O DUPLO MARX E A ALTERNATIVA AO CAPITALISMO*

Ele teve muitas vidas, várias vezes delas foi despedido, carregou consigo uma dupla teoria, duas interpretações bem diferenciadas sobre crise do capitalismo, comentar sobre a história mundial tem que incluir o seu pensar, captou de maneira fora do habitual a lógica do capitalismo e se adiantou aos tempos, essa sua prospecção explica a origem da crise atual e está na base da gestação do Crítica Radical e, só agora, se prepara para se despedir em paz. Por isso, ao se mencionar crise do capitalismo ele ressurge. E como essa crise é bem diferente das anteriores, irrompe um Marx surpreendente.

Nas vezes anteriores ele ficou aprisionado na interpretação da história como a história da luta de classes. O resultado, como se sabe, foi a impossibilidade de se abrir perspectivas emancipatórias ao capitalismo.

Agora renasce um outro Marx – crítico radical das categorias do capitalismo e autor da interpretação da história como história das relações fetichistas. Aqui a alternativa ao capitalismo se apresenta. Marx já pode se desvencilhar de sua duplicidade. Portanto, como demonstrou Robert Kurz, existem dois Marx: o Marx exotérico e o Marx esotérico. Esse duplo Marx advém das contradições de suas próprias idéias que se apresentam diferentes frente à não simultaneidade interna e externa do desenvolvimento do capitalismo na época. A apreciação aprofundada dessas contradições permite descobrir um outro Marx ainda desconhecido, cuja teoria prospectou, a partir da compreensão da lógica do fundamento da produção burguesa, a natureza da crise da atualidade. Uma crise que já não é mais de expansão, mas da sua fronteira histórica. Aqui as categorias fundamentais do capitalismo não surgem como transhistóricas, naturais, mas como elas entraram em crise, se revelam como construções históricas e, portanto, superáveis. É o que se manifesta como incontornável para superar vírus e substituir o capitalismo.

Por que esse vôo tão ousado da inteligência humana não foi dimensionado?

Essa descoberta foi mantida ocultada sob sete chaves durante muito tempo, muitos anos. Agora, mais recentemente, a porta desse quarto proibido foi escancarada.

Hoje, não tem mais como você não entrar em contato com essa história. Conhecê-la, discuti-la, verificar e comprovar suas contradições, suas fontes, veracidade e atualidade. E mais, você vai perceber que esses estudos ainda são preciosos, não só para compreender o que passou, mas sobre os desdobramentos dos dias atuais.

De tudo isso o que é mais importante é que você pode dar asas à sua instigação ao subir nos ombros deste Marx esotérico. Daqui os horizontes se ampliam e possibilitam com que a imanência busque a transcendência ao moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias através de um movimento transnacional emancipatório, um movimento dos(as) que se associam conscientes e livres para a ruptura ontológica com o patriarcado capitalista.

E aí, embalados(as) pela inspiração emancipatória passamos a ensaiar uma conspiração inusitada conectando com todos aqueles(as) que, através da crítica radical do valor-dissociação, encaram, teórica e praticamente, os complexos desafios do futuro da humanidade e do planeta, construindo já a alternativa ao capitalismo.

Saravá, Marx!

*Por solicitação de amigos(as) reproduzimos aqui a abertura da reflexão sobre Marx, que seria divulgada no Programa Crítica Radical, no dia 05 de maio, data de seu nascimento. Fique ligado(a)! Breve retornaremos!

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