APROPRIAÇÃO UNIVERSAL DE UMA TOTALIDADE DE FORÇAS PRODUTIVAS: CRITÉRIOS PARA A ULTRAPASSAGEM DO CAPITALISMO

Uma pessoa normal, socializada no capitalismo, vai ficar decepcionada quando constatar que Marx, para além da análise e crítica do modo de produção e de vida capitalista, não deixou qualquer descrição detalhada para a “construção do socialismo”, como ainda há pouco tempo se dizia na esquerda e nos países do capitalismo de Estado, nenhuma indicação sobre como proceder “correctamente”. Falta, pelo menos, aquilo a que essa pessoa julga ter direito em crítica social, ou seja, um folheto com um manual de instruções socioeconómicas. Isto deve-se simplesmente ao facto de ser impossível, mesmo com a melhor boa vontade,  deduzir tal constructo da teoria crítica da sociedade. A teoria crítica pode explicar e definir manifestações negativas e destrutivas do capitalismo, que todas as pessoas sofrem de uma maneira ou de outra, analisá-las e assim fundamentar a crítica do capitalismo, bem como a necessidade dultrapassá-lo. Mas esta fundamentação da crítica é algo completamente diferente dum manual de instruções para a correcta construção de uma sociedade “ideal” e, se possível, “sem contradições”, um projecto feito no estirador para uma arquitetura social, com base num qualquer modelo de ser humano, como ele teria de ser.

Quem reclama tal manual de instruções está a exigir, inconscientemente, que a ultrapassagem da sociedade de mercado se faça também no modelo habitual e arraigado da compra e venda: vê a teoria crítica no papel de vendedor, a quem pede que faça uma oferta com garantia do direito de devolução, e vê-se a si mesmo no papel de consumidor exigente (e eternamente enganado), que pretende obter informações completas sobre o produto, para poder consumir sem problemas a mercadoria adquirida. Esquece que não se trata aqui de uma oferta de mercadorias, no mercado de opiniões e sugestões para mudar o mundo, etc., mas do sofrimento real na sua própria vida e dos desaforos sociais contra si impostos, de que só pode livrar-se ele próprio em unidade com outros seres humanos. A teoria crítica não é uma oferta nesse sentido, mas um espelho do conhecimento de si próprio, uma fúria de compreender e um “convite para dançar” com desfecho incerto.

O facto de a consciência normal exigir a crítica como utopia prontinha, que pudesse ser comprada ou deixada, como no supermercado, chama a atenção (mais uma vez inconscientemente) para a relação interna entre utopia e forma da mercadoria. Eis porque, ao tratar da ultrapassagem do capitalismo e da transição para outra sociedade, temos de insistir mais uma vez no carácter não utópico da teoria de Marx, e regressar à tese de que vivemos hoje na realidade bem no meio de uma verdadeira utopia negativa, pois outra coisa não é o capitalismo na sua maturidade de sistema mundial. Como designar de outra maneira o facto de, neste sistema, os indivíduos se tornarem “unidimensionais” (Herbert Marcuse), pela “compulsão silenciosa das condições” (Marx) e se necessário pela força pública, e de se verem obrigados a aplicar a si mesmos as leis cegas do sistema? O “homem novo” desde o início foi o postulado de uma nova forma de dominação objectivada. A obsessão por um “material humano” controlado “idealmente”, também interiormente submetido a um fim em si abstracto pressuposto, já fazia parte das primeiras ideias de racionalidade capitalista. E hoje, como é sabido, o totalitarismo do mercado reclama, a um ritmo de certo modo anual, mensal e semanal, o “homem novo” completamente maleável e moldando-se a si mesmo, de acordo com os imperativos do mercado.

É como parte desta realização de uma reivindicação totalitária utópica sob a máscara da objectividade que se inscreve uma reavaliação de conceitos: a irracionalidade e unidimensionalidade utópicas do fim em si do capitalismo foram declaradas a “ordem natural das coisas”, e a lógica de destruição da economia empresarial, que talha impiedosamente o universo do mundo sensível à medida da árida abstracção do dinheiro, foi declarada “trato pragmático” com as coisas. Inversamente, na utopia capitalista realizada, o facto de fazer valer as emoções e necessidades humanas mais elementares, assim como a razão mais simplesmente pragmática no trato com o mundo sensível tangível, foram falsamente chamados de utopia. Tendo declarado a ausência de lugar como o verdadeiro lugar do mundo, o capitalismo baniu a razão humana para um lugar realmente inexistente. Para citar apenas alguns exemplos: tornou-se “utópico” querer meter nos eixos o transporte rodoviário tornado um flagelo mortífero, ou não esperar 30 anos para parar as centrais nucleares que constituem um perigo público e uma hipoteca sobre muitas gerações; também utópico é “trabalhar” menos que os camponeses da Idade Média, quando se usam redes e robôs microelectrónicos que proporcionam a maior economia de trabalho de todos os tempos. No mundo do capital consumado apenas a franca insanidade é realista. Sob estas condições, o chamado pragmatismo assume necessariamente traços escatológicos.

A mensagem de Marx diz, em primeiro lugar, que não há nenhuma “nova Jerusalém” de qualquer espécie para construir, mas trata-se apenas de acabar com o completo absurdo do modo de produção dominante, que transformou todos as forças produtivas em forças destrutivas. E, em segundo lugar, que a tarefa da mudança prática neste sentido já não pode caber na área de responsabilidade da teoria crítica, só pode ser a acção de um movimento social prático, visando a apropriação e a abolição. A teoria pode, no máximo, indicar os objectivos gerais e certos critérios, resultantes da negação fundamentada do capitalismo; por conseguinte, em Marx mais não encontramos do que tais critérios. Aliás, estes já são explícita e implicitamente um elemento da própria análise crítica (são aqui apresentados na forma de extractos de textos seleccionados, de modo a facilitar às leitoras e leitores habituados ao esquema burguês o entendimento, na forma de conclusões explícitas; estas, no entanto, não devem ser confundidas com “instruções” positivas, enumeradas em anexo).

Portanto, não é possível deduzir das abstracções da teoria crítica uma relação razoável com as próprias coisas. A teoria crítica só pode servir de fundamento para que os indivíduos se juntem voluntariamente numa organização negatória, com o objectivo de fazer rebentar a anti-razão capitalista, apropriar-se dos potenciais sociais e, finalmente, descobrir verdadeiramente o uso razoável das coisas, através do estabelecimento de um trato prático com elas, livre dos constrangimentos irracionais da economia empresarial, ou seja, “seleccionar” de algum modo as forças produtivas que o capitalismo deixou numa forma destrutiva, reformulá-las, reagrupá-las de modo diferente, por vezes imobilizando-as, se comprovado o seu absurdo ou a ameaça que representam para a comunidade, etc. Enquanto o capitalismo adapta tudo segundo um único e mesmo princípio geral e abstracto, que é o princípio da valorização do valor ou do sempre mais, sem levar em conta a qualidade particular das coisas e das relações, nem a sua substância ou conteúdo específicos, nem a sua particularidade etc., o “princípio” do comunismo, no sentido de Marx, seria precisamente não ter nenhum princípio assim, mantendo, pelo contrário, um relacionamento pela primeira vez consciente e pragmático com o mundo.

O critério para isso consiste em que mais nenhum meio fetichista se interponha entre os indivíduos sociais e o mundo. Daí que nenhuma declaração teórica geral pode dar informações sobre isso, mas apenas a experiência prática de uma nova relação com as coisas e o processo desta mesma mudança o podem fazer. O conceito de “movimento de apropriação” é, talvez, o que melhor corresponde a este critério de Marx, porque concebe o carácter da apropriação revolucionária como um processo: não como a forma “jurídica” limitada e superficial de apropriação, a que em grande parte se reduzia essa ideia no marxismo do movimento operário, mas como a efectiva apropriação prática, material-sensível, intelectual, etc. da “totalidade das forças produtivas”, ou seja, o poder de disposição, não no sentido de uma simples transmissão de títulos de propriedade burguesa ao “povo” ou à “sociedade”, mas no sentido do domínio real do conteúdo da sua própria socialidade universal e dos seus potenciais.

Não basta arrancar as forças produtivas ao capitalismo, assim as despindo da sua forma jurídica burguesa geral, mas é preciso apropriá-las no sentido mais amplo do termo, e precisamente assim as transformar. Marx vira-se consciente e claramente, contra a “ilusão jurídica” de uma pseudo-abolição do capital no âmbito das formas jurídicas burguesas. Esta ilusão jurídica consiste precisamente em considerar a forma de propriedade do código civil (o suposto poder de disposição) como sendo o verdadeiro e o essencial, embora seja apenas a necessária consequência de determinadas relações de produção e relações sociais anteriores a ela. Seria, portanto, simplesmente absurdo pretender introduzir uma propriedade social directa, mantendo contudo a produção de mercadorias, o trabalho abstracto, etc. em que assenta a propriedade não social (como foi o caso no “socialismo real”).

Não é difícil distinguir o Marx esotérico do Marx exotérico ao nomear os critérios para uma efectiva ultrapassagem do capitalismo. Com a sua “luta de classes”, que, como o termo indica, já está submetida ao quadro determinado pelo capitalismo, o “proletariado” como tal não pode satisfazer os critérios de Marx para um movimento de abolição e apropriação que vá para além do capitalismo. É também por esta razão que o “socialismo do trabalho” sempre se manteve prisioneiro da sua forma jurídica e, portanto, da “ilusão jurídica” sobre o poder de disposição. O próprio Marx já sugere, em parte, uma outra lógica de abolição e apropriação, quando fala de vez em quando não de “proletariado”, mas de “indivíduos”. Na verdade, o suporte de um movimento social revolucionário no sentido do Marx esotérico não pode ser uma classe definida a priori pelo próprio capitalismo, que se reclama especificamente da posição que lhe coube involuntariamente no capitalismo, mas apenas uma associação voluntária de indivíduos, dependendo das suas convicções próprias, e não da sua posição objectivamente dada no sistema.

Enquanto, no interior das categorias capitalistas e do seu contexto, na aparência objectivamente pré-determinados e como que sujeitos às leis da natureza, a vontade dos indivíduos é uma mera ilusão, inversamente, o rebentar desta relação fetichista irracional só pode ser realmente função da vontade, designadamente da vontade dos indivíduos que, por causa da sua experiência e do seu próprio julgamento crítico, “não querem mais” (isto é, eles querem livrar-se da forma de vontade burguesa que antes era a deles e que se lhes tornou insuportável). Deste ponto de vista, uma sociedade livre do capitalismo e do fetichismo em geral seria, pela primeira vez, uma sociedade cuja configuração, vida e actividade dependeriam efectivamente da sua vontade livre. Tratando-se de uma ultrapassagem não meramente ilusória do capitalismo, não se trata de uma classe derrubar outra dentro do capitalismo, mas de uma união de indivíduos críticos (independentemente das respectivas posições dentro do capitalismo) que querem livrar-se do “sujeito automático”, em confronto com a parte da sociedade que (também independentemente da sua posição dada) quer absolutamente mantê-lo e procura a salvação na concorrência sem escrúpulos. O “materialismo” da questão da abolição do capitalismo reside na maneira como são tratadas as experiências negativas da realidade capitalista num amplo sentido social global, e não na maneira como os indivíduos estão a priori fixados socialmente.

Neste sentido, a velha questão marxista de saber quem é o “sujeito” (objectivamente dado) da crítica do capitalismo, quem será ele já “em si”, independentemente da sua sorte histórica, está simplesmente mal colocada, e, portanto, não passa hoje de uma questão perdida. No mundo capitalista do século XXI, onde as categorias funcionais sociais outrora fixas se tornaram realmente fluidas, e onde os indivíduos estão real e palpavelmente atomizados (com a simultânea agudização da pobreza maciça global e dos múltiplos processos de pauperização), é muito mais evidente do que no século XIX que os critérios de ultrapassagem do capitalismo enunciados pelo Marx esotérico não podem ser apreendidos e activados por um movimento de classes pré-determinadas pelo sistema, mas apenas por um movimento feito livremente de “indivíduos associados” (ou associando-se no processo da própria crítica prática).

Embora possa parecer relativamente fácil fazer tal constatação em virtude da evidência empírica actual (excepto para os marxistas que restam da época passada, prisioneiros da sua identidade ideológica), os critérios a estabelecer estão eles próprios bloqueados e fechados à consciência, como ela se tornou no mundo capitalista. O conceito aparentemente plausível de apropriação rapidamente faz colocar vendas nos olhos, quando se torna evidente que este critério contradiz a forma jurídica. Pois, deste ponto de vista, os indivíduos que viveram sob o capitalismo, especialmente os da época pós-moderna, são todos “marxistas do movimento operário”, porque o marxismo agora obsoleto coincide aqui com a consciência burguesa. Desde logo, o indivíduo burguês não pode conceber-se fora da forma jurídica, que é a sua forma subjectiva e, portanto, a forma da sua relação com o mundo. Mas, como Marx mostrou, a subjectividade jurídica burguesa  só aparece, afinal, através da cisão do homem burguês em sujeito económico e sujeito cidadão, em “homo oeconomicus” e “homo politicus”, em “bourgeois” e “citoyen”, em homem do dinheiro e homem do Estado. De acordo com Marx, no entanto, Estado e dinheiro são as duas formas polares de uma generalidade meramente abstracta e por isso inverídica, uma mera “comunidade ilusória”. Para a falsa sociedade de indivíduos atomizados por leis cegas se tornar realmente uma sociedade, uma comunidade agindo deliberadamente, é necessário que os indivíduos “extraiam de si mesmos” as duas formas alienadas e irracionais de generalidade abstracta, nomeadamente o dinheiro e o Estado, abolindo-as e ultrapassando-as.

Esta tarefa, aparentemente tão plausível, que consiste em apropriar-se voluntariamente das forças produtivas tornadas destrutivas na sua forma capitalista, exige, portanto, nada menos que suprimir a forma jurídica que dá cobertura ao dinheiro e ao Estado, na qual os indivíduos apenas podem relacionar-se entre si como representantes da “mercadoria”. É claro que a consciência de massas socializada no capitalismo antes de mais recua perante esta tarefa de ultrapassar na prática a sua própria forma de sujeito (e é precisamente isto que constitui o cerne da crítica social do Marx esotérico, que se pode designar abreviadamente por “crítica do valor”).

Assim acontece, paradoxalmente, que os dinossauros intelectuais do marxismo do movimento operário que resta, na sua obsoletude, são aqueles que mais claramente formulam este bloquear da consciência burguesa, precisamente porque, conhecendo os critérios marxistas (que eles sempre truncaram, desfiguraram e puseram de lado, torcendo o nariz) são mais capazes de identificar o problema, para que possa ser posto de lado, enquanto o entendimento burguês oficial antes de mais não percebe “patavina”.     A ironia da história é que o marxismo residual se torne precisamente o porta-voz da consciência burguesa comum, e puxe por todos os registos da hostilidade e da suspeita denunciatórias contra a “crítica do valor”, procurando desqualificar o critério de abolição do meio fetichista, na verdade originário de Marx, como ideia de um “comunismo da idade da pedra” à laPolPot, e uma ameaça de recaída para trás da civilização. É o caso, por exemplo, de Wolfgang Fritz Haug, o papa emérito da pesquisa alemã sobre Marx, e de outros académicos marxistas. No meio da nova grande crise e do asselvajamento bárbaro do capitalismo globalizado, é a própria ideia de libertação da moderna sociedade do desaforo que é declarada barbárie, provando assim o marxismo, mesmo no seu último suspiro, que, em crassa oposição ao Marx esotérico, nunca conseguiu nem quis entender por civilização outra coisa senão a socialização alienada através do dinheiro e do Estado.

Na verdade, o capitalismo, com a sua falsa civilização dos “direitos humanos”, que Marx já criticou radicalmente há 150 anos, está ele próprio a abolir o dinheiro para uma parte cada vez maior da população mundial, mas precisamente à sua própria maneira negativa. Nas grandes regiões globais em ruínas, onde cada vez mais países já abandonaram a sua moeda própria, vivem massas de pessoas sem qualquer rendimento monetário nem acesso a divisas. Esta situação é realmente bárbara, mas apenas porque foi abolido o dinheiro para as pessoas, mas não a forma de socialização, nem o critério do dinheiro como “compulsão silenciosa”. Para Marx, a questão não é a abolição superficial, ou a retirada pura e simples do dinheiro, mantendo-se a forma burguesa do direito e do sujeito, mas sim a supressão desta mesma forma, tornando então inútil qualquer nova socialização enquanto economia monetária, e mostrando a sua irracionalidade.

Mas, onde a forma de sujeito burguesa permanece intacta, os dois pólos da alienação nunca podem ser jogados um contra o outro. O capitalismo apenas pôde evoluir, até à sua maturidade de crise, porque o Estado manteve em cheque o dinheiro ou o mercado, e vice-versa. Onde esta delimitação mútua deixa de funcionar, manifesta-se o cerne bárbaro desta civilização. Assim, o regime de PolPot estabeleceu o terror social total porque o Estado, na forma do aparelho do partido, se impôs absolutamente ao dinheiro e ao mercado, tal como, inversamente, onde o dinheiro ou o mercado se impõem absolutamente ao Estado, também a consequência é o terror social. Em ambos os casos, as pessoas são numa forma potenciada o que também são num capitalismo democrático normal: meros objectos, simples material de uma desgraça que se abate sobre elas. É mais uma ironia da história que a “crítica do valor” seja denunciada como interpretação inaceitável de Marx precisamente por uma posição política que sempre permaneceu não apenas um marxismo do trabalho, mas também um marxismo do Estado, ou seja, por um marxismo que inclui precisamente o elemento que assumiu um aspecto particularmente odioso no regime de Pol Pot. Em todo o mundo, hoje, dinheiro/mercado e Estado afastam-se de uma massa crescente dos seres humanos que vivem na Terra, sem contudo os libertar dos seus critérios. É o próprio amadurecimento das condições que exige a aplicação prática dos critérios desenvolvidos pelo Marx esotérico na conclusão da sua análise crítica: não continuar mais a jogar o dinheiro/mercado contra o Estado e vice-versa, mas procurar ultrapassar esse dualismo irracional pela auto-administração e auto-organização conscientes da sociedade, com participação de todos os seus membros, para além do mercado e do Estado.

Marx estava consciente de que fazer rebentar a forma de sujeito burguesa tornada obsoleta não será apenas uma coisa difícil em si mesma, mas também tem de ocorrer em condições completamente diferentes e não simultâneas. Tendo-se desenvolvido de modo diferente e em tempos diferentes, o capitalismo esbarra nos seus limites nesta falta de uniformidade. E ainda hoje, 150 anos depois de Marx, agora que tocamos realmente no horizonte das suas questões esotéricas, a ultrapassagem desta ordem social só pode ocorrer sob condições completamente diferentes. A simultaneidade forçada do sistema mundial através da globalização capitalista é meramente negativa, enquanto as ruínas da não simultaneidade constituem os pontos de partida reais de possíveis movimentos de abolição e de apropriação.

Assim, a última força produtiva capitalista, a microelectrónica, tornou-se uma condição universal da apropriação, que ultrapassou e levou ao absurdo a noção de socialismo concebida pelo Marx exotérico como “primeira fase do comunismo”, em que ainda se teria de calcular e “planear” de acordo com os padrões de desempenho e tempos de trabalho individuais (em todo o caso, designado por Marx como resto da forma jurídica burguesa). Neste ponto, a quota parte de tempo e de desempenho de cada indivíduo já não tem qualquer papel na reprodução social real, perante os agregados sociais técnico-científicos.

Por outro lado, a apropriação real desta força só pode ter lugar sob condições e em agrupamentos sociais completamente diferentes nas diversas regiões do globo, de acordo com o estado em que foram deixados pelo cilindro compressor da globalização capitalista. A universalidade transnacional do movimento de apropriação e de abolição, referido por Marx como critério, inclui assim esta diversidade das situações de partida. A este propósito, Marx fez uma declaração que ainda pode ser importante para o século XXI, quando afirmou a possibilidade de a comuna agrária russa do seu tempo ser o ponto de partida para um revolucionamento emancipatório, desde que, em conexão com a apropriação das forças produtivas modernas, ela ultrapasse a sua tacanhez local e tome parte num movimento mundial transnacional, incluindo os centros industriais. Se hoje nada resta das antigas constituições agrárias “comunistas”, tais formas poderão ressurgir em algumas regiões, sob novas configurações, através do processo de decomposição do sistema mundial capitalista. Um novo anticapitalismo no sentido do Marx esotérico terá de ser um movimento mundial universal, conscientemente não nacional (e, portanto, antinacional), globalmente ligado e comunicando em rede, simultaneamente capaz de desenvolver e abranger em si diferentes formas e condições de partida.

Numa situação social mundial como a actual, em que, por um lado, o capitalismo está podre de maduro, pronto a estoirar, mas, por outro lado, não está à vista nenhum movimento de apropriação social, muito menos mundial, a reformulação da teoria crítica é em si um momento condicionante da emancipação futura.  Para indicar os objectivos e critérios para a ultrapassagem do capitalismo, que já não têm nada a ver com as ideias do marxismo do trabalho, do Estado e da nação, talvez o mais frutuoso seja separar o Marx exotérico, historicamente esgotado, do Marx esotérico, apenas hoje tornado actual. O facto de a teoria crítica, precisamente na medida em que cumpre esta tarefa, não participar na inflação de cozinhados banais e baratos de conceitos e receitas, constituirá, por fim, a sua vantagem.

(Introdução ao Cap. 8 do livro LER MARX – OS TEXTOS MAIS IMPORTANTES DE KARL MARX PARA O SÉCULO XXI EDITADOS E COMENTADOS POR ROBERT KURZ)

PRA COMEÇAR UMA OUTRA HISTÓRIA!

A humanidade e o planeta Terra nunca tiveram tantas condições para curtir uma vida plena de sentido, mas se defrontam hoje com o culto da morte.

A ameaça de extinção da humanidade e da natureza anunciada pela Crítica Radical, em decorrência da fronteira histórica do capitalismo, com seu limite interno (econômico) e externo (ecológico) já não está mais oculta. Apareceu e o que parecia oferecer infinitas possibilidades de consumo, conforto e oportunidades gerou o caos. Com sua barbárie pós-moderna parou a terra e nos faz lembrar Raul. Fizemos um enorme esforço para que a humanidade se antecipasse a esse colapso espetacular genocida e ecocida. Mas, agora, ficou ainda mais claro que há uma clara correlação entre coronavírus, desequilíbrio ecológico e o colapso do capitalismo global, como nos lembra outro Raoul.

A natureza irracional do capitalismo veio à tona. E se mostra como uma “louca seita suicida” (Robert Kurz), diante do esgotamento de sua lógica, de seu fundamento. O capitalismo quer se salvar, mesmo que morram milhões de pessoas. Alguns capitalistas e socialistas começaram a dimensionar que o sistema não tem futuro. Mas concordam em despejar de helicóptero trilhões para serem queimados na tentativa de sustentar um sistema destrutivo e irracional. A finalidade seria tentar estancar a crise e conter uma possível revolta dos seus servos ainda voluntários. Trabalhador(a) que for contemplado(a) pela doação do dinheiro, pegue o dinheiro, se for cobrado, não pague e se emancipe dele e do seu sistema!

Sem dúvida os donos do poder pressentiram o perigo. A problemática que se acumulou no decorrer dos anos frente às crises econômicas poderia vir a se somar à sucata financeira do inflacionado sistema financeiro global e aí seria o colapso total. Esse perigo, que já vinha se desenhando antes do coronavírus, tendo com ele assumido uma proporção inaudita, levaria para os céus a montanha da dívida global. Vale ressaltar que a elucidação dessa e de outras relevantes questões contou desde muito tempo com a colaboração destacada dos(as) críticos(as) radicais do valor-dissociação.

Nas crises cíclicas do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias os trabalhadores sempre foram chamados e colaboram para superar os impasses que o sistema apresentava. As crises cíclicas eram crises de expansão do capitalismo. E o capitalismo pôde, assim, contorná-las. Exemplo disso foi a ditadura civil-militar no Brasil, expressão política do capitalismo em expansão, que se sustentou na ditadura do tempo abstrato que, hoje, entrou em colapso. Agora, estamos diante de uma crise completamente diferente. É a crise da fronteira histórica que se expressa na derrocada iminente do sistema. Diante disso, nada de suicídio ao lado do capitalismo recorrendo às administrações da barbárie como fizeram os governos de Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma Temer e, agora, Bolsonaro. No caso do governo Bolsonaro, por ser expressão política do capitalismo em seu limite histórico, reforça a ameaça extremada da extinção da humanidade e da natureza.

Em razão disso, o apelo ao sacrifício, particularmente aos ex-trabalhadores e aos poucos trabalhadores que restam, procura evitar, de todo o jeito, que tomem consciência que podem se emancipar definitivamente do capital. Os discursos que afirmam que tudo vale a pena, inclusive a eliminação da vida de milhões, assumem abertamente o assassinato, o genocídio e o ecocídio da humanidade e do planeta. Não podemos e não devemos aceitar o sacrifício de nenhuma vida. Essa cantilena do sacrifício sempre acompanhou o capitalismo nos seus momentos de crise. Mas, a crise atual é muito maior, mais forte, mais abrangente e muito mais profunda que a de 2008. E apresenta, de maneira cristalina, o seu esgotamento histórico. O coronavírus tornou-se a revelação do fracasso do capitalismo, num desvio de Raoul Vaneigem. Em razão disso, virou de fato um gatilho que pode derrubar o sistema, num desvio de Tomasz Konicz.

O sistema, portanto, não tem perspectiva, não tem horizontes. Se os trabalhadores(as) quiserem continuar colaborando com a sua continuidade estarão contribuindo também com a barbárie, o genocídio e o ecocídio.

Em 25 de março lembramos a libertação dos escravos no Ceará. Nesses tempos de coronavírus, continuamos insistindo na nossa proclamação de que os novos escravos já têm que estar livres, conscientes e associados para se emanciparem.

.A natureza da crise expõe a eliminação do trabalho pela 3ª e 4ª revoluções tecnocientíficas. Ao retirar a substância do capital, desvaloriza o valor que juntamente com a dissociação sexual constitui o fundamento da produção burguesa. Com isso, além do trabalho, entram em crise todas as demais categorias fundantes do capitalismo. Quem não se fundamenta na crítica categorial, portanto, fica impossibilitado(a) de perceber a natureza da crise e de apresentar uma proposta à altura dos desafios do século XXI. Tornam-se administradores(as) da barbárie em todos os recantos da terra.

 Afinal, não estamos diante de catástrofes como a queda de um asteróide, erupção de um vulcão ou tsunami. Trata-se do resultado de uma ação provocada pelo próprio ser humano que dá origem a essa pandemia global com suas graves conseqüências para a humanidade e o planeta.

Em alguma medida isso já ocorreu no passado. Antes, não foi suficiente para que se produzissem mudanças radicais no nosso viver, sentir e pensar. Isso que aí está nos levará à mudança drástica de atitude? O equilíbrio do capitalismo revelou-se frágil como um castelo de areia. Estamos diante do fracasso absoluto do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias, chamado civilização avançada. Diante da devastação humana e ambiental em curso, será que não chegou mais do que a hora de ultrapassarmos Bolsonaros, Trumps, patriarcado, feminicídio, racismo, devastação, genocídio, ecocídio e capitalismo, entre tantas outras mazelas?

Nós, do Crítica Radical, superamos obstáculos quase intransponíveis. Mas continuamos mantendo acesa a chama da esperança. Jamais a substituiremos pelo medo e pelo desespero. Estamos fundamentados num projeto cujo conteúdo é inovador. Temos propostas, novos horizontes, novas perspectivas. Estamos programando várias iniciativas. Uma delas será um encontro/debate on-line com nossos convidados(as) ao Seminário e Encontro Transnacionais.

Sem dúvida que a quarentena pode se transformar num momento de reflexão e ação para a maior façanha histórica do ser humano que é a conquista de uma sociedade humanamente diversa e desfetichizada, socialmente igual e criativa, ecologicamente exuberante e bela, prazerosa no ócio produtivo e completamente livre.

Amigos e amigas, outros alarmantes e prováveis acontecimentos podem arrastar o mundo para incontornáveis situações. Com essa dimensão, é fundamental pensarmos e agirmos conseqüentemente, neste momento em que a possibilidade da emancipação humana e ambiental se apresenta. Como metassujeitos estamos diante da oportunidade histórica para superarmos a segunda natureza plasmada pela forma moderna. Preparemo-nos para construirmos já, através de um novo movimento social transnacional emancipatório, uma nova história, uma nova relação social, uma nova sociedade fundamentada numa vida plena de sentido.

Os povos de todo o mundo, em particular nós, brasileiros, temos diante de nós a oportunidade histórica de acertarmos contas com toda a história de sofrimento, a história das relações fetichistas, até aqui imperante e inaugurarmos a conquista da emancipação humana e ambiental.

Jorge Paiva e Rosa Fonseca, integrantes do Crítica Radical

PROGRAMA CRÍTICA RADICAL AO VIVO – 30.03.2020
A ABORDAGEM SOBRE “O COLAPSO DE TUDO” E LANÇAMENTO DO TEXTO PRA COMEÇAR UMA OUTRA HISTÓRIA.
COM ROSA FONSÊCA E JORGE PAIVA

DA LIBERTAÇÃO À EMANCIPAÇÃO! DERROTAR O VÍRUS E ULTRAPASSAR O CAPITALISMO!

PROGRAMA CRÍTICA RADICAL – 1ª PARTE

Retornamos, hoje, dia 25 de março, data da libertação dos escravos no Ceará, a nossa programação de rádio. E continuamos insistindo na nossa proclamação de que os novos escravos já têm que estar livres, conscientes e associados para a emancipação.

A ameaça de extinção da humanidade e do planeta anunciada pela Crítica Radical já não está mais oculta. Parou a terra e nos faz lembrar Raul. Fizemos um enorme esforço para que a humanidade se antecipasse a esse colapso espetacular. Mas, agora, ficou ainda mais claro que há uma clara correlação entre coronavírus e o colapso do capitalismo global como nos lembra outro Raoul.

Não estamos diante de catástrofes como a queda de um asteróide, erupção de um vulcão ou tsunami, mas de um evento provocado pelo próprio ser humano com todas as suas conseqüências.

Em alguma medida isso já ocorreu no passado e não foi suficiente para que se produzissem mudanças radicais no nosso viver, sentir e pensar. Isso que aí está nos levará à mudança drástica de atitude? O equilíbrio do capitalismo revelou-se frágil como um castelo de areia. Estamos diante do fracasso absoluto do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias, chamado civilização avançada. Diante da devastação humana e ambiental em curso, chegou não chegou mais do que a hora de ultrapassarmos Bolsonaros, patriarcado, racismo, devastação, genocídio, ecocídio e capitalismo entre tantas mazelas?

 Continuamos mantendo acesa a chama da esperança. Temos propostas para novos horizontes, novas perspectivas. Uma delas será uma reunião/debate pela internet com alguns dos nossos convidados(as) ao Seminário e Encontro Transnacionais . Essa nossa primeira experiência de transmissão deu certo. Poderemos, com sua colaboração, aperfeiçoá-la, ampliá-la, embelezá-la, aprofundá-la.

O coronavírus tornou-se a revelação do fracasso do capitalismo. Sem dúvida a quarentena pode se transformar num momento de reflexão e ação para a maior façanha histórica do ser humano que é a conquista de uma sociedade humanamente diversa e desfetichizada, socialmente igual e criativa, ecologicamente exuberante e bela, prazerosa no ócio produtivo e completamente livre.

O momento para a emancipação humana e ambiental se apresentou. Preparemo-nos para construirmos já, através de um novo movimento social emancipatório, uma nova história, uma nova relação social, uma nova sociedade fundamentada numa vida plena de sentido.

Um abraço

Crítica Radical

BASTA DE CAPITALISMO DE FIM DE MUNDO! PELO FIM DO MUNDO DO CAPITALISMO! CORONAVÍRUS – ARTIGO DE RAOUL VANEIGEM

       “Lá fora, o caixão, cá dentro, a televisão, a janela aberta sobre um mundo fechado! »

Contestar o perigo do coronavírus é certamente absurdo. Por outro lado, não é igualmente absurdo que uma perturbação no curso normal das doenças seja objecto de tal exploração emocional e desperte a incompetência arrogante que uma vez lançou a nuvem de Chernobyl para fora da França? Claro que sabemos com que facilidade o espectro do apocalipse sai da sua caixa para agarrar o primeiro cataclismo que surge, para mexer com o imaginário da inundação universal e para conduzir o arado da culpa para o solo estéril de Sodoma e Gomorra.

A maldição divina foi um coadjuvante útil ao poder. Pelo menos até ao terramoto de Lisboa de 1755, quando o Marquês de Pombal, amigo de Voltaire, aproveitou o terramoto para massacrar os jesuítas, reconstruir a cidade de acordo com os seus projectos e liquidar alegremente os seus rivais políticos com processos “proto-estalinistas”. Não vamos insultar Pombal, por muito odioso que seja, comparando o seu golpe de Estado ditatorial com as medidas miseráveis que o totalitarismo democrático aplica a nível mundial à epidemia do coronavírus.

Como é cínico culpar a propagação do flagelo pela deplorável inadequação dos recursos médicos mobilizados! Durante décadas, o bem público tem sido minado e o sector hospitalar tem sido vítima de uma política que favorece os interesses financeiros em detrimento da saúde dos cidadãos. Há sempre mais dinheiro para os bancos e cada vez menos camas e cuidadores para os hospitais. Que artimanhas esconderão por mais tempo que essa gestão catastrófica do catastrofismo é inerente ao capitalismo financeiro que é dominante globalmente, e hoje globalmente combatido em nome da vida, do planeta e das espécies a serem salvas.

Sem cair nesse ressurgimento do castigo divino que é a idéia de a Natureza se livrar do Homem como um verme indesejável e nocivo, não é inútil lembrar que durante milênios, a exploração da natureza humana e da natureza terrena impôs o dogma da anti-física, da anti-natureza. O livro de Eric Postaire, Les épidémie du XXIe siècle, publicado em 1997, confirma os efeitos desastrosos da desnaturação persistente, que tenho vindo a denunciar há décadas. Evocando o drama das “vacas loucas” (previsto por Rudolf Steiner já em 1920), o autor nos lembra que, além de estarmos desarmados diante de certas doenças, estamos a tomar consciência de que o próprio progresso científico pode causá-las. Em seu apelo por uma abordagem responsável das epidemias e do seu tratamento, ele incrimina o que no prefácio Claude Gudin chama de “filosofia da gaveta do dinheiro”. Ele faz a pergunta: “Se subordinamos a saúde da população às leis do lucro, ao ponto de transformar animais herbívoros em carnívoros, não corremos o risco de provocar catástrofes fatais para a Natureza e para a Humanidade?” Como sabemos, os governos já responderam com um SIM unânime. O que importa, uma vez que o NÃO dos interesses financeiros continua a triunfar cinicamente?

Foi preciso o coronavírus para demonstrar aos mais tacanhos que a desnaturação por razões de rentabilidade tem consequências desastrosas para a saúde universal – a saúde que é gerida sem desarmar uma Organização Mundial cujas preciosas estatísticas escondem o desaparecimento de hospitais públicos? Há uma clara correlação entre o coronavírus e o colapso do capitalismo global. Ao mesmo tempo, não é menos óbvio que o que está encobrindo e dominando a epidemia de coronavírus é uma praga emocional, um medo histérico, um pânico que tanto esconde a falta de tratamento como perpetua o mal ao assustar o paciente. Durante as grandes epidemias de peste do passado, as pessoas faziam penitência e proclamavam a sua culpa ao flagelarem-se a si próprias. Os gestores da desumanização global não têm interesse em convencer as pessoas de que não há saída para o destino miserável que lhes está a ser infligido? Que tudo o que lhes resta é a flagelação da servidão voluntária? A formidável máquina dos media apenas repete a velha mentira do impenetrável e inescapável decreto celestial onde o dinheiro louco suplantou os deuses sanguinários e caprichosos do passado.

O desencadeamento da barbárie policial contra manifestantes pacíficos demonstrou amplamente que a lei militar é a única coisa que funciona eficazmente. Agora confina mulheres, homens e crianças à quarentena. Lá fora, o caixão, cá dentro, a televisão, a janela aberta sobre um mundo fechado! É um condicionamento capaz de agravar o mal-estar existencial, jogando com as emoções dilaceradas pela angústia, exacerbando a cegueira da raiva impotente.

Mas mesmo a mentira dá lugar ao colapso geral. A cretinização estatal e populista atingiu os seus limites. Não pode negar que uma experiência está em curso. A desobediência civil está a espalhar-se e a sonhar com sociedades radicalmente novas, porque radicalmente humanas. A solidariedade liberta da sua pele de carneiro individualista indivíduos de que já não têm medo de pensar por si próprios.

O coronavírus tornou-se a revelação do fracasso do Estado. Isto é pelo menos algo em que as vítimas do confinamento forçado devem pensar. Quando as minhas modestas propostas aos grevistas foram publicadas, alguns amigos disseram-me como era difícil recorrer à recusa colectiva, que eu sugeri, de pagar impostos e taxas. Agora, no entanto, a falência comprovada do Estado corrupto é prova de uma decadência económica e social que está tornando as pequenas e médias empresas, o comércio local, os rendimentos modestos, os agricultores familiares e até mesmo as chamadas profissões liberais absolutamente insolventes. O colapso do Leviatã conseguiu convencer mais rapidamente do que as nossas resoluções a derrubá-lo.

O coronavírus fez ainda melhor. A cessação das perturbações produtivistas reduziu a poluição global, poupa a milhões de pessoas uma morte programada, a natureza respira, os golfinhos voltam a brincar na Sardenha, os canais de Veneza purificados do turismo de massas voltam a encontrar água limpa, o mercado bolsista entra em colapso. A Espanha resolve nacionalizar hospitais privados, como se estivesse a redescobrir a previdência social, como se o Estado se lembrasse do Estado social que destruiu.

Nada é tomado como garantido, tudo começa. A utopia ainda caminha a quatro patas. Vamos abandonar à sua inanidade celestial os biliões de notas e ideias ocas que circulam por cima das nossas cabeças. O importante é “tratar dos nossos assuntos”, deixando a bolha dos negócios desfazer-se e implodir. Livremo-nos da falta de audácia e de autoconfiança!

O nosso presente não é o confinamento que a sobrevivência nos impõe, é a abertura a todas as possibilidades. É sob o efeito do pânico que o estado oligárquico é forçado a adoptar medidas que ainda ontem decretou impossíveis. É ao apelo da vida e da terra a restaurar que queremos responder. A quarentena é um momento de reflexão. O confinamento não suprime a presença da rua, reinventa-a. Deixem-me pensar, cum grano salis, que a insurreição da vida quotidiana tem virtudes terapêuticas que nunca imaginámos.

17 de março de 2020

Raoul Vaneigem

(Raoul Vaneigem, filósofo belga, 86 anos, um dos principais articuladores da  Internacional Situacionista durante a década de 1960. Autor do livro “A Arte de Viver Para as Novas Gerações“)

Publicado nos sites 

https://lundi.am/Coronavirus-Raoul-Vaneigem?fbclid=IwAR1CgRot3z2HGE3v6-3KaNT_949nZpMY8GMSPt_jCSy6UMuGVio92PxWSkY
http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/597297-coronavirus-por-raoul-vaneigem

 E no facebook –

BASTA DO MUNDO DO MACHO! ABAIXO BOLSONARO, PATRIARCADO E CAPITALISMO!

VEJA AQUI A PROGRAMAÇÃO

Este mundo foi implantado pelo homem branco ocidental. O seu resultado é a catástrofe patriarcal capitalista que aí está. Essa sociedade, portanto, nada tem de natural, é uma construção histórica e, como tal, pode ser superada.

Nós, mulheres, não temos responsabilidades na implantação desse patriarcado. Ao contrário, a nossa história está marcada por essa dominação. Ao compreendermos isso poderemos contribuir destacadamente para darmos um basta neste reino de barbárie, genocídio, ecocídio, racismo, machismo, LGBTfobia, dominação, exploração, guerras, feminicídio, nacionalismo, populismo, narcisismo, fundamentalismo, obscurantismo, intolerância, coronavírus, desemprego, tecnologia do confinamento humano, inutilidade do ser humano, disseminação de agrotóxicos e devastação ambiental com seu desmatamento e aquecimento global, política de segurança genocida e racista e neofascismo bolsonarista em curso que alimenta estes e outros retrocessos.

E, então, a história da humanidade e da natureza será uma outra história. Seus caminhos ainda não traçados encontraram finalmente, através da nossa revolta consciente e de uma proposta de práxis inovadora a possibilidade de voarmos na busca da sociedade da emancipação humana e ambiental.

De nada adiantou a caça às bruxas para limpar o terreno com o objetivo da implantação desta sociedade. A nova dominação das mulheres produziu resistências. Muitas ainda desconhecidas. Mas, a gestação por uma outra sociedade adubou a imaginação feminina.

Também nada resolveu a expansão dessa sociedade com a extensão da dominação fazendo dos africanos escravizados e exterminando, de forma generalizada, os povos indígenas. Um clamor contido de revolta se espalhou pela terra.

Foram precisos séculos para se tentar enraizar o novo patriarcado. E isso só aconteceu porque, de um lado, se acreditou na versão patriarcal de que nós, mulheres, não tínhamos história. Do outro lado, por causa dessa lacuna, ficamos desprovidas de uma crítica que alcançasse as raízes da dominação. Em razão disso, os chamados “desenvolvimento” e “progresso” foram acompanhados de uma lista de sofrimentos que atingiu níveis alarmantes sobre os povos colonizados e escravizados e, em particular, sobre as mulheres.

Hoje, a barbárie se instalou com a fronteira histórica do patriarcado produtor de mercadorias. A catástrofe produzida pelo sistema no seu limite interno e externo alcançou todo o planeta e se transformou numa ameaça à existência da humanidade e da natureza.

Não dá para reproduzir aqui a lista de horrores dos nossos sofrimentos anteriores e atuais. São numerosos, cruéis, dolorosos e quase indescritíveis. O que é mais importante e decisivo, aqui e agora, é compreendermos suas causas, seus fundamentos para que possamos dimensioná-los e superá-los.

Anteriormente, não conhecíamos a nossa própria história. Quase nada sabíamos sobre nossa posição subordinada nas sociedades pré-modernas. E, muito menos, nas sociedades modernas, sociedades produtoras de mercadorias que vieram em seguida. Hoje, estamos começando a compreender a nossa própria história e, ao captarmos seus fundamentos, reuniremos melhores condições para a adoção de uma prática capaz de conquistarmos a nossa emancipação. E, ainda mais agora, que podemos contar com uma formulação teórica inovadora que está à nossa disposição e à altura dos nossos desafios.

Nós e o patriarcado produtor de mercadorias somos resultado de uma longa história patriarcal judaico-cristã ocidental da socialização pelo valor (valorização do dinheiro pelo trabalho) e da dissociação sexual (cisão entre os papéis dos homens e das mulheres). Para que o patriarcado com sua racionalidade pudessem impor-se na esteira do legado antigo, era necessário deslocar a mulher e tudo o que ela representava. Assim, arrancaram-nos a ciência medicinal empírica e implantaram um projeto completamente diverso do nosso relacionamento com a natureza.

Para esse resultado contribuiu decisivamente o homem branco ocidental. Sua origem vem da economia das armas de fogo nos primórdios da modernidade e do poder destrutivo destas. Através disso se deu origem ao sistema patriarcal produtor de mercadorias, o capitalismo. Através da troca no mercado, as mercadorias produzidas se tornaram produtos sociais. Essas mercadorias contêm valores que representam uma determinada energia social despendida para produzi-las, ou seja, o trabalho. E esta representação exprime-se, por sua vez, num meio particular, o dinheiro, que expressa a forma geral do valor para todo o universo das mercadorias.

A relação social mediada por essa forma põe de pernas para o ar o relacionamento entre as pessoas e os produtos materiais. Os membros da sociedade como pessoas, aparecem como associais, como simples produtores privados e indivíduos sem relações. O relacionamento social apresenta-se, pelo contrário, como relação entre objetos (muitos deles animados, como se vê com a inteligência artificial) postos em relação entre si tendo por base a quantidade abstrata de valor que representam, cuja medida é o tempo de trabalho socialmente necessário para produzi-lo. As pessoas são objetivadas e as coisas personificadas.

Com isso, estamos diante do fetichismo da mercadoria que inverte a realidade ao fazer com que o concreto (a mercadoria) seja o mero condutor do abstrato (o valor). E, assim, origina-se uma alienação recíproca sobre e entre nós, membros dessa sociedade, que não utilizamos os nossos recursos de acordo com decisões comuns conscientes, mas, numa servidão voluntária, submetemo-nos a uma relação oculta entre coisas, nossos próprios produtos, comandados pela forma dinheiro.

Nessas coisas produzidas que constituem valores econômicos, não se levam em conta as suas qualidades sensíveis na medida em que são representantes materiais de trabalho indiscriminado e que apenas como tal se encarnam na forma do dinheiro. Então, estamos diante de um absurdo social em que o processo vivo de nossa relação com a natureza e as relações sociais que se estabelecem aparece como propriedade de coisas mortas. A atividade viva de homens e mulheres é absorvida pelos seus próprios produtos, promovidos a quase sujeitos da sociedade, enquanto os seus criadores(as) são degradados a meros acessórios.

Não existiria esse sistema patriarcal produtor de mercadorias se não existisse um espaço separado, dissociado da produção, para cuidar da casa, da criação e educação dos filhos, da assistência e cuidados humanos, do afeto, erotismo, sexualidade, amor, tesão, paixão, um reino de sentimentos e emoções dissociados da esfera do trabalho e, ao mesmo tempo como garantidor da produção e reprodução da mercadoria força de trabalho para a produção. Esse espaço foi imposto a nós mulheres como espaço subalterno expressando a dominação patriarcal moderna e pós-moderna.

O conceito abstrato de trabalho não aborda essas atividades femininas de reprodução. O feminismo, que em grande medida se fundamenta no marxismo do movimento operário com sua visão retrógrada de positividade do trabalho, ficou desarmado diante dessa questão fundamental.

O conjunto de relacionamento social no capitalismo, portanto, não se determina somente pelo auto-movimento fetichista do dinheiro e pelo caráter de fim em si do trabalho. Pelo contrário, verifica-se uma dissociação, uma cisão, especificada sexualmente mediada dialeticamente com o valor. Não estamos aqui diante de nenhuma relação de derivação lógica imanente entre o valor e a dissociação. A dissociação é o valor e o valor é a dissociação (Roswitha Scholz). Cada um está contido(a) no outro(a) sem ser idêntico(a) a ele(a). Ambos constituem momentos centrais e essenciais da mesma relação social.

Diante disso, como enfrentar e superar o feminicídio, a remuneração salarial rebaixada frente aos homens, a discriminação para ocupar postos de direção, o aprisionamento pelo “trabalho” doméstico, confinamento pela tecnologia, estresse nas alturas, para ser bela e gostosa, administrar a casa e ter dinheiro para sustentar a casa e o macho, cujo mundo acabou, sem enfrentar e superar essa relação social? E, ainda mais agora, que essa relação social fundamentada na socialização pelo valor e na dissociação sexual vive a sua crise final? O aumento da produtividade pelo uso cada vez mais decisivo das máquinas chegou a um ponto em que está sendo dispensado mais trabalho do que ainda poderia ser adicionalmente mobilizado pela expansão dos mercados e da produção (Robert Kurz). O aumento de mais-valor (mais-valia) relativo por trabalhador individual não adianta mais nada porque o número de trabalhadores no conjunto utilizáveis diminui consideravelmente. Esse ponto está aí escancarado, inclusive para quem insiste em não querer ver.

Estamos diante, portanto, da relação entre a produtividade, as condições da valorização e o esgotamento da sua identidade masculina. Pela primeira vez na história da humanidade, a problemática global da crise encontra sua expressão na questão feminina. Superar o patriarcado, hoje, é superar a forma fetichista da mercadoria. Pois aqui reside o fundamento da dissociação patriarcal que apresenta um estado social em que a sociedade não tem consciência de si mesma, não planeja nem organiza diretamente, na prática, sua própria forma de socialização, mas tem que representá-la simbolicamente num objeto externo, o dinheiro. Esse objeto assume, então, um significado sobrenatural que não é idêntico à sua forma externa, mas que aparece através desta. Em virtude de seu significado como um totemismo objetivado e secularizado da modernidade, ele adquire, apesar de sua banalidade material, poder sobre todos os membros dessa sociedade.

Nós, mulheres, mantivemos uma impensável e impossível gestação para a vinda de uma sociedade diferente desta. Sonhamos durante muito tempo com uma outra história e, agora, devemos adquirir plena consciência para, através de uma prática correspondente, conquistarmos a emancipação.

Pois, chegou o momento de nós, mulheres, fazermos um chamamento amplo, geral e irrestrito para que nós, seres humanos, possamos suplantar esse estado de coisas, lutando não apenas contra os efeitos, mas para superarmos as suas causas.

Que, na dialética entre imanência e transcendência não fiquemos aprisionadas pelos abusos incessantes dessa sociedade machista, fetichista, patriarcal produtora de mercadorias. Essa sociedade, como vimos , está no seu limite e isso possibilita uma oportunidade histórica para irmos muito além dela, eliminando a ameaça que representa de extinção da humanidade e do planeta. Que possamos compreender definitivamente que o capitalismo, apesar de todas as suas barbaridades, engendrou condições que, através de um novo movimento social transnacional emancipatório, podem ser utilizadas para a conquista da emancipação humana e ambiental.

Mulheres, sejamos realistas, pensemos o impensável, façamos o impossível!

Rosa Fonsêca, socióloga, Mestra em Educação, integrante do Crítica Radical e da União das Mulheres Cearenses

Publicado no Jornal O Povo online no dia 03.03.2020

https://mais.opovo.com.br/jornal/opiniao/2020/03/03/rosa-fonseca–basta-do-mundo-do-macho.html?fbclid=IwAR0rDcHCiRJXzJV9ShHyH5luUz6HrfCB04aqMHSHy1O5Zn-20ILOrXPk66s#.Xl8QPMa44Zc.facebook

LANÇAMENTOS

MANIFESTO, ENCONTRO E SEMINÁRIO TRANSNACIONAIS

E MOVIMENTO EMANCIPATÓRIO

PRÉ-LANÇAMENTO DO LIVRO MULHERES DOS ESCOMBROS – SCHEILLA NUNES

10/MAR/2020 – TERÇA18h30m – ADUFC

MANIFESTAÇÃO – 08 DE MARÇO – 13H

DRAGÃO DO MAR / PRAIA DE IRACEMA

NO DIA INTERNACIONL DA MULHER, NOSSA HOMENAGEM À COMPANHEIRA CÉLIA ZANETTI NOS DOIS ANOS DA SUA PARTIDA – VEJA O VÍDEO

HOMENAGEM À COMPANHEIRA CÉLIA ZANETTI, SEGUIDA DE DEBATE EMANCIPAÇÃO JÁ DO CAPITALISMO! NESTE SÁBADO, 1º DE FEVEREIRO, ÀS 9 HORAS.

PRA COMEÇAR UMA OUTRA HISTÓRIA!

EMANCIPAÇÃO JÁ DO CAPITALISMO!

O CAPITALISMO ACABOU! MAS, BOLSONARO, LULA, TRUMP, PUTIN, XI JIPING, MÍDIA, FORUM ECONÔMICO MUNDIAL, DEMAIS POLÍTICOS(AS), COM SEUS CANDIDATOS(AS) E PARTIDOS… AINDA ESCONDEM QUE O CAPITALISMO ESTÁ NA UTI!

VEJA PORQUE PODEMOS SUPERÁ-LO(S) CONQUISTANDO UMA VIDA PLENA DE SENTIDO!

A bandeira branca da rendição foi levantada face ao capitalismo. Ficaram sem horizontes o marxismo, o socialismo, o anarquismo, o movimento dos trabalhadores(as), particularmente o movimento operário, e também os movimentos de libertação nacional. Estão sem perspectivas os movimentos antirracistas, feministas, ecológicos, antiLGBTfobia. Entrou em dissolução o bem estar social burguês. A nostalgia tomou conta do paradigma keynesiano. O desmoronamento avança no 3º mundo. Reforma e revolução se confundem. A contra-reforma substituiu a reforma. Conquistas sociais importantes entraram em liquidação. O paradigma neoliberal, ao virar consenso suprapartidário, torna-se lixo ideológico.  A resistência ficou sem resistência. Grandes greves e movimentos sociais incendiários estão derrotados. A resignação tomou conta do movimento social.

 A predominância, até aqui, de uma crítica que não vai às raízes de toda essa história constitui a nossa principal limitação. Anteriormente, a crítica não percebeu a atmosfera autoritária que resultou na derrota da democracia durante o golpe de 64.  Em seguida, também não dimensionou o significado da restauração democrática face à transição transada da ditadura civil-militar. Mais recentemente, também não percebeu as matrizes autoritárias não só durante o impeachment, mas, também, nas eleições de 2018.

Em todas essas situações ignorou-se que democracia e ditadura são expressões políticas do capitalismo. A ausência de uma compreensão sobre o capitalismo, sua dinâmica, sua fronteira histórica, sobre o fetichismo que faz parte da realidade básica do capitalismo e sobre a ruptura com o trabalho como princípio de síntese social e demais categorias fundantes do sistema desarmou a crítica. A discussão atual sobre autoritarismo e democracia continua padecendo dessa grave insuficiência.

Essa compreensão ganha uma relevância extraordinária diante da crise atual que paralisa a crítica em vez de mobilizá-la para uma crítica radical de que essa crise é a crise final do capitalismo no seu limite interno e externo. Deixaremos, novamente, escapar a oportunidade histórica para ultrapassarmos o capitalismo e todas as suas expressões políticas, particularmente a bolsonarista?

O leitor(a) escaldado(a) dirá que o papel aceita tudo e que ficou impossível mudar o que está aí e que ninguém vai obrigá-lo(a) a olhar para o espelho. E mais: quem somos nós pra nos colocarmos com essa audácia?

O que temos a dizer? O Crítica Radical sempre alertou sobre a crise da fronteira histórica do capitalismo, de seu colapso, de sua catástrofe, do desabar do mundo patriarcal produtor de mercadorias. Que a troca da força de trabalho pela microeletrônica é a última manifestação do valor, o fundamento da produção burguesa. Ou seja, a força de trabalho é a fonte de mais-valor (mais-valia) e a sua gradual racionalização enfraquece o propósito da valorização, isto é, o valor não se valoriza, o dinheiro não se multiplica e o capital se dessubstancializa. Com essa rápida desvalorização o capitalismo transforma-se num cadáver que ainda move o mundo, é verdade, mas que pode ir pelos ares se emanciparmos a riqueza concreta da sua forma abstrata.

Além disso, o Crítica insistiu que o capitalismo devoraria literalmente o mundo e a si mesmo. Que o desenvolvimento das forças produtivas se revelaria como desenvolvimento das forças destrutivas. Que o capitalismo tem um poder de autodestruição que pode se realizar se nós não acabarmos com ele. Que não se deveria confiar no crescimento fictício que num futuro próximo estaria associado a uma rápida desvalorização do dinheiro, tornando inviável o sistema. Que a pretensão de que a deflagração de uma III Guerra Mundial poderia fazer o fênix renascer das cinzas se depara, dado o poder mortífero das armas atômicas, com a eliminação da humanidade e do planeta. Que a relação de dissociação sexual viveu, juntamente com a dinâmica capitalista, uma história que é sempre reconfigurada, sem ser ultrapassada em sua essência.

Durante muitos anos enfrentamos recusas categóricas, tanto do pensamento burguês, quanto do marxismo tradicional e do pensamento pós-moderno, entre vários outros. Mas, agora, diante das incontestáveis confirmações de nossas análises e da chegança da realidade ao pensamento da crítica radical do valor-dissociação, o que dirão? Configurado, hoje, que o limite do capital é o próprio capital, o que farão? Como reagirão diante da desvalorização do dinheiro, da perda de seu papel, de sua obsolescência? Insistirão em não levar em consideração que o capitalismo produz não apenas mercadorias para os seres humanos, mas seres humanos para as mercadorias? Prosseguirão negando que o valor é a dissociação e a dissociação é o valor? Continuarão assumindo, na nova qualidade da crise, a administração da barbárie suicida do macho branco ocidental e do seu sistema, o capitalismo?

Reafirmamos aqui que crise não é sinônimo de emancipação. Nenhuma sociedade na história da humanidade se apresentou tão descaradamente como absoluta e formatou, através do fetichismo, tão fortemente o ser humano como o capitalismo. Portanto, não pode haver emancipação social espontânea desta imposição absurda. Por causa disso, vivemos no dia a dia do Crítica uma conspiração permanente na dialética entre imanência e transcendência, dada a relação que temos com o conjunto dos movimentos sociais daqui e de outros lugares. Nessa instigação crítica e consciente, temos insistido muito na autonomia da teoria, mas procuramos ser criativos e imaginativos na busca permanente por sua práxis correspondente, como expressou o BASTA! Ato da Emancipação! Enfim a Saída! realizado na última sexta-feira do ano de 2019.

Não há nenhuma tendência da história das relações fetichistas para a emancipação, conforme temos repetido inúmeras vezes. Mas, é importante constatar que é uma ironia da história que o triunfo do capitalismo coincida historicamente com a sua crise final. Isto é, que a vitória do capitalismo seja também a sua derrota.

Diante de tudo isso, uma resposta à altura dos desafios do século XXI vem aí. Vai irromper, em abril/maio, em Fortaleza/Sítio Brotando a Emancipação, uma força social que mata e enterra o dragão, desligando sua tomada na UTI. Um movimento transnacional emancipatório que conquista a emancipação humana e ambiental, eliminando o patriarcado produtor de mercadorias. Que vai muito além do que é imediatamente possível, tanto nas formas de organização da solidariedade, quanto na construção de instituições coletivas sem objetivos comerciais nem estatais e que tenham como objetivo, através de formas autônomas, auto-organizadas, horizontalizadas, a apropriação de maneira abrangente das forças produtivas sociais. Que muda a vida falsa por uma vida autêntica. Que põe um fim no sistema com seu limite interno e externo. Que ultrapassa, portanto, o moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias com sua barbárie racista, feminicida, homofóbica, ecocida, genocida. Que põe um paradeiro na destruição e autodestruição capitalistas. Que elimina o obscurantismo, a miséria, a fome, o negativismo, a intolerância, o fundamentalismo religioso, a opressão, discriminação, exploração, dominação, exclusão e antissemitismo. Que suplanta o totalitarismo do mercado (dinheiro) e do Estado (política). Que supera psicopatas como Trump, Bolsonaro, etc como suas expressões políticas. Que termina com a regressão antropológica. Que elimina a devastação ambiental com seu desmatamento e aquecimento global. Que põe abaixo a falsa polarização política. Que não aceita que a Terra seja inabitável. Que elimina a guerra em todo o planeta. Que multiplica as potencialidades dos seres humanos, impedindo a sua inutilidade em curso. Que supera a esquerda até agora existente que está tão impotente diante do limite interno e externo da máquina de valorização como as elites capitalistas. Que acaba com as exigências loucas do capitalismo. Que constrói uma sociedade humanamente diversa e desfetichizada, socialmente igual e criativa, ecologicamente exuberante e bela, prazerosa no ócio produtivo e completamente livre.

A emancipação, portanto, não é a realização de uma sentença ditada por uma história fracassada. Sim, é verdade que suas coações objetivas fetichistas continuam existindo. Mas a forma dessa existência não se encontra estabelecida linearmente e pode ser disputada. Hoje, estamos diante da possibilidade de construirmos uma nova relação social através de seres humanos antifetichistas, conscientes, associados e livres. É este o objetivo que os críticos(as) radicais do valor-dissociação daqui, do Brasil e do mundo estão propondo para começarmos uma outra história.

ULTRAPASSAR O MODERNO SISTEMA FETICHISTA PATRIARCAL PRODUTOR DE MERCADORIAS, O CAPITALISMO!

APROPRIAÇÃO ABRANGENTE DAS FORÇAS PRODUTIVAS!

ENCONTRO – 1º/FEVEREIRO/2020 – DE 9H ÀS 16H – SINTUFC

Waldery Uchoa, 50 – Praça da Gentilândia – BENFICA

NA ABERTURA, HOMENAGEM À CÉLIA ZANETTI NOS DOIS ANOS DA SUA DESPEDIDA

UMA OUTRA HISTÓRIA COMEÇOU!

Foi realmente inusitado! No Ato da Emancipação na Praça da Gentilândia vivenciamos uma das mais belas experiências de manifestação da nova relação social, da nova sociedade que virá com a Emancipação Humana e Ambiental.
Sob a lona do circo, gentilmente cedido pelo Teatro José de Alencar e montado pela equipe de Ciro Lima, efetivamente compartilhamos sabores, saberes, música, poesia e, acima de tudo, a certeza de que a emancipação é possível e uma outra história já está começando!
A bela abertura que contou com Daniel, o Grupo Harmony e a participação da nossa companheira Dalila executando músicas clássicas e populares foi emocionante!
Companheiros(as) da agricultura familiar de vários municípios do interior do Ceará e Grande Fortaleza, tendo à frente Bael Peixoto, presidente da CONFETRAF Brasil e Raimundinho, Presidente da FETRAF-Ceará, através de suas falas, compartilharam as dificuldades impostas pelo sistema, sua perspectiva de um novo papel em seus sindicatos e o anseio por uma vida diferente. Trouxeram também suas produções alimentícias orgânicas, uma riqueza que se espalhou na praça para a partilha. Presentes representantes de Choró, Bela cruz, Itarema, Itapipoca, Caucaia, Paraipaba, Massapê, Quixadá, Maracanaú, Crato, Independência, Cascavel e Fortaleza. Participação virtual de companheiros da Bahia, Minas Gerais, Maranhão, Piauí, Alagoas, Pernambuco…
A alegria e a criatividade dos emboladores Marreco e Pinto Branco cantando a emancipação, suas músicas, pelejas e repentes!
A presença e fala solidária de companheiros(as) da PachaMama e a participação gratificante de Talles Arzigon com a Livro Livre Curió – Biblioteca Comunitária e um belo e instigante poema.

Os lançamentos dos livros de Dalton Rosado e Marcos Abreu e a exposição dos belos quadros da pintora Maiara Capistrano.
O momento forte e emocionante em que as mulheres se reuniram com Ivoneide, antiga companheira de luta, cantando a música Sou Mulher, resgatando as lutas e expondo os novos caminhos para a superação do patriarcado capitalista e do feminicídio branco e negro com uma abordagem feminista inovadora capaz de conquistar a emancipação das mulheres e da humanidade.
Os(as) companheiros(as) do Hospital das Clínicas e Maternidade Escola da UFC, juntamente com seus advogados Dr. Tiago e Dr. Clóvis Renato mostraram porque foram tão ousados e estão sendo vitoriosos, se preparando para o possível acordo com a UFC. Dr. Clóvis, em particular, surpreendeu com uma abordagem mais profunda do processo de luta, dimensionando a dialética entre imanência e transcendência do movimento e apontando novas perspectivas para a luta social. Eles têm importantes ensinamentos não só para os trabalhadores daqui do Ceará e do Brasil, mas do mundo. Compartilharam também seus saberes proporcionando atenções de saúde aos participantes.
A surpresa, alegria e contentamentos não só dos(as) participantes, mas dos vizinhos, moradores da praça e transeuntes no momento da partilha para saborear e para levar: suculentas mangas, cajuína, doces, polpa de frutas, macaxeiras, bananas, espigas de milho, mudas de plantas… e aqui e ali a pergunta: não paga nada? O mesmo sentimento de solidariedade e partilha se estendeu no almoço preparado amorosamente por uma equipe de companheiras e nosso churrasqueiro Chocolate assando peixes e carnes na praça também doados pelos companheiros(as) da agricultura familiar.
Aliás, vale ressaltar a interessantíssima participação, colaboração na montagem do ato e integração dos moradores da praça.
Maria Luiza, já refeita da cirurgia, numa animação total revelando seus dotes de cantora juntamente com Nonato, Dalton Rosado, Valcir, Bael e outros participantes.
Na roda de conversa aconteceu um rico debate que foi concluído com a fala inspirada do companheiro Jorge Paiva comemorando seus 77 anos, em que lembrou que os(as) críticos(as) radicais souberam prever os acontecimentos atuais, formulando um projeto bem fundamentado à altura dos desafios do século XXI. Com esse objetivo reforçou a necessidade da construção do novo movimento social emancipatório e a convocação do Seminário e Encontro Transnacionais da Emancipação Humana e Ambiental com colaboradores(as) de vários estados do Brasil e também do mundo, Os aniversariantes Vito e Rildson Martins também se manifestaram. Logo após os parabéns ao som do violino de Dalila, a repartição de um gostoso bolo.
Causou um verdadeiro frisson a oficina para produzir cerveja artesanal ministrada por Geováh Alencar, além de uma oficina de reciclagem de papel.
Eugênia Siebra, Luiza Torres, Thiago Gonzaga e Chicão Oliveira do Coletivo Os Trambecantes Contadores de História encantaram crianças e adultos com sua apresentação. Sem falar nos poemas recitados por Rosana Estrela e Fabrício .
Tudo isso registrado pelas câmeras e máquinas fotográficas operadas por Charles Delano, Leo Dogger e Sandra Helena. E com o som garantido por Calvet.
Já chegando a noite, apresentações musicais de Gilvan Silva e outr@s, do grupo Sertão Rap, resistente desde 1993, de Maracanaú e das bandas de rock Código de Conduta e Ollie Fake.
Um sonho que se sonhou junto está virando realidade. O ato na praça com o circo já antecipou também o Encontro e Seminário que acontecerão em Fortaleza e no Sítio Brotando a Emancipação nos dias 30 de abril a 03 de maio de 2020. Contra a negatividade e a falta de perspectivas reinantes, afirmamos a possibilidade de juntos vivenciarmos essa outra história, organizando a nossa saída dessa vida falsa e construindo já uma vida autêntica, plena de sentido. Uma vida verdadeiramente humana e diversa, socialmente igual e criativa, ecologicamente exuberante e bela, prazerosa no ócio produtivo e completamente livre para toda a humanidade.

27 de Dezembro de 2019 – Praça da Gentilândia – BENFICA

MENSAGEM AOS(ÀS) SERVIDORES(AS) DO ESTADO DO CEARÁ

A nossa solidariedade diante da repressão aos servidores por parte do aparato estatal do Governo Camilo não pode estar dissociada da apreciação crítica sobre a visão acrítica que insiste em desconsiderar a dialética entre a imanência e a transcendência ao capitalismo, que fundamenta vitórias e não derrotas como a da luta contra a Reforma da Previdência.

Um abraço!

Crítica Radical

PRA COMEÇAR UMA OUTRA HISTÓRIA!

    As rebeliões tomam conta do mundo. Milhões de pessoas querem mudar de vida.

    Substituirão a vida falsa pela vida autêntica?

    Reivindicações específicas detonaram as explosões que logo se alastraram.

    Constata-se uma insatisfação generalizada com a política. Descrença na dobradinha Estado versus Mercado. Cólera diante do fracasso das políticas econômicas neoliberais e neokeynesianas. Temor com as guerras e as ameaças de guerras não só dos Estados Unidos com a China. Repulsa a Trump e Cia. Revolta com bilhões padecendo nas mãos de um grupelho de bilionários. Raiva com a crescente desigualdade social. Aversão à corrupção e decomposição generalizadas. Incertezas com medidas judiciais. Indignação com a simbiose entre democracia e dinheiro. Perplexidade com a substituição, sem garantia de emprego, da força de trabalho pela tecnologia. Pavor com o avanço do genocídio, ecocídio e barbárie.

    Reivindicações são atendidas, outras não, mas as rebeliões não se aquietam. Isso evidencia que os manifestantes sabem o que repudiam. Mas não alcançam as mudanças profundas que a oportunidade histórica possibilita. O impasse com a política mostra isso. Aceitam trocar uma política por outra. Mas não sua superação. Desconhecem a natureza da crise atual do capitalismo. Têm visão só para o concreto e não para o abstrato que o determina. Com isso, se vêem impedidos de acertarem contas com o capitalismo e suas expressões políticas. Continuam aprisionados na imanência. Assim, não olham para a transcendência que pode emancipá-los. Lutam por inclusão e colhem exclusão. Querem viver felizes e se deparam com mais sofrimentos. Não sabem como evitar a crescente inutilidade do ser humano. Querem uma natureza preservada e se chocam com a Terra se tornando inabitável. Agarram-se com a tecnologia que os confinam. Não percebem que sua utilização para valorizar o valor criou um impasse, pois elimina o trabalho que é a substância do capital. E aí a lógica do dinheiro produzir mais dinheiro se esgota, desvaloriza-se, dessubstancializa-se. A tecnologia, portanto, tem uma dupla face: ela escraviza, mas pode, se usada com uma crítica aguçada, contribuir para se libertar.

    Bolsonaro aceitou ser candidato para administrar a crise. Usou e abusou de uma corrupção nunca vista: a corrupção computacional. Não reconhece que milhões de pessoas já não são utilizáveis em termos capitalistas. O que acoberta a justificativa para a execução de milhões do sanatório social. É totalmente contra refletir sobre o dinheiro sem valor que aduba a regressão em curso, o recuo da civilização. É cúmplice do sacrifício humano ao trabalho e tempo abstratos. Quer impedir que se discuta um projeto à altura da natureza da crise. Pavoneia-se de ser um burocrata por defender o fetiche do capital. Bolsonaro vem do que é mais retrógado no país. Identifica-se com isso. Ele conta com o apoio de uma nata de obscurantistas que provocam insultando, destroem direitos, solapam a liberdade, queimam a Amazônia, tiranizam a educação, a cultura e a arte. Deixa claro que pretende inocentar policiais/milicianos que cegarem, aleijarem ou assassinarem quem protesta contra ele. Contrariado, chantageia com o AI-5. Seu velho e seu novo partido são ecos da ditadura civil- militar que se alicerça num programa ainda mais arcaico. Um partido que fará de tudo para tentar impedir uma saída emancipatória da crise. Um partido que está disposto e quer a todo custo o Brasil como coadjuvante do suicídio do capitalismo.

    Diante disso, partidos políticos, quer sejam de direita, centro ou esquerda se movimentam como cordas de caranguejos. Mexem e remexem, mas não saem do lugar. Os caranguejos são amarrados. Eles se amarram ao capital. Não querem mudar, mesmo diante da evidência que o capitalismo mudou o seu modo de produção. Frente a isso, a crítica, teórica e prática, que praticam teria que também mudar. Ao não mudarem, colaboram com a administração da barbárie. É o que indica os preparativos para as eleições de 2020 e 2022 com suas falsas polarizações. É o que evidencia a Reforma da Previdência do Governo Camilo/Bolsonaro, aprovada pela Assembléia Legislativa, claríssimo exemplo da administração da crise de forma restritiva e repressiva. Retiram-se direitos e, diante da resistência, a resposta é a brutal repressão.

    Essa pseudo-crítica assume, assim, a máscara de caráter do faz mas não sabe, demonstrada pela crítica radical. Afinal, o capitalismo produz não apenas mercadorias para as pessoas, mas pessoas para as mercadorias.

    E, hoje, a mercadoria com todas as demais categorias fundantes do capitalismo, entrou na sua crise definitiva. Já não podemos pensar e agir como se o capitalismo ainda pudesse, assim como fênix, renascer das cinzas. No espelho de terror estamos diante da sua barreira histórica, frente à frente com seu limite interno e externo.

    A história do capitalismo mostra, enfim, que sua vitória é também a sua derrota. Uma reflexão que foi extraída da origem do capitalismo. No entanto, permaneceu oculta. A importância do núcleo fundamental que capta os fundamentos do sistema, o valor-dissociação, demorou a ser dimensionada. Hoje o desenvolvimento parcial e a destruição capitalistas entram na sua fase autodestrutiva. A humanidade já convive com a ameaça de extinção humana e ambiental. Aceitará seu desfecho?

    Mas, hoje, ficou insustentável a manutenção da censura sobre a contradição em processo do capital e a prospecção sobre a crise da fronteira histórica do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias. O conjunto do movimento social, particularmente o movimento feminista, ecológico, anti-racista, LGBT+A, sindical, de intelectuais, professores e cientistas, cultural, artístico, de autonomistas e anarquistas tem agora, diante de si, a oportunidade histórica de se superar, através da crítica categorial ao sistema.

    Diante de nós a oportunidade histórica de ultrapassarmos o capitalismo. Para isso temos que construir um novo movimento social com base na crítica radical do valor-dissociação. Um movimento transnacional emancipatório para substituirmos o capitalismo. Um movimento para superarmos a nossa constituição fetichista, a nossa subjetividade narcisista, a nossa formatação inconsciente, a nossa forma-fetiche, enfim, a nossa forma-sujeito.

    Pra começar uma outra história precisamos estar conscientes, livres e associados(as). Para isso é indispensável que realizemos, através de uma comunicação instigativa, muitas reuniões, debates, pesquisas, estudos, discussões com práticas inovadoras e encontros municipais, estaduais, nacionais e internacionais para que suas análises e proposições que serão acolhidas no  Seminário e Encontro Transnacionais da Emancipação Humana e Ambiental nos possibilitem melhores condições para estarmos à altura das respostas para os desafios do século XXI. Essa façanha histórica vai se realizar no Ceará, em Fortaleza/Sítio Brotando a Emancipação nos dias 30 de abril a 03 de maio de 2020. Portanto, um 1º de maio da emancipação do trabalho!

Até lá vamos traçar novos caminhos para se vislumbrar já a emancipação que virá.

ATO DA EMANCIPAÇÃO!

ENFIM, A SAÍDA!

DECLARAÇÃO DE AMOR À HUMANIDADE E AO PLANETA

27 DE DEZEMBRO – SEXTA – DAS 9 h ÀS 21h

 PRAÇA DA GENTILÂNDIA – BENFICA

BASTA! ATO DA EMANCIPAÇÃO. ENFIM, A SAÍDA! DECLARAÇÃO DE AMOR À HUMANIDADE E AO PLANETA

Face à crise, o fracasso da direita, centro e esquerda.

Qual é o fato mais significativo nesse momento histórico do Ceará e do Brasil?

Com isso ganha força a proposta de um movimento social inovador que tem saída emancipatória para a crise. O novo já nasce com força para emergir e o velho não tem mais forças para existir

Você não acredita?

Venha então para a comprovação.

Mas não é só por isso que você está sendo convidado(a).Venha para inaugurarmos uma nova época para a humanidade e o planeta.

Integrantes da agricultura familiar do interior do Ceará, Grande Fortaleza e outros estados estão inaugurando um novo papel em seus sindicatos e, ao romperem com seus limites  e ao proporem uma vida diferente querem compartilhar com todos(as) nós na praça. Além do mais virão com suas produções alimentícias orgânicas. São resultados de várias iniciativas no trato com a terra, com a água e com o novo ser humano que querem construir. Suas experiências vão pintar no Benfica. É uma riqueza que vai se espalhar na praça numa partilha com todos os presentes.

As mulheres vão apresentar novos caminhos. Descobriram novos horizontes para uma vida verdadeiramente humana e diversa, socialmente igual e criativa, ecologicamente exuberante e bela, prazerosa no ócio produtivo e completamente livre. Entendem que chegou o momento para a superação do patriarcado e que o feminicídio branco e negro está com seus dias contados. Se o caminho que o conservador feminismo criou está esgotado, irrompeu uma abordagem feminista inovadora capaz de conquistar a emancipação das mulheres.

Os(as) companheiros(as) do Hospital das Clínicas e Maternidade Escola da UFC, depois de cinco anos de demissão de 700 deles(as) que ali trabalhavam, venceram as perseguições dos governantes e administradores e vão mostrar porque estão sendo vitoriosos. Responderão aos questionamentos de porque foram tão ousados. Estão se preparando com possível acordo com a UFC. Seus advogados que acumularam uma rica experiência nessa luta querem compartilhar com todos nós na praça. As últimas decisões do Tribunal Regional do Trabalho no Ceará contra o governo, a EBSERH e a UFC confirmam isso. Eles têm importantes ensinamentos não só para os trabalhadores daqui do Ceará e do Brasil, mas do mundo.

E os(as) instigadores(as) do Crítica Radical que souberam prever os acontecimentos atuais formulando um projeto bem fundamentado como resposta estão convocando todos nós para organizarmos a nossa saída dessa vida falsa e construirmos já uma vida autêntica, plena de sentido. Com esse objetivo estão convocando um Seminário e Encontro Transnacionais da Emancipação Humana e Ambiental com colaboradores(as) de vários estados do Brasil e também do mundo para um encontro-resposta à altura dos desafios do século XXI.

Um sonho que se sonhou junto está virando realidade. Venha para juntos começarmos uma outra história!

BASTA!

Da terra inabitável

De inutilidade do ser humano

De mentirosa polarização política

De vida falsa

Do reino do negativismo

De recuo de civilização

Da criminalização da ciência

De fundamentalismo religioso

De política de segurança

Genocida e racista

De liberação de agrotóxico

De desmatamento e aquecimento global

De totalitarismo do Mercado (dinheiro) e do Estado (política)

De genocídio, ecocídio e barbárie

Por uma vida autêntica!

ATO DA EMANCIPAÇÃO. ENFIM, A SAÍDA!

DECLARAÇÃO DE AMOR À HUMANIDADE E AO PLANETA

27 DE DEZEMBRO – SEXTA – 9 Horas – Praça da Gentilândia – BENFICA