BASTA DO MUNDO DO MACHO! ABAIXO BOLSONARO, PATRIARCADO E CAPITALISMO!

VEJA AQUI A PROGRAMAÇÃO

Este mundo foi implantado pelo homem branco ocidental. O seu resultado é a catástrofe patriarcal capitalista que aí está. Essa sociedade, portanto, nada tem de natural, é uma construção histórica e, como tal, pode ser superada.

Nós, mulheres, não temos responsabilidades na implantação desse patriarcado. Ao contrário, a nossa história está marcada por essa dominação. Ao compreendermos isso poderemos contribuir destacadamente para darmos um basta neste reino de barbárie, genocídio, ecocídio, racismo, machismo, LGBTfobia, dominação, exploração, guerras, feminicídio, nacionalismo, populismo, narcisismo, fundamentalismo, obscurantismo, intolerância, coronavírus, desemprego, tecnologia do confinamento humano, inutilidade do ser humano, disseminação de agrotóxicos e devastação ambiental com seu desmatamento e aquecimento global, política de segurança genocida e racista e neofascismo bolsonarista em curso que alimenta estes e outros retrocessos.

E, então, a história da humanidade e da natureza será uma outra história. Seus caminhos ainda não traçados encontraram finalmente, através da nossa revolta consciente e de uma proposta de práxis inovadora a possibilidade de voarmos na busca da sociedade da emancipação humana e ambiental.

De nada adiantou a caça às bruxas para limpar o terreno com o objetivo da implantação desta sociedade. A nova dominação das mulheres produziu resistências. Muitas ainda desconhecidas. Mas, a gestação por uma outra sociedade adubou a imaginação feminina.

Também nada resolveu a expansão dessa sociedade com a extensão da dominação fazendo dos africanos escravizados e exterminando, de forma generalizada, os povos indígenas. Um clamor contido de revolta se espalhou pela terra.

Foram precisos séculos para se tentar enraizar o novo patriarcado. E isso só aconteceu porque, de um lado, se acreditou na versão patriarcal de que nós, mulheres, não tínhamos história. Do outro lado, por causa dessa lacuna, ficamos desprovidas de uma crítica que alcançasse as raízes da dominação. Em razão disso, os chamados “desenvolvimento” e “progresso” foram acompanhados de uma lista de sofrimentos que atingiu níveis alarmantes sobre os povos colonizados e escravizados e, em particular, sobre as mulheres.

Hoje, a barbárie se instalou com a fronteira histórica do patriarcado produtor de mercadorias. A catástrofe produzida pelo sistema no seu limite interno e externo alcançou todo o planeta e se transformou numa ameaça à existência da humanidade e da natureza.

Não dá para reproduzir aqui a lista de horrores dos nossos sofrimentos anteriores e atuais. São numerosos, cruéis, dolorosos e quase indescritíveis. O que é mais importante e decisivo, aqui e agora, é compreendermos suas causas, seus fundamentos para que possamos dimensioná-los e superá-los.

Anteriormente, não conhecíamos a nossa própria história. Quase nada sabíamos sobre nossa posição subordinada nas sociedades pré-modernas. E, muito menos, nas sociedades modernas, sociedades produtoras de mercadorias que vieram em seguida. Hoje, estamos começando a compreender a nossa própria história e, ao captarmos seus fundamentos, reuniremos melhores condições para a adoção de uma prática capaz de conquistarmos a nossa emancipação. E, ainda mais agora, que podemos contar com uma formulação teórica inovadora que está à nossa disposição e à altura dos nossos desafios.

Nós e o patriarcado produtor de mercadorias somos resultado de uma longa história patriarcal judaico-cristã ocidental da socialização pelo valor (valorização do dinheiro pelo trabalho) e da dissociação sexual (cisão entre os papéis dos homens e das mulheres). Para que o patriarcado com sua racionalidade pudessem impor-se na esteira do legado antigo, era necessário deslocar a mulher e tudo o que ela representava. Assim, arrancaram-nos a ciência medicinal empírica e implantaram um projeto completamente diverso do nosso relacionamento com a natureza.

Para esse resultado contribuiu decisivamente o homem branco ocidental. Sua origem vem da economia das armas de fogo nos primórdios da modernidade e do poder destrutivo destas. Através disso se deu origem ao sistema patriarcal produtor de mercadorias, o capitalismo. Através da troca no mercado, as mercadorias produzidas se tornaram produtos sociais. Essas mercadorias contêm valores que representam uma determinada energia social despendida para produzi-las, ou seja, o trabalho. E esta representação exprime-se, por sua vez, num meio particular, o dinheiro, que expressa a forma geral do valor para todo o universo das mercadorias.

A relação social mediada por essa forma põe de pernas para o ar o relacionamento entre as pessoas e os produtos materiais. Os membros da sociedade como pessoas, aparecem como associais, como simples produtores privados e indivíduos sem relações. O relacionamento social apresenta-se, pelo contrário, como relação entre objetos (muitos deles animados, como se vê com a inteligência artificial) postos em relação entre si tendo por base a quantidade abstrata de valor que representam, cuja medida é o tempo de trabalho socialmente necessário para produzi-lo. As pessoas são objetivadas e as coisas personificadas.

Com isso, estamos diante do fetichismo da mercadoria que inverte a realidade ao fazer com que o concreto (a mercadoria) seja o mero condutor do abstrato (o valor). E, assim, origina-se uma alienação recíproca sobre e entre nós, membros dessa sociedade, que não utilizamos os nossos recursos de acordo com decisões comuns conscientes, mas, numa servidão voluntária, submetemo-nos a uma relação oculta entre coisas, nossos próprios produtos, comandados pela forma dinheiro.

Nessas coisas produzidas que constituem valores econômicos, não se levam em conta as suas qualidades sensíveis na medida em que são representantes materiais de trabalho indiscriminado e que apenas como tal se encarnam na forma do dinheiro. Então, estamos diante de um absurdo social em que o processo vivo de nossa relação com a natureza e as relações sociais que se estabelecem aparece como propriedade de coisas mortas. A atividade viva de homens e mulheres é absorvida pelos seus próprios produtos, promovidos a quase sujeitos da sociedade, enquanto os seus criadores(as) são degradados a meros acessórios.

Não existiria esse sistema patriarcal produtor de mercadorias se não existisse um espaço separado, dissociado da produção, para cuidar da casa, da criação e educação dos filhos, da assistência e cuidados humanos, do afeto, erotismo, sexualidade, amor, tesão, paixão, um reino de sentimentos e emoções dissociados da esfera do trabalho e, ao mesmo tempo como garantidor da produção e reprodução da mercadoria força de trabalho para a produção. Esse espaço foi imposto a nós mulheres como espaço subalterno expressando a dominação patriarcal moderna e pós-moderna.

O conceito abstrato de trabalho não aborda essas atividades femininas de reprodução. O feminismo, que em grande medida se fundamenta no marxismo do movimento operário com sua visão retrógrada de positividade do trabalho, ficou desarmado diante dessa questão fundamental.

O conjunto de relacionamento social no capitalismo, portanto, não se determina somente pelo auto-movimento fetichista do dinheiro e pelo caráter de fim em si do trabalho. Pelo contrário, verifica-se uma dissociação, uma cisão, especificada sexualmente mediada dialeticamente com o valor. Não estamos aqui diante de nenhuma relação de derivação lógica imanente entre o valor e a dissociação. A dissociação é o valor e o valor é a dissociação (Roswitha Scholz). Cada um está contido(a) no outro(a) sem ser idêntico(a) a ele(a). Ambos constituem momentos centrais e essenciais da mesma relação social.

Diante disso, como enfrentar e superar o feminicídio, a remuneração salarial rebaixada frente aos homens, a discriminação para ocupar postos de direção, o aprisionamento pelo “trabalho” doméstico, confinamento pela tecnologia, estresse nas alturas, para ser bela e gostosa, administrar a casa e ter dinheiro para sustentar a casa e o macho, cujo mundo acabou, sem enfrentar e superar essa relação social? E, ainda mais agora, que essa relação social fundamentada na socialização pelo valor e na dissociação sexual vive a sua crise final? O aumento da produtividade pelo uso cada vez mais decisivo das máquinas chegou a um ponto em que está sendo dispensado mais trabalho do que ainda poderia ser adicionalmente mobilizado pela expansão dos mercados e da produção (Robert Kurz). O aumento de mais-valor (mais-valia) relativo por trabalhador individual não adianta mais nada porque o número de trabalhadores no conjunto utilizáveis diminui consideravelmente. Esse ponto está aí escancarado, inclusive para quem insiste em não querer ver.

Estamos diante, portanto, da relação entre a produtividade, as condições da valorização e o esgotamento da sua identidade masculina. Pela primeira vez na história da humanidade, a problemática global da crise encontra sua expressão na questão feminina. Superar o patriarcado, hoje, é superar a forma fetichista da mercadoria. Pois aqui reside o fundamento da dissociação patriarcal que apresenta um estado social em que a sociedade não tem consciência de si mesma, não planeja nem organiza diretamente, na prática, sua própria forma de socialização, mas tem que representá-la simbolicamente num objeto externo, o dinheiro. Esse objeto assume, então, um significado sobrenatural que não é idêntico à sua forma externa, mas que aparece através desta. Em virtude de seu significado como um totemismo objetivado e secularizado da modernidade, ele adquire, apesar de sua banalidade material, poder sobre todos os membros dessa sociedade.

Nós, mulheres, mantivemos uma impensável e impossível gestação para a vinda de uma sociedade diferente desta. Sonhamos durante muito tempo com uma outra história e, agora, devemos adquirir plena consciência para, através de uma prática correspondente, conquistarmos a emancipação.

Pois, chegou o momento de nós, mulheres, fazermos um chamamento amplo, geral e irrestrito para que nós, seres humanos, possamos suplantar esse estado de coisas, lutando não apenas contra os efeitos, mas para superarmos as suas causas.

Que, na dialética entre imanência e transcendência não fiquemos aprisionadas pelos abusos incessantes dessa sociedade machista, fetichista, patriarcal produtora de mercadorias. Essa sociedade, como vimos , está no seu limite e isso possibilita uma oportunidade histórica para irmos muito além dela, eliminando a ameaça que representa de extinção da humanidade e do planeta. Que possamos compreender definitivamente que o capitalismo, apesar de todas as suas barbaridades, engendrou condições que, através de um novo movimento social transnacional emancipatório, podem ser utilizadas para a conquista da emancipação humana e ambiental.

Mulheres, sejamos realistas, pensemos o impensável, façamos o impossível!

Rosa Fonsêca, socióloga, Mestra em Educação, integrante do Crítica Radical e da União das Mulheres Cearenses

Publicado no Jornal O Povo online no dia 03.03.2020

https://mais.opovo.com.br/jornal/opiniao/2020/03/03/rosa-fonseca–basta-do-mundo-do-macho.html?fbclid=IwAR0rDcHCiRJXzJV9ShHyH5luUz6HrfCB04aqMHSHy1O5Zn-20ILOrXPk66s#.Xl8QPMa44Zc.facebook

LANÇAMENTOS

MANIFESTO, ENCONTRO E SEMINÁRIO TRANSNACIONAIS

E MOVIMENTO EMANCIPATÓRIO

PRÉ-LANÇAMENTO DO LIVRO MULHERES DOS ESCOMBROS – SCHEILLA NUNES

10/MAR/2020 – TERÇA18h30m – ADUFC

MANIFESTAÇÃO – 08 DE MARÇO – 13H

DRAGÃO DO MAR / PRAIA DE IRACEMA

NO DIA INTERNACIONL DA MULHER, NOSSA HOMENAGEM À COMPANHEIRA CÉLIA ZANETTI NOS DOIS ANOS DA SUA PARTIDA – VEJA O VÍDEO

HOMENAGEM À COMPANHEIRA CÉLIA ZANETTI, SEGUIDA DE DEBATE EMANCIPAÇÃO JÁ DO CAPITALISMO! NESTE SÁBADO, 1º DE FEVEREIRO, ÀS 9 HORAS.

PRA COMEÇAR UMA OUTRA HISTÓRIA!

EMANCIPAÇÃO JÁ DO CAPITALISMO!

O CAPITALISMO ACABOU! MAS, BOLSONARO, LULA, TRUMP, PUTIN, XI JIPING, MÍDIA, FORUM ECONÔMICO MUNDIAL, DEMAIS POLÍTICOS(AS), COM SEUS CANDIDATOS(AS) E PARTIDOS… AINDA ESCONDEM QUE O CAPITALISMO ESTÁ NA UTI!

VEJA PORQUE PODEMOS SUPERÁ-LO(S) CONQUISTANDO UMA VIDA PLENA DE SENTIDO!

A bandeira branca da rendição foi levantada face ao capitalismo. Ficaram sem horizontes o marxismo, o socialismo, o anarquismo, o movimento dos trabalhadores(as), particularmente o movimento operário, e também os movimentos de libertação nacional. Estão sem perspectivas os movimentos antirracistas, feministas, ecológicos, antiLGBTfobia. Entrou em dissolução o bem estar social burguês. A nostalgia tomou conta do paradigma keynesiano. O desmoronamento avança no 3º mundo. Reforma e revolução se confundem. A contra-reforma substituiu a reforma. Conquistas sociais importantes entraram em liquidação. O paradigma neoliberal, ao virar consenso suprapartidário, torna-se lixo ideológico.  A resistência ficou sem resistência. Grandes greves e movimentos sociais incendiários estão derrotados. A resignação tomou conta do movimento social.

 A predominância, até aqui, de uma crítica que não vai às raízes de toda essa história constitui a nossa principal limitação. Anteriormente, a crítica não percebeu a atmosfera autoritária que resultou na derrota da democracia durante o golpe de 64.  Em seguida, também não dimensionou o significado da restauração democrática face à transição transada da ditadura civil-militar. Mais recentemente, também não percebeu as matrizes autoritárias não só durante o impeachment, mas, também, nas eleições de 2018.

Em todas essas situações ignorou-se que democracia e ditadura são expressões políticas do capitalismo. A ausência de uma compreensão sobre o capitalismo, sua dinâmica, sua fronteira histórica, sobre o fetichismo que faz parte da realidade básica do capitalismo e sobre a ruptura com o trabalho como princípio de síntese social e demais categorias fundantes do sistema desarmou a crítica. A discussão atual sobre autoritarismo e democracia continua padecendo dessa grave insuficiência.

Essa compreensão ganha uma relevância extraordinária diante da crise atual que paralisa a crítica em vez de mobilizá-la para uma crítica radical de que essa crise é a crise final do capitalismo no seu limite interno e externo. Deixaremos, novamente, escapar a oportunidade histórica para ultrapassarmos o capitalismo e todas as suas expressões políticas, particularmente a bolsonarista?

O leitor(a) escaldado(a) dirá que o papel aceita tudo e que ficou impossível mudar o que está aí e que ninguém vai obrigá-lo(a) a olhar para o espelho. E mais: quem somos nós pra nos colocarmos com essa audácia?

O que temos a dizer? O Crítica Radical sempre alertou sobre a crise da fronteira histórica do capitalismo, de seu colapso, de sua catástrofe, do desabar do mundo patriarcal produtor de mercadorias. Que a troca da força de trabalho pela microeletrônica é a última manifestação do valor, o fundamento da produção burguesa. Ou seja, a força de trabalho é a fonte de mais-valor (mais-valia) e a sua gradual racionalização enfraquece o propósito da valorização, isto é, o valor não se valoriza, o dinheiro não se multiplica e o capital se dessubstancializa. Com essa rápida desvalorização o capitalismo transforma-se num cadáver que ainda move o mundo, é verdade, mas que pode ir pelos ares se emanciparmos a riqueza concreta da sua forma abstrata.

Além disso, o Crítica insistiu que o capitalismo devoraria literalmente o mundo e a si mesmo. Que o desenvolvimento das forças produtivas se revelaria como desenvolvimento das forças destrutivas. Que o capitalismo tem um poder de autodestruição que pode se realizar se nós não acabarmos com ele. Que não se deveria confiar no crescimento fictício que num futuro próximo estaria associado a uma rápida desvalorização do dinheiro, tornando inviável o sistema. Que a pretensão de que a deflagração de uma III Guerra Mundial poderia fazer o fênix renascer das cinzas se depara, dado o poder mortífero das armas atômicas, com a eliminação da humanidade e do planeta. Que a relação de dissociação sexual viveu, juntamente com a dinâmica capitalista, uma história que é sempre reconfigurada, sem ser ultrapassada em sua essência.

Durante muitos anos enfrentamos recusas categóricas, tanto do pensamento burguês, quanto do marxismo tradicional e do pensamento pós-moderno, entre vários outros. Mas, agora, diante das incontestáveis confirmações de nossas análises e da chegança da realidade ao pensamento da crítica radical do valor-dissociação, o que dirão? Configurado, hoje, que o limite do capital é o próprio capital, o que farão? Como reagirão diante da desvalorização do dinheiro, da perda de seu papel, de sua obsolescência? Insistirão em não levar em consideração que o capitalismo produz não apenas mercadorias para os seres humanos, mas seres humanos para as mercadorias? Prosseguirão negando que o valor é a dissociação e a dissociação é o valor? Continuarão assumindo, na nova qualidade da crise, a administração da barbárie suicida do macho branco ocidental e do seu sistema, o capitalismo?

Reafirmamos aqui que crise não é sinônimo de emancipação. Nenhuma sociedade na história da humanidade se apresentou tão descaradamente como absoluta e formatou, através do fetichismo, tão fortemente o ser humano como o capitalismo. Portanto, não pode haver emancipação social espontânea desta imposição absurda. Por causa disso, vivemos no dia a dia do Crítica uma conspiração permanente na dialética entre imanência e transcendência, dada a relação que temos com o conjunto dos movimentos sociais daqui e de outros lugares. Nessa instigação crítica e consciente, temos insistido muito na autonomia da teoria, mas procuramos ser criativos e imaginativos na busca permanente por sua práxis correspondente, como expressou o BASTA! Ato da Emancipação! Enfim a Saída! realizado na última sexta-feira do ano de 2019.

Não há nenhuma tendência da história das relações fetichistas para a emancipação, conforme temos repetido inúmeras vezes. Mas, é importante constatar que é uma ironia da história que o triunfo do capitalismo coincida historicamente com a sua crise final. Isto é, que a vitória do capitalismo seja também a sua derrota.

Diante de tudo isso, uma resposta à altura dos desafios do século XXI vem aí. Vai irromper, em abril/maio, em Fortaleza/Sítio Brotando a Emancipação, uma força social que mata e enterra o dragão, desligando sua tomada na UTI. Um movimento transnacional emancipatório que conquista a emancipação humana e ambiental, eliminando o patriarcado produtor de mercadorias. Que vai muito além do que é imediatamente possível, tanto nas formas de organização da solidariedade, quanto na construção de instituições coletivas sem objetivos comerciais nem estatais e que tenham como objetivo, através de formas autônomas, auto-organizadas, horizontalizadas, a apropriação de maneira abrangente das forças produtivas sociais. Que muda a vida falsa por uma vida autêntica. Que põe um fim no sistema com seu limite interno e externo. Que ultrapassa, portanto, o moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias com sua barbárie racista, feminicida, homofóbica, ecocida, genocida. Que põe um paradeiro na destruição e autodestruição capitalistas. Que elimina o obscurantismo, a miséria, a fome, o negativismo, a intolerância, o fundamentalismo religioso, a opressão, discriminação, exploração, dominação, exclusão e antissemitismo. Que suplanta o totalitarismo do mercado (dinheiro) e do Estado (política). Que supera psicopatas como Trump, Bolsonaro, etc como suas expressões políticas. Que termina com a regressão antropológica. Que elimina a devastação ambiental com seu desmatamento e aquecimento global. Que põe abaixo a falsa polarização política. Que não aceita que a Terra seja inabitável. Que elimina a guerra em todo o planeta. Que multiplica as potencialidades dos seres humanos, impedindo a sua inutilidade em curso. Que supera a esquerda até agora existente que está tão impotente diante do limite interno e externo da máquina de valorização como as elites capitalistas. Que acaba com as exigências loucas do capitalismo. Que constrói uma sociedade humanamente diversa e desfetichizada, socialmente igual e criativa, ecologicamente exuberante e bela, prazerosa no ócio produtivo e completamente livre.

A emancipação, portanto, não é a realização de uma sentença ditada por uma história fracassada. Sim, é verdade que suas coações objetivas fetichistas continuam existindo. Mas a forma dessa existência não se encontra estabelecida linearmente e pode ser disputada. Hoje, estamos diante da possibilidade de construirmos uma nova relação social através de seres humanos antifetichistas, conscientes, associados e livres. É este o objetivo que os críticos(as) radicais do valor-dissociação daqui, do Brasil e do mundo estão propondo para começarmos uma outra história.

ULTRAPASSAR O MODERNO SISTEMA FETICHISTA PATRIARCAL PRODUTOR DE MERCADORIAS, O CAPITALISMO!

APROPRIAÇÃO ABRANGENTE DAS FORÇAS PRODUTIVAS!

ENCONTRO – 1º/FEVEREIRO/2020 – DE 9H ÀS 16H – SINTUFC

Waldery Uchoa, 50 – Praça da Gentilândia – BENFICA

NA ABERTURA, HOMENAGEM À CÉLIA ZANETTI NOS DOIS ANOS DA SUA DESPEDIDA

UMA OUTRA HISTÓRIA COMEÇOU!

Foi realmente inusitado! No Ato da Emancipação na Praça da Gentilândia vivenciamos uma das mais belas experiências de manifestação da nova relação social, da nova sociedade que virá com a Emancipação Humana e Ambiental.
Sob a lona do circo, gentilmente cedido pelo Teatro José de Alencar e montado pela equipe de Ciro Lima, efetivamente compartilhamos sabores, saberes, música, poesia e, acima de tudo, a certeza de que a emancipação é possível e uma outra história já está começando!
A bela abertura que contou com Daniel, o Grupo Harmony e a participação da nossa companheira Dalila executando músicas clássicas e populares foi emocionante!
Companheiros(as) da agricultura familiar de vários municípios do interior do Ceará e Grande Fortaleza, tendo à frente Bael Peixoto, presidente da CONFETRAF Brasil e Raimundinho, Presidente da FETRAF-Ceará, através de suas falas, compartilharam as dificuldades impostas pelo sistema, sua perspectiva de um novo papel em seus sindicatos e o anseio por uma vida diferente. Trouxeram também suas produções alimentícias orgânicas, uma riqueza que se espalhou na praça para a partilha. Presentes representantes de Choró, Bela cruz, Itarema, Itapipoca, Caucaia, Paraipaba, Massapê, Quixadá, Maracanaú, Crato, Independência, Cascavel e Fortaleza. Participação virtual de companheiros da Bahia, Minas Gerais, Maranhão, Piauí, Alagoas, Pernambuco…
A alegria e a criatividade dos emboladores Marreco e Pinto Branco cantando a emancipação, suas músicas, pelejas e repentes!
A presença e fala solidária de companheiros(as) da PachaMama e a participação gratificante de Talles Arzigon com a Livro Livre Curió – Biblioteca Comunitária e um belo e instigante poema.

Os lançamentos dos livros de Dalton Rosado e Marcos Abreu e a exposição dos belos quadros da pintora Maiara Capistrano.
O momento forte e emocionante em que as mulheres se reuniram com Ivoneide, antiga companheira de luta, cantando a música Sou Mulher, resgatando as lutas e expondo os novos caminhos para a superação do patriarcado capitalista e do feminicídio branco e negro com uma abordagem feminista inovadora capaz de conquistar a emancipação das mulheres e da humanidade.
Os(as) companheiros(as) do Hospital das Clínicas e Maternidade Escola da UFC, juntamente com seus advogados Dr. Tiago e Dr. Clóvis Renato mostraram porque foram tão ousados e estão sendo vitoriosos, se preparando para o possível acordo com a UFC. Dr. Clóvis, em particular, surpreendeu com uma abordagem mais profunda do processo de luta, dimensionando a dialética entre imanência e transcendência do movimento e apontando novas perspectivas para a luta social. Eles têm importantes ensinamentos não só para os trabalhadores daqui do Ceará e do Brasil, mas do mundo. Compartilharam também seus saberes proporcionando atenções de saúde aos participantes.
A surpresa, alegria e contentamentos não só dos(as) participantes, mas dos vizinhos, moradores da praça e transeuntes no momento da partilha para saborear e para levar: suculentas mangas, cajuína, doces, polpa de frutas, macaxeiras, bananas, espigas de milho, mudas de plantas… e aqui e ali a pergunta: não paga nada? O mesmo sentimento de solidariedade e partilha se estendeu no almoço preparado amorosamente por uma equipe de companheiras e nosso churrasqueiro Chocolate assando peixes e carnes na praça também doados pelos companheiros(as) da agricultura familiar.
Aliás, vale ressaltar a interessantíssima participação, colaboração na montagem do ato e integração dos moradores da praça.
Maria Luiza, já refeita da cirurgia, numa animação total revelando seus dotes de cantora juntamente com Nonato, Dalton Rosado, Valcir, Bael e outros participantes.
Na roda de conversa aconteceu um rico debate que foi concluído com a fala inspirada do companheiro Jorge Paiva comemorando seus 77 anos, em que lembrou que os(as) críticos(as) radicais souberam prever os acontecimentos atuais, formulando um projeto bem fundamentado à altura dos desafios do século XXI. Com esse objetivo reforçou a necessidade da construção do novo movimento social emancipatório e a convocação do Seminário e Encontro Transnacionais da Emancipação Humana e Ambiental com colaboradores(as) de vários estados do Brasil e também do mundo, Os aniversariantes Vito e Rildson Martins também se manifestaram. Logo após os parabéns ao som do violino de Dalila, a repartição de um gostoso bolo.
Causou um verdadeiro frisson a oficina para produzir cerveja artesanal ministrada por Geováh Alencar, além de uma oficina de reciclagem de papel.
Eugênia Siebra, Luiza Torres, Thiago Gonzaga e Chicão Oliveira do Coletivo Os Trambecantes Contadores de História encantaram crianças e adultos com sua apresentação. Sem falar nos poemas recitados por Rosana Estrela e Fabrício .
Tudo isso registrado pelas câmeras e máquinas fotográficas operadas por Charles Delano, Leo Dogger e Sandra Helena. E com o som garantido por Calvet.
Já chegando a noite, apresentações musicais de Gilvan Silva e outr@s, do grupo Sertão Rap, resistente desde 1993, de Maracanaú e das bandas de rock Código de Conduta e Ollie Fake.
Um sonho que se sonhou junto está virando realidade. O ato na praça com o circo já antecipou também o Encontro e Seminário que acontecerão em Fortaleza e no Sítio Brotando a Emancipação nos dias 30 de abril a 03 de maio de 2020. Contra a negatividade e a falta de perspectivas reinantes, afirmamos a possibilidade de juntos vivenciarmos essa outra história, organizando a nossa saída dessa vida falsa e construindo já uma vida autêntica, plena de sentido. Uma vida verdadeiramente humana e diversa, socialmente igual e criativa, ecologicamente exuberante e bela, prazerosa no ócio produtivo e completamente livre para toda a humanidade.

27 de Dezembro de 2019 – Praça da Gentilândia – BENFICA

MENSAGEM AOS(ÀS) SERVIDORES(AS) DO ESTADO DO CEARÁ

A nossa solidariedade diante da repressão aos servidores por parte do aparato estatal do Governo Camilo não pode estar dissociada da apreciação crítica sobre a visão acrítica que insiste em desconsiderar a dialética entre a imanência e a transcendência ao capitalismo, que fundamenta vitórias e não derrotas como a da luta contra a Reforma da Previdência.

Um abraço!

Crítica Radical

PRA COMEÇAR UMA OUTRA HISTÓRIA!

    As rebeliões tomam conta do mundo. Milhões de pessoas querem mudar de vida.

    Substituirão a vida falsa pela vida autêntica?

    Reivindicações específicas detonaram as explosões que logo se alastraram.

    Constata-se uma insatisfação generalizada com a política. Descrença na dobradinha Estado versus Mercado. Cólera diante do fracasso das políticas econômicas neoliberais e neokeynesianas. Temor com as guerras e as ameaças de guerras não só dos Estados Unidos com a China. Repulsa a Trump e Cia. Revolta com bilhões padecendo nas mãos de um grupelho de bilionários. Raiva com a crescente desigualdade social. Aversão à corrupção e decomposição generalizadas. Incertezas com medidas judiciais. Indignação com a simbiose entre democracia e dinheiro. Perplexidade com a substituição, sem garantia de emprego, da força de trabalho pela tecnologia. Pavor com o avanço do genocídio, ecocídio e barbárie.

    Reivindicações são atendidas, outras não, mas as rebeliões não se aquietam. Isso evidencia que os manifestantes sabem o que repudiam. Mas não alcançam as mudanças profundas que a oportunidade histórica possibilita. O impasse com a política mostra isso. Aceitam trocar uma política por outra. Mas não sua superação. Desconhecem a natureza da crise atual do capitalismo. Têm visão só para o concreto e não para o abstrato que o determina. Com isso, se vêem impedidos de acertarem contas com o capitalismo e suas expressões políticas. Continuam aprisionados na imanência. Assim, não olham para a transcendência que pode emancipá-los. Lutam por inclusão e colhem exclusão. Querem viver felizes e se deparam com mais sofrimentos. Não sabem como evitar a crescente inutilidade do ser humano. Querem uma natureza preservada e se chocam com a Terra se tornando inabitável. Agarram-se com a tecnologia que os confinam. Não percebem que sua utilização para valorizar o valor criou um impasse, pois elimina o trabalho que é a substância do capital. E aí a lógica do dinheiro produzir mais dinheiro se esgota, desvaloriza-se, dessubstancializa-se. A tecnologia, portanto, tem uma dupla face: ela escraviza, mas pode, se usada com uma crítica aguçada, contribuir para se libertar.

    Bolsonaro aceitou ser candidato para administrar a crise. Usou e abusou de uma corrupção nunca vista: a corrupção computacional. Não reconhece que milhões de pessoas já não são utilizáveis em termos capitalistas. O que acoberta a justificativa para a execução de milhões do sanatório social. É totalmente contra refletir sobre o dinheiro sem valor que aduba a regressão em curso, o recuo da civilização. É cúmplice do sacrifício humano ao trabalho e tempo abstratos. Quer impedir que se discuta um projeto à altura da natureza da crise. Pavoneia-se de ser um burocrata por defender o fetiche do capital. Bolsonaro vem do que é mais retrógado no país. Identifica-se com isso. Ele conta com o apoio de uma nata de obscurantistas que provocam insultando, destroem direitos, solapam a liberdade, queimam a Amazônia, tiranizam a educação, a cultura e a arte. Deixa claro que pretende inocentar policiais/milicianos que cegarem, aleijarem ou assassinarem quem protesta contra ele. Contrariado, chantageia com o AI-5. Seu velho e seu novo partido são ecos da ditadura civil- militar que se alicerça num programa ainda mais arcaico. Um partido que fará de tudo para tentar impedir uma saída emancipatória da crise. Um partido que está disposto e quer a todo custo o Brasil como coadjuvante do suicídio do capitalismo.

    Diante disso, partidos políticos, quer sejam de direita, centro ou esquerda se movimentam como cordas de caranguejos. Mexem e remexem, mas não saem do lugar. Os caranguejos são amarrados. Eles se amarram ao capital. Não querem mudar, mesmo diante da evidência que o capitalismo mudou o seu modo de produção. Frente a isso, a crítica, teórica e prática, que praticam teria que também mudar. Ao não mudarem, colaboram com a administração da barbárie. É o que indica os preparativos para as eleições de 2020 e 2022 com suas falsas polarizações. É o que evidencia a Reforma da Previdência do Governo Camilo/Bolsonaro, aprovada pela Assembléia Legislativa, claríssimo exemplo da administração da crise de forma restritiva e repressiva. Retiram-se direitos e, diante da resistência, a resposta é a brutal repressão.

    Essa pseudo-crítica assume, assim, a máscara de caráter do faz mas não sabe, demonstrada pela crítica radical. Afinal, o capitalismo produz não apenas mercadorias para as pessoas, mas pessoas para as mercadorias.

    E, hoje, a mercadoria com todas as demais categorias fundantes do capitalismo, entrou na sua crise definitiva. Já não podemos pensar e agir como se o capitalismo ainda pudesse, assim como fênix, renascer das cinzas. No espelho de terror estamos diante da sua barreira histórica, frente à frente com seu limite interno e externo.

    A história do capitalismo mostra, enfim, que sua vitória é também a sua derrota. Uma reflexão que foi extraída da origem do capitalismo. No entanto, permaneceu oculta. A importância do núcleo fundamental que capta os fundamentos do sistema, o valor-dissociação, demorou a ser dimensionada. Hoje o desenvolvimento parcial e a destruição capitalistas entram na sua fase autodestrutiva. A humanidade já convive com a ameaça de extinção humana e ambiental. Aceitará seu desfecho?

    Mas, hoje, ficou insustentável a manutenção da censura sobre a contradição em processo do capital e a prospecção sobre a crise da fronteira histórica do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias. O conjunto do movimento social, particularmente o movimento feminista, ecológico, anti-racista, LGBT+A, sindical, de intelectuais, professores e cientistas, cultural, artístico, de autonomistas e anarquistas tem agora, diante de si, a oportunidade histórica de se superar, através da crítica categorial ao sistema.

    Diante de nós a oportunidade histórica de ultrapassarmos o capitalismo. Para isso temos que construir um novo movimento social com base na crítica radical do valor-dissociação. Um movimento transnacional emancipatório para substituirmos o capitalismo. Um movimento para superarmos a nossa constituição fetichista, a nossa subjetividade narcisista, a nossa formatação inconsciente, a nossa forma-fetiche, enfim, a nossa forma-sujeito.

    Pra começar uma outra história precisamos estar conscientes, livres e associados(as). Para isso é indispensável que realizemos, através de uma comunicação instigativa, muitas reuniões, debates, pesquisas, estudos, discussões com práticas inovadoras e encontros municipais, estaduais, nacionais e internacionais para que suas análises e proposições que serão acolhidas no  Seminário e Encontro Transnacionais da Emancipação Humana e Ambiental nos possibilitem melhores condições para estarmos à altura das respostas para os desafios do século XXI. Essa façanha histórica vai se realizar no Ceará, em Fortaleza/Sítio Brotando a Emancipação nos dias 30 de abril a 03 de maio de 2020. Portanto, um 1º de maio da emancipação do trabalho!

Até lá vamos traçar novos caminhos para se vislumbrar já a emancipação que virá.

ATO DA EMANCIPAÇÃO!

ENFIM, A SAÍDA!

DECLARAÇÃO DE AMOR À HUMANIDADE E AO PLANETA

27 DE DEZEMBRO – SEXTA – DAS 9 h ÀS 21h

 PRAÇA DA GENTILÂNDIA – BENFICA

BASTA! ATO DA EMANCIPAÇÃO. ENFIM, A SAÍDA! DECLARAÇÃO DE AMOR À HUMANIDADE E AO PLANETA

Face à crise, o fracasso da direita, centro e esquerda.

Qual é o fato mais significativo nesse momento histórico do Ceará e do Brasil?

Com isso ganha força a proposta de um movimento social inovador que tem saída emancipatória para a crise. O novo já nasce com força para emergir e o velho não tem mais forças para existir

Você não acredita?

Venha então para a comprovação.

Mas não é só por isso que você está sendo convidado(a).Venha para inaugurarmos uma nova época para a humanidade e o planeta.

Integrantes da agricultura familiar do interior do Ceará, Grande Fortaleza e outros estados estão inaugurando um novo papel em seus sindicatos e, ao romperem com seus limites  e ao proporem uma vida diferente querem compartilhar com todos(as) nós na praça. Além do mais virão com suas produções alimentícias orgânicas. São resultados de várias iniciativas no trato com a terra, com a água e com o novo ser humano que querem construir. Suas experiências vão pintar no Benfica. É uma riqueza que vai se espalhar na praça numa partilha com todos os presentes.

As mulheres vão apresentar novos caminhos. Descobriram novos horizontes para uma vida verdadeiramente humana e diversa, socialmente igual e criativa, ecologicamente exuberante e bela, prazerosa no ócio produtivo e completamente livre. Entendem que chegou o momento para a superação do patriarcado e que o feminicídio branco e negro está com seus dias contados. Se o caminho que o conservador feminismo criou está esgotado, irrompeu uma abordagem feminista inovadora capaz de conquistar a emancipação das mulheres.

Os(as) companheiros(as) do Hospital das Clínicas e Maternidade Escola da UFC, depois de cinco anos de demissão de 700 deles(as) que ali trabalhavam, venceram as perseguições dos governantes e administradores e vão mostrar porque estão sendo vitoriosos. Responderão aos questionamentos de porque foram tão ousados. Estão se preparando com possível acordo com a UFC. Seus advogados que acumularam uma rica experiência nessa luta querem compartilhar com todos nós na praça. As últimas decisões do Tribunal Regional do Trabalho no Ceará contra o governo, a EBSERH e a UFC confirmam isso. Eles têm importantes ensinamentos não só para os trabalhadores daqui do Ceará e do Brasil, mas do mundo.

E os(as) instigadores(as) do Crítica Radical que souberam prever os acontecimentos atuais formulando um projeto bem fundamentado como resposta estão convocando todos nós para organizarmos a nossa saída dessa vida falsa e construirmos já uma vida autêntica, plena de sentido. Com esse objetivo estão convocando um Seminário e Encontro Transnacionais da Emancipação Humana e Ambiental com colaboradores(as) de vários estados do Brasil e também do mundo para um encontro-resposta à altura dos desafios do século XXI.

Um sonho que se sonhou junto está virando realidade. Venha para juntos começarmos uma outra história!

BASTA!

Da terra inabitável

De inutilidade do ser humano

De mentirosa polarização política

De vida falsa

Do reino do negativismo

De recuo de civilização

Da criminalização da ciência

De fundamentalismo religioso

De política de segurança

Genocida e racista

De liberação de agrotóxico

De desmatamento e aquecimento global

De totalitarismo do Mercado (dinheiro) e do Estado (política)

De genocídio, ecocídio e barbárie

Por uma vida autêntica!

ATO DA EMANCIPAÇÃO. ENFIM, A SAÍDA!

DECLARAÇÃO DE AMOR À HUMANIDADE E AO PLANETA

27 DE DEZEMBRO – SEXTA – 9 Horas – Praça da Gentilândia – BENFICA

PRA COMEÇAR UMA OUTRA HISTÓRIA!

     As rebeliões tomam conta do mundo. Milhões de pessoas querem mudar de vida.

    Substituirão a vida falsa pela vida autêntica?

    Reivindicações específicas detonaram as explosões que logo se alastraram.

    Constata-se uma insatisfação generalizada com a política. Descrença na dobradinha Estado versus Mercado. Cólera diante do fracasso das políticas econômicas neoliberais e neokeynesianas. Temor com as guerras e as ameaças de guerras não só dos Estados Unidos com a China. Repulsa a Trump e Cia. Revolta com bilhões padecendo nas mãos de um grupelho de bilionários. Raiva com a crescente desigualdade social. Aversão à corrupção e decomposição generalizadas. Incertezas com medidas judiciais. Indignação com a simbiose entre democracia e dinheiro. Perplexidade com a substituição, sem garantia de emprego, da força de trabalho pela tecnologia. Pavor com o avanço do genocídio, ecocídio e barbárie.

    Reivindicações são atendidas, mas as rebeliões não se aquietam. Isso evidencia que os manifestantes sabem o que repudiam. Mas não alcançam as mudanças profundas que a oportunidade histórica possibilita. O impasse com a política mostra isso. Aceitam trocar uma política por outra. Mas não sua superação. Desconhecem a natureza da crise atual do capitalismo. Têm visão só para o concreto e não para o abstrato que o determina. Com isso, se vêem impedidos de acertarem contas com o capitalismo e suas expressões políticas. Continuam aprisionados na imanência. Assim, não olham para a transcendência que pode emancipá-los. Lutam por inclusão e colhem exclusão. Querem viver felizes e se deparam com mais sofrimento. Não sabem como evitar a crescente inutilidade do ser humano. Querem uma natureza preservada e se chocam com a Terra se tornando inabitável. Agarram-se com a tecnologia que os confinam. Não percebem que sua utilização para valorizar o valor criou um impasse, pois elimina o trabalho que é a substância do capital. E aí a lógica do dinheiro produzir mais dinheiro se esgota, desvaloriza-se, dessubstancializa-se. A tecnologia, portanto, tem uma dupla face: ela escraviza, mas pode, se usada com uma crítica aguçada, contribuir para se libertar.

    Bolsonaro aceitou ser candidato para administrar a crise. Usou e abusou de uma corrupção nunca vista: a corrupção computacional. Não reconhece que milhões de pessoas já não são utilizáveis em termos capitalistas. O que acoberta a justificativa para a execução de milhões do sanatório social. É totalmente contra refletir sobre o dinheiro sem valor que aduba a regressão em curso, o recuo da civilização. É cúmplice do sacrifício humano ao trabalho e tempo abstratos. Quer impedir que se discuta um projeto à altura da natureza da crise. Pavoneia-se de ser um burocrata por defender o fetiche do capital. Bolsonaro vem do que é mais retrógado no país. Identifica-se com isso. Ele conta com o apoio de uma nata de obscurantistas que provocam insultando, destroem direitos, solapam a liberdade, queimam a Amazônia, tiranizam a educação, a cultura e a arte. Deixa claro que pretende inocentar policiais/milicianos que cegarem, aleijarem ou assassinarem quem protesta contra ele. Contrariado, chantageia com o AI5. Seu partido é um eco da ditadura civil- militar que se alicerça num programa ainda mais arcaico. Um partido que fará de tudo para tentar impedir uma saída emancipatória da crise. Um partido que está disposto e quer a todo custo o Brasil como coadjuvante do suicídio do capitalismo.

    Diante disso, partidos políticos, quer sejam de direita, centro ou esquerda se movimentam como cordas de caranguejos. Mexem e remexem, mas não saem do lugar porque estão amarrados ao capital. Não querem mudar, mesmo diante da evidência que o capitalismo mudou o seu modo de produção. Frente a isso, a crítica, teórica e prática, que praticam teria que também mudar. Ao não mudarem, colaboram com a administração da barbárie. É o que indica os preparativos para as eleições de 2020 e 2022 com suas falsas polarizações.

    Essa pseud0-crítica assume, assim, a máscara de caráter do faz mas não sabe, demonstrada pela crítica radical. Afinal, o capitalismo produz não apenas mercadorias para as pessoas, mas pessoas para as mercadorias.

    E, hoje, a mercadoria com todas as demais categorias fundantes do capitalismo, entrou na sua crise definitiva. Já não podemos pensar e agir como se o capitalismo ainda pudesse, assim como fênix, renascer das cinzas. No espelho de terror estamos diante da sua barreira histórica, frente à frente com seu limite interno e externo.

    A história do capitalismo mostra, enfim, que sua vitória é também a sua derrota. Uma reflexão que foi extraída da origem do capitalismo. No entanto, permaneceu oculta. A importância do núcleo fundamental que capta os fundamentos do sistema, o valor-dissociação, demorou a ser dimensionada. Hoje o desenvolvimento parcial e a destruição capitalistas entram na sua fase autodestrutiva. A humanidade já convive com a ameaça de extinção humana e ambiental. Aceitará seu desfecho?

    Mas, hoje, ficou insustentável a manutenção da censura sobre a contradição em processo do capital e a prospecção sobre a crise da fronteira histórica do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias. O conjunto do movimento social, particularmente o movimento feminista, ecológico, anti-racista, LGBT+A, sindical, de intelectuais, professores e cientistas, cultural e artístico tem agora, diante de si, a oportunidade histórica de se superar, através da crítica categorial ao sistema.

    Diante de nós a oportunidade histórica de ultrapassarmos o capitalismo. Para isso temos que construir um novo movimento social com base na crítica radical do valor-dissociação. Um movimento transnacional emancipatório para substituirmos o capitalismo. Um movimento para superarmos a nossa constituição fetichista, a nossa subjetividade narcisista, a nossa formatação inconsciente, a nossa forma-fetiche, enfim, a nossa forma-sujeito.

    Pra começar uma outra história precisamos estar conscientes, livres e associados(as). Para isso é indispensável que realizemos, através de uma comunicação instigativa, muitas reuniões, debates, pesquisas, estudos, discussões com práticas inovadoras e encontros municipais, estaduais, nacionais e internacionais para que suas análises e proposições que serão acolhidas no evento nos possibilitem melhores condições para estarmos à altura das respostas para os desafios do século XXI. Daqui advém o propósito de construirmos o Seminário e Encontro Transnacionais da Emancipação Humana e Ambiental. Essa façanha histórica vai se realizar no Ceará, em Fortaleza/Sítio Brotando a Emancipação nos dias 30 de abril a 03 de maio de 2020. Até lá vamos traçar novos caminhos para se vislumbrar já a emancipação que virá.

SEMINÁRIO E ENCONTRO TRANSNACIONAIS DA EMANCIPAÇÃO HUMANA E AMBIENTAL

30 DE ABRIL A 03 DE MAIO DE 2020

ABERTURA EM FORTALEZA E, EM SEGUIDA, SÍTIO BROTANDO A EMANCIPAÇÃO (CASCAVEL)

(LANÇADO NA FESTA DE ANIVERSÁRIO DOS 77 ANOS DE MARIA LUIZA – 30.11.19)

ABERTURA DOS ESTUDOS PREPARATÓRIOS PARA O SEMINÁRIO E ENCONTRO TRANSNACIONAIS EMANCIPATÓRIOS

PARTICIPE DOS PREPARATIVOS PARA O SEMINÁRIO E ENCONTRO TRANSNACIONAIS EMANCIPATÓRIOS
ABERTURA DOS ESTUDOS

TEMA: FETICHISMO, NARCISISMO E SUBJETIVIDADE
PRESENÇA: PROF. ROBSON OLIVEIRA (UFC)
31.10 – 5ª FEIRA – 16 HORAS

LOCAL: SALA 14 – BLOCO LETRAS NOTURNO – CH1 – UFC

ENCONTRO COM PROFESSORES E ESTUDANTES DO SERVIÇO SOCIAL DA FATENE NO SÍTIO BROTANDO A EMANCIPAÇÃO

ATRAVÉS DE UMA AULA DE CAMPO PROFESSORES E ESTUDANTES DO SERVIÇO SOCIAL DA FATENE REALIZARAM UM ENCONTRO MARAVILHOSO COM O CRÍTICA RADICAL NO SÍTIO BROTANDO EMANCIPAÇÃO

Nos diálogos com o Crítica Radical estudantes e professores levantaram algumas questões importantes, entre as quais

  • Qual a natureza da crise que o capitalismo ora expressa?
  • Como justificar a ruptura com a concepção ontológica do trabalho?
  • Qual a compreensão que explica que o trabalho, como categoria que impulsiona a dinâmica do capitalismo, deve ser abolido?
  • Por que a luta de classe perde espaço no papel de desmoronamento do capitalismo?
  • Como a comunidade do entorno do Sítio está envolvida na proposta Brotando Emancipação?
  • quais os caminhos para a conquista da emancipação humana e ambiental?

ANTEPROJETO SEMINÁRIO E ENCONTRO TRANSNACIONAIS

Caro Amigo, Cara Amiga,

A apresentação deste anteprojeto já extrapolou o Crítica. Tudo indica que teremos um processo enriquecedor para elaboração, debate e decisão da proposta do Crítica para o Projeto de Encontro Transnacional. Uma reunião está sendo convocada com esse objetivo. Nesta extrapolação e ampliação não tem como não incluir você. Portanto, estamos encaminhando a você o conteúdo do anteprojeto. Assim o debate será ainda mais promissor para o aprofundamento e embelezamento coletivo dos(as) críticos(as) radicais do valor-dissociação para o Projeto.

Um abraço

Crítica Radical

ANTEPROJETO

SEMINÁRIO E ENCONTRO TRANSNACIONAIS

TEORIA CRÍTICA RADICAL DO VALOR-DISSOCIAÇÃO, SUPLANTAÇÃO DO CAPITALISMO COM SUA CRISE ATUAL DO COLAPSO DA SUA MODERNIZAÇÃO, DE SEU LIMITE HISTÓRICO, DE SUA ADMINISTRAÇÃO DA BARBÁRIE COMO ESPETÁCULO DO FIM DO MUNDO DO SUJEITO FETICHISTA E LANÇAMENTO E ORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO TRANSNACIONAL DA EMANCIPAÇÃO HUMANA E AMBIENTAL

09, 10, 11 e 12 de abril de 2020 – FORTALEZA E SÍTIO BROTANDO A EMANCIPAÇÃO

I – INTRODUÇÃO

Com esse anteprojeto do Seminário e Encontro Transnacionais queremos provocar de forma instigante e criativa a sua vontade consciente. Além de você, toda a humanidade e dos seres humanos em geral para iniciarmos a construção de um modo superior de sociabilidade. Uma nova relação social que vá muito além das formas fetichistas da mercadoria, da política, do trabalho e do dinheiro. Aqui a pré-modernidade, a modernidade, a pós-modernidade e a ultra-modernidade revelam-se como pré-históricas. O anteprojeto pretende, portanto, sensibilizá-lo(a) para o processo emancipatório que se inicia. Busca convocá-lo(a) para pegarmos a chave, abrirmos a porta e entrarmos no quarto proibido onde estão guardados os segredos de toda a humanidade. Através deste anteprojeto desenha-se a construção do vôo mais alto da inteligência humana, o período da mais bela luta de todos os tempos.

II – IDENTIFICAÇÃO DO EVENTO

Título do Evento: SEMINÁRIO E ENCONTRO TRANSNACIONAIS – TEORIA CRÍTICA RADICAL DO VALOR-DISSOCIAÇÃO, SUPLANTAÇÃO DO CAPITALISMO COM SUA CRISE ATUAL DO COLAPSO DA SUA MODERNIZAÇÃO, DE SEU LIMITE HISTÓRICO, DE SUA ADMINISTRAÇÃO DA BARBÁRIE COMO ESPETÁCULO DO FIM DO MUNDO DO SUJEITO FETICHISTA E LANÇAMENTO E ORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO TRANSNACIONAL DA EMANCIPAÇÃO HUMANA E AMBIENTAL Proposição e Realização: Críticos(as) Radicais do valor-dissociação de Fortaleza, Ceará, Brasil e Mundo Apoio: Universidades, escolas, movimentos sociais e entidades em geral Duração: 25 horas Período: 09, 10, 11 e 12 de abril de 2020 Público Alvo: pesquisadores(as), professores(as), estudantes, trabalhadores(as), integrantes dos diversos movimentos sociais, artistas, intelectuais, negros, índios, LGBTs, mulheres, ecologistas e indivíduos em geral do Brasil e de vários países. Conferencistas Convidados(as): Roswitha Scholz (Pedagoga, ensaísta alemã e editora da revista EXIT e outros(as) integrantes da revista), Anselm Jappe (Doutor em Filosofia e Ciências Sociais, professor, ensaísta alemão, editor da Revista Jaggernaut e outros), Teresa Ricci (Doutora em Literatura e ensaísta italiana), Gérard Briche (Doutor em Filosofia, professor e ensaísta francês), Felicidad Espinoza Soto (Mestra em Desenvolvimento Rural, Ciências Ambientais e Bióloga em Espanha e integrante da Revista Mania), Boaventura Antunes e demais ensaístas e colaboradores da revista EXIT no site obeco, Paulo Arantes (Doutor em Filosofia, professor aposentado da USP), Marildo Menegat (Doutor em Filosofia, professor na UFRJ), Carlos Toledo (Doutor e Professor em Geografia Econômica / USP e integrante do LABUR), Dieter Heidemann (Doutor e professor de Geografia da USP/aposentado e integrante do LABUR), Gabriel Zacarias (doutor em Estudos Culturais e professor na UNICAMP). Deveremos contar também com professores da UECE, UFC e outras universidades e Jorge Paiva (integrante do Instituto Crítica Radical de Fortaleza). Locais do Evento – Fortaleza e Sítio Brotando a Emancipação (Cascavel – Ce) Endereço: Em Fortaleza, a confirmar. Observação: A Temática Geral e Específica, a Programação e Orçamento estão em elaboração para o projeto final.

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III — O EVENTO Fortaleza, no decorrer dos anos, tem sido palco e origem de vários eventos de dimensões e repercussões inéditas para a cidade e país. Entre elas cabe destacar: Seminário Internacional Crítica Radical, Superação do Capitalismo e a Emancipação Humana (CEFET- CEARÁ /2.000), Seminário Internacional Crítica Radical, Crise e Emancipação — Para superação da história das relações fetichistas (Bienal Internacional do Livro — Centro de Convenções/2004), Simpósio Internacional – De que amanhã se trata? Ciência, Cultura e Desafios Contemporâneos no Olhar da Critica Emancipatória (SPBC — UECE/2005), o Seminário FETICHISMO E EMANCIPAÇÃO – 150 anos dos Grundrisse (Karl Marx) e A Origem das Espécies (Charles Darwin) (UFC/2008) e o Ciclo de Debates Brasil nas Ruas — Reforma ou Ruptura? (UFC/2013), lançamento de livros com debates entre os quais, mais recentemente Luis Marques (Capitalismo e Colapso Ambiental), Marcelo Godoy (A Casa da Vovó), Moishe Postone (Tempo, Trabalho e Dominação Social), Marildo Menegat (Crítica do Capitalismo em Tempos de Catástrofe) Gabriel Zacarias (No espelho do terror), além de vários encontros e debates, entre outras atividades.
A realização desses eventos sempre contou com um número significativo de participantes ensejando acalorados debates. Todas essas iniciativas fazem parte de uma proposta que vinha sendo desenvolvida pelo Instituto Filosofia da Práxis em parceria com universidades e outras instituições que, entrelaçando o mundo acadêmico e aqueles(as) que refletem e compõem os movimentos sociais, se propôs a discutir a realidade do mundo presente, a partir de um ponto de vista capaz de dar conta da crise real do que se tornou comum chamar o mundo globalizado.
No centro dos debates travados nesses eventos, a atualidade da crítica da economia política na ótica da teoria crítica radical, ou seja, com Marx para além de Marx, com particular ênfase na crítica do valor, da dissociação e do fetichismo da mercadoria e seu sujeito, centrada na crise da moderna sociedade produtora de mercadorias. No segundo semestre de 2007, o Instituto e o grupo Crítica Radical lançaram a proposta de realizar em 2008, por ocasião dos 40 anos do maio de 68, em Paris, um encontro de caráter transnacional. O objetivo era debater a crise atual à luz da crítica radical do valor-dissociação, fetichismo e sujeito, bem como a necessidade da construção de um novo movimento social de caráter transnacional emancipatório para superar a história das relações fetichistas. A idéia era revisitar o maio francês, em particular o movimento situacionista, estabelecendo nexos com a teoria crítica radical na atualidade tendo em vista fornecer elementos para uma práxis inovadora em plano mundial. A proposta não se concretizou, mas oportunizou a que no primeiro semestre de 2008, uma equipe de integrantes do Instituto e do grupo Crítica Radical, participasse de várias reuniões e encontros na Europa (Portugal, França e Itália) e em seguida no Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo) desenvolvendo esforços para a articulação desse encontro. O abalo financeiro no segundo semestre de 2008 e seus desdobramentos, reflexo da crise da barreira histórica do sistema, gerou uma grande perplexidade entre economistas, executivos, teóricos de diversos matizes e ideólogos do capitalismo e sua modernização. Essa circunstância, sem dúvida alguma, contribuiu para despertar nas pessoas um interesse maior pelas análises que, com bastante antecedência, já vinham sendo feitas pela crítica radical. No Fórum Social Mundial/2009, em Belém, a idéia da realização de um fórum transnacional antifetichista, apresentada num debate acerca da natureza da crise atual, contou com a adesão de um expressivo contingente de pessoas que participavam de uma acalorada discussão sobre a superação da crise. Neste espaço, foi debatida a urgente superação da paralisia do pensamento moderno e pós-moderno e construção de um novo
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movimento de transformação de toda a sociedade capaz de sair da imanência e ultrapassar o sistema produtor de mercadorias. Vale ressaltar que agora essa proposta começa a ter uma grande amplitude na medida em que ao hoje Instituto Crítica Radical se somam críticos(as) radicais do Brasil e do mundo e outras entidades e instituições na promoção do evento em plano local, nacional e internacional. Assim, a realização dos eventos propostos dá prosseguimento à tarefa de enfrentar a chamada “crise de paradigmas” que continua permeando a atual produção nas ciências humanas em suas diversas especializações. Com esse propósito discutirá as categorias fundantes do sistema produtor de mercadorias na ótica da crítica radical, englobando no debate as diversas contribuições e tradições dessa linha de pensamento que são originárias da percepção de um duplo Marx, ou seja, o Marx exotérico e o Marx esotérico.

IV – JUSTIFICATIVA

O discurso do presidente Bolsonaro na abertura da Conferência da ONU, não deixa mais nenhuma dúvida. Os governantes estão dispostos a tudo para levar em frente a administração da barbárie cuja devastação humana e ambiental é inimaginável. A busca da resposta para a superação dessa barbárie já começou. Suas raízes remontam para a própria origem do capitalismo. Como estamos diante do esgotamento do valor-dissociação, ou seja, das próprias fontes do capitalismo, irrompe a oportunidade histórica para sua superação. Mas cabe aqui um alerta: se o fetichismo não é exterior ao sujeito e se a formafetiche é a própria forma-sujeito, então não podemos mobilizar conseqüentemente os sujeitos enquanto sujeitos para a superação da relação social que os contém. Um exemplo notável disto é que os governantes, os políticos e seus partidos de direita, de centro e de esquerda, dirigentes sindicais, intelectuais e integrantes dos movimentos sociais não levaram em conta o alerta de que a mudança no modo de produção do capitalismo o levaria a uma crise do seu limite. Não perceberam e, hoje, estão despreparados e totalmente desprovidos de um projeto à altura do Século XXI. Pois quando o objeto da crítica se modifica, também a própria crítica deve modificar a si mesma. Hoje, as transformações da nossa época exigem uma ruptura inusitada com o capitalismo e todas as suas expressões políticas em curso. As novas forças produtivas da microeletrônica e mais ainda, recentemente, a 4ª revolução industrial, escancararam seu verdadeiro potencial de crise. Pela primeira vez na história, a riqueza material é produzida mais pelo emprego tecnológico da ciência do que pelo dispêndio do trabalho humano abstrato. Antes, o fordismo marcava o apogeu do sistema. Agora, a informatização marca sua entrada definitiva em crise! Não apenas em um aspecto particular, mas em seu aspecto central. Trata-se da contradição entre o conteúdo material da produção e a forma imposta pelo valor, pela valorização do dinheiro. O aumento incessante da produtividade do trabalho atingiu uma situação tal que o valor novo adicionado por unidade de produto é insignificante. O capitalismo, por causa da concorrência, levou essa produtividade ao infinito. Com isso, acabou produzindo uma drástica redução do valor (que se expressa no dinheiro) e da mais-valia (mais valor que se expressa no lucro) nele incluídos. Eles estão zerando. Eis aí a contradição em processo do capitalismo que está derrotando o próprio capitalismo. Agora, a capacidade de racionalização do trabalho é maior que a capacidade de expansão do mercado. Com isso, a medição da riqueza pelo critério do valor, ou seja, da valorização do dinheiro, se tornou insustentável. O trabalho deixa de ser a fonte principal da riqueza e o tempo de trabalho deixa de ser sua medida. Hoje, a redução do tempo de trabalho a um mínimo está em contradição antagônica com o tempo de trabalho como
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medida e critério da produção. Eis aspectos fundamentais que explicam a causa e a natureza da crise atual do mundo globalizado. Com isso, o capital perdeu sua dinâmica. Sua substância, o trabalho, esvai-se. Sua expressão, o dinheiro, vira dinheiro sem valor. Suas formas de pensamento e formas de existência tornaram-se obsoletas. Suas relações patriarcais capitalistas mostram que seu tempo histórico está esgotado. Sua crise já não é mais de expansão. Seu sistema sobrevive à beira do colapso. O capitalismo hoje se comporta como um sistema condenado à morte. Sua execução, no entanto, vinha sendo protelada. A dobradinha mercado x estado vinha conseguindo adiá-la. A cada adiamento o sistema respirava fundo. O alivio, entretanto, durou pouco. O adiamento se configura agora como recuo da civilização. Sua razão iluminista passou a gestar trevas. Sua árvore dourada da vida fenece. Hoje nos deparamos diariamente com genocídio, ecocídio, enfim, barbárie. E o Brasil? O campeão de desmatamento do mundo começa a vivenciar o seu colapso. A situação se agrava. A economia encolhe. Toda a corrupção ainda não veio à tona. No cenário internacional está apagado. Caminha ladeira abaixo. Recessão à vista. Indústria em queda. Perspectiva de saída ainda ausente. O Brasil passou a viver com o poder de compra das pessoas pulverizado pelo desemprego em massa, pela inflação, pelos juros, pelo ajuste fiscal com novos impostos, pela alta do dólar, pela redução dos serviços públicos e dos investimentos estatais. Evidentemente, o que está aqui em jogo é a própria capacidade de existência e funcionamento do capitalismo. São manifestações que demarcam as suas fronteiras. Indicam um programa suicida do modo de produção capitalista. Essa situação torna injustificável que partidos políticos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais continuem atrelados ao mercado, ao estado, à política e à economia. Será que eles se dispõem a cometer suicídio junto com o capitalismo? A crise, como vimos, advém da fronteira histórica da valorização do fundamento da produção capitalista. Ao tentar contornar esse limite interno, com a fuga para frente da financeirização e crédito público, o capitalismo deu n’água. Essa crise já não mais permite saída nos marcos do próprio capitalismo. Afinal, as raízes dessa crise advêm da própria origem do capitalismo. Ademais, a problemática global da crise da sociedade capitalista encontra sua expressão na questão feminina. Está em cheque a identidade sexual desta sociedade. A superação do valor é também a superação da sua identidade masculina. Superar o patriarcado é superar o moderno sistema fetichista produtor de mercadorias. Por causa disso a crítica radical do valor, da dissociação sexual, do sujeito, da extinção da humanidade e do planeta e do iluminismo constitui um todo indivisível. Pois, essa crise expõe de maneira cristalina não só o limite interno, mas também o limite externo ecológico do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias. Hoje nos deparamos com o desaparecimento de várias espécies em todo o planeta Terra. Diariamente a destruição do equilíbrio dos sistemas naturais mostra a sua expansão. A diversidade da vida no planeta ficou drasticamente reduzida. A vida na Terra e a sobrevivência da humanidade estão em perigo. Estamos diante de um evento mais devastador que o impacto do asteróide que matou os dinossauros há 65 milhões de anos. Hoje, os asteróides somos nós – os seres humanos — que, ao teimarmos em manter as relações patriarcais capitalistas do moderno sistema fetichista produtor de mercadorias estamos provocando rastros de destruição impressionantes: alterando a composição da atmosfera através da emissão de CO2; aumentando a acidez dos oceanos; elevando a temperatura média do planeta e, conseqüentemente a temperatura dos oceanos e do nível do mar, colocando o planeta em perigo com muito mais regiões em risco; reduzindo drasticamente os recursos hídricos provocando secas; poluindo o ar; provocando enchentes; já comprometemos mais de 50% da superfície da terra; arrasamos uma enorme
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extensão das florestas tropicais; expulsamos espécies de seu habitat natural; provocamos danos irreparáveis ao ecossistema global; produzimos alimentos que matam os seres humanos; degradamos cada vez mais os serviços de saúde; já provocamos a extinção de uma grande porcentagem de todos os mamíferos, de mais de 40% dos anfíbios, de 1/3 dos corais, de 1/3 dos tubarões, de 1/5 dos répteis, de 1/6 das aves. São dados divulgados por cientistas de todo o mundo. Agora, podemos perceber que estamos diante da ameaça da extinção da humanidade e do planeta. Com isso fica colocada a urgência da construção de uma resposta à altura dos desafios da crítica radical da crise do sistema. E aqui entra uma questão decisiva. Essa crise mostra que o limite de nossa constituição como sujeito formatado pela matrix fetichista tornou-nos até aqui impotentes perante a criatura – o capitalismo – que se tornou maior que seu criador – o ser humano. Se não formos capazes de superar a nossa máscara de caráter de sujeito pós-moderno da decadência, constituindo-nos como antissujeitos para sairmos da camisa de força em que nos querem colocar, afundaremos nos seus horrores. Horrores que são conseqüência do funcionamento em fim de linha da própria lógica da sociedade do espetáculo. Como antissujeitos reuniremos as condições indispensáveis para encerrarmos o cântico das mercadorias e suas paixões. Com essa conquista poderemos cantar o ser humano e sua emancipação. A nossa luta agora é pela ruptura já com o moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias substituindo-o por uma nova sociedade. Nunca houve um período da história da humanidade em que a vontade consciente dos seres humanos tenha tido uma importância tão decisiva como tem agora para, através de um movimento social transnacional emancipatório, suplantar a sociedade capitalista. Nesse sentido, o Seminário e Encontro se justificam, principalmente, pelo esforço de divulgar e debater as mais recentes elaborações, reflexões e pesquisas de uma critica social avançada. Cabe destacar, em particular, o estudo e aprofundamento teórico da crítica radical do valor-dissociação, fetichismo da mercadoria, sujeito, trabalho, política, Estado, mercado, dinheiro, economia, direito, nação, etc. Desta revolução teórica constituiu-se um campo indispensável para uma crítica e uma práxis social inovadoras. O Seminário e Encontro justificam-se também porque ampliarão o alcance da divulgação dessas elaborações em plano mundial, estendendo para além-mar a concretização da atividade de extensão universitária e um momento para tornar público o resultado de pesquisas relacionadas ao instigante ternário. Tais elaborações remetem para a Inglaterra do século XIX, na época o laboratório mais avançado do modo de produção capitalista, onde a crítica radical descobre a célula germinal desse sistema, a mercadoria. Frente à dinâmica do capitalismo, cujo apogeu empolgou e modernizou o mundo e que hoje esbarrou no seu limite histórico, a crítica radical explica sua lógica com base no fundamento da produção burguesa, o valordissociação, bem como a natureza da crise atual. No entanto, no mundo dominado pelo fetichismo da mercadoria, esta nova abordagem teórica apresentada nos Grundrisse com seu desdobramento principalmente no primeiro capítulo de O Capital atravessou os tempos como proscrita. O próprio autor dessas obras contribuiu para isso ao desenvolver a idéia da história como história da luta de classes cujo desfecho desembocou na modernização capitalista e, hoje, no seu colapso. A interpretação da história como história das relações fetichistas permaneceu alheia e inquietante não só para o marxismo do movimento operário, mas também para a intelectualidade, em particular para socialistas e comunistas, bem como para membros dos partidos políticos, sindicatos, artistas, cientistas, trabalhadores, feministas, ecologistas, jornalistas, juventude, anarquistas, autonomistas, etc.
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Mas, se antes inexistiam publicações, reflexões e práxis voltadas para essa teoria ainda desconhecida, hoje nos deparamos com uma situação completamente diferente e estimuladora. Agora, a atitude de reprimir, esconder e desqualificar a crítica radical do fetichismo começa a ser superada. E, com isso, irrompe um movimento teórico tendo como fundamento a negação do sistema; vem à luz a sua abordagem acerca da irracionalidade do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias; surge, enfim, a crítica radical que capta a lógica destrutiva do processo de acumulação capitalista em seus fundamentos e limites e aponta para a sua superação. O desenvolvimento, a divulgação e o estudo desta teoria e a construção de um movimento social de novo tipo nela fundamentada, coincidem com o aprofundamento e acirramento da crise que traz à superfície os limites da lógica do sistema produtor de mercadorias. Evidencia-se, com isso, a possibilidade da superação do sistema capitalista, que surge, agora, compreensível e factível após a revelação dos seus segredos mais importantes. Esses aspectos ganharão muito mais abrangência com a realização dos eventos supracitados que já vêm despertando a sensibilidade, a curiosidade e a imaginação em todas s pessoas interessadas e preocupadas no desenvolvimento de atividades cientificas e culturais voltadas para o conhecimento e enfrentamento dos desafios colocados para a humanidade e o planeta no Século XXI. A realização do Seminário e Encontro pretende também contribuir de forma especial para uma maior e melhor apreensão do mundo dos que compõem os movimentos sociais, aqui e alhures, como uma forma de potencializar suas ações transformadoras.

V – OBJETIVOS GERAIS

Apresentar e debater as idéias que fundamentam a análise do impasse da sociedade atual que desemboca no colapso do capitalismo e que, por essa razão, constitui uma ameaça à humanidade e ao planeta, cujo desfecho pode ser o auto-aniquilamento da humanidade e a destruição da natureza. Isto reflete uma sociedade que, em conseqüência do fetichismo da abstração real do valor-dissociação, não tem consciência de si mesma, não decide livremente, não utiliza suas potencialidades, não consegue organizar diretamente sua própria forma de socialização. A causa desse fracasso foi captada e anunciada pela crítica radical cujo olhar teórico e prático, se volta agora para a suplantação do sistema. No entanto, até agora não havia nenhuma convocação transnacional para superarmos essa situação. Mas, encarar e responder a estes desafios tornou-se incontornável. Nesse sentido, urge construirmos um ambiente favorável para o pensar e o agir emancipatórios. Os eventos pretendem, portanto, encarar o fundamento lógico do sistema, seu desenrolar no tempo histórico e sua barreira mundialmente apresentada pela crise atual. Um Seminário e um Encontro que têm como objetivo a emancipação humana e ambiental com base na fundamentação teórica e prática da crítica radical do valor-dissociação. Esses eventos pretendem desencadear imediatamente o processo de construção de um movimento social emancipatório que transcenda o sistema produtor de mercadorias e inaugure a nova relação social. Uma oportunidade para o encontro do impensável com o impossível para ultrapassarmos a história das relações fetichistas. Enfim, um fórum que tem como objetivo a conquista da sociedade da emancipação humana. Esses objetivos norteiam a realização dos eventos, certamente ampliados em suas pretensões pelo acúmulo do debate e da expectativa da contribuição de outros pensadores e/ou correntes de pensamento. Ao mesmo tempo objetiva-se a articulação de movimentos sociais, coletivos e integrantes de instituições de ensino, pesquisa e extensão com vistas à construção de um novo movimento social transnacional emancipatório.
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Com a realização deste Seminário e Encontro pretende-se avançar na compreensão critica do mundo e fundamentar a atividade teórica e prática dos movimentos sociais que se colocam no terreno da transformação das condições de dominação fetichista sobre os seres humanos.

VI — OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Contribuir para que integrantes dos movimentos sociais de vários países, em particular da nossa cidade e estado, possam apropriar-se da problemática decorrente de uma dominação sem sujeito que leva o ser humano a um não sabe, mas faz, convertendo-o em morto-vivo, conferindo um poder sobrenatural às mercadorias, através de uma abstração real que é o verdadeiro sujeito das relações humanas. Tal conceito de fetichismo, central na análise crítica radical da sociedade contemporânea, esboça os fundamentos de uma crítica social renovada, uma verdadeira revolução teórica que atinge inclusive aqueles(as) que não tiveram acesso a essa formulação, inclusive em nível acadêmico, mas cuja reflexão e experiência lhes permitem apropriar-se e contribuir para a concretização dos objetivos gerais almejados. Difundir novas idéias e conceitos abrangentes com base na crítica radical do valor, do fetichismo, da dissociação e das formas de práxis social a eles correspondentes, a fim de complementar a formação de profissionais de ensino e intelectuais ligados à área, bem como contribuir para a renovação da reflexão filosófica, histórica, ecológica, científica e cultural do Ceará, do Brasil e do mundo. Integrar as ações de ensino pesquisa e extensão universitárias às reflexões e iniciativas práticas dos movimentos sociais inovadores. Divulgar elementos significativos para uma compreensão crítica da nossa cultura e arte, tendo em vista sensibilizar o maior número de pessoas para a beleza e a diversidade cultural do nosso estado e país. Fomentar um espaço permanente de confiança, camaradagem e cooperação entre indivíduos, grupos e movimentos sociais tendo em vista a criação de um movimento de caráter transnacional para uma ação comum coletiva na perspectiva emancipatória. Contribuir para a discussão de uma agenda comum e a organização de um movimento em rede, de caráter transnacional, no sentido da emancipação humana.

VII – METODOLOGIA:

Com o objetivo de fomentar o debate dessa nova abordagem teórica, cuja ausência é gritante na atualidade e, ao mesmo tempo, criar processos de organização e luta, contínuos e agregadores, propõe-se uma metodologia com vistas a estabelecer uma dinâmica de conhecimento mútuo e discussão coletiva dos participantes do Seminário e Encontro. O espaço presencial e virtual para sua realização tem que se constituir num ambiente mais do que apropriado não só para o livre debate das idéias, mas de soluções para a superação das ameaças que pairam sobre a humanidade e o planeta.

VIII – O SEMINÁRIO, O ENCONTRO E VOCÊ

Para você que está indignado(a) com a destruição e autodestruição em curso. Para você que quer empenhar-se numa construção coletiva de uma maneira de viver muito melhor do que a decomposição e descivilização reinantes.

Para você que busca a construção de um movimento inovador capaz de enfrentar e superar a crise oriunda de uma relação social que, não só fracassou, mas fenece. Esse Seminário e Encontro são para você. Venha participar da sua preparação e realização. Um encontro cuja criação coletiva pretende contribuir para nos emanciparmos do capitalismo. Trata-se de um diálogo imperdível com uma temática geral e temáticas específicas à altura dos desafios do século XXI. Com isso Fortaleza, Ceará, Brasil e o Mundo conquistam a oportunidade histórica para realizarmos o mais profundo e belo debate de todos os tempos. Experiências as mais ricas e as mais diversas virão de todo o estado, país e mundo. Além das exposições dos convidados(as) teremos o relato de várias pessoas que contribuirão para o enriquecimento do encontro. Atividades artísticas e culturais se desenrolarão, juntamente com todos os encontros coletivos, no circo especialmente montado para o pleno vôo das mentes abertas, criativas e forjadoras da transcendência ao modo de produção e vida capitalistas e, conseqüentemente, aos Trumps, Bolsonaros e cia. que administram a barbárie de um sistema que está na UTI, mas cuja tomada ainda não foi desligada. Textos, revistas e livros fundamentais serão lançados. Suas abordagens nos possibilitam elementos indispensáveis para dimensionarmos bem a complexidade da situação atual nos possibilitado elementos para uma apreciação crítica sobre acontecimentos marcantes da humanidade. Além de livros, filmes, vídeos, cordéis, exposições fotográficas, contações de histórias e poesias também serão apresentadas. Campings estarão à disposição em locais muito agradáveis. Com isso, esperamos colaborar para que os depoimentos candentes ecoem num espaço arejado que descortinarão, enfim, ares emancipatórios. Esse inusitado evento será realizado em Fortaleza e no Sítio Brotando a Emancipação, cujo projeto se fundamenta numa crítica radical e ruptura categorial prática ao moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias. O sítio, que namora com o mar na Praia de Barra Nova e com as águas do rio Choró, fica em Mangabeira, distrito de Cascavel, na Região Metropolitana de Fortaleza/Ceará. Pretende-se transmitir ao vivo toda a programação do evento para que em diferentes locais da Terra, as pessoas possam, de Fortaleza e do sítio, interagir com os(as) participantes, enriquecendo as discussões. Amigo(a), estamos diante da oportunidade histórica do desencadeamento da luta, teórica e prática, para a superação do sujeito fetichista narcisista e suplantação da sua sociedade produtora de mercadorias. Com a realização deste Encontro, esperamos contribuir com a gestação de um movimento que tem como meta a associação de indivíduos conscientes, livres, desfetichizados. ‘ Acalentamos durante muitos anos esse sonhar. Agora, queremos que ele se transforme numa aurora desmedida capaz de anunciar o brotar da emancipação. Contrariando Chico Buarque, já vale a pena despertar! Afinal, o sonho que se sonha junto é realidade. Esse sonho é nosso, meu, seu, da humanidade e do planeta.

IX – OBSERVAÇÕES FINAIS

Como vimos, através de nossa análise, o capitalismo só surgiu, se desenvolveu, superou suas crises e hoje, na sua decadência, balança, mas não cai, porque estão intactas suas forma sociais categoriais básicas. Elas resistem e permanecem há séculos gozando de uma perenidade de causar espanto aos seus novos coveiros. E, ainda hoje, são consideradas como axiomas implícitos, um pano de fundo tácito que é proibido questionar. Criticá-las é como se o mundo viesse abaixo por causa dessas críticas. Ao contrário, é exatamente por falta da crítica teórica e prática a essas categorias que o Brasil e o mundo mergulham nessa barbárie. Se isso persistir, persistirá o capitalismo. Persistirá a barbárie capitalista. Se as categorias fundantes do capitalismo continuarem existindo, deixará de existir o ser humano, a natureza e o planeta terra. Uma conclusão realista diante das catástrofes previsíveis, mas de dimensões imprevisíveis que se anunciam. A crítica radical do fetichismo no permite compreender que ela nos acompanha desde os primórdios da humanidade. Por causa disso, a nossa história é a história das relações fetichistas. Vale dizer, não só a história contemporânea. Por mais diferentes que as relações sociais tenham sido na história das sociedades até aqui existentes, uma conclusão se impõe: todas elas foram dirigidas por meios fetichistas. Nunca existiram, portanto, sociedades autoconscientes que pudessem decidir livremente sobre o emprego de suas possibilidades. O moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias representa, apenas, a última forma social da dinâmica fetichista. Com isso o mundo capitalista passa, a partir de agora, a ser dimensionado como uma etapa passageira da história da humanidade. E a consangüinidade, o totemismo, a propriedade do solo e o valor passam a ser considerados como etapas do processo através do qual o ser humano se despregou da natureza, tornando-se um ser relativamente consciente em relação à primeira natureza, mas não ainda em relação à segunda natureza, que é a sua própria conexão social criada por ele mesmo. Com tudo isso, evidencia-se a resposta para a verdadeira dimensão da crise mundial do Século XXI. Trata-se da superação não só da história capitalista, mas da história existente até agora. Não só a era da guerra fria chegou ao fim. Chegou ao fim também a história mundial da modernização. Não apenas essa história especificamente moderna, mas a história mundial das relações de fetiche em geral. Daí a importância do Seminário e do Encontro para a humanidade e o planeta. Em razão de tudo isso, os(as) organizadores(as) e realizadores(as) do Seminário e do Encontro querem fazer deste tempo o seu tempo: um tempo para além da relação social do valor-dissociação. Um tempo para abrir perspectivas nas lutas das idéias e práticas sociais antifascistas, antixenófobas, antihomofóbicas, antisemitas, anti-rascistas, antimachistas e pelo fim da dominação, da exploração, da discriminação, da opressão, do sofrimento e da destruição do ser humano e do planeta. Sua razão de ser reside no fato de que o novo movimento social transnacional é a expressão concentrada de uma transformação histórica inusitada, realmente emancipatória. O que tem nele de realmente novo corresponde precisamente às novas tendências históricas que configuram essa crise de novo tipo da sociedade moderna. Uma crise que expõe, pela primeira vez, as fronteiras históricas do sistema capitalista. Uma crise que torna inútil o ser humano e a Terra inabitável. Captar essas tendências foi o primeiro sinal antecipado do triunfo da conspiração e subversão da crítica radical do valor-dissociação. Seu segundo sinal será a ruptura ontológica, a suplantação do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias e sua substituição por uma sociedade humanamente diversa e desfetichizada, socialmente igual e criativa, ecologicamente exuberante e bela, prazerosa no ócio produtivo e completamente livre.

Críticos(as) radicais de todo o mundo, uni-vos!

Abraços,

Crítica Radical