pesquisa e extensão com vistas à construção de um novo movimento social transnacional emancipatório.
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Com a realização deste Seminário e Encontro pretende-se avançar na compreensão critica do mundo e fundamentar a atividade teórica e prática dos movimentos sociais que se colocam no terreno da transformação das condições de dominação fetichista sobre os seres humanos.

VI — OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Contribuir para que integrantes dos movimentos sociais de vários países, em particular da nossa cidade e estado, possam apropriar-se da problemática decorrente de uma dominação sem sujeito que leva o ser humano a um não sabe, mas faz, convertendo-o em morto-vivo, conferindo um poder sobrenatural às mercadorias, através de uma abstração real que é o verdadeiro sujeito das relações humanas. Tal conceito de fetichismo, central na análise crítica radical da sociedade contemporânea, esboça os fundamentos de uma crítica social renovada, uma verdadeira revolução teórica que atinge inclusive aqueles(as) que não tiveram acesso a essa formulação, inclusive em nível acadêmico, mas cuja reflexão e experiência lhes permitem apropriar-se e contribuir para a concretização dos objetivos gerais almejados. Difundir novas idéias e conceitos abrangentes com base na crítica radical do valor, do fetichismo, da dissociação e das formas de práxis social a eles correspondentes, a fim de complementar a formação de profissionais de ensino e intelectuais ligados à área, bem como contribuir para a renovação da reflexão filosófica, histórica, ecológica, científica e cultural do Ceará, do Brasil e do mundo. Integrar as ações de ensino pesquisa e extensão universitárias às reflexões e iniciativas práticas dos movimentos sociais inovadores. Divulgar elementos significativos para uma compreensão crítica da nossa cultura e arte, tendo em vista sensibilizar o maior número de pessoas para a beleza e a diversidade cultural do nosso estado e país. Fomentar um espaço permanente de confiança, camaradagem e cooperação entre indivíduos, grupos e movimentos sociais tendo em vista a criação de um movimento de caráter transnacional para uma ação comum coletiva na perspectiva emancipatória. Contribuir para a discussão de uma agenda comum e a organização de um movimento em rede, de caráter transnacional, no sentido da emancipação humana.

VII – METODOLOGIA:

Com o objetivo de fomentar o debate dessa nova abordagem teórica, cuja ausência é gritante na atualidade e, ao mesmo tempo, criar processos de organização e luta, contínuos e agregadores, propõe-se uma metodologia com vistas a estabelecer uma dinâmica de conhecimento mútuo e discussão coletiva dos participantes do Seminário e Encontro. O espaço presencial e virtual para sua realização tem que se constituir num ambiente mais do que apropriado não só para o livre debate das idéias, mas de soluções para a superação das ameaças que pairam sobre a humanidade e o planeta.

VIII – O SEMINÁRIO, O ENCONTRO E VOCÊ

Para você que está indignado(a) com a destruição e autodestruição em curso. Para você que quer empenhar-se numa construção coletiva de uma maneira de viver muito melhor do que a decomposição e descivilização reinantes.

Para você que busca a construção de um movimento inovador capaz de enfrentar e superar a crise oriunda de uma relação social que, não só fracassou, mas fenece. Esse Seminário e Encontro são para você. Venha participar da sua preparação e realização. Um encontro cuja criação coletiva pretende contribuir para nos emanciparmos do capitalismo. Trata-se de um diálogo imperdível com uma temática geral e temáticas específicas à altura dos desafios do século XXI. Com isso Fortaleza, Ceará, Brasil e o Mundo conquistam a oportunidade histórica para realizarmos o mais profundo e belo debate de todos os tempos. Experiências as mais ricas e as mais diversas virão de todo o estado, país e mundo. Além das exposições dos convidados(as) teremos o relato de várias pessoas que contribuirão para o enriquecimento do encontro. Atividades artísticas e culturais se desenrolarão, juntamente com todos os encontros coletivos, no circo especialmente montado para o pleno vôo das mentes abertas, criativas e forjadoras da transcendência ao modo de produção e vida capitalistas e, conseqüentemente, aos Trumps, Bolsonaros e cia. que administram a barbárie de um sistema que está na UTI, mas cuja tomada ainda não foi desligada. Textos, revistas e livros fundamentais serão lançados. Suas abordagens nos possibilitam elementos indispensáveis para dimensionarmos bem a complexidade da situação atual nos possibilitado elementos para uma apreciação crítica sobre acontecimentos marcantes da humanidade. Além de livros, filmes, vídeos, cordéis, exposições fotográficas, contações de histórias e poesias também serão apresentadas. Campings estarão à disposição em locais muito agradáveis. Com isso, esperamos colaborar para que os depoimentos candentes ecoem num espaço arejado que descortinarão, enfim, ares emancipatórios. Esse inusitado evento será realizado em Fortaleza e no Sítio Brotando a Emancipação, cujo projeto se fundamenta numa crítica radical e ruptura categorial prática ao moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias. O sítio, que namora com o mar na Praia de Barra Nova e com as águas do rio Choró, fica em Mangabeira, distrito de Cascavel, na Região Metropolitana de Fortaleza/Ceará. Pretende-se transmitir ao vivo toda a programação do evento para que em diferentes locais da Terra, as pessoas possam, de Fortaleza e do sítio, interagir com os(as) participantes, enriquecendo as discussões. Amigo(a), estamos diante da oportunidade histórica do desencadeamento da luta, teórica e prática, para a superação do sujeito fetichista narcisista e suplantação da sua sociedade produtora de mercadorias. Com a realização deste Encontro, esperamos contribuir com a gestação de um movimento que tem como meta a associação de indivíduos conscientes, livres, desfetichizados. ‘ Acalentamos durante muitos anos esse sonhar. Agora, queremos que ele se transforme numa aurora desmedida capaz de anunciar o brotar da emancipação. Contrariando Chico Buarque, já vale a pena despertar! Afinal, o sonho que se sonha junto é realidade. Esse sonho é nosso, meu, seu, da humanidade e do planeta.

IX – OBSERVAÇÕES FINAIS

Como vimos, através de nossa análise, o capitalismo só surgiu, se desenvolveu, superou suas crises e hoje, na sua decadência, balança, mas não cai, porque estão intactas suas forma sociais categoriais básicas. Elas resistem e permanecem há séculos gozando de uma perenidade de causar espanto aos seus novos coveiros. E, ainda hoje, são consideradas como axiomas implícitos, um pano de fundo tácito que é proibido questionar. Criticá-las é como se o mundo viesse abaixo por causa dessas críticas. Ao contrário, é exatamente por falta da crítica teórica e prática a essas categorias que o Brasil e o mundo mergulham nessa barbárie. Se isso persistir, persistirá o capitalismo. Persistirá a barbárie capitalista. Se as categorias fundantes do capitalismo continuarem existindo, deixará de existir o ser humano, a natureza e o planeta terra. Uma conclusão realista diante das catástrofes previsíveis, mas de dimensões imprevisíveis que se anunciam. A crítica radical do fetichismo no permite compreender que ela nos acompanha desde os primórdios da humanidade. Por causa disso, a nossa história é a história das relações fetichistas. Vale dizer, não só a história contemporânea. Por mais diferentes que as relações sociais tenham sido na história das sociedades até aqui existentes, uma conclusão se impõe: todas elas foram dirigidas por meios fetichistas. Nunca existiram, portanto, sociedades autoconscientes que pudessem decidir livremente sobre o emprego de suas possibilidades. O moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias representa, apenas, a última forma social da dinâmica fetichista. Com isso o mundo capitalista passa, a partir de agora, a ser dimensionado como uma etapa passageira da história da humanidade. E a consangüinidade, o totemismo, a propriedade do solo e o valor passam a ser considerados como etapas do processo através do qual o ser humano se despregou da natureza, tornando-se um ser relativamente consciente em relação à primeira natureza, mas não ainda em relação à segunda natureza, que é a sua própria conexão social criada por ele mesmo. Com tudo isso, evidencia-se a resposta para a verdadeira dimensão da crise mundial do Século XXI. Trata-se da superação não só da história capitalista, mas da história existente até agora. Não só a era da guerra fria chegou ao fim. Chegou ao fim também a história mundial da modernização. Não apenas essa história especificamente moderna, mas a história mundial das relações de fetiche em geral. Daí a importância do Seminário e do Encontro para a humanidade e o planeta. Em razão de tudo isso, os(as) organizadores(as) e realizadores(as) do Seminário e do Encontro querem fazer deste tempo o seu tempo: um tempo para além da relação social do valor-dissociação. Um tempo para abrir perspectivas nas lutas das idéias e práticas sociais antifascistas, antixenófobas, antihomofóbicas, antisemitas, anti-rascistas, antimachistas e pelo fim da dominação, da exploração, da discriminação, da opressão, do sofrimento e da destruição do ser humano e do planeta. Sua razão de ser reside no fato de que o novo movimento social transnacional é a expressão concentrada de uma transformação histórica inusitada, realmente emancipatória. O que tem nele de realmente novo corresponde precisamente às novas tendências históricas que configuram essa crise de novo tipo da sociedade moderna. Uma crise que expõe, pela primeira vez, as fronteiras históricas do sistema capitalista. Uma crise que torna inútil o ser humano e a Terra inabitável. Captar essas tendências foi o primeiro sinal antecipado do triunfo da conspiração e subversão da crítica radical do valor-dissociação. Seu segundo sinal será a ruptura ontológica, a suplantação do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias e sua substituição por uma sociedade humanamente diversa e desfetichizada, socialmente igual e criativa, ecologicamente exuberante e bela, prazerosa no ócio produtivo e completamente livre.

Críticos(as) radicais de todo o mundo, uni-vos!

Abraços,

Crítica Radical

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