O QUE FAZ DE UMA CRÍTICA, O CRÍTICA? TESES SOBRE METASSUJEITO

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é apenas ter compreendido / a ditadura civil-militar como expressão política / na fase da expansão do capitalismo.

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só recordar combates realizados / e redimensioná-los através da crítica radical do fetichismo

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só a conspiração permanente / para sairmos do capitalismo imediatamente

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só a interpretação de que / a história do capitalismo não se resume / na produção de mercadorias para as pessoas / mas das pessoas para as mercadorias

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só a compreensão de que / a relação capitalista não engloba / todos os aspectos da vida e da consciência

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só o primeiro acorde / de uma melodia fascinante / onde a dança, a música e a poesia / são realizadas por uma orquestração deslumbrante

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só a dimensão de que / a relação capitalista se reproduz / não só através da sua administração da barbárie / mas também do nosso consentimento

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só a imaginação criativa / que embeleza e erotiza / o desejo, a paixão, o tesão / e o sonho humano e ambiental da emancipação

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é tão somente o seu chamamento / para emanciparmo-nos das formas sociais / autonomizadas e fetichistas

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só a sua interpretação da história / de que o fundamento do capitalismo / não reside apenas na imposição / de indivíduos a outros indivíduos, / mas de uma relação social / imposta pelo valor-dissociação, fetichismo, …

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é apenas sua previsão / de que o sujeito que aí está / não vai radicalizar a luta contra a ordem / econômica e política da catástrofe vigente

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é somente a sua visão de que o sujeito narcisista / não capta o fetichismo porque / ele não é exterior ao próprio sujeito com sua subjetividade / mas que a forma-fetiche / é a própria forma-sujeito

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só sua revolta consciente / das rodas vivas da vida capitalista em colapso

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é somente sua dimensão / que a crise atual não é uma crise cíclica, / mas uma crise que abala os fundamentos do sistema, / que não só impede a passagem / de um estágio da vida para outro, / mas se constitui numa crise / de ruptura antropológica

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é somente a prospecção de que / a virtualização do mundo, a manipulação genética / com sua artificialização da procriação / e a redução à informática / de quase todos os aspectos da existência, / colocam em risco a própria vida

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só a busca ininterrupta / pela transcendência diante da imanência / que só produz uma vida falsa / mas a instigação permanente de irmos muito além / pra construir uma vida autêntica, plena de sentido

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só a convicção de que / a emancipação será obra nossa / ou não será emancipação

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só o enfrentamento / teórico e prático / no Sítio Brotando a Emancipação / para superar a forma universal / e invertida da consciência / historicamente constituída pelo fetiche

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só o seu alerta permanente / de que a crise do capitalismo / é a crise de sua fronteira histórica / e sua manutenção produz e fecunda / expressões políticas obscurantistas / que inundam o nosso dia a dia / com barbárie, ecocídio e genocídio

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é apenas a instigação / para enfrentar e superar as coações fetichistas / produzidas pelo moderno sistema fetichista / patriarcal produtor de mercadorias

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só o compromisso enfático / com a compreensão de que / estas coações fetichistas não se encontram / estabelecidas linearmente/ e podem ser disputadas no dia a dia

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só a percepção de que uma lógica abstrata / real e dissociada sexualmente / assassina a humanidade e a natureza

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só termos contado com valiosas contribuições/ de amigos e amigas sem as quais / não teríamos chegado até aqui

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só sua luta diária contra a matrix fetichista, / as categorias fundantes do capitalismo, / o valor-dissociação, o racismo, a LGBTfobia, / a perseguição política, as guerras, / a discriminação, o antissemitismo / a ideologia e a ameaça de extinção / da humanidade e do planeta

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é somente a percepção de que / a estagnação e a falta de perspectivas / da arte moderna e pós-moderna correspondem / à estagnação e à falta de perspectivas / da sociedade da mercadoria / que entrou em decomposição.

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só tematizar o não tematizado, / mas se fundamentar numa autoconsciência / de que os novos escravos para se libertarem / vão ter que estar conscientes, livres e associados / para, como antissujeitos, construirem a ruptura / pela desfetichização do mundo

O que faz de uma crítica, o Crítica / é não só encarar o caminho / pra sair do capitalismo/ mas cortar os fios de meada / particularmente da forma-sujeito / que leva os indivíduos / a colaborarem para a manutenção do sistema

O que faz de uma crítica, o Crítica / é a compreensão de que o sujeito / é a forma na qual pensam / vivem e agem / os indivíduos na matriz /da constituição do fetiche capitalista

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é somente ter sido capaz de manter / sua identidade, coerência e atuação / teórica e prática durante um longo período

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só sua insistência permanente / de alertar a esquerda que o / colapso do capitalismo prenunciava / também o seu fracasso

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é somente sua compreensão de que / o capitalismo não é apenas a história / da opressão do sujeito pelo capital / mas a história do próprio sujeito / pois a crise que aí está / é a crise da forma-sujeito

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só sua infatigável conclamação/ação / para experiências práticas gestadoras / da maior façanha histórica do ser humano / que é substituir já o capitalismo

O que faz de uma crítica, o Crítica / não é só a compreensão de que / eu e você como metassujeitos / estamos diante da oportunidade histórica / para superarmos a segunda natureza / plasmada pela forma moderna e pós-moderna

O que faz de uma crítica, o Crítica / é não medir esforços / para a chegança desse momento / de uma conjugação extraordinária / para construirmos uma sociedade / humanamente diversa e desfetichizada/ socialmente igual e criativa / prazerosa no ócio produtivo /ecologicamente exuberante e bela / e completamente livre.

Obs: Ícaro Lira queria lançar na Mostra Meta-Arquivo uma publicação sobre o Crítica Radical. O objetivo era apresentar um balanço das nossas atividades e uma abordagem que explicasse aspectos essenciais do conteúdo do Crítica. Dois textos foram enviados e publicados. Um deles é apresentado aqui. 34 pessoas compuseram a nossa caravana para São Paulo. Numa homenagem a elas o poema-manifesto contém 34 teses.

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